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Archive for March, 2008


Vítimas da dengue ou do poder público?

Por Marcio Gredilha, no Via Aberta

http://phercer.blogspot.com/2007/10/caraga-records-8-deaths-due-to-dengue.htmlA dengue tem feito vítimas fatais, a população está morrendo na fila dos hospitais e parece que o responsável pelo mosquito transmissor somos nós (o povo). O que causa revolta maior é que já sabiam da epidemia, o tipo de vírus e nenhuma providência foi tomada. Os hospitais e postos de saúde não estão preparados para receber tantos casos de dengue comprovados.

Dói demais na população saber que não houve planejamento quanto ao combate ao mosquito e principalmente à doença. Além da falta de condições de trabalho e numero insuficiente de funcionários, o que mais preocupa é a falta de leitos para os casos mais graves que necessitam de internação.

Nesses últimos dias saiu nos noticiários que a secretaria de saúde (Municipal ou Estadual não importa) criou dois ou três centros de hidratação tentando passar uma falsa sensação de segurança como se algo grandioso estivesse sendo feito…

A população não precisa de dois ou três centros de hidratação. O ideal seria que todos os postos de saúde fossem equipados com um centro de hidratação vinte quatro horas por dia, para isso teria que contratar funcionários em caráter emergencial. Será que a prefeitura não tem dinheiro para isso? E o dinheiro que é jogado fora em tantas obras( me refiro as sem necessidades) e propagandas?

A população está indefesa e sem poder de reação. Até quando vamos resistir, quem será a próxima vítima? Até quando os nossos representantes ficarão de braços cruzados? O quantitativo de mortes não é suficiente?
Chega de assistir almofadinhas da administração pública dando declarações e insinuando que o mosquito é cria do povo, que o povo é responsável pela doença, só falta dizer que a culpa de tantas mortes é do povo. Algo tem que ser feito em caráter de urgência…

Quando percorremos os hospitais percebemos o tamanho da gravidade, quando entramos em uma emergência nos deparamos com um cenário de guerra: Crianças, jovens e idosos dividindo o mesmo espaço e o mesmo suporte de soro.
Toda uma população a mercê de uma epidemia não declarada, conhecida, prevista e a única resposta que temos são as mortes de crianças, jovens, idosos e amigos… E tudo isso dói na alma.

E lembrar que estamos em tempos que antecedem eleições…

Outras vozes, mesmo tema:
Armadilha para mosquito da dengue no Meu mundo e nada mais

Dengue no Viva & Deixe Viver
Dengue tipo 4 volta a infectar brasileiros no Blog do Tibu
Agência Brasil publica infográficos sobre a dengue no Jornalistas da Web
A dengue, as manchetes e o Rio de Janeiro, uma reflexão no Jornal de Debates

Vírus e falhas do sistema

fotos do encontro na editora globo do Um mini-post com um mea culpa. Esta era minha missão - dura - como editora hoje. Falhamos, gente. Na quarta-feira, 26/03, num dos raros dias em que todo nosso staff ficou offline ao mesmo tempo no horário comercial, tivemos uma falha do sistema e dois rascunhos de antigos autores - textos de Veridiana Serpa e Gustavo Gitti, queridos colegas que não estão mais no Nossa Via porque decidiram se dedicar aos seus projetos pessoais, nos quais, por sinal, são excelentes - foram publicados sem qualquer aprovação, revisão, correção ou mesmo autorização. Admito que fico mortificada quando a tecnologia, que considero uma aliada tão boa, me prega peças. (more…)

Jogar pela Seleção? Que nada, eles querem é jogar na Europa!

Sempre que assisto algum amistoso da Seleção Brasileira, como o desta Quarta, fico pensando: Será que ainda vale a pena ?perder? meu tempo com este jogo?
A princípio a resposta seria sim, pois como uma boa fã do esporte, não gosto de perder oportunidades de assistir craques que hoje, na sua grande maioria, não atuam mais por aqui.

BrasilxSuecia

Mas passado algum tempo, após ver a escalação da equipe que entra em campo, uma outra pergunta domina minha cabeça: Onde estão os craques? A resposta é simples, estão nos seus respectivos clubes.

Desta vez, as maiores estrelas brasileiras, Ronaldinho Gaúcho e Kaká alegaram contusão, mas sejamos sinceros, não é sempre assim.
Hoje, a cada amistoso, a cada competição que não seja a Copa do Mundo, fica no ar a sensação de que os jogadores servem a Seleção Brasileira por mera obrigação e não por prazer.

Seleção Brasileira não paga os salários milionários nem cria oportunidades de marketing que na maioria das vezes são mais rentáveis que os salários oferecidos pelos clubes.

Basta tomar o exemplo de David Beckham, atleta do L.A. Galaxy e da Seleção da Inglaterra. Ele é um bom jogador, mas não está no mesmo nível de Pelé, Maradona e Zidane, para citar apenas alguns. Seu carisma e aparência arrebatadoras, aumentam cada vez mais sua conta bancária.

O que acontece no Brasil hoje é a saída cada vez mais prematura de jovens promessas. O mais importante não é a fidelidade ao clube de formação, mostrar seu talento e conseguir uma vaga na Seleção Nacional, mas sim conseguir um contrato na Europa. Claro que os clubes de maior repercussão como Real Madrid, Barcelona e Manchester United são os maiores desejos dos meninos, mas se de repente aparecer uma proposta no Futebol Russo, Ucraniano, Turco, por que não aceitar? Os empresários, na ânsia de obter lucro rápido fazem o atleta aceitar qualquer proposta, desde que seja para jogar no exterior.

O resultado disso, é um amistoso entre Brasil e Suécia como o de hoje. Um jogo sem estrelas, sem sal, com jogadores sem a menor vontade de atuar, um futebol bem abaixo do esperado e decidido com a ajuda do goleiro adversário.

Quer ver uma boa partida de futebol? Sintonize sua TV em uma partida do Campeonato Inglês, que hoje é sem dúvida o melhor Campeonato do mundo.

Nosso tamanho de verdade

Quando estou com problemas sérios - isto é, ou estou me sentindo muito importante ou muito pouco importante -, tenho alguns hábitos.

Embora não seja um hábito me meter em problemas sérios.

Um deles é lembrar do poema If, de Rudyard Kipling.

O outro é tentar abarcar as reais dimensões das coisas.

A seqüência de imagens a seguir - que creio já ter apresentado em um vídeo em meu blog - nos mostra isso, a seu modo.

Sou capaz de apostar que Carl Sagan nos fala algo sobre isso em um de seus livros de maneira melhor. Além de astrônomo o cara era um poeta, muito mais do que alguns de nossos auto-proclamados bardos.

Mas, enfim, eis as imagens:

dimensoes1_1.jpg

dimensoes2_1.jpg

dimensoes3.jpg

dimensoes4_1.jpg

dimensoes5_1.jpg

(Fonte das imagens)

Claro que tamanho nunca foi parâmetro para medir a importância de alguma coisa, mas é um bom começo.

Se preferir, pode se colocar no meio do tempo.

Eu e Júlia conversávamos ontem sobre como a ética humana é capaz de mensurar as conseqüências de determiados atos apenas alguns descendentes à frente: filhos, netos, bisnetos se tanto. Um nevoeiro impede que se veja além.

Eu sou a favor do uso terapêutico das células-tronco, por exemplo. Afinal, para mim é fácil ver os benefícios imediatos que isso pode trazer. O coração humano é movido por certa urgência e, ao mesmo tempo, o tamanho da vida de um homem é menor do que o desdobramento de suas ações. Portanto, não sei o que será dos próximos séculos a partir do leque de possibilidades que certamente se abrirá. E as gerações futuras terão que aprender a lidar com elas à medida que surgirem.

Acredite, é mais fácil desviar de balas.

ÿ difícil se situar diante do infinitamente grande e do infinitamente pequeno. A vista não abarca certos tamanhos e não vê além de certos tempos. Em relação ao passado, chamamos isso de esquecimento e em relação ao futuro chamamos de imprevidência.

Independentemente do que vier a acontecer - e não só no exemplo que usei - esses resultados estarão perdidos em um ponto infinitamente pequeno no tempo e no espaço.

Em todo o caso, para não ser surpreendido, vale a pena conhecer o próprio tamanho. A astronomia serve para ensinar um pouco de humildade.
Certa vez um rei pediu a um dos seus sábios uma frase que servisse para ele meditar tanto nas glórias quanto nas desgraças.

A resposta veio imediata:

- Isto também passará.

O Universo, no entanto, vai continuar. Alheio a nossos maiores problemas.

Marília Gabriela entrevista… e bem!

Não posso dizer que os programas de entrevista sejam os meus favoritos. Primeiro porque, dependendo do convidado, os temas podem me interessar mais ou menos. Depois, porque a maioria dos entrevistadores costuma ter algum tipo de desvio aparente! A maioria deles quer aparecer mais do que o entrevistado. Nessa categoria Jô Soares e o próprio Fausto Silva são praticamente imbatíveis. E também tem aqueles que são interessados no que o entrevistado tem a dizer, mas possuem carisma zero.

Entre mortos e feridos na guerra da audiência, destaca-se Marília Gabriela! Com inteligência e muito carisma ela comanda, desde 96 seu programa no GNT. Inicialmente com o nome de Aquela Mulher, e a partir de 98 como Marília Gabriela Entrevista.

Nascida em Campinas e formada em Psicologia e Artes Plásticas, além de ser professora primária, começou a trabalhar nas organizações Globo em 1969. Começou como estagiária do Jornal Nacional e desempenhou inúmeros papéis, passando por apresentadora de noticiário, repórter, fazendo coberturas e trabalhando como enviada especial. Hoje em dia, desenvolve paralelamente seu trabalho como atriz, tanto no teatro, como no cinema e na televisão.

Sua presença em frente das câmeras é marcante! E a lista de pessoas interessantes que já passaram por seu programa tem a mesma medida. ÿbvio que as celebridades acabam ganhando mais atenção da mídia, mas não é raro que ela leve alguém não tão famoso para falar sobre algo realmente interessante. Nem preciso dizer que essas são minhas entrevistas preferidas.

No último dia 16, as entrevistadas eram a juíza Luciana Fiala e a diretora de cinema Maria Augusta Ramos que realizaram juntas o documentário Juízo que estreou recentemente. (Assim que assistir, volto para falar! ;))

Como sempre faz, Marília se colocou a disposição de seus entrevistados, tentando obter mais pensamento do que sensacionalismo. Com opiniões embasadas e longe de se colocar numa posição cheia de “achismos” ela consegue discutir diferentes pontos de vista com seus entrevistados. Não é raro que os entrevistados sejam vistos “pensando” para responder as perguntas, prova de que Marília consegue sair dos questionamentos óbvios e costumeiros.

ÿbvio que ela não faz o programa sozinha. Fica evidente o cuidado da direção (Maria Helena Amaral) e do roteiro (Maria Thereza Pinheiro), além de uma ficha técnica imensa e cheia de pessoas interessantes. Se você ainda não assistiu, não perca…. vale a pena! O programa passa no GNT e você consegue consultar dias e horários aqui!