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Archive for April, 2008


Padre Anchieta

Anchieta, que padecia de “espinheira caída” chegou ao Brasil em 13 de junho de 1553 com menos de 20 anos de idade. Veio junto a outros padres como o basco João de Azpilcueta Navarro. Na ocasição o padre Manuel da Nóbrega, Provincial dos Jesuítas no Brasil, solicitou mais braços para a atividade de evangelização do Brasil (podendo ser fracos de engenho e até mesmo doentes do corpo), o Provincial da Ordem, Simão Rodrigues indicou, entre outros, José de Anchieta.

Anchieta ficou conhecido em sua época, como abarebebe que, na língua tupi, significa padre santo voador. A sua disposição em caminhar o levava percorrer, duas vezes por mês, a trilha litorânea entre Iriritiba, e a ilha de Vitória, com pequenas paradas para pregação e repouso nas localidades de Guarapari, Setiba, Ponta da Fruta e Barra do Jucu. Modernamente, esse percurso, com cerca de 105 quilômetros, vem sendo percorrido a pé por turistas e peregrinos, à semelhança do Caminho de Santiago, na Espanha.

No seguimento da sua ação missionária, participou da fundação do planalto de Piratininga, do Colégio de São Paulo, do qual foi regente, apenas 130 pessoas faziam parte da vila formada principalmente por Jesuítas.

O “Apóstolo do Brasil“, como ficou conhecido mais tarde, foi fundador de cidades e missionário incomparável. Foi gramático, poeta, teatrólogo e historiador. O apostolado jamais impediu Anchieta de cultivar as letras, o que o permitiu compor seus textos em quatro línguas: português, castelhano, latim e tupi ? em prosa e verso.

Duas das suas principais obras foram publicadas ainda durante a sua vida:

- “De gestis Mendi de Saa” (”Os feitos de Mem de Sá”) impressa em Coimbra em 1563 - retrata a luta dos portugueses, chefiados pelo governador-geral Mem de Sá, para expulsar os franceses da baía da Guanabara onde Nicolas Durand de Villegagnon fundara a França Antártica. Esta epopéia renascentista, escrita em latim e anterior à edição de “Os Lusíadas”, de Luís de Camões, é o primeiro poema épico da América, tornando-se assim o primeiro poema brasileiro impresso e, ao mesmo tempo, a primeira obra de Anchieta publicada.

No poema de Anchieta, o Brasil está na fase do Paraíso perdido, que se mostra, dessa forma, em um ambiente de chuvas, tempestades, combates, próximo a Titanomachia, com os relâmpagos de Zeus, como o Dilúvio do Gênesis e das Metamorfoses de Ovídio.

Cristo ao chegar na colônia é o lumen inocciduum, a luz que não se põe, logo, a luz que vencerá a Hespéria, o poente, o Ocidente. Podemos fazer um paralelo entre a chegada de Cristo ao Brasil e a criação da luz no Gênesis.

Lumine depressi iam humentia sidera mundi
Splendidiore micant, clarumque per aethera currum
Phoebus agit, radiisque nouis fugat humida caeli
Nubila dispergit nebulas, multoque madescens
Imbre solum siccat, splendentique axe coruscus
Clara tenebroso diffundit lumina mundo.

Brilham com luz mais esplêndida, e Febo faz avançar o carro ilustre através do éter, e com novos raios põe em fuga a úmida neblina do céu, e dispersa os nimbos, seca o solo da grossa chuva, e fulgurante, pelo firmamento resplandecente, difunde as claras luzes do tenebroso mundo.

Entre os versos 1296a-1371, é narrada a idéia de natureza superlativa, em um momento no qual Anchieta descreve os primeiros trabalhos das missões jesuíticas. Estes versos igualam-se ao topos humanista da áurea aetas a Idade de Ouro clássica, das Fortunatae insulae, interrompendo-se para voltar a narrar outros combates contra os índios.

- “Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil” impressa em Coimbra em 1595 por Antonio de Mariz. ÿ a primeira gramática contendo os fundamentos da língua tupi. Apresenta folha de rosto com o emblema da Companhia de Jesus. Desta edição conhecem-se apenas sete exemplares e vale lembrar que se trata da primeira obra dedicada a línguas indígenas. Sendo a primeira gramática do tupi-guarani - “A Cartilha dos Cativos

O movimento de catequese influenciou seu teatro e sua poesia, resultando na melhor produção literária do Quinhentismo brasileiro. Entre suas contribuições culturais, podemos citar as poesias em verso medieval, dentre eles o poema De Beata Virgine Dei Matre Maria, mais conhecido como Poema à Virgem, com 4.172 versos merece destaque.

No Rio de Janeiro, redigiu carta datada de 9 de julho de 1565 ao Padre Diogo Mirão, dando conta dos acontecimentos ocorridos ali - tais escritos são considerados uma espécie de certidão de nascimento da cidade fluminense. Nela se encontram os seguintes trechos:

“…logo no dia seguinte, que foi o último de fevereiro ou primeiro de março, começaram a roçar em terra com grande fervor e cortar madeira para cerca, sem querer saber nem dos tamoios nem dos franceses.”

Mas o que eu gosto de enfatizar ao ter contato com os escritos de Anchieta é que ele foi mais que um Padre, pois ao se dedicar as letras, permitiu dar ao Brasil uma identidade. Sendo um dos primeiros a perceber que era preciso conhecer e respeitar a cultura e a língua local, enquanto a maioria preocupava-se apenas em catequizar os índios. Trouxe consigo o latim, o português e o castelhano e levou consigo o Tupi Guarani, é claro que deixou muito nessas terras, a língua portuguesa que falamos hoje é prova existência de seu legado…

Então vejo crescer o espanto ao observar que pouco se fala do homem que permitiu a literatura brasileira revelar grandes nomes a partir de sua escrita. Por mais importância que seus escritos tenham para a literatura brasileira, sua obra só foi totalmente publicada no Brasil na segunda metade do século XX e ainda assim é desconhecida da grande maioria dos brasileiros. Uma parte da história literária desse país que fica entre parênteses.

Cores japonesas em São Paulo

Pelo meu sobrenome, é fácil imaginar que sou meio oriental. Meu pai é filho de japoneses e fui criada com muita intimidade com esta cultura, que posteriormente aprendi a apreciar com olhos mais maduros e sobre a qual estudo sem parar. No entanto, até eu, apaixonada pelo Japão, me surpreendo quando vejo como a sociedade brasileira está assumindo os festejos do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Apesar de ser um dos grupos de imigrantes que chegou mais tarde ao Brasil (quase cem anos depois dos alemães e décadas depois dos italianos, para fazer apenas duas comparações), os japoneses sempre chamaram atenção. O idioma, que as primeiras gerações mantiveram a todo custo, os hábitos e especialmente sua aparência diferente sempre os distinguiram dos outros grupos brasileiros.

Mas o que faz dos festejos do centenário uma festa popular é a curiosidade e o interesse pela cultura japonesa. Seja pelo tradicional ou o hitech, o Japão é interessante.

(more…)

Tamanhos de roupas: a falta de um padrão

Nesta semana em meu blog, expus um problema que aconteceu comigo em dois posts: O problema da falta de padrão da modelagem de roupas e Tamanhos de roupas, a discussão continua. Saí para comprar uma camisa para o meu marido. Entrei numa loja TNG e escolhi dois modelos muito bonitos. Peguei o número que ele veste (número 4), só que minha sogra me alertou que não iria caber. Pedi um número maior e levei.

Chegando em casa, veio a surpresa: o número 5 não serviu. Voltamos a loja para pegar um número maior, o 6, apesar de meu marido estar possesso com isto, já que ele veste número 4. Mas na loja não tinha um número maior. Aliás, fui informada que eles não fazem números grandes. Tudo bem, peguei outra peça em troca, mas saí revoltada porque as lojas não tem um mesmo padrão de tamanho. Este fato me levou a procurar saber mais a respeito.

Pesquisei e fui informada que a ABRAVEST trata do assunto. Eles tem uma norma de 1995 que diz que esta numeração refere-se não às medidas das roupas e sim as medidas do corpo humano. Através de um estudo, eles chegaram a um padrão de numeração para que:

?Ao se comprar uma roupa o desejo é que esta vista adequadamente um determinado tamanho de corpo, de forma ?justa? se for um tecido ?stretch (que estica), ou de forma ?folgada?, com alguns centímetros a mais do que as medidas do corpo humano para a grande maioria dos outros tecidos.?

E ainda, segundo esta padronização serve para o consumidor se orientar na escolha correta dos tamanhos das roupas. Mas que orientação é essa? Se cada loja faz o tamanho que quer?

Não é o que acontece, porque a cada loja que eu vou a minha numeração varia de 42 a 46!!! Isso mesmo, a variação é muito grande, e pelo que eu vi, as lojas não seguem padrão nenhum. Fica difícil conseguir acertar e encontrar algo que sirva.

A Sam falou também um pouco a respeito, e mostrou como é a numeração no Japão, onde há vários tipos de medidas para comprar sutiã. Nos Estados Unidos, eu consigo encontrar uma calça que sirva na cintura e também no comprimento.

Bem, para quem acompanhou os dois posts, vai ver que eu saí sem a camisa e ainda procuro uma para o meu marido, e ainda não encontrei. Mas com certeza não será em nenhuma loja TNG, porque eles não fazem número grandes, só para pessoas extremamente magras, é o tal do vanity sizing.

O assunto é vasto, dá para ficar discutindo aqui e gerar um post enorme, e com certeza gerará outro. Numa pequena procura na internet, achei muito a respeito disso. Quem tiver sua opinião a respeito ou já passou por uma situação como esta, deixe o seu comentário, gostaria de saber a opinião de vocês.

PS: No fim da pequisa, achei um site que vende calças jeans que respeita as suas medidas. ÿ o True Jeans. Ainda não não me aprofundei sobre o assunto, mas quando tiver mais informações, eu publico aqui.

Amadurecer é difícil, mas necessário.

Chega um momento na vida em que você olha para suas ações e pensa: - Por que estou repetindo isso? Eu já não deveria ter deixado de fazer certas coisas? Pois é… deveria, mas ainda não fez.

Se por um lado há o “peso” de estar repetindo certas ações, por outro podemos pensar que a simples possibilidade de começar a perceber a repetição dos próprios erros já é uma vantagem que começamos a ter. Sim porque, às vezes, nem percebemos o quanto repetitivos e equivocados somos. Muitas vezes “reagimos” a certas situações sem pensar na “maneira” (poderia dizer “forma” também) como reagimos.

Se pensarmos que toda “forma” pressupõe um “conteúdo” podemos facilmente imaginar que a maneira que reagimos está inteiramente ligada à maneira como vemos o mundo e a idéia que temos dele, ou seja, nosso conteúdo!

Logo, para se mudar a “maneira” de reagir, teremos que mudar a maneira de ver o mundo. Fácil, né? Bom, talvez só teoricamente. A maneira como vemos o mundo não é composta somente de nossas idéias (inteligência mental / racionalidade). A maneira como vemos o mundo é o conjunto de nossos históricos… de nossas vivências, que imprimem em “nós” (corpo e mente, como uma coisa só) suas marcas e raciocínios.

Ou seja, ao termos “consciência” das mudanças necessárias, criamos uma contradição aparente: por mais que saibamos da necessidade de modificar alguns comportamentos, nosso corpo (físico e racional) resiste às mudanças.

Não se trata aqui de falar do famoso embate razão/emoção. Visto que, em minha opinião, esse embate não existe (mas isso é assunto para outro post!). Falo da dificuldade de deixar de realizar certas ações incorporadas ao nosso cotidiano. Aquelas que comumente chamamos de “normais”. Essas ações devem ser diferentes para cada pessoa. No meu caso pessoal, tenho um “problema” nas relações com as pessoas: oscilo facilmente da desconfiança total a entrega absoluta (maldito gênio escorpianino!)… e também, claro, o famoso ciúme (que, às vezes, beira o doentio).

De qualquer forma, amadurecer é um processo que envolve diversas mudanças de comportamento ou, melhor dizendo, de perspectiva. Talvez uma das maiores dificuldades seja querer fazer essas “mudanças” de maneira drástica, definitiva. Para mim já percebi que não funciona. Eu necessito de tempo para poder ir incorporando novas atitudes. E para você, como é?

Entenda o terremoto em São Paulo

Ontem, dia 22 de Abril de 2008, um terremoto de 5,2 graus na escala Richter foi sentido em São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Apesar de ter durado apenas 5 segundos, o tremor conseguiu assustar muita gente, principalmente parentes de fora do Estado que ligavam para saber se estava tudo bem, já que em São Paulo muita gente nem mesmo sentiu a vibração, ou então achou que a cadeira tinha iniciado um modo ?rumble pack? qualquer.

Muita gente comentou, houve quem fez um Timeline bizarro sobre o andar das conversas no Twitter sobre o assunto, outros aproveitaram para criar camisetas, comunidades no Orkut, etc.

Terremoto SP

Mas o que há de verdade e mito sobre o terremoto? Até que ponto ele pode ter sido mesmo perigoso? Precisamos nos preocupar? São Paulo está preparada para esse tipo de ?evento??

Não foi o primeiro
O abalo sísmico da noite passada pode ter sido o maior em muito tempo, mas não foi o único. Em 2005, um terremoto no Chile, que resultou na morte de 8 pessoas e destruiu 17 casas, teve reflexos em diversos estados do Brasil. Em Fevereiro de 2008, oscilações em São Paulo atingiram até 3,9 na escala Richter.

A razão dos mini-tremores
Acontecem diversos tipos de tremores na cidade de São Paulo. Em algumas áreas onde foram construídos prédios altos e estreitos, ocorrem vibrações freqüentes chamadas de flambagens, que pode afetar os andares mais altos desses prédios, principalmente em ventanias mais fortes.
E sabe o que pode ser pior que muito terremoto? As explosões subterrâneas para a construção do metrô. Algumas empresas, por questão de economia, autorizam a detonações fortíssimas de rochas duras encontradas no caminho da linha do metrô. Quem já ouviu essas explosões pode dizer como elas podem ser tão ou mais assustadores que um terremoto 5,2 na escola Richter.

Não estamos preparados
Especialista afirmam então que a região de São Paulo, onde uma placa tectônica dos fins do período Terciário pôde ser ponto de irradiação sísmica de epicentros, e é completamente possível, embora não provável, que venha a acontecer novamente. Portanto, convém lembrar que a arquitetura das casas e prédios no Brasil não são preparadas para fenômenos naturais como tremores.

Vibrações como essa amedrontam principalmente moradores de edifícios altos, portanto, talvez tenha chegado a hora dos prefeitos da Grande São Paulo começar a se preocuparem com altos espigões tanto no litoral como nas colinas das bacias.

Enquete terremoto

Enquete: O que causou o tremor?

Não há razão para pânico
O Brasil está localizado no meio de uma placa tectônica. Por isso os abalos aqui praticamente não são sentidos. E isso não vai mudar! Acontecem no Brasil em média 10 tremores por ano, com média de 3 graus. A cada 5 anos, em média, ocorre um tremor nível 5. Nunca houve nenhum acidente sério ou feridos.

Outras ocorrências de terremotos no Brasil:
Mato Grosso (1955 =6.6 graus),
Litoral do Espírito Santo (1955 = 6.3 graus)
Amazonas (1983 =5.5 graus)

E agora vamos mudar de assunto, o terremoto já passou.