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Archive for May, 2008


Talk to la bomb

Brazilian Girls ? Talk To La Bomb (2006)

Antes de qualquer pergunta, não sei por que eles escolheram ser chamados de Brazilian Girls. De brasileiro eles não têm nada, mas a nacionalidade de cada um dos quatro integrantes é bem distinta: Roma, Buenos Aires, Kansas e Califórnia. Talvez essa diversidade cultural tenha ajudado a sintonizar e a balancear a harmonia do grupo, que resultou do encontro freqüente em uma casa noturna em Nova York.

Electropop com certeza é a marca registrada do quarteto, mas não é o único artifício deles para fazer um som diferente de outros artistas que se contentam com batidinhas dance. Para se ter uma idéia da miscigenação de ritmos, a vocalista Sabina canta em cinco línguas: inglês, alemão, francês, espanhol e italiano ? claro que nem todas são tão presentes assim. ÿ uma característica que diverte os ouvintes desde o primeiro álbum do Brazilian Girls (aliás, eu pude perceber um leve toque de bossa nova, mas essa impressão logo se dissipa quando você ouve ?Talk To La Bomb?). E para quem é um poliglota treinado, não espere muita profundidade nas letras; o que eles querem mesmo é se divertir.

Apesar de ter mencionado o electro, em nada lembra, por exemplo, Ladytron, Felix Da Housecat ou a infame Miss Kittin. Não gosto muito de comparar bandas por gêneros, pois depois sou o culpado por não ter dado as referências certas (e às vezes não tão boas assim). Tudo que eu menos quero é decepcionar você, leitor tão seletivo, então me limito a citar Peaches e Terranova, cuja relação não se dá pelo som agressivo, mas a forte identidade musical de cada um. Enfim, ouvir uma banda como Brazilian Girls faz expandir seus horizontes, pois os estilos se misturam bastante. Pode ser difícil de escutar na primeira vez, mas condicionar seus ouvidos a sempre aceitar algo novo é uma tarefa que pode ser praticada diariamente.

N.da E.: Para quem quiser ouvir um pouco e conhecer o grupo, o perfil deles no Last.fm está aqui e no youtube tem um vídeo de Talk To La Bomb. Ladytron, Felix Da Housecat e Miss Kittin também podem ser ouvidos lá.

O Futebol nem sempre é justo

Hoje tivemos a final da Liga dos Campeões entre Manchester United e Chelsea. Foi um jogo daqueles de emocionar qualquer um.

Manchester United

O primeiro tempo foi bem equilibrado com chances para ambas as equipes, com todas demonstrando o nervosismo comum em uma partida de tamanha importância. O resultado do primeiro tempo foi um empate com um gol para cada, ambos ocorrendo em falhas da defesa.

Mas veio o segundo tempo e o Chelsea passou a dominar o todo poderoso Manchester United. Duas bolas na trave, alguns chutes passando bem próximo do gol, mas nada de marcar. O tempo foi passando, passando…

E veio a prorrogação, mais chances perigosas e nada de gol dos Blues. Nesta altura o coração mandava mais do que a técnica e tanto Sir Alex Fergusson e Avram Grant começavam a preparar as substituições para a disputa das penalidades.

Aí que mora a injustiça no futebol.

Ao final dos cento e vinte minutos, ninguém marcou gols e como era previsto, o jogo não teve os vinte e dois protagonistas atuando até o final. Por mera falta de responsabilidade, Drogba foi expulso e assim o Chelsea perdia assim, um de seus principais cobradores.

Erra quem diz que pênalti é loteria. Não vejo dessa forma. Vence a equipe que se mostra mais preparada psicologicamente e tudo conspirava a favor do time de Londres.

O resultado das cobranças, você já deve saber. O Manchester venceu uma disputa onde as principais estrelas de cada time não brilharam. Tanto Cristiano Ronaldo (Manchester) como John Terry (Chelsea) perderam suas cobranças. Mas a de Terry doeu mais, seu clube estava com uma das mãos na taça, bastava “só” acertar aquela cobrança.

John Terry

Mas, o futebol não é sempre um esporte justo. Não basta ser o melhor durante toda a partida, há a necessidade de se manter o sangue frio até o fim.

Parabéns ao Manchester United por ter feito uma temporada praticamente impecável, conquistando os principais torneios, Premier League e Liga dos Campeões. Para os “Blues”, fica mais uma vez a lição de que a atenção e a competência devem ser levadas a sério até o final.

Mais uma vez o Chelsea perdeu para ele mesmo e para a “injustiça” do futebol.

Madonna

Confessions on The Dance Floor

Semana passada eu falei sobre a Mariah Carey e a sua equação. E, hoje, falo sobre a quase cinquetona mais celebrada da música, Madonna. Ambas lançaram álbuns no último mês e continuam nos holofotes das revistas de celebridades. Todavia, apesar de haver uma possível competição entre elas posso garantir que Madonna e Mariah Carey atingem públicos completamente diferentes. Mariah ascendeu na década de 90, época em que Madonna já era considerada a rainha do pop, e percorreu um longo caminho dentro do R&B para se tornar diva.

Na década de 80, Madonna cantou “Like a Virgin” chocou o mundo e entrou definitivamente para a história da música pop. Em 1984, ano em que o álbum foi lançado, foram vendidas mais de 25 milhões de cópias pelo mundo e segundo alguns críticos transformou ela numa estrela. Dos 80’s ela acumulou fãs, polêmicas, casamentos fracassados, filhos, discos ruins e outros excepecionais. Não há outra cantora em termos de popularidade e que conseguiu se manter por tanto tempo na mídia, principalmente, pela expectativa dos fãs com cada álbum ou show novo. O Madonna on line traz uma análise interessante de um executivo que fala dela, como fosse uma marca, pois se reiventa a cada 24 meses.

Há algumas semanas ela lançou o “Hard Candy“, rapadura para os íntimos, e conseguiu mais uma vez lançar tendências inovadoras. O álbum completo está disponível em seu myspace e pode ser ouvido por qualquer um, fã ou não da estrela blondie. Eu ouvi assim que consegui baixar, entretanto, as inovação que o festejado Timbaland disse que iria trazer, não consegui localizar. O álbum soa Madonna, mesmo com elementos Hip Hop, pois podemos ver timidamente o trabalho do produtor de Justin Timberlake. Eu recomendo, apesar de achar que quem nunca gostou dela não irá se surpreender, e, talvez, nem chegue a ouvir o álbum completo.

Os fãs brasileiros estão bem animados, pois a turnê STICKY & SWEET, do Hard Candy, passará pelo Brasil. Segundo Phelipe Cruz do Papel Pop as datas são 29 e 30 de novembro e eu já estou pensando nos preços. Quanto deverá custar? R$ 100 ou mais de R$ 200? Não sei, mas acho que vale a pena ver Madge dando pulos no palco e cantando que precisamos salvar o mundo em quatro minutos! E aí, já começou a juntar as moedinhas?

As empresas têm o que merecem, talvez você também

Matriz von MansteinO general alemão Erich Von Manstein costumava classificar seus oficiais em quatro categorias, baseadas na combinação da inteligência e na dedicação ao trabalho.

No primeiro grupo estão os preguiçosos e estúpidos. Seu conselho era deixá-los quietos, pois não fazem mal a ninguém.

No segundo estão os idiotas diligentes. Seu conselho: livre-se deles rápido, por que levam as outras pessoas a se dedicarem a tarefas inúteis.

No terceiro estão os diligentes e inteligentes. Ele dizia que estes se tornam bons oficiais, porque fazem com que tudo funcione sem problemas.

No quarto grupo estão os oficiais que são inteligentes e preguiçosos. Estes, von Manstein dizia, devem ser seus generais.

Esta é uma idéia interessante. Embora este tipo de modelo seja uma grande simplificação do complexo universo corporativo - aliás, como todos os outros modelos-, ele pode nos levar a algumas reflexões sobre o que encontramos nas empresas de hoje.

Os preguiçosos e estúpidos

Em tese, não deveriam ser encontrados, pois toda empresa afirma que se livra imediatamente dos indolentes. Mas, na verdade, muitas pessoas deste grupo têm uma grande capacidade de sobrevivência e algumas conseguem alcançar elevadas posições. Como não fazem muita coisa, não cometem muitos erros, são considerados inofensivos. Algumas são mestres em criar a aparência de que estão muito ocupadas ou em encontrar alguém poderoso que as proteja. Gerar uma torrente de e-mails irrelevantes e relatórios inúteis é uma forma de se mostrarem ocupadas e ativas.

Os estúpidos diligentes

Este é o grupo de pessoas que pode causar os maiores danos à empresa. Como são dedicadas ao trabalho, criam muitas oportunidades de fazerem coisas erradas. Quando chegam a uma posição de chefia, as pessoas deste grupo se tornam obcecadas em forçar suas equipes a se dedicarem a tarefas inúteis e sem sentido. São refratárias a mudanças, pois podem expor suas fraquezas.

Em muitos casos, foi a própria empresa que as tornou no que são, com suas políticas burras que promovem a acomodação e a mesmice. As pessoas são sistematicamente coagidas a agir como idiotas, a não fazer perguntas e não pensar no futuro.

Os inteligentes diligentes

Estas são as pessoas que transformam os planos em ações, perseguem e realizam seus objetivos com inteligência e perseverança. São mestres em contornar obstáculos e solucionar problemas. Normalmente, sobem na hierarquia até o nível de gerentes médios, onde estacionam, pois passam a serem consideradas indispensáveis. Se você está neste grupo, tome muito cuidado, pois as boas promoções estão reservadas para as pessoas do quarto grupo.

Pense em trabalhar um pouco menos, delegar mais, criar futuros substitutos e se dedicar mais a cultivar bons relacionamentos dentro e fora da empresa. De qualquer modo, não permita que a empresa faça pouco caso de sua inteligência e abuse de sua dedicação. Tome o controle da situação e comece a pensar também na sua carreira.

Os inteligentes preguiçosos

Aqui estão os delegadores naturais, que detestam e não querem se envolver com detalhes. Eles focam o essencial e ignoram tudo o mais que lhes pareça desnecessário, seja para eles ou para suas equipes. São criativos e estão sempre à procura de métodos de trabalho mais fáceis e simples. Tendem a se dedicar mais às questões estratégicas e políticas e ao cultivo de relacionamentos internos e externos.

Com o predomínio da cultura de fazer tudo rápido, eles podem ser um contraponto valioso àqueles que só pensam no curto prazo e só prestam atenção ao balancete trimestral. Uma certa dose de ócio criativo é necessária para escapar da armadilha do dia a dia, questionar a rotina e pensar também sobre o futuro, tanto o da empresa como o próprio.

Melody mountain

Susanna And The Magical Orchestra - Melody Mountain (2006)

Fico impressionado como certos artistas têm criatividade em reinventar músicas pop. Diretamente da Noruega (o que esses países nórdicos têm que nós não temos?), Susanna Karolina Wallumrød e Morten Qvenild conseguiram de uma maneira bem simples interpretar canções como de Joy Division (Love Will Tear Us Apart) e Depeche Mode (Enjoy The Silence).

Você deve estar se perguntando: o que tem de mais em fazer cover de bandas de rock? Isso é o que Susanna And The Magical Orchestra (não sei por que eles escolheram esse nome, pois não tem orquestra) faz de diferente  - e bem diferente. Pegue a voz celestial de Susanna e o teclado simplório de Morten. Misture esses dois ingredientes com melodias que fazem qualquer um dormir em paz e coloque uma pitada de silêncio para dar o toque final. A receita é fácil, mas acredito que ninguém até hoje teve essa brilhante idéia. Talvez os fãs de Kiss ou de AC/DC se revoltem ao ouvir Crazy, Crazy Nights e It?s A Long Way To The Top, mas vale a pena ouvir só por curiosidade.

Eu já tinha me encantado com eles desde o primeiro álbum, “List Of Lights And Buoys”. A maioria das músicas foi composta pelo dueto, o que reforça ainda mais sua originalidade; as que não foram também têm a mesma delicadeza, mas é com elas que me sinto flutuando na estratosfera (não consigo descrever a pureza com que ela canta Jolene).

Susanna e sua orquestra mágica me fazem esquecer a vida conturbada de todo dia e, por alguns momentos, entro em sintonia com o paraíso e esqueço que o tempo existe.