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Custos do crédito fácil

Para complicar um pouquinho, pergunte-se de maneira diferente: será que ficar rico é tão fácil quanto resistir às facilidades do crédito?

Para a segunda pergunta, eu diria que sim. A diferença fundamental é que para ficar rico você terá que submeter-se à essa prova muitas vezes, por muito tempo. Ficar rico, no conceito de ficar milionário, obviamente implica em sobreviver ao filtro da seleção natural, tipo somente os mais fortes sobrevivem.

Mas para ficar mais rico do que no ano anterior, ou melhor de vida a cada ano, isso depende quase que exclusivamente de você mesmo. Entre outros fatores, você deve preocupar-se com suas despesas, principalmente em relação aos gastos desnecessários e incompatíveis com seu padrão de renda.

O primeiro sinal que determinada compra não é ?para o seu bico? é quando você precisa recorrer ao crédito para viabilizar a compra. Na maioria das vezes, se você pensar bem, vai acabar percebendo que aquela compra não era tão necessária quanto parecia à primeira vista.

Na verdade, muitas vezes você vai perceber que ela seria inclusive inútil, ao contrário do que seus primeiros impulsos indicavam.

Vivemos um verdadeiro festival de facilidades de crédito. Os juros, embora elevados para padrões mundiais, parecem inofensivos comparando-se à nossa própria história recente, criando uma falsa ilusão de custos à população. Os prazos, de tão elásticos parecem inacreditáveis. Pode-se comprar uma panela em 24 vezes ou um carro em 96 meses. O marketing agressivo do comércio parece que sempre tem a solução para problemas que você nem desconfiava que existia. Produtos e serviços tão úteis que você até se pergunta como sobreviveu até hoje sem aquilo!

O problema é que de panela em panela, uma peça de roupa aqui, um sapato ali, geladeira nova, novidades da tecnologia, viagens, parcelamento do cartão e dívidas em várias lojas, o salário fica pequeno, a renda não cobre mais as prestações e a solução mais óbvia é recorrer a empréstimos.

Aí entram os bancos e financeiras, sempre dispostos a ajudar. Limites de crédito flexíveis, consignação em folha, financiamento do próprio carro, empréstimos automatizados, antecipação do 13º, da restituição do Imposto de Renda, financiamento de impostos, e muito mais.

A esta altura, a maioria da população que deveria manter-se longe das dívidas e preocupada com a formação da poupança, já está atolada em dívidas, muitos superando o limite razoável dos 20 a 30% de comprometimento da renda mensal, e a luz no final do túnel fica cada vez mais longe. Vejo uma única saída: resistir às tentações.

Quem facilitar e sucumbir agora às ilusões do crédito fácil agora, certamente vai sofrer as conseqüências no médio e longo prazos. O que aqui se pega, aqui se paga. Certamente é mais fácil ficar rico colhendo frutos dos investimentos do que distribuindo dinheiro na forma de juros a qualquer um que consiga convencê-lo que você é mais importante do que seu vizinho porque tem mais acesso ao crédito do que ele.

As lições da Bovespa - Educação Financeira

O momento do sistema financeiro brasileiro é ímpar, excelente. Especialmente para quem busca educação financeira. As pequenas quedas havidas nas últimas semanas no valor das ações das principais empresas brasileiras são apenas pedras no caminho. Pequenas pedras que podem machucar um pouquinho, exigir algum cuidado, mas que de maneira alguma devem forçar uma mudança de rumos. Decididamente não é a hora de vender.Os rendimentos da Bovespa têm sido positivos, crescentes, extraordinários há quatro anos. Atraíram novos investidores, muitas empresas abriram capital, as IPO´s viraram a sensação do mercado. Mas é óbvio que o céu de brigadeiro não ficaria constantemente sobre nossas cabeças.

Conheci casos de pessoas que passaram a investir em ações pensando que a situação era segura e irreversível. Bastava investir e em pouco tempo os recursos se multiplicariam. Alguns ficaram tristes porque tiveram suas propostas de aquisição de ações limitadas nos IPO´s da Bovespa, da BMF e de outras supostas estrelas, achando que tinham perdido a oportunidade de ganhar muito dinheiro sem fazer esforços e sem correr riscos. Gente que acreditava que as ações da Petrobrás voltariam a ter subas constantes e extraordinárias a cada nova boa notícia.

As boas notícias do mercado cegaram muita gente. Talvez esse tenha sido o maior prejuízo da população, em termos de educação financeira.

Eis uma das mais importantes lições de educação financeira. Nunca baixar a guarda e jamais desprezar os riscos de mercado. O cenário é positivo. Os fundamentos econômicos são sólidos. Mas as variáveis que influenciam o mercado são inúmeras e cada vez mais incontroláveis. Em síntese: os riscos continuam a existir.

Você pode escolher em qual grupo quer estar na próxima crise: entre as pessoas que ficaram apavoradas como nesta pequena crise e correram com o efeito manada, ou entre aquelas que diversificam investimentos, que aplicam em ações pensando no longo prazo, que suportam crises sem se abalar, e que sabem que investimentos em ações, apesar de serem boas opções, ainda assim incorrem em riscos.

Investir em ações, como amplamente propalado, é atraente, bastante interessante, mas muito arriscado. Não se empolgue com ganhos extraordinários e não se assuste com pequenas perdas. Quem não precisou ou não precisar vender nos momentos de baixa, nada tem a perder. Quem estava contando com o dinheiro investido em ações para o curto prazo, errou ao escolher o tipo de investimento, não ao escolher as ações da sua carteira.

O que importa se está chovendo lá fora, para quem não precisa sair de casa?

Álvaro Modernell

26/01/08

Fique mais rico em 2008: atitudes simples que fazem diferença.

Toda jornada começa com o primeiro passo. E grandes fortunas podem começar com alguns centavos e reais a mais que, juntados e bem aplicados ao longo do tempo, podem se transformar em milhões e na base de riquezas. 

Aproveitando o início do novo ano, com o ambiente promissor, com o mercado em crescimento, com oportunidades de negócio e ganhos financeiros animadores e com o astral positivo, é hora de tirar proveito das conspirações do Universo, como dizem os adeptos da teoria de ?O segredo?, arregaçar as mangas e começar a virada financeira

Ficar mais rico a cada ano, a cada dia, é mais simples do que alguns imaginam. E mais fácil. A receita não tem novidade: basta fugir das dívidas, ganhar mais e gastar menos. Não é ironia, não. Algumas pessoas desprezam pequenos valores e não percebem que desperdiçam oportunidades. Temos que ficar atentos a elas e aproveitá-las da melhor forma possível. Fazer o patrimônio ? econômico, social e intelectual ? crescer a cada ano é condição sine qua non para atingir a sonhada independência financeira. 

Há desperdícios mais valiosos do que o de dinheiro: tempo, saúde e energia são exemplos disso. Pessoas que passam muito tempo reclamando da vida, da situação, do governo, do emprego, da chuva, do sol, mas não adotam atitudes que possam reverter o quadro, possivelmente passarão as próximas viradas de ano na mesma situação. E reclamando das mesmas coisas, como fizeram nos últimos anos. Faça diferente em 2008.  

Veja atitudes simples que podem ajudar a melhorar sua situação financeira de maneira duradoura. 

- Afaste-se das dívidas. Coloque em dia e quite aquelas eventualmente existentes e não se permita contrair novas dívidas. Seja inteligente e disciplinado. Os juros que você paga aos outros poderiam estar engordando seus investimentos e gerando riqueza para o seu futuro. 

- Use o cartão de crédito apenas como meio de pagamento, não como fonte de financiamento. Os excessos de facilidades que os cartões e o comércio oferecem acabam envolvendo e iludindo os menos atentos. Autorize o débito automático em sua conta e pague todas faturas rigorosamente em dia. Mantenha o limite do seu cartão abaixo do valor da sua renda mensal. 

- Diga adeus a cheques pré-datados, carnês, crediários e prestações. Essas formas de pagamento exigem muito controle, escondem os custos reais, expõem você a riscos de inadimplência, mascaram a situação financeira e geralmente são os princípios dos endividamentos crônicos.

- Pague a si mesmo regularmente. Defina quanto você merece e separe uma parte de todos os seus ganhos (salários, comissões, aluguéis, etc.) no ato que receber e transfira imediatamente para a sua conta de investimentos. Não espere para fazer isso no dia seguinte, geralmente não sobra o suficiente. 

- Invista em você. Valorize seu passe. Faça o seu trabalho e os seus pareceres valerem mais. Busque capacitação; diversifique seus conhecimentos; cultive sua rede de relacionamentos; incremente seu currículo; melhore sua imagem; realize ações que demonstrem sua capacidade. Busque diferenciação e seja inovador.  

- Use o tempo a seu favor. Os acomodados dificilmente progridem. Trabalhe mais do que o necessário. Estude mais do que o exigido. Fique pronto antes da hora. Faça diferente. Faça melhor. Plante e cultive mais para poder colher mais. 

- Busque educação financeira. Saber economizar e ganhar dinheiro não é suficiente. ÿ importante aprender a multiplicá-lo. Não creia em receitas mirabolantes e em milagres financeiros. Fique atento aos fundamentos e dê vida longa ao seu dinheiro. 

- Descubra, crie e vá atrás de novas fontes de renda. Valorize seu tempo e seu trabalho. Explore suas habilidades. Valorize seus contatos. Seja útil e necessário. Não desanime. Seja perseverante. 

- Pare para pensar e analise a grande diferença que seria terminar o ano e ao invés de preocupar-se com as contas a pagar estar preocupado com seus investimentos, com o desempenho da bolsa, com os rendimentos dos fundos e com a viagem dos seus sonhos. A diferença entre dever R$ 1 mil para o banco ou ter R$ 1 mil aplicados é infinitamente maior do que míseros R$ 2 mil. Podemos dizer que é o caminho da tranqüilidade financeira. E tenha certeza absoluta: isso não tem preço. 

- Pense em como fazer o dinheiro trabalhar por você. Gere fontes de renda passiva. Faça investimentos. Use o poder dos juros compostos a seu favor. Crie, invente, componha, escreva, desenhe, pinte, ensine, arrume, monte, cozinhe, compre, venda, pesquise, descubra, negocie, pechinche. Aproveite seus talentos.   

Acima de tudo, crie mentalidade positiva. Vá atrás dos seus objetivos. Alguns sacrifícios serão necessários, mas os resultados valerão à pena. Comece em 2008 a grande virada da sua vida. Não espere que o dinheiro caia do céu. Prepare-se para comemorar a chegada de 2009 em alto estilo.  Um brinde à prosperidade!  

Álvaro Modernell

www.edufinanceira.com.br

Horizontes da educação financeira

Para que os resultados esperados sejam viáveis e animadores, os horizontes da educação financeira devem ser compatíveis com cada faixa etária, sob risco de perda de efetividade.Falar para crianças com menos de seis anos, que ainda têm dificuldades para imaginar prazos em meses, sobre horizontes maiores do que um ano é o mesmo que conversar com crianças de dez anos sobre suas expectativas para seus quarenta anos. Algo tão remoto que fica difícil de ser visualizado. ÿ difícil encontrar motivação dessa forma.

Adolescentes, por sua vez, costumam, no máximo, imaginar suas vidas após os vinte. Jovens com vinte anos não querem se concentrar em perspectivas de vida que ultrapassem a faixa dos trinta anos.

A partir dos trinta, ou quando nasce o primeiro filho, ou após o casamento, as pessoas começam a alongar seus horizontes, a pensar mais sobre o futuro e a ponderar a importância da formação de reservas para horizontes mais distantes. Ainda assim, são poucas as pessoas que conseguem se motivar o suficiente para poupar pensando na fase pós-aposentadoria, quando falta mais tempo do que o dobro do que já viveram.

Pesquisas comprovam que a maioria das pessoas somente a partir dos quarenta percebe a real importância de prevenir-se para a fase menos produtiva da vida. Não é tarde demais ? nunca é, mas fica mais difícil do que começar essa preparação aos trinta, ou aos vinte, nos raros e felizes casos das pessoas que receberam educação financeira na infância ou que tiveram o insight de perceber o poder do tempo na ação dos juros compostos no auge da juventude.

O recomendável, então, é que o ensino da educação financeira foque em horizontes compatíveis com cada idade. Os sacrifícios das renuncias ao consumo são sentidos de imediato e, para compensar, os benefícios previstos devem ser criveis, já que não são palpáveis. Se o horizonte for incompatível com a idade, aí mesmo não servirá para motivar. A distância fica tão grande que deixa de ser acreditada. Aí pode acontecer o pior, os sacrifícios serem em vão, e qualquer renúncia será encarada como simples sacrifícios.

Cada coisa a seu tempo, inclusive o horizonte financeiro.

Os custos da educação financeira

Pagar caro é pagar qualquer preço por algo que não tenha valor.

Fui convidado esta semana a colaborar com um jornalista de São Paulo. A matéria é sobre uma daquelas projeções típicas da sociedade americana, que está se difundindo também entre os brasileiros: quanto custa criar um filho?

Minha abordagem foi diferente de outros entrevistados, como me confidenciou o repórter. E não poderia ser de outra forma. Desenvolvo pesquisas e trabalhos na área de educação financeira. Isso me ensinou a perceber o dinheiro de maneira diferente. Aprendi que há certas coisas que o dinheiro não pode comprar, nem substituir. A felicidade de ser pai ou mãe é uma delas. Não dá para ?precificar? isso.

ÿ uma tolice fazer esse tipo de projeção. Então, independente de quanto custe criar e educar filhos, sempre valerá a pena. Obviamente, um pouco de planejamento e disciplina financeira são válidos para alcançar objetivos tão importantes como assegurar boas condições de estudo e boa qualidade de vida aos filhos.

Mais importante do que assegurar uma reserva em dinheiro para a faculdade ou para um intercâmbio no exterior é proporcionar educação financeira para as crianças. Certamente, alguém bem-educado nos fundamentos financeiros terá mais facilidade para lidar com o próprio dinheiro. E até para enriquecer. Isso ainda não acontece com naturalidade, porque algumas famílias ainda crêem no tabu que dinheiro não é coisa de criança. Isso é coisa do passado.

E não há mais desculpas para deixar de abordar esse assunto com as crianças. Primeiro, porque o terreno já está preparado. Elas são bombardeadas por tecnologias e informações que a geração de seus pais sequer sonhava. Além disso, existe muita informação disponível, inclusive de graça. Tanto para a educação infantil quanto para a auto-educação.

Na Internet, pode-se encontrar dicas, informações e orientações básicas. Há vários livros tratando sobre o assunto e muitos profissionais fazendo trabalho de esclarecimento à população. Quase todos os bons jornais e revistas abordam esse tema com relativa freqüência. Enfim, quem quiser buscar um caminho para tratar esse assunto, vai encontrar com relativa facilidade. Quem não quiser, não reclame do destino.

Mas, se por um lado o custo de proporcionar educação financeira às crianças é irrisório, diante dos benefícios, os custos de não fazer isso são enormes.

O custo de uma criança não receber educação financeira adequada, é ela poder tornar-se um adulto descontrolado, talvez até perdulário. Alguém que não consiga controlar-se, que confunda o limite do cartão de crédito e do cheque especial como se fosse seu próprio dinheiro. Alguém que gaste mais do que ganha.

O custo de uma criança não receber educação financeira adequada, é ela poder tornar-se um adulto sovina, talvez até mesquinho. Alguém que não consiga desfrutar o próprio dinheiro, que confunda o saudável hábito de administrar as despesas e a necessidade de manter reservas para emergências ou investimentos com o hábito de juntar dinheiro pelo simples prazer de não gastar.

O custo de uma criança não receber educação financeira adequada, é ela um dia perceber que não foi corretamente orientada e, quem sabe, vir a reclamar isso de seus pais.

Esse é o tipo de custo que não tem preço.