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Uma segunda chance

Se tem um assunto que me deixa quase doente, de alegria ou desespero, são os animais. Esses bichinhos contam muito mais com a minha simpatia do que alguns humanos que sou obrigada a conviver. Cresci entre cachorros e gatos e não vejo a minha vida sem eles. Como são mais frágeis, já chorei a partida de muitos… mas logo em seguida preenchi esse espaço com um novo habitante para casa e com muita alegria também.

Bem, comecei o post para falar de uma coisa que aconteceu comigo há umas duas semanas. Estava na casa do meu namorado e acordamos subitamente com os berros de uma cachorra. Fiquei extremamente nervosa na hora e descobrimos que uma cachorra de rua tinha entrado na casa da vizinha dele e não queria sair. Eles dizem que estavam batendo com uma tampa na grade para ver se ela ia embora. Pelos ganidos, ela tinha minha milhões de dúvidas da informação. Estava quase indo embora para minha casa ? não ia agüentar ficar lá e presenciar tal situação ? quando minha sogra avisou que a cachorra tinha deixado a casa. Disse que a cachorra era bonitinha e quando fui ver pela janela, aconteceu: não me agüentei quando vi a pequenina e queria ajudá-la de qualquer forma. Egoisticamente torcendo para a bichinha ir embora, tomei uma decisão. Perguntei para a minha sogra se poderia deixá-la na sua casa durante o fim de semana e levá-la embora no dia seguinte para adoção. Com certeza, alguém iria querer ficar com ela.

Com a permissão da dona da casa, acolhi a cachorrinha. Fui dar comida para ela, que não parou um minuto sequer de abanar o rabinho. Esses são muitos dos momentos que valem a pena para mim. Esse simples gesto significa um verdadeiro oceano, sem fim de agradecimento. Tarefa número um cumprida, corri para falar com minha madrinha, que é uma verdadeira ativista da causa animal e, com certeza, iria me ajudar a doar a cachorra.

A primeira dica foi a de tirar uma foto e encaminhar para alguns sites na internet. Comecei a fazer uma busca por comunidades do Orkut de doação, sites que faziam anúncios, blogs. Como boa jornalista atuante nas mídias sociais, pensei que minha ?divulgação? faria o maior sucesso. Nada disso. Descobri uma rede extremamente organizada para tentar ajudar os bichanos e eles são muitos. Cachorros de raças, como pitbulls, poodles, cockers e até labradores estão lá, ao lado de lindos gatos siameses esperando um lar para acolhê-los. Pensei que a minha situação se tornaria ainda mais difícil, pois a cachorrinha já era um pouco grandinha e era ?sem raça definida?, a vulga vira-lata. Mas mesmo assim não desisti. Passei o fim de semana todinho caçando formas de ajudá-la e descobri histórias emocionantes e assustadoras. Desde verdadeiros anjos que não ganham absolutamente nada ? muito pelo contrário, gastam bastante, mas ajudam infinitamente esses animais, até pessoas cruéis e egoístas, que só pensam em si próprias e ainda conseguem machucar lindos e indefesos seres.

Sentimos que a doação não seria nada fácil e de uma brincadeira saiu o nome da cachorra ?Spam?. Anderson explica: ?Spam chega para todo mundo, mas ninguém quer?. ÿ, isso mesmo. Com esse gancho, começamos a divulgar a doação no twitter para, quem sabe, chamar a atenção dos blogueiros e profissionais de comunicação que habitam o microblog. No domingo, a então batizada Spam veio definitivamente para minha casa. Vocês precisavam ver que fofura dormindo no caminho. Instalamos a pequena por aqui e continuamos na batalha. Nesse meio tempo, minha cabeça começou a entrar em um ligeiro parafuso. Queria ajudar a Spam, mas já estava apegada a ela e não queria deixá-la. E agora o que fazer? Moro com meus pais, seria complicado convencê-los de que queria ficar com a cachorra. Já tinha sido uma vitória deixar ela vir para casa. Não que eu esteja reclamando deles, muito pelo contrário. No ano passado, adotamos uma gatinha linda que apareceu aqui em casa. Ela era muito assustada e tinha medo de tudo e todos. Depois de uns seis meses ela começou a se adaptar e hoje é mais do que querida por aqui.

Bem, voltando à Spam, era segunda-feira e eu perguntava em mais alguns lugares onde poderia conseguir ajudar para doar a Spam. Uma pessoa se ofereceu para acolhê-la, mas eu não senti confiança. E quando não viu, xiii, aí não tem jeito mesmo. Cheguei em casa decidida a conversar com meus pais para ver se existia a possibilidade da Spam integrar a nossa família definitivamente. A conversa foi bem mais light do que imaginava. Meu pai disse que faríamos um teste para ver se ela se adaptava, mas eu conheço essa história dele. Isso queria dizer um sim, a Spam faria parte da nossa família.

Passaram-se quase duas semanas e ela está cada dia se adaptando melhor aqui. Por enquanto, fica separada da minha cachorra e da gata, que é muito assustadinha, para ficar mais calminha e começar a entender que sempre terá comida, uma casinha e muito amor. Fomos ao veterinário e descobrimos que a Spam tem apenas 4 meses. E pensar que esse bebezinho estava na rua, é muita judiação.

A história da Spam teve um final feliz e ela ganhou uma segunda chance. Mas não é assim com todos. Muitos chegam mal tratados e não resistem ou esperam anos e anos por uma oportunidade. Longe de mim colocar imagens que vi e me dão extrema repulsa por aqui. Na verdade, quero despertar em vocês o mesmo desejo que vi despertar em mim, o de querer ajudar esses pequenos que são tão indefesos. Por isso, separei alguns links de pessoas que realmente fazem a diferença nesse mundo. Como ajudar, fica a critério de cada um. Vocês podem fazer um post, como a própria Sam fez para ajudar a Spam. Pode-se adotar um cachorrinho ou ajudar uma instituição. Eu descobri que não sou a melhor para acolher cachorros para adoção, então decidi que quero ajudar doando uma pequena quantia em dinheiro por mês e divulgando mensagens como essa. Sempre vale a premissa de que: se cada um fizer a sua parte, o mundo ficará melhor a cada dia.

Vamos aos links:
- http://adotacao.blogspot.com/ - Blog super sério da Nanci, que divulga animais a procura de lares. Ela liga para todos confirmando se realmente o animal está naquele endereço, informações etc.
- http://www.guiavegano.com/adote/index.html - Um site vegetariano, que tem espaço para adoção de animais. Vale a pena visitar, há umas fofuras por lá.
- Para completar, eu queria colocar o link de uma família que faz um trabalho muito bonito com os animais, mas infelizmente perdi a URL (assim que achar posto aqui). No lugar, fica um post do InForum que traz vários sites para quem quer ajudar os animais na busca de uma vida melhor: http://inforum.insite.com.br/650/links

Esses são apenas alguns dos sites que pesquisei durante a busca de um lar para a Spam. Procure na sua cidade também e compartilhe nos comentários. Tenho certeza que trocaremos muitas mensagens bacanas e experiências positivas. Mas sem mal tratos, por favor, que isso acaba comigo!

Em quem podemos acreditar?

Inevitavelmente, alguns acontecimentos desviam minha atenção e acabo parando para observar a vida ao redor. Todo mundo sabe que o transporte público em São Paulo é caótico e muitos aproveitam essa oportunidade para ganhar a vida. Seja vendendo doces e salgados ? em sua maioria de procedência duvidosa, pedindo dinheiro para ajuda em casa ou até fazendo um mini show em pleno trânsito para depois oferecer aos passageiros o seu cd.Em um dos pontos de parada entra uma senhora de camiseta, calça jeans e um all star velho no pé. Ela possui algumas receitas médicas na mão e automaticamente me lembro de que já a tinha visto outras vezes. A história contada na outra ocasião se repassa brevemente na minha cabeça: ?Era ela que dizia ser viúva, ter AIDS e catar papelão na rua, não??.

Sim, era ela. Mas dessa vez, não disse ter a doença. Só que precisava de dinheiro para comprar uma série de remédios para a sua filha, que estava com uma alergia. Também citou que trabalhava em casas de família, mas ambas estavam viajando por conta do Carnaval e, com isso, ela não tinha dinheiro. Contou a história do papelão e da viuvez e pediu uma chance para trabalhar, pois o faz muito bem.

Todos no ônibus ficaram sensibilizados, até o cobrador ? coisa que nunca tinha visto ? contribuiu com um real. Isso me fez pensar. Será que essa história é realmente verdadeira? Por que ela não citou que tinha AIDS? Isso teria feito com que as pessoas se sensibilizassem ainda mais, certo?

Sei que fiquei com um pé atrás e resolvi não dar dinheiro dessa vez. Quem sabe outro dia, ela entra no ônibus com uma nova história e um novo pedido de remédio. Já vi esse tipo de caso acontecer aqui na porta de casa. Um senhor, bêbado, dizia que iria pegar o ônibus e faltavam 50 centavos para completar a passagem. Uma vez, demos o dinheiro. Uns dias depois, ele aparece de novo. Descobrimos que o pilantra ia no bar da esquina gastar tudo com cachaça.

Nos últimos tempos estou um pouco cética em relação a esses casos. Prefiro comprar uma bala ou um alimento e dar dinheiro para quem pelo menos tenta ter uma forma de trabalho. Isso pode parece radical demais, mas como em cinco minutos de conversa podemos ter certeza de que a pessoa está dizendo a verdade e vai fazer bom uso daquele seu trocado?

O assunto fugiu da minha cabeça quando o ônibus em que estávamos foi fechado por uma moto e os dois acabaram batendo. A senhora foi a primeira a descer. Deve ter ido para outro ponto, pegar outro ônibus e contar mais uma vez a sua história….

Uma brasileira brilha nos Estados Unidos

Bia Figueiredo estréia no automobilismo americanoNa semana passada, Bia Figueiredo foi confirmada pela equipe Sam Schmidt Motorsport como sua piloto para a temporada 2008 na Indy Pro Series, a principal categoria de acesso à IRL. A equipe é a atual campeã e recordista de vitórias da IPS. Sabia como Bia conseguiu chegar lá.

Depois de 9 temporadas no kart e com o sonho de chegar à Fórmula 1, a piloto partiu para os monopostos na então bem sucedida Fórmula Renault. A categoria era apontada como um grande celeiro de novos talentos e, como prêmio, o vencedor da temporada corria um ano na Europa com tudo pago. Em 2003, Bia foi a melhor estreante, bateu o recorde da pista de Londrina, fez a melhor volta em Campo Grande e também marcou presença no kart, vencendo a Copa Sorriso Petrobrás e chegando em segundo lugar na Seletiva Petrobrás.

Em 2004 e 2005, Bia continuou na F-Renault e chegou a conquistar o terceiro lugar na classificação geral, registrando 3 vitórias e também poles. No ano seguinte, a piloto partiu para novos desafios e correu em diversas categorias, como a F-3 Sul-Americana ? na qual registrou uma pole na última etapa em Interlagos, Stock Car Light e 500 milhas de Granja Viana.

Já no ano passado, a vida de Bia não foi tão fácil. Sem correr, ela apenas participou de treinos rookies na A1GP. Mas isso não foi nenhum motivo para a piloto desistir do seu sonho e da sua carreira. Ela treinou intensamente durante esse período e teve mais tempo para avaliar as suas opções e os locais nos quais poderia correr.

O primeiro treino oficial será no dia 28 de fevereiro, também em Homestrad, e junto com a Indy. O campeonato terá início no dia 29 de março e, com certeza, a presença de Bia trará ainda mais brilho para a categoria que já conta com a musa Danica Patrick. Aproveito para registrar os meus votos de boa sorte e sucesso para essa piloto que é exemplo de profissionalismo e perseverança em uma carreira tão difícil de se seguir hoje em dia.

*Foto retirada do site GP Total

O Museu do Automobilismo

Se tem um lugar que eu quero conhecer, ele fica em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Lá está o único Museu do Automobilismo, um espaço especializado na exposição e conservação de carros de competição e um centro de referência na preservação do esporte no País.

Ao todo são 76 carros expostos, sendo a grande maioria deles do automobilismo nacional da década de 70, além de fotos, documentos, filmes, troféus, reportagens e depoimentos. Porém, e infelizmente, o Museu não é aberto ao público. Por falta de investimentos na estrutura de som e imagem do local, ele ainda não está adequado para receber os visitantes. Como diz em seu site oficial, ?quando a estrutura estiver avançada, valorizando os carros apresentados e propiciando o impacto buscado, poderá abrir as suas portas?. Atualmente, o Museu só recebe convidados e grupos especiais agendados.

ÿ impressionante notar o trabalho da recuperação dos carros. Certa vez, ouvi em um programa, que muitos pilotos e equipes não têm o mínimo cuidado na conservação de seus carros. Um dos primeiros usados pelo Barrichello foi achado todo deteriorado em um barracão. Mais um ponto para o Museu, que conta com uma equipe de mecânicos especializados no ramo para reconhecer e recuperar os carros. Atualmente, 80% do acervo do local foi testado e em condições de pista.

No Museu há preciosidades como o Fórmula Fitti Vê, único bólido original recuperado e usado na extinta Fórmula Vê em 1967, um Fórmula Ford, pilotado por Barrichello durante a temporada de 1988, chegando nos mais recentes Fórmula Chevrolet, de 1992. Além dos Fórmulas, há também um Opala dirigido por ninguém menos que Ingo Hoffman bem no começo da Stock Car, dois belos Chevrolet Corvette e três Ford Edelbrook. Veja algumas imagens abaixo. Todas foram retiradas do site oficial do Museu.

corvette.jpg edelbrook.jpg

formulave.jpg

Só nos resta torcer para que o Museu seja logo aberto ao público e todos possam desfrutar desse maravilhoso passeio. Onde estão os patrocinadores para apoiarem essa causa?

Autódromo de Jacarepaguá será demolido

 

Traçado antigo do circuito. Fonte: Wikipédia

No começo dessa semana, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arhur Nuzman, anunciou o que muitos temiam: o fim definitivo do Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Essa decisão foi tomada por conta da candidatura da cidade para sediar as olimpíadas de 2016 e o desejo de construir um centro olímpico no local. Tudo isso sem levar em conta se o Rio será escolhido ou não para o evento.

Esse fato foi a gota d?água para um autódromo que estava remendado e praticamente condenado desde a disputa do Jogos Panamericanos, no ano passado. Grande parte do traçado da pista foi alterado para dar lugar a um moderno complexo aquático. Como nunca tive a oportunidade de visitar o local, o que me espanta mais ainda é saber que em Jacarepaguá há inúmeros terrenos e espaços vazios, os quais poderiam ser facilmente usados para criar qualquer tipo de estrutura esportiva sem nem atrapalhar o autódromo.

A certeza de saber que a pista será destruída me deixa chateada por dois motivos: a tradição de anos de disputas emocionantes em diversas categorias irá pelo ralo e a luta de muitos pilotos e admiradores para impedir as obras do Panamericano não deu em nada.

Os mais jovens conhecem a Fórmula 1 de Interlagos e muitos nem imaginam que o Autódromo Internacional Nelson Piquet, batizado com o nome do piloto após o tri-mundial em 1988, já foi palco de muitas provas e duelos. Inaugurado em 1966 e adaptado às normas da FIA em 1977, o autódromo do Rio de Janeiro recebeu a categoria máxima do automobilismo até 1989. Inclusive, em 1986, os brasileiros puderam ver uma dobradinha histórica de Senna e Piquet. Os pilotos já eram rivais na época, mas mesmo assim comemoraram juntos no pódio.

Após esses anos dourados, o autódromo foi sede de provas da CART, corrida norte-americana, e da MotoGP. Porém, nos últimos tempos a única categoria com maior visibilidade que correu por lá foi a Stock Car.

E infelizmente após esse anúncio o sonho acabou. Mais de 40 anos de disputas ficarão vivas somente na memória dos espectadores. Para não criar polêmica, dizem que será construído um novo autódromo em outro local do Rio. Aprendi a não acreditar mais nessas promessas, só quando realmente vê-las.