publicidade

Nossa Via

O conteúdo passa por aqui!

Author Archive


Recordações de um mundo distante

Lamento

I’ve seen things you people wouldn’t believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the dark near the Tannhauser gate. All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die.

Roy Batty, líder dos replicantes - Blade Runner

Nestas palavras finais, ao reconhecer que chegou a hora de sua execução, o replicante Roy Batty lamenta que todas as recordações das coisas extraordinárias que ele conheceu nos confins do universo desaparecerão com ele. Maravilhas que os humanos nunca conhecerão e que se perderão no tempo, como lágrimas na chuva.

Tem momentos que me sinto como Roy Batty. Não, eu não estou retornado de uma viagem por galáxias distantes e nem chegou a minha hora final. Minhas lamentações e recordações são daqui mesmo, de nosso planeta azul. Eu me explico.

Nasci e vivi minha infância na Fazenda Água Limpa em Goiás. A fazenda merecia seu nome, pois era cortada por um ribeirão de águas puras e cristalinas. Em vários pontos da fazenda as águas brotavam nos chamados olhos d’água, pequenas fontes que alimentavam o córrego das Águas Limpas.

O solo fértil e a abundância de água formavam um ambiente exuberante de árvores, peixes, pequenos animais, insetos e, especialmente, pássaros. Pela manhã, tínhamos o alarido dos sabiás, bem-te-vis, sanhaços, rolinhas, juritis, pássaros pretos, canários, joões-de-barro, periquitos e maritacas. ÿ tarde, o dia se encerrava lentamente ao som do canto triste e distante dos jaós, codornas, perdizes e inhambus.

Nos dias de sol, as águas tranqüilas dos remansos refletiam, como um espelho, a dança agitada das borboletas amarelas nas margens arenosas. Nas águas cristalinas, o garoto observava o movimento incessante dos pequenos lambaris à procura de alimentos, mas sempre atentos às vorazes e ameaçadoras traíras.

Tudo isso desapareceu sob as águas da represa da Usina de Itumbiara. As árvores, pastagens e nascentes estão cobertas por águas escuras. Os pássaros, as borboletas e os peixes se foram, para onde eu não sei. Só restam as minhas recordações, que um dia também desaparecerão no tempo, como lágrimas numa grande represa. Se você lamenta o que pode ser perdido, eu lamento o que já perdi.

Como tornar-se mais criativo na solução de problemas

Obter soluções criativas e inovadoras para os problemas empresariais, sociais, políticos e econômicos tem sido um dos desafios sempre presentes nos dias atuais. Como analisar corretamente estes problemas e chegar às melhores soluções?

Qual a diferença entre boas e más soluções?

Uma boa resposta a esta questão pode ser obtida estudando alguns dos grandes fracassos políticos e empresariais dos últimos anos, excetuando, evidentemente, os notórios casos de fraude e corrupção devidos a ausência de ética e não a falta de criatividade. Examine alguns casos e em todos eles você encontrará pelo menos uma das três falhas mais comuns:

  • Estreiteza de visão: a falha em enxergar o todo, ignorando as complexidades, implicações e ramificações do problema em questão.
  • Desatenção aos detalhes, especialmente o desconhecimento daqueles de pouca visibilidade mas críticos.
  • Incapacidade de escapar da mesmice e gerar soluções inovadoras; falta de imaginação e coragem para romper as amarras com o passado e superar os preconceitos.

Barry Welford, consultor em criatividade, define duas condições básicas para uma boa técnica de solução criativa:

  • Ser agradável e fácil de usar.
  • Deve ajudar-nos a obter as melhores soluções.

Welford sugere um processo criativo bastante simples, formado de três passos:

1. Pesquise como a águia - olhe de cima.

Tenha uma visão de todo o quadro, inclua tudo que for relevante, veja as fronteiras, procure conhecer de modo global o que está acontecendo.

2. Analise como a coruja - com uma visão de 360º.

Esteja ciente de todos os fatores, mesmo os escondidos ou difíceis de localizar, que poderão afetar suas análises e decisões.

3. Solucione como humano - com engenhosidade e coragem.

Use toda a sua imaginação para escapar dos caminhos óbvios e encontrar soluções inovadoras.

PESQUISE COMO A ÁGUIA

AguiaEste passo requer a habilidade de se afastar do problema e ver a floresta além das árvores. Nesta etapa é importante não se deixar cegar pelos detalhes, tentar formar um quadro geral da situação e definir adequadamente o problema que deve ser resolvido. Este quadro geral deve mostrar as fronteiras do problema, as implicações e os impactos sobre outras unidades, pessoas e processos.

Este primeiro passo não tem recebido a atenção adequada no processo de análise e solução de problemas. Com muita freqüência as pessoas entram direto na discussão dos detalhes, negligenciando o conhecimento do todo. As conseqüências são a definição inadequada do problema e o desperdício de tempo e dinheiro em soluções erradas e ineficazes. Quando trabalhando em equipe, esta etapa permite que cada um expresse sua visão da situação, e assegurando a obtenção de consenso sobre o correto significado do problema que está sendo atacado.

ANALISE COMO A CORUJA

CorujaComo todos sabem, muitas corujas podem girar a cabeça num ângulo de 360º sem mover o corpo. Algumas podem detectar o ruído de pequenos animais se movimentando no mato e dar botes certeiros e mortais. O mesmo grau de precisão é necessário na análise de problemas, especialmente na identificação de suas possíveis causas.

Assim que o problema tenha sido corretamente definido, é importante encontrar todos os fatores que possam influenciar a solução. ÿ neste ponto que o trabalho em equipe mostra toda a sua força, pois pessoas de diversas origens e formação estarão olhando o problema de diferentes ângulos. A discussão aberta e livre em que todos os pontos de vista possam ser representados, discutidos e registrados é, sem dúvida, a melhor abordagem. Todas as possíveis causas são identificadas e priorizadas.

SOLUCIONE COMO HUMANO

HumanoO passo final deve permitir a plena aplicação de todo o potencial criativo da mente humana. Aqui há espaço tanto para a abordagem fundamentada na lógica como na intuição e imaginação. Neste ponto, a equipe pode optar por usar algumas das ferramentas e técnicas de auxílio à criatividade, como o Mapa Mental, o Brainstorming e o SCAMPER. Contudo, o mais importante é a tomada de consciência das barreiras que inibem a criatividade: os bloqueios mentais, culturais, emocionais, intelectuais etc.

Ousar romper com os padrões estabelecidos, fazer uso inteligente das novas tecnologias e ir além dos métodos tradicionais, esta é a atitude que separa as soluções criativas da mesmice.

10 dicas que podem mudar sua imagem como líder

leader

Mediocridade, mesmice, inconsistência e indecisão são coisas intoleráveis para quem quer se tornar um líder respeitado. Aqui estão algumas dicas que podem ajudá-lo a melhorar seu desempenho como líder.

  1. Você não deve falar de valores e princípios se não estiver disposto a vivê-los.
  2. Você deve ver seu papel como um líder de talentos e dedicar cada dia ao aperfeiçoamento das competências de sua equipe.
  3. Você deve ouvir mais do que falar.
  4. Fale menos do passado e mais do futuro.
  5. Não seja um coveiro de idéias, mas procure sempre olhar para o que há de bom nelas. O mundo precisa mais de jardineiros do que de coveiros.
  6. Você deve dar feedback, mesmo que seja muito duro.
  7. Você deve ouvir o feedback, mesmo que seja muito duro.
  8. Não varra seus erros para debaixo do tapete, enfrente-os e procure aprender com eles.
  9. Não faça julgamentos apressados sobre as pessoas; não se deixe guiar pelas emoções e aparências, mas por fatos e dados.
  10. Pense sempre nesta pergunta: Você seria motivado por uma pessoa que age como você?

A arte da prudência

Baltasar Gracián y Morales foi um importante prosador espanhol do século XVI ao lado de autores como Francisco Quevedo e Miguel de Cervantes, além de teólogo e filósofo. Seu estilo literário é caracterizado pela sobriedade e concisão. Sua obra inclui seis livros: alguns sobre a arte da escrita e outros sobre a ética da vida.  Os textos a seguir foram selecionados do seu livro A Arte da Prudência, editora Sextante.

Conhecer sua melhor qualidade

Deve-se cultivar a mais relevante e aperfeiçoar as outras. Todos poderiam triunfar se conhecessem seu maior talento. Identifique sua principal qualidade e dobre seu uso: em uns domina o discernimento, em outros a coragem. A maioria violenta sua capacidade e por isso não se destaca em nada. O que é exaltado rapidamente pela paixão será mais tarde desenganado pelo tempo.

O esforço e a capacidade

Não há excelência sem ambos, e se estão juntos o resultado é ainda melhor. A mediocridade com esforço consegue mais que a superioridade sem ele. A reputação se compra com trabalho: pouco vale o que pouco custa.

Temperamento jovial

Com moderação, é uma qualidade e não um defeito. Um pouco de graça tudo tempera. Os grandes homens também têm a arte de jovialidade, que atrai a simpatia de todos, mas sempre respeitando a prudência e guardando o decoro. Alguns fazem da simpatia um atalho para sair-se bem de um problema, porque é preciso levar certas coisas na brincadeira, mesmo aquelas que outros levariam ainda mais a sério. Este tipo de temperamento indica amabilidade e cativa os corações.

Ir direto ao assunto

Muitos dão cem voltas ao redor do mesmo ponto e se perdem num falatório sem fim, cansando a si mesmos e os outros, sem nunca chegar ao âmago da questão. Quem procede assim tem pouca clareza de idéias. São pessoas confusas, que desperdiçam tempo e paciência no que não deviam e, depois, ficam sem ambos para o que realmente importa.

Há algo pior do que um gerente pessimista?

Uma pessoa jamais deve ser indicada para um cargo gerencial se sua visão foca as deficiências das pessoas em vez dos pontos fortes.

Peter Drucker

Nosso pessoal é o nosso mais valioso patrimônio. Quantas vezes você já ouviu este chavão? Toda empresa “moderna” se sente na obrigação de incluir uma variante desta frase nas suas declarações de políticas e princípios. No entanto, com muita freqüência, não passam de frases vazias, conversa fiada.

Peter Drucker tocou num ponto crítico. A escolha dos gerentes, líderes de equipes, é uma das decisões mais importantes para a empresa demonstrar, ou não, seu genuíno compromisso com a valorização de seu patrimônio humano.

Pelo meu entendimento, o verdadeiro líder encoraja e ajuda aqueles que lidera a se tornarem o melhor que eles podem ser. Ele une as pessoas e faz com que cada habilidade individual contribua para a realização do objetivo comum. O gerente-líder identifica os talentos da sua equipe e a orienta no aprimoramento destes talentos. Ele é uma fonte de inspiração e motivação de atitudes de dedicação, cooperação e de aprendizado permanente.

Um gerente que só vê defeitos e é cego para os pontos fortes das pessoas é incapaz obter e manter um alto desempenho em qualidade e produtividade. Pior do que isso, ele se torna um fator de desvalorização e de desatualização do patrimônio humano, uma fonte de estresse e desagregação. Como gerente, ele pode realizar as tarefas, mas com resultados que dificilmente compensarão os estragos sobre o moral e auto-estima de sua equipe.

Qual o remédio? O que as empresas podem fazer é investir no desenvolvimento das competências gerenciais de seus gerentes potenciais, especialmente nas habilidades de liderança.

ÿ claro que nem todos nasceram para ser grandes líderes, mas pelo menos podem aprender a tratar seus colaboradores e colegas com respeito, dignidade e mais confiança no potencial de cada um. ÿ claro também que nada disso tem algum valor se a alta direção não adotar a mesma postura em relação a seus gerentes. O exemplo que vem de cima é sempre a lição que realmente vale e permanece. O discurso deve ser confirmado pela prática.