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Nossa Via

O conteúdo passa por aqui!

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Projetos web: 8 propostas de sites ridículos de utilidade duvidosa. Obs: não leia isto!

Como ando sem nenhuma idéia interessante para postar no NossaVia, resolvi apelar para a categoria entretenimento e elaborei um post que fatalmente irá concorrer para o pior post do ano. Divirtam-se com o tom forçado e precário do texto. Obs: Quem deixar escapar risos deve imediatamente buscar tratamento psiquiátrico.

Minha história vale uma esmola.

Este site iria funcionar da seguinte forma: o usuário se cadastra e tal, a partir disto ele pode postar histórias comoventes, histórias-conselhos, ou qualquer outra coisa que ele julga que irá derreter o coração de alguma velhinha blogueira. Em cada post tem um botão do tipo Pay-pal ou Pag-Brasil pronto para receber doações de quem ficou com pena da pessoa ou que decidiu doar porque achou que o cara teve criatividade de inventar uma história dolorosa e por isso merece um troco.

Valeu trouxa!

Um portal de piadas e tirinhas no qual o usuário, ao postar ou subir uma piada ou tirinha nova, ganha um valeu troxa! A informação aparece assim que o sujeito posta o conteúdo, e com o tempo, ele pode ir descobrindo novas mensagens, com animações novas. Com isso o sujeito vai acumulando pontos no rank dos maiores trouxas que subiram mais piadas. Bacana.

Bar real-time.

Um site dividido por categorias temáticas, por regiões, faixa etária, etc. O fulano se cadastra e procura a região em que reside, dentro de suas preferências, para descobrir que tipo de bares existem em sua região e quais pessoas pretendem aparecer por lá nos dias marcados. ÿ útil para pessoas solitárias que podem postar antes de ir para o bar, deixando a informação para outros usuários solitários da mesma região, de modo a possibilitar novos encontros.

Jogo: o enigma do servidor.

Uma espécie de site jogo ultra precário na internet. As pessoas se cadastram no site, e a partir de então seus nomes aparecem listados no painel geral do jogo. O usuário escolhe um parceiro e o convida para o jogo. Com a aceitação, um dos jogadores elabora um enigma e manda a resposta secreta para o servidor. A partir disto, os dois jogadores se enfrentam usando um chat. Quem decifrar o enigma com o menor número de perguntas, vence.

Decifrando Wally.

Um site literário de criação coletiva na qual todo mundo escreve tentando decifrar o que está acontecendo com Wally. Onde Wally está preso, em que intrigas se envolveu, quais são os segredo afetivos de Wally, suas histórias engraçadas, as meninas que ficaram com Wally, as garotas que detestaram Wally, qualquer idiotice, etc. O bom deste site é que tudo parte de uma pergunta absolutamente inútil: quem foi Wally? e a partir disto se desdobra para a criação literário-coletiva.

Um poema para minha vó.

Já viu coisa mais improvável e inútil do que escrever um poema para a sua vó? ÿ claro que não vale homenagens póstumas.

Quando ela me deixou, fiz um poema.

Pessoas tristes publicam seus poemas tentando transformar suas histórias de abandono em momentos sublimes.

Conselheiro web.

Os usuários deste site enviam seus problemas, suas angústias e dúvidas existenciais para as diversas categorias do site. Das categorias, poderiam constar: problemas afetivos e relacionamentos, conflitos familiares, dúvidas profissionais, auto-ajuda, conselhos on-line, diversão on-line, entre outros. Uma vez que todos os problemas são postados nas categorias, eles ficam armazenados no servidor a espera de usuários que irão se cadastrar e se candidatar a conselheiros em categorias do site. Uma vez que os conselheiros publicam suas respostas, estas são votadas e os conselheiros mais pontuados são convidados para participar de um talkshow num canal teen de clipes musicais.

Estes sites perfazem a nossa primeira proposta, 1.0. Em breve, estaremos lançando os “novos novíssimos” projetos 2.0, Aguardem!

O tempo dos blogs

A coisa é bem simples mesmo, é para falar um pouco sobre o tempo dos blogs, divagar um pouco sobre como essas ferramentas de publicação acabam gerando uma relação curiosa com o tempo, o nosso tempo, pessoal, próprio.Alguém aqui já parou para pensar que essa pequena e aparentemente inofensiva ferramenta de publicação pode se transformar num maravilhoso mecanismo de contaminação de nossa noção interna de temporalidade? Dito de outra forma, fica simples: no momento em que o sujeito adquire um blog, automaticamente a sua percepção de tempo irá se modificar, na maioria dos casos será uma sensação de perturbação da ordem normal das coisas.

Publicado o primeiro post, a sensação já pode ser sentida. A ânsia da atualização logo irá se casar com a percepção da necessidade de informação. Primeiro você se atualiza para depois atualizar o seu blog. Quanto mais informação você consome, mais se dá conta de que é a sua pessoa que precisa de atualização, e nisso você já percebe as primeiras angústias da sensação de inadequação ao tempo presente.

Naquele período em que o seu mísero post está on-line, sem perceber você se sente em dívida porque, querendo ou não, algo em sua personalidade acaba associando você a figura de seus textos, aqueles curtos e mal-traçados pensamentos empoeirados. O tempo passa e você sente a sensação terrível de que você não produziu. Dá a impressão de que enquanto muitos foram espertos e criativos, e produziram muitas coisas legais e ganharam destaque, etc, você passou um tempo obscuro no limbo, sem idéias, como uma ostra, esquecida em algum lugar.

Desatualizado.

Essa ferramenta que ainda ninguém conseguiu explicar bem para que serve, ao final de tudo foi bem eficiente em te mostrar que você precisa reformular a sua rotina e sua disciplina para poder acompanhar o ritmo acelerado do mundo contemporâneo, essa coisa que ninguém em sã consciência se arrisca a tentar dizer o que é.

Diante disto, a panacéia que nos prometem é a fórmula do Planejamento. ÿ necessário que você se programe, que você saiba se programar, que você tenha consciência desta importância e do poder que isto pode trazer. Você programa o que deve ser feito durante o dia, ao longo das semanas, por entre os meses, em busca de metas. Você calcula o que você deve sentir e pensar em cada momento de seu planejamento: das 14:30 às 16:30 produzirei o texto de atualização de meu blog, que será publicado 12 horas depois, no dia tal.

O segredo do planejamento é a disciplina, acostumar o corpo e as emoções a acontecerem do jeito que você planejou, na hora em que foram programadas. Uma vez que tudo está planejado e você se desdobra para realizar as metas, a partir de então você já pode abandonar as angústias e se preocupar em fazer tão somente o balanço do que foi concretizado e do que falta melhorar. Com a sua atenção presa ao planejamento, some como por mágica a aflição da passagem do tempo, essa idéia absurda de que você não está conseguindo acompanhar as coisas, de que está ficando velho, ou de que os seus referenciais já ficaram pra trás, já foram ultrapassados.

O importante é que neste processo você não se vicie em se auto-enganar. O seu corpo a todo momento cria embustes para fugir das próprias obrigações que você criou para si mesmo. Mas a esperança é a de que você pode criar embustes para enganar o seu corpo: em linguagem atualizada = hacks.

Atualização e produção. Precisamos ser atuais e produtivos senão ficaremos para trás.

Inadequados, antigos, anacrônicos, desinformados, descartáveis. Esquecidos?

A síndrome de velho, do tempo passado, nos persegue. Ingênuos, esbaforidos, tentamos não entregar os pontos. Chronos nos espreita com um riso de canto. Ao nosso lado, o companheiro Sísifo posta a última notícia da web 2.0 em seu blog.

Aliás, qual é o assunto para o próximo post?

Conciliando informatas e filósofos: o pensamento otimista de Pierre Lévy - Pack Teórico II

Para quem ainda não foi apresentado a este pensador, Pierre Lévy tem se destacado como um dos mais proeminentes pensadores da área da tecnologia da informação e comunicação, com ênfase em trabalhos pioneiros que exploram o ciberespaço e a cibercultura. Em outras palavras, para nós que gostamos de internet, é referência obrigatória.Neste segundo Pack Teórico, pretendo extrair de sua vasta obra alguns conceitos que irão reformular a relação entre informatas e filósofos. Tenho como objetivo iluminar como Pierre Lévy caracteriza e depois concilia essas duas figuras, no sentido de afastar uma separação muito comum (técnica separado de conteúdo) e limitadora que atrapalha os debates culturais que envolvem os debates sobre o futuro da internet e seus impactos na área cultural. A obra que nos serve de base e que recomendamos vivamente é As Tecnologias da Inteligência.

O Cego e o Paralítico

De início, é interessante observar como Lévy caracteriza essas duas figuras, esses dois extremos: o informata e o filósofo.
A distinção aparece no momento em que Lévy analisa a possibilidade de sucesso da elaboração de um programa.

O conhecimento das entranhas de uma máquina ou de um sistema operacional será então usado com o objetivo de
tornar o produto final amigável. O virtuosismo técnico só produz seu efeito completo quando consegue deslocar os eixos e os pontos de contato das relações entre homens e máquinas, reorganizando assim, indiretamente, a ecologia cognitiva como um todo. Separar o conhecimento das máquinas da competência cognitiva e social é o mesmo que fabricar artificialmente um cego (o informata ?puro?) e um paralítico (o especialista ?puro? em ciências humanas), que se tentará associar em seguida; mas será tarde demais, pois o danos já estarão sido feitos.

O Cego, informata puro, sabe tudo dos códigos, mas não se vê inserido numa discussão que envolve a ciências humanas como um todo, não percebe a sua responsabilidade cultural e cognitiva de sua atividade.

O Paralítico, habituado a discutir as questões teóricas, despreza as questões técnicas que condicionam e influenciam a sua atuação, bem como é desprovido do conhecimento que dá concretude aos seus projetos.

A separação que estamos acostumados.

_Vamos fazer o seguinte: você cuida da parte técnica, que nós iremos cuidar do conteúdo….
_ E o Ari, qual será a função dele no nosso projeto?
_Ah, bem, ooooh Ari… o Ari pensa as questões, sabe, esses lances filosóficos…

Existe uma dicotomia de que poucos duvidam hoje que separa em campos bem demarcados os profissionais da área da informática, os da comunicação e os das ciências sociais em sentido amplo. Essa divisão não é algo que possa ser apontado com clareza, porque ela não é uma barreira visível. As divisões estão distribuídas em muitos detalhes e disseminadas em diversos pontos, como questões profissionais, sociais, econômicas, políticas e epistemológicas.

Em grande medida, a divisão tem a sua razão de existir. ÿ o caminho reconhecido da divisão do trabalho e das especializações profissionais crescentes. Porém, essa distância entre as áreas, em muitos casos, revela suas limitações.

Um exemplo ocorre quando abordamos a expansão da informática e da internet em nossas sociedades. A revolução informática atual é bastante recente do ponto de vista histórico, aproximadamente 50 anos, pouco em vista dos nossos mais de dois mil anos de evolução.

No campo do debate das ciências humanas, o que está em jogo é a discussão central sobre o papel da técnica em nossa sociedade. Evidente de que desde a revolução industrial ela se torna central, mas agora podemos nos perguntar em que grau a técnica se transformou, em que velocidade ela vêm evoluindo, e com que tipo de efeitos para as demais esferas da vida social.

A técnica - a nossatécnica - o Computador

A técnica, como se percebe, não se limita apenas ao mundo da produção e do mercado, mas se expande para todos os setores das sociedades humanas. Em velocidade cada vez maior ela se infiltra na cultura como um todo, nos modos de administração e controle político dos Estados, nos processos de comunicação, no desenvolvimento e transmissão do conhecimento, na produção artística, nas formas de entretenimento, etc.

Assumindo a importância e o poder atribuídos à técnica, podemos então perceber dois pontos chaves que se sucedem do discutido. Num primeiro momento é possível notar que a figura do computador preenche cada vez mais o espaço criado pela técnica. ÿ como se o computador fosse a síntese da técnica, ou de todas as tecnologias que acumulamos ao longo do processo, ele é uma espécie de pacote que faz convergir todos os nossos progressos técnicos, e os transforma numa única ferramenta.

O segundo, mostra como todas as esferas de poder, os mecânismos de saber e os processos de produção e acumulação de cultura passam, em algum momento, por questões técnicas, de modo a atingir profissionais de todas as áreas, transformando e reformulando campos e arranjos sociais. Nesta parte, acima de tudo é importante perceber que o que institui a racionalidade científica como parâmentro das técnicas e dos saberes instrumentalizados é uma questão cultural, que tanto pode ser pensada pelo cientista de exatas como pelo da área de humanas, ou mesmo pela fusão dessas duas áreas, uma vez que postulamos que a técnica, ela mesma não conhece essa distinção.

ÿ justamente nessa confluência que irá lançar seu foco de análise o pensador Pierre Levy. Tomando como exemplo o computador, e mais especificamente, as interfaces dos programas de computador, Lévy mostra que a interface dos programas é uma espécie de cristalização de formas de saberes, saberes estes que não estão limitados apenas às questões técnicas. Quando nos encotramos diante de um formulário de banco de dados, diante de interface de aplicativos de escritório, de programas que gerenciam nossas tarefas e informações do dia-a-dia, estamos diante de algo mais do que simplemente janelas programadas, mas as janelas são a superfície dos nossos saberes culturais que acumulamos que nos informam como organizar nossos negócios, nossas atividades e nossas informações pessoais.

De outra forma: no momento em que desenvolvo um programa, realizo ao mesmo tempo uma questão técnica (que viabiliza a aplicação) e também uma questão cultural-cognitiva: crio um novo campo de acumulação e gerenciamento de informação que pode se disseminar e transformar nossas relações sociais.

Por isso, não podemos ser totalmente cegos e discutirmos a técnica pela técnica.

Nem paralíticos, acreditando que a crítica da técnica e de seus efeitos pode ser feita sem uma incursão, um conhecimento e um enfrentamento das questões específicas que ela apresenta.

O mais interessante desta abordagem de Lévy é que no momento em que compreendemos o seu pensamento, todos nós, técnicos ou não, nos tornamos programadores.

Finalizo o Pack com as palavras de Lévy.

Retomemos a comparação entre informática e arquitetura ou urbanismo. Em vez de estruturar o espaço físico das relações humanas e da vida cotidiana, o informata organiza o espaço das funções cognitivas: coleta de informações, armazenamento na memória, avaliação, previsão, decisão, concepção, etc. Os arquitetos estudaram a resistência dos materiais e a mecânica, conhecem todas as propriedades do cimento. Mas seus conhecimentos, como todos sabem, não se limitam à vertente objetiva de sua profissão. Que diríamos de urbanistas que não tivessem nenhuma noção sobre sociologia, estética ou história da arte? Entretanto, a maioria dos informatas se encontra hoje em situação análoga a esta. Eles intervêm sobre a comunicação, a percepção e as estratégias cognitivas de indivíduos e de grupos de trabalho; apesar disto, não encontramos em seu currículo nem pragmática da comunicação, nem psicologia cognitiva, história das técnicas ou estética. Como acordar os futuros informatas para a dimensão humana de sua missão? Somos forçados a constatar que o ensino superior produz hoje, na maioria dos casos, ?especialistas em máquinas?.

Ao se aproximar dos etnógrafos e dos artistas, os criadores e os analistas de sistemas descobrirão a ética que falta a sua jovem profissão. Talvez a informática vá enfim tornar-se uma técnica.

Zippando Baudrillard ? A nova proposta dos Pack?s teóricos ? parte I

Faz um tempo que eu venho engavetando um projeto de escrever uma seqüência de pequenos textos sobre alguns autores das ciências humanas que nos oferecem boas questões, pistas e conceitos interessantes para discutir e compreender mais sobre internet. Era uma idéia que não saia da gaveta e que já tinha quase abandonado. Porém, quando percebi que o projeto do NossaVia iria emplacar, notei que era o momento certo de colocar a idéia em prática.

O projeto é bem humilde e não tem nenhuma pretensão acadêmica. Em grande medida, tomo como ponto de partida uma seleção um pouco pessoal de autores e discussões que acredito ter um apelo perante diversas audiências, abrangendo grupos e indivíduos dos mais variados interesses.

Seria uma espécie de pequeno mosaico conceitual-informativo, que ao final resultaria numa paisagem das questões teóricas mais interessantes que a internet propõe.

mapa-questoes-relacionadas-com-a-internet.jpeg

Confira o Mapa

A princípio, pensei em autores como Jean Baudrillard, Pierre Levy, Zygmunt Bauman, Manuel Castells, Armand Mattelart, Richard Sennett, Dan Gilmor, entre outros, abordando temas tais como sociedade da informação, comunicação de massa, cultura e comportamento na internet, privacidade, espaço público e participação na rede, interfaces, conhecimento e tecnologias da inteligência, etc. Como podem perceber, o campo parece promissor, porém bastante inexplorado e perigoso.

A proposta é pegar esses autores com obras que já possuem o seu encaixe nas ciências humanas e tentar realizar uma síntese delas para o formato mais próximo do blog, de uma comunicação mais rápida e menos comprometida com rigores teóricos, mas ao mesmo tempo mais ágil e sedutora, mais assimilável. Tornar isso assimilável, mas acima de tudo, tentar ao máximo fazer essas referências teóricas dialogarem com o contexto atual, com os assuntos do dia, a pauta corrente. Daí a brincadeira de Pack?s (package ? pacote) teóricos: a vontade de fazer conversar as diversas áreas, tais como a filosofia, a sociologia, a ciência da computação, a ciência da informação, etc.

No pacote de hoje apresento a vocês Jean Baudrillard.

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Fonte: wikipédia

Nota biográfica

Nasceu na França, 1929, Reims. Faleceu em 2007, Paris. Sociólogo, professor, escritor, fotógrafo, estudou semiótica, alemão e comunicação.

Contexto cultural

Pós-modernismo, semiótica, estruturalismo, maio de 68.

Aproximação de Baudrillard

O interessante no pensamento de Baudrillard é que sua obra não é um conjunto que se oferece de forma amigável ao virtual leitor. Não é uma obra bem organizada, com conteúdo didático. Seus livros são recheados de aforismos, trocadilhos, sutilezas. Suas abordagens são sempre bastante pessoais, muito apoiadas na própria perspicácia e criatividade do autor, se escora pouco nos textos da tradição. Quem decide se aproximar do pensamento de Baudrillard sempre é chamado para um jogo de provocação e decifração.

Tudo é tão falso, tudo é tão artificial… tudo é tão real: o Simulacro e o Hiper-Real.

Toda a tradição do pensamento ocidental foi fundada na separação radical entre matéria-forma (Natureza-Pensamento). Desde Platão, Aristóteles, passando por Descartes, Kant e Newton, existia uma diferença radical entre a matéria-extensão, o objeto bruto da natureza e a sua representação conceitual, a impressão que o objeto causa em nossa mente. Eram elementos ontologicamente diferenciados, de naturezas diferentes.

Saindo desta chave, seguindo a trilha aberta pela fenomenologia, Baudrillard passa a desconfiar deste privilégio de verdade concedido aos fenômenos físicos-naturais. Mais que isso, sem querer resolver a questão do valor da matéria-extensa, ele questiona a postura que despreza a simulação. Partindo de uma alegoria que ficou famosa do escritor argentino Jorge Luis Borges, temos uma situação (realismo-fantástico) na qual os mapas: - a representação ? (a simulação do território real) se torna mais detalhista e precisa do que as imperfeições do terreno natural.

Hoje a abstração já não é a do mapa, do duplo, do espelho ou do conceito. A simulação de um território, de um ser referencial, de uma substância. ÿ a geração pelos modelos de um real sem origem nem realidade: hiper-real. O território já não precede o mapa, nem lhe sobrevive. ÿ agora o mapa que precede o território ? precessão dos simulacros ? é ele que engendra o território cujos fragmentos apodrecem lentamente sobre a extensão do mapa. ÿ o real, e não o mapa, cujos vestígios subsistem aqui e ali, nos desertos que já não são os do Império, mas o nosso. O deserto do próprio real. (Baudrillard)

Nada precisa mais do real para existir: os signos foram libertados. A simulação, que é uma recriação do real, pode produzir os mesmos efeitos do fenômeno real, sem precisar estar atrelada a nenhuma das condições do real. No momento em que ela se populariza e aperfeiçoa (a simulação), então Baudrillard avalia que o Simulacro (resultado da simulação) passa a deter o mesmo status ontológico do real (natureza). Ou seja, ele (o simulacro) pode ser tão verdadeiro ou tão falso (não importa decidir) a respeito daquilo que inicialmente pretendia simular.

Será que dá pra relacionar isso com a internet? Msn, vídeo-conferência, Second-life? Um simulacro que ganhou vida?

O excesso de significado coloca em risco a própria produção do sentido.

Uma vez que o signo está liberto e o simulacro ganha vida, sua trajetória, segundo Baudrillard, é a de uma reprodução crescente e incontrolável, desastrosa.

O signo se reproduz uma vez que ele além de ser utilizado por quem pretende se afirmar, ele também volta-se a si mesmo com o objetivo de investigar e descobrir o seu próprio processo de elaboração ? a metalinguagem. A metalinguagem, em si mesma, não possui nenhuma característica negativa. No entanto, a exemplo do simulacro, ela se desenvolve justamente no espaço da ausência da comunicação. O trecho abaixo é uma crítica aberta a outro teórico da comunicação, McLuham.

O êxito da comunicação e da informação seria, do mesmo modo, resultante da impossibilidade que a relação social tem de superar-se como relação alienada? Na falta disso, ela desdobra-se na comunicação, multiplica-se na multiplicidade das redes. A socialidade superativada pelas técnicas do social. Ora, o social em essência não é isso. Foi um sonho, um mito, uma utopia, uma forma conflituosa e contraditória, forma violenta, em todo caso um acontecimento intermitente e excepcional. A comunicação, ao banalizar a interface, leva a forma social à indiferença. ÿ por isso que não há utopia da comunicação. A utopia de uma sociedade comunicacional não tem sentido, já que a comunicação resulta precisamente da incapacidade de uma sociedade superar-se para outros fins. O mesmo acontece com a informação: o excesso de conhecimento dispersa-se indiferentemente ma superfície em todas as direções, mas ele só comuta. Na interface, os interlocutores estão ligados entre si como o plugue na tomada elétrica. ?Isso? comunica, como se diz, por uma espécie de circuito único, instantâneo; e, para que comunique bem, é preciso que ande depressa, não há tempo para o silêncio. O silêncio é banido das telas, banido da comunicação. As imagens midiáticas (e os textos midiáticos são como as imagens) nunca se calam; imagens e mensagens devem suceder-se sem interrupção. Ora, o silêncio é justamente a síncope no circuito, a ligeira catástrofe, o lapso que, na televisão por exemplo, torna-se altamente significativo ? ruptura carregada de angústia e júbilo, verificando que toda essa comunicação é no fundo apenas um enredo forçado, uma ficção ininterrupta que nos supre o vazio, o da tela tanto quanto da nossa tela mental, da qual espreitamos as imagens com igual fascinação. (Baudrillard)

Polêmicas

Para Baudrillard, a Guerra do Golfo (contra Saddam Hussein) nunca existiu. Invertendo o mote de Clausewitz, ?a guerra é a continuação da política por outros meios? Baudrillard assume que o evento (ausência de guerra) foi ?a continuação da ausência da política por outros meios?.

Pergunto

Qual foi mesmo a hiper-realidade das cenas do enforcamento do Saddam no YouTube? YouTube, vocês entenderam? YouTube?

Curiosidade

Baudrillard viveu na mesma época que Foucault. Chegaram a ter contatos e trocar idéias. Por iniciativa de Baudrillard, surgiu a proposta de que cada um fizesse um ensaio criticando a obra do outro. Baudrillard escreveu o seu ensaio, intitulado Esquecer Foucault, o enviou para Foucault e disse: agora estou esperando o seu. Foucault não escreveu o ensaio sobre a obra de Baudrillard. Depois de receber do amigo o ensaio que refutava sua obra, Foucault cortou relações com Baudrillard. Mesmo diante do rompimento, Baudrillard tentou publicar seu livro. Após um tempo sendo enrolado pelo editor, descobriu que Foucault tinha usado de influência que tinha com o editor para vetar a publicação. Tempo depois, em outra editora, Baudrillard publicou seu livro. Em 1984 Foucault faleceu. Atualmente o livro está esquecido. Foucault continua atual.

Filmes

Crash ? Estranhos prazeres ? David Cronenberg

eXistenZ ? David Cronenberg

Cidade dos Sonhos ? David Lynch

Truman Show ? Peter Weir

Entrevista

http://www.consciencia.net/2003/06/07/baudrillard.html

Como evitar os cacoetes lingüísticos em suas apresentações?

“Expressões como ?né??, ?tá??, ?entendeu??, ?sabe??, ?ah?, ?eh?, entre outras de utilização comum na comunicação do dia-a-dia, quando utilizadas numa palestra podem estragar a sua apresentação. “

Durante nossas conversas informais, utilizamos uma série de pequenas palavras que não cumprem, por assim dizer, nenhuma função comunicativa. São palavras ou pequenas expressões que usamos de maneira quase involuntária (por força do hábito), por acreditarmos que elas possuem algum poder enfático em nossa fala. Expressões como ?né??, ?tá??, ?entendeu??, ?sabe??, e cacos verbais como os intermináveis ?eh? e ?ah? são recursos que os especialistas chamam de ?palavras muletas? (crutch-words), que também podem ser chamadas em nosso país de cacoetes lingüísticos.

Porém, com o tempo e o descuido, o uso recorrente destes artifícios podem gerar problemas, sobretudo nos casos em que falamos em público e é necessário transmitir com clareza e objetividade uma informação. Nestes momentos em que nos deparamos com uma grande audiência atenta a tudo o que falamos, cada ?palavra muleta? soa como uma bomba que detona a credibilidade do palestrante e ofusca a qualidade do conteúdo.

Pessoas acostumadas a falar em público sabem bem da dificuldade de se evitar essas palavrinhas perigosas. Sem uma consciência deste problema e o devido preparo anterior para tais situações, dificilmente o orador consegue evitar os cacos verbais durante sua apresentação. Quais são as dicas para evitar esse problema?

A idéia chave para contornar esse problema é:

Não tenha medo do silêncio!

Pratique o silêncio ? Os cacoetes lingüísticos surgem porque o orador naturalmente possui medo do silêncio. O orador está acostumado a pensar que a sua função é preencher o vazio da apresentação, ou seja, afastar a todo custo o silêncio.

Admitir que o silêncio é bom é um ótimo começo para melhorar suas apresentações.

Tenha consciência de seu papel - Diferente de uma conversa informal entre dois amigos, na qual é possível ter um feedback imediato do interlocutor, numa apresentação somos forçados a conduzir o assunto de forma individual, sem o estímulo pontual e recorrente do bate-papo.

Saiba bem o roteiro de sua fala - Você deve conhecer a sua fala do começo ao fim. Se em algum momento de sua apresentação você pensar em qual deverá ser a próxima frase, há uma grande chance de você apelar para um cacoete para preencher o espaço vazio do seu raciocínio.
O caco verbal aparece justamente no momento em que o apresentador não esta certo da próxima frase. A sua mente ainda trabalha para articular o que vai ser falado e neste contexto você sente uma compulsão de jogar alguns retumbantes ?ah? e/ou ?eh? para preencher os espaços vazios da fala.

Não use o cacoete para ligar frases ? No espaço entre elas, respire. Isso também dá tempo para o seu interlocutor assimilar as suas informações. Lembre-se, o silêncio é bom, ajuda o espectador a digerir a informação que você está apresentando.

Planeje bem as partes complicadas ? saiba de cor a introdução e a conclusão de sua fala, palavra por palavra. Tenha o mesmo cuidado com as partes delicadas do assunto que você aborda.

O entusiasmo diminui o cacoete ? quanto mais envolvido e convicto de sua fala, menos necessidade você irá sentir de usar um caco para dar ênfase ao que está dizendo.

Qualidade é melhor que quantidade - Nas apresentações, vale mais uma pequena idéia bem trabalhada e fixada no público do que muitas informações dispersas e mal articuladas perante a platéia.

Fonte: Lifehack.org