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Mostras de arte e cinema em São Paulo

Nesta semana acontecem em São Paulo duas mostras que animam os que gostam de arte.

    

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O Sesc tem ações inusitadas em suas unidades espalhadas por toda cidade na 12ª edição da Mostra Sesc de Artes que acontece até 18 de outubro e promete trazer poesia e arte para o cotidiano atribulado da cidade. Estou certa de que alguma manifestação artística vai atingir você: o ?Poema Passageiro? com trabalhos de poetas escolhidos por Ricardo Silveira inseridos nas TVs instaladas em ônibus da capital, o gigantesco pato de borracha do holandês Florentijn Hofman (com 12 metros de altura, na região do Sesc Interlagos), nas paredes do Sesc Paulista que serão iluminadas pelo ?Falling Times? com notícias em ícones cadentes (sistema criado por Michael Bielicky, Kamila B. Richter e Dirk Reinbold, da Alemanha / República Tcheca. Se não for por ações garandiosas assim, será em ações como o Boca Suja, guardanapos com poemas impressos, os micro-contos Dezoito e Trinta colados em carrinhos miniatura alinhados como num congestionamento, com Literatura em Trânsito que promete ser uma reflexão sobre o frenesi do nosso dia-a-dia na metrópole. Há ainda Poça de Poemas, de Alice Ruiz, Poemas para viagemPoesia de BebedouroPoesia Visual e projeto ?Literatura Celular? que envia todo dia (e gratuitamente) três microcontos para os celulares cadastrados no portal do Sesc. 

E no dia 17 começa oficialmente em São Paulo a 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, evento interessantíssimo e que dá aos cinéfilos a chance de assistir na telona preciosos filmes de cinema que não costumam estar nas salas comerciais do país. Estive com Zé (editor de música aqui no Nossa Via e de vários assuntos no Zeoffline) na coletiva e abertura do evento no sábado -e depois assistimos ao filme francês L’Heure D’ÿté - e lembrei da Val, que escreve sobre cinema aqui no Nossa Via e no blog Cinema é minha praia, porque ela teria adorado estar aqui em Sampa para acompanhar a mostra toda. O blog da mostra, embora bem escrito, não me permitiria listar aqui os links de tudo que achei interessante lá, mas vale visitar a navegar porque são tantas atividades paralelas e tantos filmes ótimos e diferentes, que com certeza algum deles vai combinar com você. 

São 454 filmes de 75 países numa seleção que pretende contemplar a diversidade da produção cinematográfica atual com obras de todas as partes do mundo que permitam “uma visão aberta e pluralista da realidade e novas experiências estéticas”. Os organizadores também enaltecem os nomes que compõem o juri (a mostra premiará filmes com um troféu lindo de Tomie Otake) e a presença de Wim Wenders e Benício Del Toro. O “furo” é a pré-estréia mundial de Garapa, de José Padilha e eu recomendo ÿltima Parada 174, filme de Bruno Barreto que conferi na sexta-feira e me convenceu como candidato brasileiro ao Oscar. Há também retrospectivas de filmes de Ingmar Bergman e Kihachi Okamoto, além dahomenagem a Hugh Hudson. Veja todos outros destaques aqui, escolha seu filme e divirta-se.

E para quem acha a mostra cara, uma prova da tentativa de democratização cultural. O Vão Livre do Masp, tradicional palco de manifestações artísticas e cívicas e um dos mais famosos cartões postais de São Paulo vai se transformar numa ampla sala de cinema com a exibição de uma Retrospectiva da 31ª Mostra (2007), com apresentações gratuitas dos mais destacados filmes já exibidos. Os títulos são ótimos e valem uma paradinha lá. 

Serviço:

  • 32ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo
  • Quando: De 17 a 30 de outubro de 2008
  • Quanto: Ingressos permanentes: R$ 390,00 (integral), R$ 90,00 (especial), R$ 165,00 (pacote de 20 ingressos), R$ 285,00 (pacote de 40 ingressos). Ingressos individuais: R$ 14,00 (inteira) e R$ 7,00 (meia) de segunda a quinta, R$ 18,00 (inteira) e R$ 9,00 (meia) de sexta, sábado e domingo
  • Onde: confira em breve mais informações no site oficial
  • Visite também o blog oficial para outras novidades

O continuísmo nas prefeituras

Hoje o assunto é o resultado das eleições municipais. Tinha lido há alguns dias que o continuísmo parecia ser a tônica destas eleições e confesso que não levei a sério. Mas ontem ao notar que as duas cidades cujas realidades políticas eu acompanho mais seriamente os atuais prefeitos conseguiram se sair bem, comecei a refletir mais seriamente sobre o assunto.

Juliano Machado, na sua coluna O Filtro, comentava hoje que

Folha informa que, dos 20 prefeitos de capitais candidatos à reeleição, 12 venceram no primeiro turno e os outros oito foram para a segunda fase da disputa. Ninguém ficou no meio do caminho. O uso da máquina administrativa e o fortalecimento do caixa das prefeituras em relação a 2004 são apontados pelo jornal como possíveis causas dessa supremacia. No mês passado, a revista ÿpoca já havia afirmado que o bom momento da economia em âmbito nacional deveria se refletir no ânimo dos eleitores nos municípios, pela lógica de não mexer no time que está ganhando.

Em Curitiba, cidade que vive uma “dinastia” lernista há muitos anos, o prefeito Beto Richa venceu com tranquilidade (reeleito com 77,2% dos votos) Gleisi Hoffmann.  Conheço-a pessoalmente - temos o mesmo sobrenome e alguns amigos em comum - do tempo em que era do alto escalão da Itaipu. Esposa do ministro Paulo Bernardo, teoricamente ela teria toda a força do governo federal ao seu lado, mas não funcionou. Além do peso negativo do governador Roberto Requião na coligação do PT, contaram diferenças como a presença de Richa em duas mil reuniões comunitárias na sua primeira gestão e a tradição, característica do meu estado natal, porque Beto é filho de José Richa. O nome é comparável ao de Mario Covas em São Paulo, tanto por sua importância histórica (foi daquela geração que lutava abertamente pelas Diretas Já e esteve à frente das mudanças políticas do País na década de 1980) quanto por sua fama de político sério e impoluto.

Também pode ser mais simples, como notei numa mini-entrevista que fiz com alguns twitteiros de Curitiba há pouco. Os curitbanos usuários de twitter que sigo são bem formados, classe média, com cerca de 30 anos, portanto não são a média dos geeks nacionais. Mas são eleitores e formadores de opinião, pois todos têm mais de um blog. 

claudiaregina @samegui o Beto não fez nenhuma besteira grande e colocou muita obra nesses tempos de eleição. O pessoal resolveu deixar ele lá pra não precisar esquentar muito a cabeça, rs…

tinearaujo @samegui Eu gosto do Beto Richa e a acho que Curitiba inteira também, a vitória dele foi muito significativa, percentualmente falando! :D 

 

Em São Paulo, onde eu moro e voto desde 2005, Gilberto Kassab conseguiu não só passar para segundo turno quanto estar à frente da petista Marta Suplicy. Vamos combinar que ela conseguir qualquer coisa depois do que falou na crise aérea (quem esquece aquilo?) e das coisas como taxa do lixo e as famosas escolas de lata da sua gestão anterior como prefeita de São Paulo, é uma imensa vitória e mostra a força da sua imagem. Estive numa coletiva da Marta quando era foca  e na qual ela falava mais como sexóloga (apesar de ser também deputada federal, creio) e gostei muito. Ao vivo achei-a mais bonita e elegante e suas posturas e discurso inteligente e sem preconceitos me agradou. Mas o Brasil era outro, o PT não chegara ao poder (estávamos no começo do primeiro governo FHC) e não vivíamos este risco iminente de uma hegemonia que nos force a uma falsa democracia. Minha geração ainda acreditava em algumas coisas. Hoje não mais e imagino que votar num político inexpressivo como Kassab - que foi secretário de planejamento do Celso Pitta, não tenta ser popular nem na vida pessoal nem nas propostas políticas (afinal, ele foi responsável pelo cidade limpa!) - é uma forma de mostrarmos que queremos apenas alguém que faça concretamente alguma coisa para a sociedade. Será que vamos conseguir isso que esperamos?

P.S. Sobre eleições: confesso que adoraria ver a idéia do Fábio Mayer (um dos meus blogueiros favoritos) que sugeriu algo inusitado e utopicamente maravilhoso para as próximas campanhas eleitorais:

Quer saber? Nas próximas eleições, o TSE deveria proibir TODO o tipo de propaganda eleitoral externa para vereadores em cidades com menos de 100 mil habitantes. O cara teria que entregar santinho de casa em casa e falar diretamente com o eleitor. Isso pouparia os meus e os seus ouvidos e ainda e forçaria o indivíduo a efetivamente conhecer os problemas de sua cidade, pisando em esgôtos, entrando com o carro em ruas esburacadas e sentindo o sufôco de andar numa rua poeirenta por falta de asfalto. Ele seria obrigado a constatar as filas nos postos de saúde, as condições das creches e a falta de equipamentos das escolas. Ele ouviria diretamente dos eleitores as reclamações e teria condições de efetivamente decidir o que pretende fazer quando eleito, longe das idéias mirabolantes de marqueteiros que colocam no papel planos inexequíveis. E quem sabe, mesmo os desonestos (que são maioria entre os candidatos) aprendessem com esse sofrimento a ter um pouco de compaixão pelas pessoas, trabalhando nem que seja um titiquinho de nada por elas.

Museu - e a violência - do futebol

http://www.gazetaesportiva.net/reportagem/futebol/2008/rep731_a.php
Museu do Futebol no Pacaembu, fotos de Fernando Pilatos

Meu marido, fanático por futebol, me mandou um link da Gazeta Esportiva contando da abertura do Museu do Futebol no Pacaembu.

“Aberto ao público a partir do próximo dia 1º de outubro, o Museu do Futebol, que custou R$ 32,5 milhões e pretende tornar o estádio do Pacaembu uma das casas da Copa do Mundo de 2014.”

Segundo ele, cabe diretinho no meu blog de cultura… é verdade, não discordo, mas neste ano estou muito distante de notícias de futebol. Entendam, eu sou (era?) paranista e depois de alguns anos procurando notícias do Paraná Clube no final da tabela da primeira divisão, me dói ver que ele está no final da tabela dasegunda divisão. Como todo sãopaulino, meu marido não imagina o que eu estou passando, é um quase-luto de futebol. 

Mas tudo bem, a história às vezes nos ajuda. Como diz o hino do time dele (meus filhos têm um torcedorzinho que canta) 

As suas glórias, vêm do passado?

Será que a glória do futebol arte ficou lá no passado também? O museu tem espaço imenso para o Pelé, que continua firme na mídia mesmo não sendo jogador desde que me entendo por gente. Teremos mais para mostrar do que estas glórias da década de 1950 para provarmos que estamos aptos para sediar a copa de 2014?

Quanto ao museu, quem sabe se a violência diminui e a tal cultura da paz ganha força? Mesmo que as imagens (aqui posto as de Fernando Pilatos) lembrando um pouco o Museu do Morumbi, eu visitaria.

?Essa idéia da paz nos estádios ainda precisa de uma decantação espiritual mais profunda dos nossos torcedores, mas é claro que essa integração do Museu com os jogos é a idéia principal. Estamos desenvolvendo o conceito da Cultura da Paz e, quem sabe, em dois anos não possamos abrir o Museu nos dias de jogos??, comentou Walter Feldmann, secretário municipal de Esportes de São Paulo.

O ideal seria ir ao jogo e visitar, tudo dentro do clima de adrenalina que reina quando vemos jogos ao vivo no campo. Não chego a ficar gritando palavrões (mas deve ser um bom lugar para soltar tudo), mas é desestressante estar no estádio. Pena que a saída dos jogos ainda seja tão estressante pelos imensos riscos - até de vida - que corremos. :(

Algum de vocês leitores costuma ver jogos no estádio? 

P.S. Ficou no passado também a segurança de ir com a família nos jogos de futebol. Fomos duas vezes com os meninos aqui em Sampa e sinto que eles nem dão bola para futebol, em parte por isso, em parte porque não temos mais aquele lugar descompromissado onde as crianças batiam uma bolinha no bairro. Tudo é quadra, professor, uniforminho, treinador! Dá um pouco de pena da molecada! Lembro dos meninos da minha rua descobrindo o vôlei e querendo fazer “jornada nas estrelas”, o saque famoso do Bernard (ou Bernardinho) quando eu estava no primário. Que coisa boa, divertida, livre!

Dia mundial sem carro

Neste ano quem me lembrou do Dia Mundial Sem Carro foi a Paula Signorini, do Rastro de Carbono, num post com título sugestivo: O que você vai fazer pelo ambiente hoje?

São Paulo e outras 31 cidades brasileiras assumiram este compromisso hoje, num desafio de tornar a opção pelo carro particular menos comum e aumentar a adesão dos cidadãos por transportes alternativos. Segundo o Ibope, na campanha de 2007 apenas 0,4% dos paulistanos - o equivalente a 27 mil pessoas - que dizem usar o carro todos os dias ou quase todos toparam deixar o automóvel em casa. Detalhe: o dia aconteceu num sábado. No grupo em que estou, o dos que usam o carro de vez em quando ou raramente, a adesão foi de 1,8% ou 135 mil pessoas.

Para uma cidade com uma frota de 6 milhões de veículos é muito pouco.

Logo cedo vi no Bom Dia Brasil um desafio em que amigos fizeram o mesmo trajeto em carro particular, ônibus, bicicleta e a pé e constataram o que já se sabia: o tempo perdido no trânsito aumentou em um ano e nem as motos conseguem mais vencer. Quem ganhou o desafio foi um ciclista que fez em 36 minutos o caminho (de uns 14km, pelo que lembro), ganhando da moto (1h), do carro e ônibus (2h) e do pedestre (2h14). 

Segundo li no Globo,

O Dia Mundial Sem Carro nasceu na França há dez anos e se espalhou por cidades de todo o mundo. Em São Paulo, a iniciativa acontece desde 2005. Em cidades européias, onde o sistema de transporte público é melhor que o brasileiro, a adesão costuma ser mais alta. Por aqui, além da falta de estrutura e qualidade do transporte público, há resistência dos cidadãos e das próprias autoridades em aderir. O objetivo da manifestação é fazer as pessoas refletir e propor alternativas para o transporte e mobilidade dos cidadãos, além de incentivá-las a lutar por um transporte público de melhor qualidade, mais ciclovias, menos poluição e menos engarrafamentos.

Sugiro que hoje pensemos um pouco o que escreveu Alessandro Martins no post Todo Carro é Broxa

No tráfego, aproveite o fato de que você está parado, ainda que o semáforo esteja verde, e observe. A seu lado, carros com capacidade para carregar suas próprias inúteis toneladas mais cinco pessoas - a uma velocidade impraticável e apenas potencial - estão ocupados somente pelo motorista. (…)

Olhe as fotos abaixo.

Primeiro temos o espaço ocupado por um certo número de carros. Depois, o ônibus necessário para transportar o mesmo número de motoristas e depois bicicletas, para a mesma quantidade de pessoas.

Carros, ônibus, bicicletas

A opção pelo coletivo é instintiva, de tão óbvia, por que não a adotamos então?

Vamos cuidar do nosso formigueiro?

Falar em trabalho de formiguinha supõe um esforço imenso para pouco resultado. Ou a necessidade de uma mega equipe organizadíssima para chegar a algum lugar - em termos de sucesso da empreitada - e ter alguma visibilidade. 

Bem, o trabalho de formiguinha vem sendo feito num setor da sociedade que não vemos, mas começa a dar frutos. ÿ na educação das novas geraçoes. Está entrando nas famílias, através do trabalho de conscientização que os pequenos fazem em seus lares, uma mudança de paradigma sobre cidadania, comportamento consciente no trânsito, hábitos saudáveis e o reaproveitamento do lixo.

São os 5 erres: reduzir, reutilizar, reciclar, replantar e renovar.

Esta evangelização da molecada acontece nos veículos que tocam mais facilmente a geração de nativos digitais: uma mescla de TV, celular, internet.  Foi este último o escolhido pela GM para divulgar o reposicionamento de sua marca na campanha Reinventamos caminhos. No hotsite http://www.reinventamoscaminhos.com.br a empresa nos convida a participar do seu manifesto em busca de uma vida diferente (um novo caminho) e a contar o que temos feito para viver melhor e de forma mais sustentável dizendo:

“Juntos, evoluímos mais depressa do que sozinhos. Quem tem o PODER de organizar e de EVOLUIR TEM o poder de MUDAR.” 

Fui convidada a conhecer o hotsite e testar o jogo que eles criaram para a galerinha mudar os caminhos das suas famílias. O formigame é simples, despretencioso, como na verdade é a ação que precisamos tomar diariamente para mudar nossa postura quanto ao planeta.  São os cinco erres que a turma do meu filho estuda na escola, com ênfase no uso consciente da água, no descarte adequado de lixo tóxico, na opção  por carona sempre que possível, no uso de combustíveis alternativos e no cultivo de plantas e árvores para melhorar a qualidade do ar que respiramos. 

Como jogo, lembrou o Atari da infância dos pais e aqui em casa uniu gerações numa busca em comum: salvar nosso formigueiro. O formigator luta com raios e dentes para defender sua casa e sua família de vários vilões que poderiam ser lixo reciclado, mas lá são figuras com as quais eles terão que conviver por dezenas ou centenas de anos porque não se decompõem facilmente na natureza.  Lutar juntos contra o Shocker (pilha), Alumininja (anel da latinha), Tutti-Grudi (goma de mascar), Smokey (bituca de cigarro), Trash-Cola (garrafa pet) e Diaborracha (borracha) passa a sensação de que podemos fazer algo para salvar a nossa casa, o planeta Terra. 

Experimente entrar lá e jogar como uma criança - ou convide seu filho, sobrinho, amiguinho, seus alunos - e garanto que será bem divertido. Aprenda lições de cidadania com eles e descubram vocês também novos caminhos. 

Este post é um publieditorial.