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Conforto e facilidade? Pra quem?

O Park Shopping Barigüi, em Curitiba, novamente pisa na bola.

A primeira vez, pelo menos para mim, foi através da demonstração de como a empresa trata os clientes e seus filhos.

Agora, passa a cobrar o estacionamento.

Sem dúvida que é um direito da empresa cobrar por qualquer serviço que ofereça. Cabe ao consumidor decidir se quer adquirir ou não esse serviço ou produto.

Mas dizer que a cobrança de algo que antes era oferecido gratuitamente equivale a mais facilidade e conforto (incluindo o fato de que só se aceita uma bandeira de cartões de débito ou crédito) é propaganda enganosa.

Se não é propaganda enganosa é, no mínimo, um discursinho típico de coorporações (veja o documentário). Do tipo: “calma filhinhos (clientes), nós sabemos o que é melhor para vocês.”

Inclusive existe o inevitável item:

– O que acontece se houver dano ou perda do cartão?
O cliente deve informar imediatamente o ocorrido em um dos caixas e pagar a importância de R$ 15,00 + a tarifa de estacionamento desde a abertura do shopping até o horário do comunicado.

Presunção de valor e tentativa cobrança indevida no caso de perda de cartão de consumação já é um problema que as casas-noturnas costumam causar. A obrigação de controlar os valores consumidos pelo cliente é do estabelecimento, mas não sei se isso se aplica a estacionamentos. Mas deveria.

Além disso, é muito comum para quem visita o o tal shopping ouvir os alto-falantes: “Atenção proprietário do carro marca tal, cor tal, placa tal: favor comparecer ao estacionamento…”. E ouve-se isso tantas vezes que você começa a achar que os caras têm problemas mesmo nesse setor. Esses anúncios vencem fácil, em tempo de execução, a música ambiente.

Além disso, você até compreende o fato de os outros shoppings cobrarem estacionamento. Mais centrais, houve época em que as pessoas tiravam as vagas dos efetivos clientes para deixarem seus veículos e irem trabalhar ou exercerem outras atividades.

Mas, como se sabe, o Park(ing) Shopping Barigüi fica no Mossunguê, bairro residencial de Curitiba.

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O engate para reboque é o troféu do individualismo estúpido

Você sabe para que serve um pára-choque?

Se você, como eu, tem um QI igual ou superior ao de um repolho em coma, percebe, pelo nome do artefato (pára-choque), que ele tem algo a ver com reduzir a violência e efeitos de possíveis acidentes sobre a estrutura de um veículo e, principalmente, sobre seus ocupantes.

Porém, faz tempo que vejo carros e mais carros com os tais engates para reboques em seus pára-choques traseiros.

Pergunto-me quanto desses felizes proprietários de automóveis (todo carro é brocha) têm de fato reboques esperando em suas garagens e, portanto, alguma razão em usar tal dispositivo.

Sim, porque um engate para reboque serve para isso: para engatar um reboque, bidu.

Não sei se existe uma estatística sobre isso, mas aposto que mais de metade deles não tem. Estou sendo otimista.

Pois é isso. Alguns gênios do trânsito usam o engate para reboques para proteger o pára-choque de possíveis acidentes.

Péraí. Dexoversintindi.

O gênio do trânsito instala um negócio em seu carro para proteger algo - o pára-choque - que, por sua vez, foi projetado para proteger estruturas mais importantes do carro e, principalmente, proteger ele - o gênio do trânsito - e sua família. Mas, ao ser protegido, o pára-choque perde em muito a sua função. Bem, pelo menos uma coisa vai se salvar em um provável acidente.

E, depois disso, o gênio do trânsito se acha muito esperto.

Ainda bem que existe uma regulamentação para o uso do engate para reboques (em PDF).

De outra forma, haveria proprietários de veículos instalando engates na frente do carro.

Ora, se eu quiser puxar meu reboque de ré, eu puxo, iria se justificar o gênio do trânsito.

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Publicando uma notícia você pode ir à Olimpíada; não é sorteio

Quando eu era um inocente e cabeludo aspirante a repórter, sonhava com a minha primeira notícia estampada em algum veículo de imprensa.

É o tipo de coisa que eu jamais esqueceria, pensei na época.

A verdade é que, depois de 10 anos em jornais, eu esqueci até sobre o que foi a minha primeira matéria publicada. Talvez tenha faltado relevância pessoal, talvez eu não tenha me identificado com aquilo que escrevi. Repórter só escreve aquilo que deixam, na maior parte das vezes. Faltou paixão, dirão alguns românticos.

Hoje com muitos anos a mais e muitos fios de cabelos a menos sei que a notícia acontece o tempo todo. Agora, neste instante, a seu lado: qualquer coisa que interesse a você pode interessar ao seu semelhante, seja ele da sua rua, seja ele da China.

Recebi o convite para conhecer o concurso cultural do Vc Repórter, do Terra - que vai levar dois participantes à China, para ver a Olimpíada - e escrever sobre ele.

Pensei, ao encontrar esse canal e o seu concurso, que o que faltou para mim naquela primeira matéria foi não um incentivo tão bom quanto uma viagem ao outro lado do planeta - além do notebook, da câmara digital e da filmadora que a promoção oferecerá aos dois participantes. Mas a proximidade com meus interesses.

Quando um leitor de um portal tão grande quanto o Terra envia uma notícia - fotos, vídeos, textos e áudios sobre qualquer assunto interessante, inusitado ou relevante -, certamente é algo que diz respeito à sua realidade, algo que lhe impressionou os sentidos ou que ele acha que deve ser compartilhado ou que deve ser divulgado ou denunciado. Enfim: algo que lhe toca. É o tipo de coisa que, depois de publicado, não se esquece. É próximo. Pode provocar modificações sensíveis na realidade individual.

Claro que as notícias enviadas - você só tem até sexta-feira para participar - passam pelo crivo de uma equipe de jornalistas antes de serem publicadas. Mas, se a notícia enviada for publicada, você pode ser um dos dois escolhidos para cobrir os jogos em Pequim ao lado da equipe do Terra. Sim: o notebook, a câmara digital e a filmadora são para que você possa ajudar na cobertura.

O bacana é que, depois do concurso cultural, o serviço não vai deixar de existir. Continuará como um canal por onde o público poderá se expressar e divulgar as informações que considera relevantes.

O que achei mais interessante é que não se trata de sorteio. Segundo o regulamento:

A comissão julgadora analisará todas as matérias participantes do concurso cultural e premiará as duas melhores matérias, com base nos seguintes critérios: importância da informação, ineditismo da informação e criatividade na proposta de imagem/vídeo/texto. Outro critério de avaliação que será levado em consideração é se a matéria foi publicada no canal Vc Repórter.

Assim, você só depende de uma coisa.

Não de uma formação jornalística, certamente. Isso eu tinha quando fiz a minha primeira matéria.

Você só depende de seu interesse. Dele e de sua capacidade de mostrar como essa informação, que já é tão importante para você, também é importante para o resto do mundo.

Isso, quando fiz minha primeira matéria, eu ainda não tinha.

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O trabalho desenobrece o homem

Uma mesma palavra pode designar duas coisas diferentes.

Essa palavra - por se encaixar em objetos distintos e por esses objetos serem, ainda assim, tão semelhantes - pode ser manipulada em seu significado, ora auxiliando um ora outro senhor, como o Arlequim, servidor de dois patrões, personagem da Commedia dell’Arte.

A palavra trabalho, por exemplo.

Não há dúvida de que o que estou fazendo agora ao escrever esse texto é um trabalho, sob certo ponto de vista. Sob diversos. (more…)

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Poetas de rua

Confesso que minha reação aos poetas de rua nunca foi das melhores. Você sabe, aqueles sujeitos que param você na rua e perguntam se você gosta de poesia. É uma questão difícil, admito.

Difícil porque, para responder não, você terá de superar o medo de passar por tosco na frente de um ser lapidado. Ou, melhor, por ignorante bruto na frente de outro ignorante, porém mais delicado. E, se responder sim, vai abrir caminho para que o tal poeta lhe ofereça fotocópias grampeadas de seus originais ao módico preço de cinco reais ou tanto quanto ele ache que elas valham. (more…)

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