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Nosso tamanho de verdade

Quando estou com problemas sérios - isto é, ou estou me sentindo muito importante ou muito pouco importante -, tenho alguns hábitos.

Embora não seja um hábito me meter em problemas sérios.

Um deles é lembrar do poema If, de Rudyard Kipling.

O outro é tentar abarcar as reais dimensões das coisas.

A seqüência de imagens a seguir - que creio já ter apresentado em um vídeo em meu blog - nos mostra isso, a seu modo.

Sou capaz de apostar que Carl Sagan nos fala algo sobre isso em um de seus livros de maneira melhor. Além de astrônomo o cara era um poeta, muito mais do que alguns de nossos auto-proclamados bardos.

Mas, enfim, eis as imagens:

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(Fonte das imagens)

Claro que tamanho nunca foi parâmetro para medir a importância de alguma coisa, mas é um bom começo.

Se preferir, pode se colocar no meio do tempo.

Eu e Júlia conversávamos ontem sobre como a ética humana é capaz de mensurar as conseqüências de determiados atos apenas alguns descendentes à frente: filhos, netos, bisnetos se tanto. Um nevoeiro impede que se veja além.

Eu sou a favor do uso terapêutico das células-tronco, por exemplo. Afinal, para mim é fácil ver os benefícios imediatos que isso pode trazer. O coração humano é movido por certa urgência e, ao mesmo tempo, o tamanho da vida de um homem é menor do que o desdobramento de suas ações. Portanto, não sei o que será dos próximos séculos a partir do leque de possibilidades que certamente se abrirá. E as gerações futuras terão que aprender a lidar com elas à medida que surgirem.

Acredite, é mais fácil desviar de balas.

ÿ difícil se situar diante do infinitamente grande e do infinitamente pequeno. A vista não abarca certos tamanhos e não vê além de certos tempos. Em relação ao passado, chamamos isso de esquecimento e em relação ao futuro chamamos de imprevidência.

Independentemente do que vier a acontecer - e não só no exemplo que usei - esses resultados estarão perdidos em um ponto infinitamente pequeno no tempo e no espaço.

Em todo o caso, para não ser surpreendido, vale a pena conhecer o próprio tamanho. A astronomia serve para ensinar um pouco de humildade.
Certa vez um rei pediu a um dos seus sábios uma frase que servisse para ele meditar tanto nas glórias quanto nas desgraças.

A resposta veio imediata:

- Isto também passará.

O Universo, no entanto, vai continuar. Alheio a nossos maiores problemas.

Os livros nunca estiveram tão acessíveis, nunca estiveram tão em perigo

Conversei há pouco com uma repórter que teve a paciência de ouvir minha fala um tanto desencontrada - acho que sou melhor escrevendo que falando - e ela perguntou-me o que eu achava que o governo deveria fazer, na internet, para melhorar o acesso à leitura.

Na internet, muito pouco pode ser feito pelo governo além de tornar a leitura disponível. Mas isso já acontece naturalmente. Basta, portanto, que não se atrapalhe o processo. A internet, por si só, por enquanto, tem salvado a escrita e a leitura.

Os brasileiros que já têm acesso à internet - poucos -, automaticamente têm acesso a livros gratuitos. Na pior das hipóteses, a textos de melhor ou pior qualidade.

E além do Domínio Público, que é do governo, existem centenas de sites de onde se pode baixar obras gratuitamente. Disponibilidade é uma palavra chave da rede. ÿ o tipo de coisa que acontece naturalmente, como a fermentação.

E aqueles que possuem um computador conectado em casa, suponho, têm um certo grau de escolaridade. Portanto, para ler esses livros de graça bastava que quisessem .

Assim, a questão do livro passa inevitavelmente pela educação, cujo aspecto fundamental está longe dos terminais de computador. Mesmo porque hoje em dia, sem um leitor digital decente, poucos se dispõem a ler na tela, mesmo os fãs de literatura.

A verdade é que as informações - sejam as obras completas de Machado de Assis, seja a coleção definitiva dos jogos Atari - estão de fato acessíveis.

ÿ só saber procurar no Google. Hoje qualquer criança já nasce sabendo.

Oscar Wilde escreveu que as coisas realmente importantes não podem ser ensinadas. Aí é que está. A educação é a única forma de criar a necessidade de buscar algo que já está totalmente disponível.

O problema começa em casa, já que os pais supõem que os professores darão conta de uma tarefa que já deveria ter começado antes de o moleque botar os pés na escola. Não espere que a criança sinta a necessidade de livros se ele nunca abriu um antes ou se nunca contaram uma história para ele.

Isso é terrível, pois se algo está disponível e não é buscado, é como se não existisse. Não faz diferença.

ÿ como se tivesse sido atacado pelo Nada, terrível personagem do livro A História Sem Fim, de Michael Ende.

Em seguida, talvez a escola esteja errando na forma como aborda o livro. O livro não precisa de pessoas que o entendam. O livro precisa de pessoas que gostem dele, que gostem de ler. E não é preciso entender para gostar. O entendimento é posterior ao gosto como a digestão é posterior à degustação. No atual ensino, querem que a criança não só digira antes, como também entenda as reações químicas que se dão no processo. Até mesmo comer a mais deliciosa iguaria seria uma tarefa enfadonha.

O livro precisa de pessoas que busquem apaixonadamente por eles, estejam onde eles estiverem. Ainda que estejam indisponíveis. Inacessíveis.

Mas vá a uma sala de aula e pergunte quantas crianças realmente gostam de ler e quantas delas leram mais de um livro naquele ano. Só o do currículo, com grande desconforto, e olhe lá.

Quando Steve Jobs, da Apple, afirma que o Kindle, da Amazon, não tem chances de dar certo porque o conceito é equivocado, porque 40% dos americanos lêem menos de um livro por ano, ele não está sendo mau. Ele está sendo realista.

Um produto sem público não tem futuro.

Ainda assim acredito que a empresa lance algo do gênero em breve, mas que incorpore outras funções além de tão somente a possibilidade de ler um livro.

O que o governo deve fazer então?

Eu escrevi e reescrevi este parágrafo várias vezes antes de chegar a sua versão definitiva. Talvez a resposta seja essa. Voltar, apagar, começar tudo de novo. A educação, no que diz respeito ao relacionamento das pessoas com os livros, precisa não ser melhorada, mas mudada completamente. Isso é o que o governo deve fazer. Se é que é possível.

Mas pensar no que o governo deveria fazer é fácil. E difícil. Pois não se pode contar com o governo. Principalmente em algo tão gigantesco e relegado a segundo plano como a educação.

Prefiro pensar no que eu posso fazer.

Isso é difícil. Pois depende de minha iniciativa. Mas ao mesmo tempo é fácil. Afinal, eu sei que comigo eu posso contar.

Antes de salvar os livros, é preciso salvar os leitores.

E você? Você acha que consegue salvar um leitor?

Quem salva um leitor, salva centenas de livros. Milhares, talvez.

As corporações querem comer você: é natural que elas queiram o fim da neutralidade na rede

Morcego

Os Estados Unidos fizeram a 14ª emenda a sua constituição, depois da Guerra Civil, para garantir sobretudo os direitos às mulheres e homens negros recém-libertados.

Décadas após ela surgir apenas algumas duas ou três dúzias de cidadãos negros abriram processos em que a evocavam.

E centenas de empresas, corporações, faziam o mesmo.

Isso foi possível porque em algum momento algum advogado teve a genial idéia de enquadrar uma corporação no conceito de pessoa. Pessoa jurídica. Com direitos e tudo o mais. A justiça americana, na época, acatou.

Antes disso, corporações tinham data para começar e terminar e o objetivo de realizar um empreendimento em que alguém, sozinho, não daria conta.

Claro. Ao mesmo tempo em que uma empresa tem direitos ela tem deveres. Porém não tem um corpo - para prender - ou, ao menos, a suposição de uma alma - para condenar à danação eterna.

Ao longo do documentário A Corporação uma das coisas mais interessantes que se demonstra é o tipo de personalidade que essas grandes empresas teriam se existissem fisicamente tanto quanto existem juridicamente: a personalidade de um psicopata. Elas não estão sujeitas aos mesmos dilemas morais que nós, que temos um tempo limitado de existência e a ligação ética e emocional com as pessoas próximas.

O engraçado, no filme, é ver que mesmo as pessoas que estão no comando dessas grandes empresas tem pouco poder sobre elas. O indivíduo não tem mais força que a egrégora. Ou se vai na mesma direção que ela ou se é substituído de uma forma ou de outra. Isso não é motivo para se omitir, porém.
O indivíduo pode fazer o seguinte:

Relembremos as origens da rede (…). O segundo avanço foi o desenvolvimento em 1990 da WWW (World Wide Web), a famosa teia mundial, pelo físico inglês Tim Berners-Lee, revolucionando o modo de navegação e apresentação de conteúdos, com a integração de textos e imagens, por meio de hyperlinks e conexões instantâneas, em linguagem HTML.

(…) Berners-Lee decidiu ceder gratuitamente ao mundo seus direitos sobre o software da WWW. O altruísmo do pesquisador contrasta com a ganância atual das operadoras de telecomunicações americanas. Sua resposta aos colegas de pesquisa foi categórica: “Não preciso desses royalties. Por isso, eu os cedo gratuitamente à humanidade. ÿ a minha contribuição à democratização e universalização da internet”. (Fonte: Ministério da Cultura).

Talvez seja com essas belas palavras que ele seja lembrado na História, não?

Claro que Berners-Lee teria ganhos com sua descoberta, mesmo abrindo mão dos royalties. Mas ele sabia que não precisava de todos os ganhos possíveis. Diferentemente, uma corporação não é capaz de abrir mão de coisas a não ser em algumas situações que envolvam cerceamento jurídico, negociação com outras empresas e necessidade mercadológica.

Afinal, uma corporação…

… incorpora. Oras bolas.

Dar coisas gratuitamente, de fato, não faz parte da natureza das corporações e sempre que alguma me oferece algo nesses termos eu penso no que ela vai ganhar com isso. De graça é o preço mais alto que você pode vir a pagar.

Por isso, quando as empresas de comunicação do Brasil começarem a falar do fim da neutralidade da rede por aqui - se falarem - para dar mais qualidade de acesso e conteúdo para você, pense no que elas estarão tentando tomar.

Melhor ainda: a coisa é mais sutil. Pense no que elas querem que você ceda.

Fim da neutralidade na Rede: você pode perder direitos

Imprensa

A grande sacada da internet é que você deixou de ser o mero consumidor passivo de informações e passou a ser um consumidor mais ativo. Deixou de ser aquele cara para quem escolhem a programação. Passou a escolher mais.

Dependendo do caso, você tornou-se um produtor de informações. Mesmo que sejam informações relativas tão somente a como foi o seu dia.

Atualmente, os provedores da internet, as empresas de comunicação que cuidam para que as informações cheguem a seu computador, devem fazê-lo sem distinção. Entregá-las, venham do site da Globo ponto com, venham do Miguxos ponto com, na mesma velocidade e qualidade. A velocidade só varia no destino, no seu computador. Não na origem.

Isso é neutralidade na rede.

Nos Estados Unidos, já há dois anos se discute intensamente sobre a vontade questionável que as empresas de comunicação - destaque para AT&T, Verizon e Comcast - têm em controlar esse processo, selecionando - suponho que com critérios econômicos - aquelas informações que chegarão mais facilmente ao computador do cidadão.

A internet feita por pessoas, aquelas que têm blogs - meu caso e o caso de infindáveis amigos - perderia em preferência, por motivos financeiros ou que envolvessem outros interesses. Bem. No fim da linha, o interesse é sempre financeiro quando se trata de corporações.

Ao passo que você, que lê blogs e visita a loja virtual de imãs de geladeira de sua tia, além de uma infinidade de outros tipos de sites feitos por pessoas - e não por corporações -, também seria prejudicado.

Você retrocederia um pouco (muito) na sua capacidade recém-conquistada de escolher mais ativamente o que ler, assistir e ouvir. A voz das pessoas, dos indivíduos, mais uma vez seria encoberta. O pé da igualdade que hoje reina na internet levaria uma topada.

O interessante é que essas empresas vão dar a essa possível mudança a cara de que é tudo para o seu bem, como sempre. Lembre dos sujeitos sorridentes nas propagandas de cartão de crédito: não são pessoas que pediram empréstimos e estão penando no rotativo, mas atores contratados.

No Brasil, o cenário é o seguinte, segundo o Portal Cultura:

No Brasil existem vários provedores que também são donos de grandes portais, e isso é uma situação potencialmente perigosa para a neutralidade da rede brasileira. Se a idéia pega por aqui, os portais das próprias empresas e quem mais pagasse teria vantagem sobre os outros. Mas será que existe mesmo o risco dessa jogada ser tentada no Brasil? “Tem esse risco sim”, diz Demi Getschko, um dos mais respeitados especialistas em Internet do país, durante entrevista no estande do RadarCultura no Campus Party. Getschko é Diretor Presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto br (NIC.br) e membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). O NIC.br é a entidade que cuida do registro e manutenção dos nomes de todos os domínios que terminam em .br. Ele explica que a falta de regulamentação sobre o assunto e o pequeno número de empresas concorrentes podem ser um ambiente favorável a esse tipo de decisão.

Pode apostar que o tema é largamente aventado nas reuniões das empresas brasileiras desse meio. Mas por aqui, de fato, a conversa ainda está crua, mesmo porque as companhias que controlam o fornecimento da internet ainda não se manifestaram claramente quanto ao seu posicionamento.

E também tive alguma dificuldade para encontrar artigos sobre esse tema em blogs. Aparentemente, a blogosfera brasileira está muito ocupada com monetização, por enquanto.

Na semana que vem falarei sobre o documentário A Corporação que, embora não trate do tema Neutralidade na Rede diretamente, explica o funcionamento dessas entidades e faz entender por que é natural que elas queiram abocanhar fatias cada vez maiores de direitos dos indivíduos.

Blogs e jornalistas: quem ganha e quem perde

Boxeadores

Quem ganha e quem perde com a nova linguagem digital?

Essa foi a pergunta inicial do debate entre jornalistas e editores de blog no Campus Party, segundo li no blog Oito Passos para o Conhecimento. E as respostas mais corretas para ela são tão inconclusivas que mais valeria a pena que ela não tivesse sido feita.

Creio que a primeira coisa que surgiu na cabeça dos participantes foi: “quem perde? nós ou eles?”. Talvez até na sua, tenha surgido algo do gênero, meu caro leitor.

Não é bem assim.

Sempre que surge um novo meio de propagação de informações imagina-se quanto tempo os meios anteriores levarão para desaparecer.

Surgiu o rádio. Perguntaram quanto tempo levaria para o jornal impresso desaparecer. Surgiu a tevê. Mesma coisa sobre o rádio. Depois os portais na internet. E os espertalhões indagaram o que aconteceria com todos os outros anteriores.

Quanto tempo os jornais impressos levaram para desaparecer, cara pálida?

E a resposta é: eles não desapareceram.

Nem o rádio sucumbiu à tevê.

Nem a tevê sucumbiu à internet.

As mídias não se substituem. Elas coexistem e até se completam. Em algum momento podem até se fundir.

Mas falávamos de outra coisa. Falávamos de blogs e jornalismo. Do ponto de vista em que se coloca o atual debate, podemos encarar os dois lados - que não são bem dois lados - como formas, linguagens como foi expresso na pergunta. Como jeitos de comunicar.

E cada um dos dois jeitos tem suas subformas.

O jornalismo com a crônica, com a reportagem, com a cobertura diária, com artigos de opinião e tantas outras possibilidades. Os blogs também, com infinitos jeitos diferentes de se blogar.

Pois o que acontece com os meios acontece também com as formas. Elas convivem. O caderno de um jornal impresso demonstra isso: na mesma página há uma crítica, uma coluna de notas, uma matéria e uma lista dos principais ativos econômicos.

Um bloco do Jornal Nacional prova isso, misturando reportagem, matérias diárias e, às vezes, até opinião.

Um portal como o UOL prova isso: ele tem seções jornalísticas - feitas por jornalistas, é claro - e tem blogs. Que não poucas vezes dividem o espaço da capa com as tais seções jornalísticas.

Então o ponto em que quero tocar - e é tão óbvio que fico corado por ter de dizer isso - é: blogs cada vez mais fortes e formadores de opinião não significam que o jornalismo como o conhecemos hoje venha a desaparecer. Definitivamente: não.

Mas, por outro lado, jornalistas não são tão simplesmente melhores que blogueiros porque levam mais tempo apurando informações e dias fazendo uma matéria. E, portanto, os blogs também não devem sucumbir a suposta superioridade da imprensa diplomada.

Na verdade, quem acha que blogueiros devem fazer isso - levar dias apurando uma matéria (matéria? tem certeza que alguém usou esse termo?) - não entendeu nada.

Primeiro, nas redações enxutas de hoje, ter dias para fazer uma matéria não é exatamente a regra. Talvez no Estadão, na Folha, em O Globo ou no Jornal do Brasil, que, suponho, ainda têm grandes equipes com repórteres com liberdade para escrever o que quiserem do jeito que quiserem.

Segundo, um blogueiro pode fazer uma matéria. Mas tenha certeza de que se ele a fizer, vai se colocar dentro dela. ÿ isso o que o leitor de blogs quer: quer saber como alguém como ele, leitor, se posiciona no mundo. Sem o intermédio de um repórter, sem as aspas das declarações jornalísticas. Por isso, creio que a Blogagem Inédita trará resultados muito interessantes.

A força dos blogs está em sua pessoalidade, a possibilidade que se tem de tratar com um humano falível e não com a pretensa verdade em forma de celulose.

Existe uma palestra de José Miguel Wisnik em que ele analisa o livro As Ilusões Perdidas, de Balzac, e mostra como os jornais passaram a ser um recorte da realidade, mais real que o real.

Enquanto o leitor, no jornal, precisa saber lidar com um meio que por hábito ou necessidade, se diz porta-voz da verdade, no blog ele deve exercer seu lado crítico, o debate e a dúvida. E mais. No blog ele pode fazer isso ativamente: o contato com o autor é direto.

Se o leitor ainda não é esse leitor crítico que se espera é porque em algum lugar ele aprendeu que tudo o que estava impresso ou escrito em uma tela era a exata fotografia da realidade. Onde? Onde? Em alguma reportagem sobre a Escola Base, talvez?

Além disso, esteja certo de que os blogs que passarão na prova do tempo, aqueles que permanecerão, serão os mesmos que checarão as informações que publicam. Pois embora não sejam os donos da verdade, eles - os blogueiros éticos - têm compromisso com uma verdade. Uma das muitas possíveis.

Acredito que o futuro da informação - nas formas jornalísticas e bloguísticas - seja uma união das duas coisas. O modo de agir, de escrever, de se relacionar com o leitor e com as fontes, de buscar dados, de produzir textos e imagens. Tudo isso passará por uma grande transformação. Já está passando.

Antes poucos tinham acesso à informação. Depois - com os meios de comunicação e com o jornalismo atuante - todos tinham, mas poucos podiam propagá-la.

Agora até a propagação está acessível a um maior número de pessoas. Até mesmo a autoridade de propagação está mais próxima de qualquer um. Não é preciso um diploma para tê-la, basta a confiança do leitor.

O fato é que jornalistas não precisam ter medo. E blogueiros não precisam ter medo também. Todos sairão ganhando no final das contas. Mas por certo que muitas coisas serão perdidas.

ÿ assim nas mudanças.