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Espontaneidade primordial: diante de tudo, só nos resta gargalhar

“Já que todos os fenômenos
são apenas espectros,
perfeitos sendo apenas o que de fato são,
sem qualquer inclinação para bem ou mal,
aceitação ou rejeição,
podemos realmente gargalhar”
Longchenpa, mestre budista do séc. XIV

Mulheres e mestres de meditação concordam. Quando perguntadas sobre o que faz um bom primeiro encontro, a maioria responde: “Ele tem de ser espontâneo”. Quando indagados sobre a qualidade que surge após muito desenvolvimento espiritual, os mestres são unânimes: “Espontaneidade”.

Veja o vídeo abaixo. Será que ficaremos assim quando descobrirmos espacialidade, luminosidade e ludicidade em qualquer fenômeno?

Espontaneidade, quando em vida adulta, é sinal de algum grave problema – não ter filtro social, por exemplo, e sair andando nu pela rua – ou de muita sabedoria. Aliás, no Budismo, o tipo mais sofisticado de ação sábia e compassiva tem um nome: crazy wisdom (louca sabedoria). Em tibetano, a expressão é yeshe chölwa, sendo que yeshe significa sabedoria e chölwa seria algo como insano, “gone wild” em inglês ou, mais especificamente, sem ponto de referência.

A idéia de viver sem ponto de referência pode significar se mover sem referência alguma. Neste caso, recomenda-se medicamentos e terapia, claro. A mesma idéia também pode significar, por outro lado, viver com a capacidade de transitar entre incontáveis referências, sem fixação por nenhuma delas. A liberdade é a condição de possibilidade da autêntica espontaneidade. Chögyam Trungpa Rinpoche, mestre de Pema Chödrön (atualmente mais conhecida que ele aqui no Brasil), foi o grande propagador dessa abordagem.

Não precisamos de muito esforço para experimentar vislumbres disso. Depois de pouco tempo de meditação, nossa percepção sensorial fica bem mais aguçada. Estou falando de cores, cheiros e texturas, afinal não me interesso por nada extra-sensorial. Cada fenômeno surge de modo mais nítido, límpido. As coisas ficam vivas e coloridas, como se fosse a primeira vez. De fato, todas as coisas surgem dessa espontaneidade primordial a todo momento. Somos nós que embaçamos e descolorimos tudo com nossos monólogos internos e padrões de reação condicionada.

A arte zen é um dos mais claros exemplos de como a espontaneidade pode ser cultivada pelo abandono de nossas identidades e certezas. Todas trabalham com isso à sua maneira: arranjo floral, cerimônia do chá, teatro, pintura, técnicas marciais, caligrafia, poesia. Quem nunca se comoveu com as três simples frases de um haikai? Matsuo Bashô foi o grande mestre nessa arte. Seu haikai mais famoso é (em uma de suas infinitas traduções):

Olha o velho lago –
Após o salto da rã
O barulho da água.

É possível encontrar várias histórias que descrevem em detalhes como um tapa na cara ou um gotejar do telhado fazem surgir a iluminação derradeira em um meditante. Naquele simples momento, toda a estrutura do real é instantaneamente desvelada e o resultado disso é uma enorme gargalhada. É como se nosso casamento de 20 anos fosse precisamente igual a um carro que passa buzinando na rua enquanto meditamos. O som surge do nada, vive por um tempo e logo cessa. Quando realmente estamos abertos, isso é um milagre! Todos os fenômenos são iguais à cena descrita por Bashô: tchibum, zapt, ploft.

Espontaneidade, bebe, nene, brincadeira

Um outro grande exemplo de homem espontâneo é Alberto Caeiro, o mais famoso heterônimo de Fernando Pessoa. Sua poesia é uma celebração da presença lúdica no mundo, aberta ao frescor dos eventos, à “eterna novidade do mundo”. Ser espontâneo é justamente isso: ser “nascido a cada momento”, como ensina Caeiro.

Deixamos cair conceitos e estratégias, deixamos de tentar controlar, ser alguém ou atingir algo. Abrimo-nos ao mundo, sem armas, sem defesas. Desse modo, como não há estratégias por trás, quando surgir uma ação, ela brotará da mesma base que dá luz a cada átomo do universo. As mulheres estão certas: uma noite de amor que não nascer disso, bem, não vale a pena nem começar.

Podemos olhar agora para toda a nossa vida. Acontecimentos, pessoas, histórias, momentos. Por toda parte, não há nada que seja diferente do papel cortado pelo bebê no vídeo. Só que, em vez de gargalhada, surgem medo, dor, ansiedade. Ao mesmo tempo, o simples fato de sorrirmos junto com o bebê acima já prova que possuímos essa mesma espontaneidade primordial dentro de nós. Nascemos dela e, sem saber, somos por ela alimentados a cada segundo.

Uma das primeiras descobertas de quem começa a meditar é a de que os fenômenos não são tecidos de modo causal – um levando ao outro, um em cima do outro. Eles pulam diretamente de uma base ampla e livre, um a um, como se fossem (e são) autônomos. Se assim não fosse, a ação livre seria impossível: depois de uma traição, como não sentir raiva e impulso de vingança? Encontrar e surgir a todo instante desse espaço básico, sem agir a partir de coerências passadas, é o nosso desafio para vermos papéis cortados em todas as direções.

Dinheiro, emprego, problemas, crises e amores. É tudo nonsense, é tudo sonho. Mistério e diversão. Já é hora de pegarmos a vida com as mãos e brincarmos sem esconder as gargalhadas.

Posts para aprofundamento:

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Seja você a pessoa certa

“O sucesso do casamento é muito mais do que encontrar a pessoa certa; é uma questão de ser a pessoa certa.” –B. R. Bricker

O elemento mais comum no imaginário amoroso das pessoas do séc. XXI é, talvez, o da “pessoa certa” ou “the one”. Estou cansado de ouvir frases assim: “Ainda não encontrei a pessoa certa” ou “Será ele o cara certo para mim?”. A “pessoa certa” para quem, para o quê? Para o grande “eu”, foco de nossas atenções. Para a importantíssima “minha felicidade”, claro.

A pessoa certa é aquela cujos atributos se acoplam perfeitamente com todos os nossos desejos, hábitos, vícios e peculiaridades. Se sou carente, quero um superprotetor traumatizado (traído da última vez que ficou ausente). Se gosto de vinho, adoraria um homem que seja quase um sommelier. Se sou fascinado por peitos, uma mulher tábua não me serviria.

Tal lógica seria perfeita em um mundo intocado pela impermanência. O problema é que nossas preferências, hábitos e desejos mudam a todo instante. Já tivemos nossas fases gastronômica, carente, acadêmica, cultural, caseira… E assim fomos trocando de parceiros. A situação a que chegamos hoje é simples de resumir: além das relações líquidas, as que tentam ser duradouras dificilmente escapam de situações de traição, adultério e muita, muita dor.

O que aconteceria se invertêssemos essa lógica? Se, em vez de procurarmos pela pessoa certa, tratássemos de ser a pessoa certa? A seguir, vou rascunhar algumas possibilidades nessa outra direção. No entanto, só saberemos se pularmos, mergulharmos e incorporarmos essa outra lógica com nossos poros, retinas, veias. Quem pular nesse abismo, depois passe aqui e nos conte como foi.

Casamento

A lógica do oferecer

Uma boa metáfora para contrastar as duas abordagens: se estiver em dúvida entre duas pessoas, não escolha a mais engraçada, mas a que ri de suas piadas. Ou seja, não escolha a que tem mais a lhe proporcionar, e sim aquela que mais pode se beneficiar com o que você tem a oferecer.

Em vez de focar suas energias em encontrar alguém belo, contemple seu próprio corpo e faça surgir beleza dele. Em vez de ficar esperando por alguém inteligente, apenas distribua sua inteligência para qualquer um. Seja a pessoa certa, sem esperar resultados ou retribuições de qualquer tipo.

Se você é mulher, não busque olhares. Irradie aquilo que você não precisa de espelhos para ter a existência confirmada. Se é homem, não pense que o amor é aquilo que você recebe. Seu amor é aquilo que você oferece. Isso ninguém tira, isso você leva junto para onde for.

Estava há pouco conversando com um amigo em conflito. Ele deseja vir trabalhar em São Paulo, mas tem uma namorada há 5 anos em sua cidade. Em um dos momentos, disse: “Posso ir a São Paulo, fazer sucesso profissionalmente e nunca encontrar um amor”. Ora, o amor ele trará junto, nunca será encontrado, só direcionado para outra. Se ele cultivar esse amor, é possível que consiga reconquistar a namorada atual quando voltar à cidade natal anos depois. Se ele voltar esperando receber amor, dificilmente conseguirá conquistá-la novamente.

Reconhecendo a impermanência (sem fugir ou ignorá-la), podemos amar com liberdade. Renunciamos a realização de nossos impulsos neuróticos, largamos os ganchos e oferecemos nossas habilidades para o deleite de nosso parceiro. Na verdade, é isso que sempre desejamos, sem saber como realizar.

Após um fim de namoro dolorido, nossa felicidade não surge quando descobrimos que podemos ser amados novamente. Sentimos a vida pulsar apenas quando descobrimos que podemos amar outra pessoa. É a capacidade para o amor que nos alegra. Nossa felicidade não vem do outro tanto quanto vem de nossa própria potência inata de amar e produzir felicidade em todas as direções.

O amor livre como um antídoto ao adultério

Casamento, casório, noiva, noivo, noivadoAlgumas pessoas que já me ouviram falar em “desvincular o amor do amado”, ao propor algo que às vezes chamo de amor livre, reagem com um desconforto e defendem a fidelidade monogâmica – como se “amor livre” significasse poligamia ou justificasse o adultério. Pelo contrário, uma pessoa só trai porque se sente incapaz de reconstruir o amor, curar a relação, sentir-se viva novamente diante do outro e, assim, fazê-lo renascer diferente.

Na verdade, o amor é livre de fixações, livre de personagens, livre até mesmo dos parceiros que os manifestam. Se depender dos condicionamentos que o trazem à tona, ele terminará quando o casal afundar. Mas o amor oferecido não cessa, não é mesmo? Ele é amplo, vasto, todo abrangente. O amor recebido, este sim cessa.

Qual não é nossa surpresa quando percebemos que, logo após o fim, seguimos com a potência de trazer felicidade ao outro? O amor não cessa pois ele é essa abertura ao outro, essa capacidade de oferecer, oferecer, oferecer. Se podemos sempre oferecer, é sinal que sempre temos amor, mesmo quando parece que ele nos foi arrancado de dentro do peito.

Mostro abaixo, ao mesmo tempo que deixo um desafio a homens e mulheres nesse fim de ano, como o amor livre favorece a fidelidade (não o contrário) e diminui o impulso à traição.

Recado para os homens

Faça-me um favor. Descubra logo que você pode conquistar e amar qualquer qualquer uma. Seja você rico ou pobre, feio ou bonito, você tem tudo o que é necessário para fazer qualquer mulher feliz. Basta liberar seu amor, sem fixações, hesitações ou dúvidas. Enquanto não perceber que seu amor é livre, você continuará testando-o com várias. Enquanto sentir seu amor acabar, você terá de dormir com outras garotas para resgatar sua potência vital.

Uma vez solto, canalize tudo em apenas uma mulher (a menos que você realmente consiga fazer duas felizes sem causar complicações, o que hoje duvido ser possível em nossa sociedade). Depois, tome cuidado para não confundir foco com fixação. Seu amor nunca será dela para que sempre seja dela, momento a momento, em um processo incessante de escolha e liberdade.

Assim que você vincular seu amor a ela, ele parecerá surgir de fora e você o sentirá como vindo dela para você. É nesse momento que você pára de oferecer, ou seja, pára de amar. Quando a relação acabar, você terá a certeza de que ela levou seu coração, apagou o Sol e deixou a sala vazia, sem amor algum. É esse o outro lado da “pessoa certa”.

Sugestão para as mulheres

De uma vez por todas, sinta-se inteira como sendo o amor que você busca nos olhares e espelhos do mundo. Você já é aquilo que espera ouvir de um homem. Você já está na ilha paradisíaca de seus sonhos, abraçada e acariciada com declarações de amor. No momento em que você sente que precisa de amor, a carência inunda seu corpo até o ponto em que você precisará de outro olhar para voltar a ser bela.

Para você também: seu amor nunca será dele para que seja sempre dele. Enquanto você transpirar amor por todo lado, terá o que oferecer e portanto poderá ser totalmente dele. No instante, porém, que você precisar dele para respirar, você não mais conseguirá oferecer e terá de exigir o amor dele.

Você se lembra dos momentos em que mais foi feliz e aberta? Na maioria deles, havia um outro em cena? Sem querer, vinculamos todas essas sensações a uma ou outra pessoa. Se elas deixarem de proporcionar essas sensações, você será obrigada a buscar um outro que resgate todas as alegrias e toda a beleza que você já vivenciou. Um outro homem que veja beleza em você e movimente tudo aquilo que você desconfia da existência mas não sabe bem como encontrar.

Durante essa busca por amor, você fará muitos homens sofrer. O primeiro vai olhar e revelar beleza. O segundo revelará ainda mais. O terceiro a levará para locais que os dois primeiros nunca sequer vislumbraram. O quarto finalmente a fará mulher. O quinto ensinará todos os prazeres do sexo. O sexto… Até quando? Quando chegará o “The One”? Sinta agora seu corpo, inspire sua beleza, deite-se sobre a certeza de que você já é mulher. Totalmente, inteiramente, deliciosamente mulher. Como a face feminina do amor, ofereça-se ao mundo de corpo e alma. E se ainda quiser causar dor nos homens, produza um outro tipo de dor, if you know what I mean;-)

É esse meu desejo para 2008. Homens e mulheres completos, um oferecendo ao outro aquilo que nenhum precisa, aquilo que ninguém nunca quis ou pediu (como ensina Contardo Calligaris). Amor necessário é horrível. Amor bom é igual arte: inútil, completamente descartável… e belo.

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Declarações de amor: 10 sugestões para você surpreendê-la(o) - Parte II

Continuo com algumas sugestões de declaração de amor válidas para ambos os sexos. Se não leu, aqui está a primeira parte. Deixem suas sugestões nos comentários para enriquecer essa lista!

Avenida Paulista

6. Transformação

Pare de fumar, coma menos, faça musculação, abandone a raiva ou o orgulho, medite, aprenda alguma coisa, desaprenda várias outras… Transforme-se para ela, deixe que sua vida se torne um presente a ser lentamente degustado por sua mulher. Porque presente bom não se dá, se oferece.

Para conseguir tais transformações, use toda aquela energia e potência que surgia bem no início da relação, quando você queria sexo e fazia de tudo para levá-la para a cama, lembra? Você passava dias inteiros planejando noites inesquecíveis, se vestia bem, comprava presentes, dirigia por horas seguidas, abria portas, perguntava “Está frio demais aqui dentro?”, e tudo aquilo que um homem presente e atento faz. A potência que deseja sexo é a mesma que deseja amar. E amar é isso: agir a favor da felicidade do outro. (more…)

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Declarações de amor: 10 sugestões para você surpreendê-la(o) - Parte I

O NossaVia também tem seu lado Marie Claire. A diferença é que aqui você não vai encontrar sugestões infantis, impossíveis ou que exijam muito dinheiro para surpreender sua mulher ou seu homem.

Na verdade, o que faz um bom presente ou uma boa declaração é uma mistura de personalização (quanto mais único, melhor), poesia (tem de significar algo além de si mesmo) e inserção na vida da pessoa amada (realização de um desejo antigo, por exemplo). Além disso, se a declaração levar algum tempo e fizer com que você se transforme no processo, aí sim o outro transbordará de felicidade.

Listo abaixo algumas sugestões que contemplam um ou mais desses quatro itens: personalização, poesia, inserção e transformação. Algumas já fiz, outras ainda não. As sugestões se adequam a homens e mulheres. Para facilitar, porém, direcionei minha linguagem ao público masculino.

Deixem suas sugestões nos comentários para enriquecer essa lista!

Tango - Declarações de Amor

1. Jantar em silêncio

Conduza-a por um jantar em silêncio repleto de respirações, olhares e toques. Não faça em casa: o ideal é que seja em público, em um restaurante mesmo. Leve um bloco de notas para que vocês se divirtam com bilhetinhos entre si. Ficará ainda mais gostoso se vocês não pronunciarem nenhum som e usarem bilhetinhos até mesmo com o garçom. Não tenham medo do (inevitável) ridículo. Ah, e você pode ousar até mesmo no simples ato de marcar o encontro…

2. Os dias da semana

Um presente para cada dia da semana. Você pode comprar 7 livros. Cada dia simbolizaria algo na relação: quinta-feira pode ser um livro de poesia, sexta-feira de sexo, sábado de meditação… Podem ser 7 CDs ou uma mistura também. O presente é menos importante do que a idéia de acompanhá-la em seu cotidiano, expandindo sua presença na vida de sua parceira.

3. Blog secreto

Use os serviços gratuitos do Wordpress ou do Blogger para criar um blog privado (em ambos, há a opção de não torná-lo público) e comece a escrever com bastante freqüência sobre sua relação com ela. Relate sensações, percepções e pensamentos que não contou na hora. Escreva para você mesmo, para ela, para o mundo. Alterne discursos com a idéia de que ela acessará o blog depois de algum tempo – é isso que difere essa sugestão de uma outra mais simples que descrevi há algum tempo.

A declaração pode durar um mês ou um ano, você decide. Já imaginou um presente assim de 10 anos? É claro que você corre o risco de levar um pé na bunda antes de revelar o blog… Ainda assim, você terá treinado um amor desprendido de expectativas, que se declara sem sequer precisar que o outro nos ouça.

4. Dança de salão às escondidas

Essa é simples: sem que ela saiba, matricule-se em um curso de dança de salão. Diga que seu chefe inventou reuniões semanais ou simule qualquer situação do tipo. Para acelerar seu aprendizado, escolha apenas um ritmo. Salsa e gafieira são ótimas pedidas. Tango já será mais complicado se sua mulher não tiver experiência alguma. Depois de uns 6 meses, vá com ela a um lugar que toca o que você já sabe e convide-a para dançar.

Atenção: essa sugestão não é recomendada para mulheres! É muito provável que o homem sinta-se constransgido por não conseguir acompanhar e ainda por cima fique nervoso ao saber que sua mulher ficou esse tempo todo dançando com outros. Parece machista, mas é muito mais fácil uma mulher inexperiente ser conduzida por um bom cavalheiro do que um homem iniciante dançar com uma dama treinada.

5. Audiotour pela cidade

Fiquei fascinado com esse projeto da Mostra SESC de Artes :: Circulações. É um percurso de uma hora no qual as pessoas são guiadas por um MP3 Player e caminham por vários locais da cidade em busca da resolução de um mistério policial. Por que não fazer isso com sua mulher?

Escolha um local, vá até lá para se certificar, volte, abra o Google Maps e use o Audacity para gravar as orientações. Você pode deixar algum presente escondido debaixo do banco de uma igreja, fazer o percurso acabar em um restaurante com você dentro, em um motel ou em uma loja na qual todas as atendentes já estão avisadas: “Olha, eu deixo pago e ela compra o que ela quiser dentro desse valor, pode ser?”.

Continua…

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Entre o machão e o sensível: para um novo tipo de homem

Chuck Norris versus Zach Braff

Você é um romântico sem pegada ou um Chuck Norris tentando entender poesia?

Mais do que estereótipos, “machão” e “sensível” são duas posturas extremas diante da energia feminina. Alguns tendem à primeira, outros não sabem como ir além da segunda. Haveria um modo de integrar o melhor dos dois mundos? Será que existe algum homem capaz de conversar sobre o Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes, sem deixar de meter porrada em quem mexer com sua mulher?

Os dois comportamentos não são mentais. Chuck Norris ou Zach Braff (mais pelos filmes do que pela série Scrubs) apresentam posições corporais diferentes. O contraste não se encontra tanto no que eles pensam quanto no posicionamento que eles assumem na relação com mulheres, artes, elementos da natureza, formas e brilhos.

Com uma mulher ou com uma música à frente, o machão se distancia, vigia, resmunga. A música toca, ele fica estático e tira sarro. Deseja controle sobre o feminino. Sua lógica é a da posse. Todos os fenômenos são capturados, analisados, conquistados. No oceano do feminino, o homem machão busca dinheiro, carros, poder, fama, mulheres. A meta é conseguir o máximo possível de objetos, na esperança de enfim suprir o vazio de um corpo sem energia vital. Por evitar o contato direto com o feminino (interno e externo), ele age violentamente. É uma questão de sobrevivência: para inflar seu corpo de vida, ele agride, machuca, tira sangue da natureza, da sociedade, de sua mulher…

A lógica do homem sensível é a do ser. Em um universo de movimentos radiantes, ele se deixa envolver, se aproxima, sorri, chora. A música toca, ele vai junto e dança. O sensível busca desenvolvimento intelectual e emocional. Ao oferecer seu feminino, porém, ele corre o risco de ser rejeitado: energia feminina é o que as mulheres já têm. Quando isso acontece, assim que vê nela o que pensava ser dele, ele se sente roubado, fraco, apavorado. À medida que se equipara à luminosidade externa, começam a surgir medos, inseguranças e expectativas. Não existe homem sensível que nunca se sentiu impotente e dominado. Ou pior: ele vem com o feminino, ela incorpora o masculino e o humilha. O processo de identificação com os fenômenos retira seu poder e muitas vezes o deixa refém do que lhe acontece. Não é raro ver homens surtando por questões mínimas… (more…)

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