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(Des)Atendimento ao Cliente

Domingo à tarde, nada melhor que passear com a família no shopping. Lá estava eu, olhando as vitrines, completamente de bobeira e sem compromisso. Entro na livraria ? meu destino favorito ? e paro, primeiramente, na seção de revistas. Em menos de dez segundos, uma atendente me aborda com um grande sorriso nos dentes: ?Boa tarde, senhor! Está procurando alguma coisa específica??. Educadamente, respondi com o tradicional ?estou apenas olhando, obrigado?. A atendente se coloca à disposição e me entrega uma fichinha com o seu nome e um código, algo de extremo mau gosto (a moda nessa livraria é entregar essas fichas para que as vendas sejam computadas ao atendente, independente dele prestar um atendimento ao cliente ou não).

Seleciono três revistas, e me dirijo à seção de livros de negócios. Ao me ver, a mesma atendente me aborda novamente: ?chegaram muitas novidades essa semana! Está procurando algum título específico??. Começo a pensar que ela é dotada de algum tipo de radar, ou sensor de movimento. Dispenso outra vez a sua ajuda com a mesma cordialidade, e inicio a leitura da contra-capa de um livro de marketing. ?Quer uma cestinha pra colocar as revistas??, quase grita no meu pé do ouvido, sempre sorrindo. ?Isso não pode estar acontecendo?, penso eu. Mais uma vez, agradeço a atendente, e me dirijo ao fundo da livraria, com a intenção de me esconder e poder ler em paz a sinopse do livro. ?Agora eu me livro dela?, falo com os meus botões.

Encontro uma confortável cadeira, sento-me e cruzo as pernas. Acho fantástico esse ambiente que as livrarias modernas inventaram pra nos deixar bastante à vontade. O livro de marketing não era lá essas coisas. Começo a folhear as páginas de um almanaque dos anos 80 que alguém havia deixado na mesa à minha frente. Que interessante! Tinha o Bozo, o Ploc Monster, a Turma do Balão Mágico… ?O SENHOR JÁ VIU O ALMANAQUE DOS ANOS 70??, me desperta do transe nostálgico a maldita sorridente. ?Não, obrigado!?, respondo já sem paciência.

Pior do que a falta de atenção ao cliente, só o excesso de atenção ao cliente. As empresas acreditam que impondo metas ou cotas de vendas a seus atendentes irão vender mais. Ledo engano. Fazendo isso, só conseguem transformá-los em chatos de galochas. ÿ preciso deixar um espaço para os clientes respirarem. O processo de compra não é algo linear que começa com ?Olá! Posso ajudá-lo?? e termina com ?Muito obrigado e volte sempre!?. Envolve variáveis tão desconexas quanto lembrar da infância (eu estava quase comprando o almanaque dos anos 80!), ou imaginar o que a turma da faculdade vai achar do ?meu novo computador?. Empresas, aprendam de uma vez: deixem seus clientes à vontade!

Fim da história: despistei a atendente sorridente, deixei as revistas e o almanaque dos anos 80 em uma prateleira e saí da loja de mãos abanando.

* Esse episódio é verídico e ocorreu em uma loja de uma grande rede nacional de livrarias, que recentemente foi comprada por outra rede maior ainda.

O papel do Administrador no Empreendedorismo

?Não inovar é a única e maior razão para o declínio das organizações existentes. Não saber administrar é a única e maior razão para o fracasso de novos empreendimentos.?

Peter Drucker

Os profetas do empreendedorismo estavam certos: para uma economia funcionar, é necessário empreender. O empreendedorismo conduz ao desenvolvimento econômico, gera e distribui riquezas e benefícios para a sociedade. Os empreendedores são realmente os grandes propulsores da economia.

Tenho especial admiração pelo esforço que diversas instituições como o SEBRAE, o IEL, a ENDEAVOR, a ANPROTEC, além de universidades, incubadoras e empresas juniores, têm dedicado à disseminação da cultura empreendedora. Porém, é importante nos questionarmos: empreender apenas é o suficiente?

Tenho calafrios sempre que visito a página do IBGE. Em um estudo realizado no ano 2000, constatou-se que a cada 10 novas empresas criadas, outras 6,45 são fechadas. Logicamente, é no sentido de atenuar esse quadro que a disseminação do espírito empreendedor encontra a sua principal razão. Por outro lado, parece-me que temos empreendedores de mais e (bons) administradores de menos.

A situação é a seguinte: aproximadamente 93% das empresas criadas a cada ano são compostas por apenas quatro pessoas. Também existe uma forte relação entre o porte do empreendimento e as suas condições de sucesso: quanto menores as empresas, maior a taxa de mortalidade. As entidades citadas no início do artigo concentram-se em dotar os empreendedores com as ferramentas básicas da gestão empresarial. O que podemos perceber é que tais conhecimentos não têm sido o suficiente para garantir-lhes um lugar ao Sol.

Os empreendedores acabam se deparando com situações não previstas em seu plano de negócios e aí entra uma nova variável não incluída no estudo do IBGE: quanto menor for o conhecimento do empreendedor em Administração de Empresas, maior a possibilidade de fracasso de seu empreendimento.

Deve-se acabar com a ilusão de que apenas empreender é o suficiente. ÿ preciso que se entenda que uma empresa se constrói no dia-a-dia, através de um fluxo contínuo de resolução de problemas, gerenciamento de conflitos e de jogos de interesse, tomada de decisões, relacionamento com clientes e fornecedores, gestão de pessoas e de recursos - um processo intenso de planejamento, organização, direção e controle, para relembrar as funções clássicas delineadas por Fayol. Em resumo: os empreendimentos precisam ser administrados para que possam gerar resultados satisfatórios e progredir.

Peter Drucker já afirmava que tentar dissociar a Administração de Empresas do Empreendedorismo seria o mesmo que dizer que ?a mão do violinista que dedilha as cordas e a mão que comanda o arco são ?adversárias? ou ?mutuamente exclusivas??. O empreendedor deve saber administrar, assim como o administrador também deve ser dotado de forte espírito empreendedor. Somente assim construiremos empresas duradouras e bem sucedidas.

E então: o espírito empreendedor é necessário? Sim. ÿ fundamental. Mas esse espírito precisa encontrar um corpo capaz de administrar negócios, caso contrário, de nada adianta…

* Artigo publicado originalmente no Portal Administradores

Liderança em Comunidades Virtuais: o novo patamar do líder

Desde o surgimento da Internet como meio de comunicação ágil, flexível e de baixo custo, o homem encontrou um novo espaço para interagir, dando origem às comunidades virtuais. Essas comunidades são uma realidade muito comum dentro e fora das organizações, sendo capazes de aumentar, sensivelmente, a capacidade das pessoas, mesmo de diferentes localizações, de desenvolverem relações mais próximas, novas habilidades, e um maior ?sentido de comunidade?.

Desse intenso processo de interação, novas capacidades e talentos acabam emergindo e, inevitavelmente, surge sempre a figura de um líder.

Os líderes devem estar atentos ao cenário que está se desenhando à sua volta. O exercício da liderança não se restringe mais apenas às equipes de seu local de trabalho. Nada disso. ÿ medida que as pessoas estão descobrindo novas formas de interação no ciberespaço, os líderes também devem se transportar a esse novo ambiente e interagir.

Em uma comunidade virtual bem sucedida, existe um alto grau de sociabilidade e de solidariedade, o que resulta na formação de uma ?cultura de comunidade?. Os indivíduos têm uma sensação de familiaridade, ao mesmo tempo em que existe um foco implacável sobre a conquista de objetivos. Os que se adaptam a essa cultura são pessoas que sentem necessidade de se identificar com algo maior que elas mesmas, gostam de trabalhar em equipe e estão dispostas, até mesmo, a colocar a comunidade acima de sua vida pessoal.

Os líderes virtuais simplesmente são reconhecidos como tais, através de suas ações, palavras e contribuições ao grupo. Costumam ser inspiradores e carismáticos, com uma clara visão do futuro da comunidade.

Para liderar virtualmente, muita atenção às palavras: você se revela através daquilo que escreve. Sendo o texto a sua principal ferramenta de comunicação, os aspirantes a líderes virtuais devem estar atentos ao conteúdo de suas mensagens.

As comunidades virtuais são uma reprodução das comunidades reais típicas, assim, as características desse novo tipo de liderança não são distintas das da liderança tradicional. Em um sentido amplo, o líder virtual deve possuir um conjunto genérico de qualidades que permita o seu reconhecimento pelos demais como líder:

Integridade ? Qualidade fundamental de qualquer líder. ÿ através da integridade que as outras pessoas passam a acreditar nele.
Entusiasmo ? As palavras do líder virtual devem revelar seu entusiasmo, o ?vírus? que contagia os demais.
Firmeza ? O mais comum em uma comunidade virtual são as diferenças de opiniões. O líder deve ser flexível, respeitando o amplo direito de manifestação de todos, mas deve ser firme quando as ações de um membro forem nocivas aos interesses e objetivos coletivos.
Empatia ? ÿ a habilidade de perceber e compreender as reações das outras pessoas. ÿ a capacidade de entender o modo emocional de ser dos membros da comunidade e assumir um interesse ativo em suas preocupações.
Habilidade social ? ÿ a capacidade de gerenciar relacionamentos e desenvolver networks.
Motivação ? O líder virtual deve demonstrar uma sincera paixão pela sua atividade e uma propensão a perseguir metas com energia e afinco.
Criatividade ? O líder deve ser criativo a fim de encontrar novas soluções aos problemas do dia-a-dia e também de traçar novos rumos e propor novas abordagens ao grupo.
Comunicação ? a habilidade de ?ouvir? e enviar claras, convincentes e bem moduladas mensagens.
Humildade ? A essência dos melhores líderes. Jamais falam na primeira pessoa. Os melhores líderes deixam seu ego completamente de lado a fim de revelar o melhor de seu time.

E você, está pronto para liderar nesse novo ambiente?

* Artigo publicado originalmente na Revista Brasileira de Administração, Brasília, DF, v. 49, p. 43 - 43, 10 jun. 2005.

Proposta de fim da demissão sem justa causa representa perigo real e imediato

Essa é polêmica. Realizamos, no último mês, no Portal Administradores, uma enquete para avaliar a opinião dos usuários sobre a proposta de ratificação das convenções 151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que visa impedir o empregador de demitir o empregado sem justa causa.

A coisa repercutiu pela Web. Até o UOL publicou uma nota a respeito.

Os resultados da enquete demonstraram que os administradores estão preocupados com a possibilidade de êxito da proposta.

46% dos participantes se dizem totalmente contra, enquanto 23% são contra a proposta. Dos que apresentam opinião contrária, 15% se dizem a favor e apenas 13% são totalmente a favor. 4% dos participantes são indiferentes.

A questão gerou polêmica e foi discutida pelos usuários na comunidade de Administração do portal. Para o administrador João Luiz Moser, uma das conseqüências imediatas será uma diminuição no profissionalismo das organizações: “aqueles que não têm a mínima vontade de trabalhar terão seus diretos garantidos e não poderão ser demitidos“, prevê.

Para a advogada trabalhista Anna Vita Vieira, o fim da demissão sem justa causa significaria o fim da autonomia do empregador ante o seu próprio negócio, um retrocesso para o desenvolvimento empresarial brasileiro. “Provar que um empregado foi despedido por justa causa é quase impossível com a nossa legislação trabalhista, pois o ônus da prova é sempre do empregador e os percalços são infinitos, pois as provas sempre serão contestadas e colocadas em xeque“, comenta Anna. “Ao impor o fim da demissão sem justa causa, ao invés de coibir as despedidas e demissões sem fundamento, inibe-se a contratação de mais empregados, a diminuição do investimento de grandes empresas em nosso país, e, conseqüentemente, o aumento do desemprego e do trabalho informal“, conclui.

4138 pessoas participaram da enquete. Trata-se de uma amostra muito significativa, onde aproximadamente 70% dos votantes são contra a proposta do Presidente Lula. Levando em consideração que o perfil dos participantes é formado por pessoas com amplos conhecimentos em administração de empresas e sobre o dia-a-dia das organizações, a proposta de acabar com a demissão sem justa causa representa um grande risco para o nosso país.

Agora, estamos nas mãos do Congresso. Se a proposta passar, vem chumbo grosso pela frente. De imediato, podemos prever demissões em massa antes da norma entrar em vigor. Posteriormente, os postos de trabalho permanentes diminuirão substancialmente. Darão espaço para ofertas de trabalho por contratos temporários, terceirizações e contratações por meio de cooperativas.

Trata-se de mais uma medida populista sem pé nem cabeça. Um verdadeiro tiro no pé. Oferta de emprego se aumenta estimulando-se a atividade empreendedora e não cerceando-se o poder de direção do empreendedor.

E, cá pra nós: não se pode querer empurrar goela abaixo uma dinâmica que é própria do setor público ao setor privado. Se existe alguma estabilidade no setor público, isso se deve somente à iniciativa privada - que é quem leva, de fato, o país nas costas.

O empreendedor brasileiro é um burro de carga. Se nossos governantes continuarem a sobrecarregá-lo, sem demora, chegará o dia em que ele irá desabar.

As lições de Rudolph Giuliani sobre liderança

Tive a oportunidade de assistir Rudolph Giuliani no Brasil, em 2005. Sua palestra foi, certamente, a mais concorrida da Expomagement daquele ano. O ex-prefeito de Nova York relatou, com base na sua experiência de vida, o que é ser um líder e como um líder deve responder em momentos de turbulência. A autoridade do apresentador sobre o assunto é atestada pela forma como conduziu a crise em Nova York após o atentado das torres gêmeas, em 11 de setembro de 2001.

A primeira frase de Giuliani dividiu opiniões: líderes se formam, não nascem feitos. Muitas pessoas ainda acreditam que a liderança é um fator nato, que os líderes já nascem como tal. Segundo Giuliani, a formação de um líder é diretamente influenciada pelos fatores externos ao líder, como a sua formação escolar, o exemplo de seus pais, sua educação doméstica e a sua experiência profissional.

Rudolph Giuliani elenca sete princípios que, segundo ele, são essenciais para a tônica da liderança.

O primeiro princípio é ter uma visão, ?saber o que você acredita; saber quem você é?. O líder deve conhecer a sua essência, saber o que ele próprio representa. Nós lideramos através de idéias, através de uma visão clara e de princípios bem estabelecidos. ÿ a partir da visão do líder que os demais irão segui-lo - ou não. Giuliani ressalta que essa visão deve ser inspiradora e ? importante ? deve ser de longo prazo.

As atitudes de um líder devem ser pautadas em metas e objetivos coerentes com a sua visão. Além disso, Giuliani aponta para a importância de ser fiel às suas idéias, mesmo que isso signifique resistir a opiniões divergentes: ?um líder deve poder olhar para o futuro e resistir às opiniões contrárias?.

O segundo princípio de liderança aponta para a necessidade de ser otimista. Não um otimismo que signifique alijar-se da realidade e não enxergar os problemas, mas no sentido de ter uma postura positiva, encarar os problemas de frente e apontar as soluções para superá-los. O líder é alguém que enxerga as adversidades como um desafio à sua inteligência e capacidade.

Ainda nesse tópico, Rudolph Giuliani relatou que as pessoas seguem esperança, sonhos e a realização desse s sonhos. Quem soluciona problemas atrai as pessoas, em qualquer sociedade. Logicamente, às vezes seguimos as pessoas erradas. Nesse ponto, Giuliani aponta para a necessidade de um líder ser norteado pela moral e pela ética, empreendendo sempre ações corretas.

Em terceiro lugar, um líder deve ter coragem. Coragem não significa a ausência de medo, mas a capacidade de lidar com o medo e de assumir riscos, inspirando as pessoas a seguirem o seu exemplo. Giuliani conta que sempre é abordado com a seguinte questão: ?devemos ter medo de outro ataque terrorista??. Sua resposta é sempre a mesma: ?Sim, nós devemos. A grande questão é o que fazer com esse medo?.

Conforme o ex-prefeito de Nova York, o medo tem um aspecto positivo: quando bem gerenciado, estimula as pessoas a se preparem. O quarto princípio de liderança, portanto, é preparar-se. Segundo Giuliani, devemos procurar antever todas as possibilidades de revezes ? isso na administração de um negócio, de uma cidade ou de um país. O treinamento nos prepara, inclusive, para eventos inesperados que não estavam previstos em nosso planejamento inicial. Parte de um líder é preparar-se para o pior.

O quinto princípio diz a respeito da importância do trabalho em equipe. Os líderes precisam ser lembrados que ninguém consegue nada sozinho. Ele deve encontrar pessoas que compensem seus pontos fracos, deve equilibrar forças e fraquezas. Nenhuma pessoa é capaz de reunir todas as habilidades que uma organização precisa. Uma de suas qualidades, segundo o próprio, é ter um rápido poder de decisão. ?Tomo decisões de forma muito rápida. Isso é bom em situações de emergência, mas não tão bom em situações normais. Procuro me cercar de pessoas que me desaceleram. Eles dizem: ?pense mais um pouco, você tem mais tempo, não precisa decidir agora??.

O sexto princípio de Giuliani é sobre a importância da comunicação. Um líder deve saber transmitir suas idéias às mentes e corações das pessoas. Comunicar é algo simples: consiste apenas em falar com pessoas e entender que só conseguimos as coisas através dos outros.

Por fim, o sétimo e último princípio complementa o anterior: é preciso amar as pessoas. Um verdadeiro líder ama as pessoas que estão sob sua responsabilidade. ÿ normal líderes de grandes organizações e de grandes cidades passarem a enxergar apenas números e estatísticas. Não devemos cair nesse erro. Apenas o amor sincero pelas pessoas conquistará o seu apoio e confiança. O líder precisa estar presente quando as pessoas precisam. Como diz Giuliani: ir a casamentos é opcional, mas ir a funerais é obrigatório, pois é lá que as pessoas mais precisam de nossa presença.