Nossa Via

O conteúdo passa por aqui!

Author Archive


Fiona Apple

Eu conheci Fiona Apple com o seu emblemático primeiro disco “Tidal” lançado em 1996. O hit principal deste belo álbum é “Criminal”, no vídeo ela canta magríssima em poucos trajes:

“Ive been a bad bad girl,
Ive been careless with a delicate man.
And its a sad sad world,
When a girl can break a boy
Just because she can.”

Impossível não chamar atenção, principalmente, por estarmos vivendo numa época de febre de cantoras após o sucesso estrondoso da Alanis Morissette. Todos diziam, ela é a próxima garota raivosa do rock? Sim, as previsões estavam erradas. Ela provou que é bem diferente da Alanis e não faz questão alguma de ser celebridade. Pelo contrário, seus discos foram ficando cada vez mais angustiantes, sombrios e introvertidos, mas sem perder a beleza das canções influenciadas pelo jazz e pelo rock clássico. A cada disco ela foi fazendo um som mais dela e ficando mais próxima de fãs como eu.

Não se engane com a carinha “angelical”, pois Fiona è uma cantora visceral, profunda, dramática e é por isso que sua música se tornou mais “nua” e  tão irônica. Após o sucesso do “Tidal”, ela lançou “When the Pawn…” e “Extraordinary Machine”. Só que o meu disco predileto continua sendo o When The Pawn Hits The Conflicts He Thinks Like A King What He Knows Throws The Blows When He Goes To The Fight And He’ll Win The Whole Thing Fore He Enters The Ring There’s No Body To Batter When Your Mind is Your Might So When You Go Solo. You Hold Your Own Hand And Remember That Depth Is The Greatest Of Heights And If You Know Where You Stand. Then You’ll Know Where To Land And If You Fall It Won’t Matter, Cuz You Know That You’re Right”. Por que um título tão longo? É uma resposta a sua polêmica entrevista dada a revista Rolling Stone.

“When the Pawn…” é brilhante e as músicas “Paper Bag”; “Love Ridden” e “To your love” comprovam o que eu digo. Em “Paper Bag” ela setencia “I thought he was a man but he was just a little boy” e prossegue:

Hunger hurts but I want him so bad, oh, it kills
‘Cause I know I’m a mess that he don’t wanna clean up
I got to fold because these hands are just too shaky to hold
Hunger hurts but starvin’ works when it costs
Too much to love

Em “Love Ridden” Fiona descreve o final de um relacionamento. Aliás, essa música marcou um momento da minha vida em que eu vivia o mesmo:

No, not “baby” anymore - if I need you
I’ll just use your simple name
Only kisses on the cheek from now on
And in a little while, we’ll only have to wave
My hand won’t hold you down no more
The path is clear to follow through
I stood too long in the way of the door
And now I’m giving up on you

Ainda neste disco eu destaco “Fast as You Can”, que quase virou hit, “Limp” e “To your Love”. Nesta última, Fiona canta uma situação que sempre passo nas minhas investidas amorosas:

I would’ve warned you, but really, what’s the point?
Caution could, but rarely ever helps
Don’t be down when my demeanor tends to disappoint
It’s hard enough even trying to be civil to myself
Please forgive me for my distance
The pain is evident in my existence
Please forgive for my distance
The shame is manifest in my resistance
To your love, to your love, to your love

Certa vez, me perguntaram se eu escrevo poesia. Eu simplesmente respondi que eu tentei, mas percebi que muita gente já cantou ou escreveu o que eu sentia em muitos momentos. Fiona Apple é uma delas, aliás, foi a primeira cantora que me veio a cabeça quando falei disso. Sua visão cínica e dolorosa sobre o amor a transforma numa das melhores cantoras da sua geração, sem baboseiras românticas, dancinhas ou roupinhas cor-de-rosa.  É, eu sou um pouco dela também. Aliás, pouco não, muito.

Confira o MySpace!

CSS é apenas diversão pura

CSS

Quando surgiram em 2003, com certeza, eles não imaginavam que iriam fazer tanto sucesso, principalmente, no mercado internacional. A banda mais despretensiosa (ou não?) do Brasil atualmente é o CSS. Nosso Pop nacional morreu, pois não há nenhuma banda popular e boa que saiba mesclar grandes influências do rock ou eletrônico cantando em português.  Los Hermanos (Desativada por tempo indeterminado) representava uma novidade, mas foi se aproximando cada vez mais da MPB cult-cabeça e ficando cada vez mais chato.  O jeito é apelar para o inglês e fazer do som que os hypes queiram ouvir, dessa maneira, o CSS ocupou o espaço e acabou tornando-se a melhor banda indie pop do Brasil.

O primeiro disco da banda é incrível e recebe a influência de diversas vertentes do Pop como quadrinhos, moda, pop arte, e é claro, música. Sobretudo da música eletrônica e do rock 80’s sempre ao lado de letras bem humoradas.  O meu vídeo preferido deles é “Alala”, mas no álbum há outras pérolas como “Let’s Make Love and Listen to Death From Above”; “Art Bitch”; “Meeting Paris Hilton”; “Off the Hook”; “Music Is My Hot Hot Sex” e a minha preferida, a divertida “Alcohol”. Recentemente, eles lançaram o novo álbum “Donkey” que mantém a sonoridade do grupo e aposta na fórmula que os fizeram conhecidos internacionalmente.

Já que o mercado indie lá fora dá para viver com shows e vídeos, eles se radicaram na “gringa” desde então. Em tempos de parada nacional cheia de “Dinhos” sem camisa cantando “Tchururu” e mineirinhos criativos dando sinais de cansaço, o CSS é uma agradável surpresa despretensiosamente original.   

Orquestra Imperial

Osquestra Imperial

Formada em 2002, a big band brasileira faz qualquer um gostar de gafiera carioca mesmo sem nunca ter se interessado por ela. O grupo reúne: Thalma de Freitas; Nina Becker; Moreno Veloso ; Rodrigo Amarante ; Nelson Jacobina; Pedro Sá ;  Bartolo;  Rubinho Jacobina ;  Berna Ceppas;  Kassin;  Domenico ;  Leo Monteiro ;  Stephane San Juan;  César Farias “Bodão” ;  Wilson Das Neves ;  Felipe Pinaud ;  Max Sette ;  Bidu Cordeiro e Mauro Zacharias. Em 2007 lançaram o álbum “Carnaval Só No Ano Que Vem” e conquistaram os fãs mordenosos da MPB típica do tradicional boemia carioca do bairro da Lapa.

O som da Orquestra Imperial é  um charme  e poderia estar dentro de qualquer filme sobre o Rio de Janeiro. As letras, claro, falam de amor, poesia, mar, sexo e tudo o que a vida boêmia pode oferecer. As cantoras Nina Becker e Thalma de Freitas dão o tom feminino e delicado as composições. Em “Carnaval…” destacam-se  “Não foi em vão”;  “O mar e o ar”; a  bem humorada “Ereção”;  “Rue des Mes Souvernirs” e “Era bom”. No  Myspace os interessados podem ouvir o disco que tem potencial para emplacar nas boas rádios que tocam MPB. Orquestra Imperial tem sonoridade antiga e um visual tão agradável quanto um pôr-do-sol em Copacabana.   

Rihanna não é mais uma no mundo pop

Rihanna

Eu sei que irei me arriscar falando isso, principalmente, quando vivemos em uma era em que boa parte do meio musical parece ter a mesma cara e o mesmo produtor. Mas, como conheço Rihanna antes dela estourar de fato, acredito que ela veio para ficar. Essa belíssima negra de olhos verdes ganhou outra roupagem em seu som através do megaprodutor Jay-Z com o lançamento “Good Girl, Bad Girl”. Não somente no som, mas o seu visual ficou mais sofisticado e o seu cabelo a “La Beckham” lançou moda entre os fashionistas. O seu  primeiro álbum “A girl like me” lançou alguns hits, mas foi de fato o segundo que a tornou celebridade. Ok, você pode torcer o nariz para meninas bonitas dançando na MTV e associá-la a inaudível “Umbrella”, mas se ouvir o restante do álbum e gostar de música pop, certamente, mudará de opinião.

As minhas músicas preferidas são o Hip Hop “Sell me candy”; a baladinha perfeita para terminar com alguém intulada “Rehab”; “Shut up and drive” um rock pop bem feito e “Dont stop the music” perfeita para as pistas, tanto que já ganhou mais versões em remix. Novas Mariahs irão sempre surgir com hits perfeitos para as rádios, mas é aí que entra o bom Pop Rock R&B que ela canta. Ela se diferencia, pois sua voz não é de graves ensurdecedores e nem fica restrita as baladinhas açucaradas . Além disso, suas letras são mais ousadas e o seu comportamento não é de diva intocável. Ah! Esquece o preconceito e se jogue no som da menina, ela tem talento e veio para ficar. Eu espero.

Black Kids é o melhor do POP dos últimos tempos…

Black Kids

A melhor banda dos últimos tempos da última semana” é assim que cantou os Titãs ao se referir o culto dos jovens assíduos por novidades a cada estação. É sempre aquela situação: um amigo conta para outro sobre uma banda e esse divulga em seu blog  ou em outras redes sociais, o endereço do myspace. Imediatamente, ela se torna conhecida entre os descolados geeks. Em pouco tempo vem o estouro e o grupo que só era conhecido por demos grava um disco e se torna mais popular. Essa história irá se repetir, pois hoje o indie tem mais espaço, só que desta vez estou me referindo ao Black Kids. Banda americana nascida há dois anos na Flórida que mistura rock com influências do pop da década de 80, como Erasure. A banda multiracial é bem vinda em tempos onde Obama tem influenciado grandes resenhas em nome da diversidade, mas o que é interessante aqui não é a aparência e sim a música.

Como explicou Raphael Caffarena, em Partie Traumatic, o primeiro álbum, a banda tirou o pouco do som sujo que carregava no EP e se tornou mais leve. Todavia, acho que o Black Kids não perdeu a identidade e representa uma boa novidade para os ouvidos sedentos de experimentalismo pop. Talvez não tenham o mesmo sucesso numa parada lotada por Britneys e cachorrões do Hip Hop, mas é, sem dúvida, “o melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado”.

Faixas destaque:”Hit The Heatbrakes“; a música que dá nome ao disco: “Partie Traumatic”; a radiofônica e deliciosa “Listen To Your Body Tonight”; “Hurricane Jane”; “I’ve Underestimated My Charm”; o hit bem humorado  “I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How To Dance With You”; a minha preferida “Love Me Already”; “I Wanna Be Your Limousine” e outra que eu não consigo parar de ouvir “Look At Me (When I Rock Wichoo)”.

Boa música pop é isso aí!