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Róisín Murphy

Róis?n Murphy

Os pobres mortais da década de 90 conheceram de perto o burburinho em torno do movimento Trip-Hop. Foram inúmeros os artistas classificados  como pertencentes ao gênero que nasciam da bem sucedida mistura do jazz, Hip Hop e house na charmosa Londres. Um deles foi o festejado Moloko com seu maior hit, o  “Fun for me“. O videoclipe permeava constantemente o extinto “Non Stop”, ótimo programa da MTV onde os descolados viam na madrugada o que de melhor havia no underground inglês e americano. No programa rolava MaxWell, Jamiroquai antes de estourar, Smoke City, dentre outros.

Bem, mas o assunto aqui é Róisín Murphy, a ex-vocalista do Moloko. Fashion e incrivelmente bonita com seu ar vintage, Róisín Murphy desponta como uma das melhores cantoras do Reino Unido. José falou no inicio da semana sobre o Moloko e sua fase inicial, mas o último álbum solo dela, o “Overpowered”, mostra com quantas batidas eletrônicas, vozes sexys e arranjos pop fazem um bom disco que representa bem a música inglesa jovem desse milênio.

Não há como se apaixonar pelo som de “You Know me Better”, “Overpowered”, “Foolish”, “Sweet Nothings”, aliás, todas as músicas do álbum são boas e eu nem me atrevo a esquecer de nenhuma . Veja o vídeo dela apresentando ao vivo o hit “You Know me Better” numa rua de Londres. Em seu Myspace ou no LastFm é possível ouvir as músicas de “Overpowered”, além disso recomendo o álbum anterior intitulado “Ruby Blue”, você vai virar fã com certeza.

Beck Hansen é o cara mais legal do mundo

Beck Hansen

Parafreseando a sua principal comunidade/homenagem no orkut, definitivamente, Beck Hansen é o cara mais legal do mundo. Não somente por ser fã de música brasileira (como Mutantes e Caetano Veloso), mas por estar sempre estar na lista dos artistas mais “cool” desde os meados da década de 90. O primeiro sucesso de Beck, o  melancólico e irônico “Loser” chamou atenção da mídia brasileira por tem palavras em português no qual ele canta “Soy un mal perdedor. I’m a loser baby, so why don’t you kill me? . Na época, Beck trabalhava numa locadora de vídeos pornográficos e morava num galpão cheio de ratos. O vídeoclipe (bastante tosco) mostra Beck numa espécie de “vale da morte” com garotas mal vestidas de cheeleaders.  Lançado em 1993 e aclamado pela crítica, o single “Loser” integrou o álbum “Mellow Gold” posto nas lojas no inicio de 1994.

Após o “Mellow Gold” as perguntas se voltaram para o novo álbum de Beck o excepcional “Odelay” no qual ele mostrou sua genialidade musical e o caldeirão de influências que resultou em um dos principais álbuns de 1996. Com a produção dos Dust Brothers, “Odelay” foi bem recebido e Beck se tornou mais popular. As faixas de maior repercussão foram “Devils Haircut” e a sensacional “The New Pollution” . Abaixo o videoclipe mostra com quantos elementos funk, pop, rap e vintage se faz um vídeo para divulgar uma música tão intensa quanto divertida.

Odelay é um banho de experimentalismo e conta com  grandes faixas como “Jack-Ass”, “Where it’s At”, “Minus”, “Sissyneck”, esta última um folk eletrônico com elementos da música country. Em 1999, Beck lançou o “Midnite Vultures”, um álbum com bastante influência da soul music. Neste álbum se destacam “Sexx Laws” e o ótimo video que conta com a participação do comediante Jack Black. “Nicotine & Gravy”, “Mixed Bizness”, a eletrônica“Get Read Paid”, o rap “Hollywood Freaks” e “Bronken Train”  são algumas faixas do álbum.
O álbum paralelo “Mutation” (1998) conta com a sonoridade folk e intimista.  Há uma  nítida influência da bossa nova na faixa intitulada “Tropicalia” e o nome do álbum é uma possível homenagem a banda Mutantes. Bem, o multi-instrumentista Beck pode ser sim o músico mais legal do mundo, pois a sua música não é certinha, nem pode ser enquadrada, ele esteve sempre a frente do seu tempo da música pop que hoje  é representada por “talentos”  despreparados saídos do American Idol.  Boa música que marcou uma geração.

Os 15 anos de Siamese Dream

Smashing Pumpkins

Um dos álbuns que marcaram a década de 90 está completando 15 anos em 2008. Lançado em 1993, o segundo disco da primeira banda da minha vida, The Smashing Pumpkins vive na memória de muito adulto que cresceu ouvindo rock alternativo. O primeiro registro da banda é o elogiado Gish (de 1991-auge do grunge), mas que não fez tanto sucesso quanto esperado. Somente após o lançamento da obra-prima “Siamese Dream” a rotina do poeta Billy Corgan mudaria para sempre. Ele se tornaria ídolo de uma geração que não se identificava tanto com o grunge e precisava de alguém para expressar a dor não somente ao lado de guitarras raivosas. Os companheiros (na maior parte do tempo) de banda foram James Iha, D’arcy (fã de bossa nova, viu?) e Jimmy Chamberlin sempre viveram a sombra do vocalista e isso ficou claro ao longo do tempo quando ele assumiu de vez o controle total da banda. Não é duro afirmar que os Smashing Pumpkins era Billy Corgan.

Segundo a sua biografia no wikipedia e a extinta revista ShowBizz Billy Corgan gravou todas as guitarras e os baixos do disco. O resultado? Bem, um álbum bastante inspirado com faixas como “Cherub Rock”, “Geek Usa” “Quiet”, a otimista”Today”, “Mayonaise”, “Spaceboy”, a apaixonante “Luna”, “Soma” e “Disarm”. Esta última fala da díficil relação de Billy com sua família na infância.
I used to be a little boy
So old in my shoes
And what i choose is my choice
What’s a boy supposed to do?
The killer in me is the killer in you
My love
I send this smile over to you
Este álbum foi um prelúdio de importante passo dessa banda de rock alternativo, o outro disco da minha vida, “Mellon Collie and the Infinite Sadness”, mas esse álbum duplo e mais vendido da história é assunto para outro post. O que importa agora é que são quinze anos de um dos melhores discos da história do rock e não é exagero meu não, qualquer crítico musical pode confirmar o que eu escrevi, mas, talvez, não com tanto sentimento.
Abaixo, o vídeo da poética “Today”.

Duffy

Duffy

Quando Duffy surgiu nas paradas há algumas semanas, o seu hit “Mercy” foi comparado ao sucesso de “Rehab” em 2006. Amy Winehouse já é uma cantora consagrada, mesmo problemática, e que já cravou a sua marca pela poderosa voz e originalidade visual. Todavia, como o mundo é dinâmico, e rápido demais, é preciso procurar outra cantora branca de voz negra para ocupar as prateleiras da indústria fonográfica. Se você ficar preso a conceitos de que ela é a nova Amy, principalmente, após ouvir “Mercy” pode tirar o “cavalinho da chuva”. Duffy é bem diferente, claro que bebe do soul dos anos 70, mas o disco “Rockferry” não é um novo Back to Black“. A cantora de origem galesa, que está em seu segundo disco, tem uma produção poderosa na qual mistura elementos do soul, folk e até da música country. Tudo está “casado” perfeitamente com sua voz que pode até não agradar a muitos, mas é tão original quanto a de Amy. As melhores músicas do álbum são Rockferry, Hanging on Too Long e Warwick Avenue. Esta última sobre um casal que termina um relacionamento. No belo vídeoclipe ela chora e é impossível não fica emocionado ao ouvir:

I’m leaving you for the last time baby
You think you’re loving,
But you don’t love me
And I’ve been confused
Outta my mind lately
You think you’re loving,
But I want to be free, baby
You’ve hurt me.

Duffy tem talento e beleza para continuar na disputa das melhores cantoras da atualidade. ÿ torcer e esperar.

N. da E. Para quem estranhou o fato de ter dois posts sobre o mesmo tema, vou contar a história. Os dois autores, José Luiz Brandão, o Zé Offline, e Nadja Pereira, escreveram textos da Duffy e ao ver, decidimos postar ambos, no mesmo dia, dando ao leitor a oportunidade de conhecer duas críticas diferentes, além otar que a artista mereceu o olhar atento dos dois!

Meninas do Rock

Luscious Jackson

Nos anos 90 surgiram várias bandas de mulheres tocando e que despontaram no cenário internacional. L7 e Hole são grandes exemplos, mas Luscious Jackson se destacou não somente por fazerem um som de qualidade, mas por serem criativas em suas melodias e nos videoclipes. Inicialmente formada por um quarteto, as charmosas Jill Cunniff, Gabby Glaser, Kate Schellenbach e Vivian Trimble que saiu antes da finalização de “Electric Honey” de 1999, a banda  lançou seu primeiro EP em 1992 intitulado “In Search of Manny”. Mas o meu destaque é para o “Fever in Fever out”, um álbum de 1996.  Abaixo há o excelente vídeo de “Naked Eye”, primeira faixa do “Fever….” com inspirações cinematográficas.

Deste álbum elas se tornaram mais conhecidas e sairam um pouco do circuito underground, mas ainda não são lembradas como uma grande referência do rock dos anos 90. Há alguns rumores de que elas se reunirão novamente, mas é tudo boato. No orkut existem algumas comunidades, inclusive, onde podemos encontrar algumas raridades a serem baixadas. Já o youtube os fãs disponibilizam os videos “Under your skin”, “City Song” e  “Here”. Ano passado foi lançado o “Greatest Hits” e é bom para quem conheça pouco. Luscious é uma excelente demonstração de como fazer um rock simples, despretensioso e que ficou na memória de muita gente, meninas ou meninos.