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Archive for the ‘Humanidades’


Oh razão, onde habitas senão em meu coração?

Há algum tempo, neste post aqui, eu coloquei a seguinte frase:

Não se trata aqui de falar do famoso embate razão/emoção. Visto que, em minha opinião, esse embate não existe (mas isso é assunto para outro post!)

E, o leitor Vava fez o seguinte comentário:

Você falou que não existe o conflito razão vs. emoção? Discordo totalmente de você, claro que existe, estou ansioso para ver esse tal post que explicará essa teoria…

Então.. vamos a ele:

Há muito tempo atrás, alguns caras que eram muito inteligentes, acreditavam que existia um “mundo das idéias”…

(more…)

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Nosso tamanho de verdade

Quando estou com problemas sérios - isto é, ou estou me sentindo muito importante ou muito pouco importante -, tenho alguns hábitos.

Embora não seja um hábito me meter em problemas sérios.

Um deles é lembrar do poema If, de Rudyard Kipling.

O outro é tentar abarcar as reais dimensões das coisas.

A seqüência de imagens a seguir - que creio já ter apresentado em um vídeo em meu blog - nos mostra isso, a seu modo.

Sou capaz de apostar que Carl Sagan nos fala algo sobre isso em um de seus livros de maneira melhor. Além de astrônomo o cara era um poeta, muito mais do que alguns de nossos auto-proclamados bardos.

Mas, enfim, eis as imagens:

dimensoes1_1.jpg

dimensoes2_1.jpg

dimensoes3.jpg

dimensoes4_1.jpg

dimensoes5_1.jpg

(Fonte das imagens)

Claro que tamanho nunca foi parâmetro para medir a importância de alguma coisa, mas é um bom começo.

Se preferir, pode se colocar no meio do tempo.

Eu e Júlia conversávamos ontem sobre como a ética humana é capaz de mensurar as conseqüências de determiados atos apenas alguns descendentes à frente: filhos, netos, bisnetos se tanto. Um nevoeiro impede que se veja além.

Eu sou a favor do uso terapêutico das células-tronco, por exemplo. Afinal, para mim é fácil ver os benefícios imediatos que isso pode trazer. O coração humano é movido por certa urgência e, ao mesmo tempo, o tamanho da vida de um homem é menor do que o desdobramento de suas ações. Portanto, não sei o que será dos próximos séculos a partir do leque de possibilidades que certamente se abrirá. E as gerações futuras terão que aprender a lidar com elas à medida que surgirem.

Acredite, é mais fácil desviar de balas.

É difícil se situar diante do infinitamente grande e do infinitamente pequeno. A vista não abarca certos tamanhos e não vê além de certos tempos. Em relação ao passado, chamamos isso de esquecimento e em relação ao futuro chamamos de imprevidência.

Independentemente do que vier a acontecer - e não só no exemplo que usei - esses resultados estarão perdidos em um ponto infinitamente pequeno no tempo e no espaço.

Em todo o caso, para não ser surpreendido, vale a pena conhecer o próprio tamanho. A astronomia serve para ensinar um pouco de humildade.
Certa vez um rei pediu a um dos seus sábios uma frase que servisse para ele meditar tanto nas glórias quanto nas desgraças.

A resposta veio imediata:

- Isto também passará.

O Universo, no entanto, vai continuar. Alheio a nossos maiores problemas.

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Conciliando informatas e filósofos: o pensamento otimista de Pierre Lévy - Pack Teórico II

Para quem ainda não foi apresentado a este pensador, Pierre Lévy tem se destacado como um dos mais proeminentes pensadores da área da tecnologia da informação e comunicação, com ênfase em trabalhos pioneiros que exploram o ciberespaço e a cibercultura. Em outras palavras, para nós que gostamos de internet, é referência obrigatória.Neste segundo Pack Teórico, pretendo extrair de sua vasta obra alguns conceitos que irão reformular a relação entre informatas e filósofos. Tenho como objetivo iluminar como Pierre Lévy caracteriza e depois concilia essas duas figuras, no sentido de afastar uma separação muito comum (técnica separado de conteúdo) e limitadora que atrapalha os debates culturais que envolvem os debates sobre o futuro da internet e seus impactos na área cultural. A obra que nos serve de base e que recomendamos vivamente é As Tecnologias da Inteligência.

O Cego e o Paralítico

De início, é interessante observar como Lévy caracteriza essas duas figuras, esses dois extremos: o informata e o filósofo.
A distinção aparece no momento em que Lévy analisa a possibilidade de sucesso da elaboração de um programa.

O conhecimento das entranhas de uma máquina ou de um sistema operacional será então usado com o objetivo de
tornar o produto final amigável. O virtuosismo técnico só produz seu efeito completo quando consegue deslocar os eixos e os pontos de contato das relações entre homens e máquinas, reorganizando assim, indiretamente, a ecologia cognitiva como um todo. Separar o conhecimento das máquinas da competência cognitiva e social é o mesmo que fabricar artificialmente um cego (o informata “puro”) e um paralítico (o especialista “puro” em ciências humanas), que se tentará associar em seguida; mas será tarde demais, pois o danos já estarão sido feitos.

O Cego, informata puro, sabe tudo dos códigos, mas não se vê inserido numa discussão que envolve a ciências humanas como um todo, não percebe a sua responsabilidade cultural e cognitiva de sua atividade.

O Paralítico, habituado a discutir as questões teóricas, despreza as questões técnicas que condicionam e influenciam a sua atuação, bem como é desprovido do conhecimento que dá concretude aos seus projetos.

A separação que estamos acostumados.

_Vamos fazer o seguinte: você cuida da parte técnica, que nós iremos cuidar do conteúdo….
_ E o Ari, qual será a função dele no nosso projeto?
_Ah, bem, ooooh Ari… o Ari pensa as questões, sabe, esses lances filosóficos…

Existe uma dicotomia de que poucos duvidam hoje que separa em campos bem demarcados os profissionais da área da informática, os da comunicação e os das ciências sociais em sentido amplo. Essa divisão não é algo que possa ser apontado com clareza, porque ela não é uma barreira visível. As divisões estão distribuídas em muitos detalhes e disseminadas em diversos pontos, como questões profissionais, sociais, econômicas, políticas e epistemológicas.

Em grande medida, a divisão tem a sua razão de existir. É o caminho reconhecido da divisão do trabalho e das especializações profissionais crescentes. Porém, essa distância entre as áreas, em muitos casos, revela suas limitações.

Um exemplo ocorre quando abordamos a expansão da informática e da internet em nossas sociedades. A revolução informática atual é bastante recente do ponto de vista histórico, aproximadamente 50 anos, pouco em vista dos nossos mais de dois mil anos de evolução.

No campo do debate das ciências humanas, o que está em jogo é a discussão central sobre o papel da técnica em nossa sociedade. Evidente de que desde a revolução industrial ela se torna central, mas agora podemos nos perguntar em que grau a técnica se transformou, em que velocidade ela vêm evoluindo, e com que tipo de efeitos para as demais esferas da vida social.

A técnica - a nossatécnica - o Computador

A técnica, como se percebe, não se limita apenas ao mundo da produção e do mercado, mas se expande para todos os setores das sociedades humanas. Em velocidade cada vez maior ela se infiltra na cultura como um todo, nos modos de administração e controle político dos Estados, nos processos de comunicação, no desenvolvimento e transmissão do conhecimento, na produção artística, nas formas de entretenimento, etc.

Assumindo a importância e o poder atribuídos à técnica, podemos então perceber dois pontos chaves que se sucedem do discutido. Num primeiro momento é possível notar que a figura do computador preenche cada vez mais o espaço criado pela técnica. É como se o computador fosse a síntese da técnica, ou de todas as tecnologias que acumulamos ao longo do processo, ele é uma espécie de pacote que faz convergir todos os nossos progressos técnicos, e os transforma numa única ferramenta.

O segundo, mostra como todas as esferas de poder, os mecânismos de saber e os processos de produção e acumulação de cultura passam, em algum momento, por questões técnicas, de modo a atingir profissionais de todas as áreas, transformando e reformulando campos e arranjos sociais. Nesta parte, acima de tudo é importante perceber que o que institui a racionalidade científica como parâmentro das técnicas e dos saberes instrumentalizados é uma questão cultural, que tanto pode ser pensada pelo cientista de exatas como pelo da área de humanas, ou mesmo pela fusão dessas duas áreas, uma vez que postulamos que a técnica, ela mesma não conhece essa distinção.

É justamente nessa confluência que irá lançar seu foco de análise o pensador Pierre Levy. Tomando como exemplo o computador, e mais especificamente, as interfaces dos programas de computador, Lévy mostra que a interface dos programas é uma espécie de cristalização de formas de saberes, saberes estes que não estão limitados apenas às questões técnicas. Quando nos encotramos diante de um formulário de banco de dados, diante de interface de aplicativos de escritório, de programas que gerenciam nossas tarefas e informações do dia-a-dia, estamos diante de algo mais do que simplemente janelas programadas, mas as janelas são a superfície dos nossos saberes culturais que acumulamos que nos informam como organizar nossos negócios, nossas atividades e nossas informações pessoais.

De outra forma: no momento em que desenvolvo um programa, realizo ao mesmo tempo uma questão técnica (que viabiliza a aplicação) e também uma questão cultural-cognitiva: crio um novo campo de acumulação e gerenciamento de informação que pode se disseminar e transformar nossas relações sociais.

Por isso, não podemos ser totalmente cegos e discutirmos a técnica pela técnica.

Nem paralíticos, acreditando que a crítica da técnica e de seus efeitos pode ser feita sem uma incursão, um conhecimento e um enfrentamento das questões específicas que ela apresenta.

O mais interessante desta abordagem de Lévy é que no momento em que compreendemos o seu pensamento, todos nós, técnicos ou não, nos tornamos programadores.

Finalizo o Pack com as palavras de Lévy.

Retomemos a comparação entre informática e arquitetura ou urbanismo. Em vez de estruturar o espaço físico das relações humanas e da vida cotidiana, o informata organiza o espaço das funções cognitivas: coleta de informações, armazenamento na memória, avaliação, previsão, decisão, concepção, etc. Os arquitetos estudaram a resistência dos materiais e a mecânica, conhecem todas as propriedades do cimento. Mas seus conhecimentos, como todos sabem, não se limitam à vertente objetiva de sua profissão. Que diríamos de urbanistas que não tivessem nenhuma noção sobre sociologia, estética ou história da arte? Entretanto, a maioria dos informatas se encontra hoje em situação análoga a esta. Eles intervêm sobre a comunicação, a percepção e as estratégias cognitivas de indivíduos e de grupos de trabalho; apesar disto, não encontramos em seu currículo nem pragmática da comunicação, nem psicologia cognitiva, história das técnicas ou estética. Como acordar os futuros informatas para a dimensão humana de sua missão? Somos forçados a constatar que o ensino superior produz hoje, na maioria dos casos, “especialistas em máquinas”.

Ao se aproximar dos etnógrafos e dos artistas, os criadores e os analistas de sistemas descobrirão a ética que falta a sua jovem profissão. Talvez a informática vá enfim tornar-se uma técnica.

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Zippando Baudrillard – A nova proposta dos Pack’s teóricos – parte I

Faz um tempo que eu venho engavetando um projeto de escrever uma seqüência de pequenos textos sobre alguns autores das ciências humanas que nos oferecem boas questões, pistas e conceitos interessantes para discutir e compreender mais sobre internet. Era uma idéia que não saia da gaveta e que já tinha quase abandonado. Porém, quando percebi que o projeto do NossaVia iria emplacar, notei que era o momento certo de colocar a idéia em prática.

O projeto é bem humilde e não tem nenhuma pretensão acadêmica. Em grande medida, tomo como ponto de partida uma seleção um pouco pessoal de autores e discussões que acredito ter um apelo perante diversas audiências, abrangendo grupos e indivíduos dos mais variados interesses.

Seria uma espécie de pequeno mosaico conceitual-informativo, que ao final resultaria numa paisagem das questões teóricas mais interessantes que a internet propõe.

mapa-questoes-relacionadas-com-a-internet.jpeg

Confira o Mapa

A princípio, pensei em autores como Jean Baudrillard, Pierre Levy, Zygmunt Bauman, Manuel Castells, Armand Mattelart, Richard Sennett, Dan Gilmor, entre outros, abordando temas tais como sociedade da informação, comunicação de massa, cultura e comportamento na internet, privacidade, espaço público e participação na rede, interfaces, conhecimento e tecnologias da inteligência, etc. Como podem perceber, o campo parece promissor, porém bastante inexplorado e perigoso.

A proposta é pegar esses autores com obras que já possuem o seu encaixe nas ciências humanas e tentar realizar uma síntese delas para o formato mais próximo do blog, de uma comunicação mais rápida e menos comprometida com rigores teóricos, mas ao mesmo tempo mais ágil e sedutora, mais assimilável. Tornar isso assimilável, mas acima de tudo, tentar ao máximo fazer essas referências teóricas dialogarem com o contexto atual, com os assuntos do dia, a pauta corrente. Daí a brincadeira de Pack’s (package – pacote) teóricos: a vontade de fazer conversar as diversas áreas, tais como a filosofia, a sociologia, a ciência da computação, a ciência da informação, etc.

No pacote de hoje apresento a vocês Jean Baudrillard.

baudrillard.jpg

Fonte: wikipédia

Nota biográfica

Nasceu na França, 1929, Reims. Faleceu em 2007, Paris. Sociólogo, professor, escritor, fotógrafo, estudou semiótica, alemão e comunicação.

Contexto cultural

Pós-modernismo, semiótica, estruturalismo, maio de 68.

Aproximação de Baudrillard

O interessante no pensamento de Baudrillard é que sua obra não é um conjunto que se oferece de forma amigável ao virtual leitor. Não é uma obra bem organizada, com conteúdo didático. Seus livros são recheados de aforismos, trocadilhos, sutilezas. Suas abordagens são sempre bastante pessoais, muito apoiadas na própria perspicácia e criatividade do autor, se escora pouco nos textos da tradição. Quem decide se aproximar do pensamento de Baudrillard sempre é chamado para um jogo de provocação e decifração.

Tudo é tão falso, tudo é tão artificial… tudo é tão real: o Simulacro e o Hiper-Real.

Toda a tradição do pensamento ocidental foi fundada na separação radical entre matéria-forma (Natureza-Pensamento). Desde Platão, Aristóteles, passando por Descartes, Kant e Newton, existia uma diferença radical entre a matéria-extensão, o objeto bruto da natureza e a sua representação conceitual, a impressão que o objeto causa em nossa mente. Eram elementos ontologicamente diferenciados, de naturezas diferentes.

Saindo desta chave, seguindo a trilha aberta pela fenomenologia, Baudrillard passa a desconfiar deste privilégio de verdade concedido aos fenômenos físicos-naturais. Mais que isso, sem querer resolver a questão do valor da matéria-extensa, ele questiona a postura que despreza a simulação. Partindo de uma alegoria que ficou famosa do escritor argentino Jorge Luis Borges, temos uma situação (realismo-fantástico) na qual os mapas: - a representação – (a simulação do território real) se torna mais detalhista e precisa do que as imperfeições do terreno natural.

Hoje a abstração já não é a do mapa, do duplo, do espelho ou do conceito. A simulação de um território, de um ser referencial, de uma substância. É a geração pelos modelos de um real sem origem nem realidade: hiper-real. O território já não precede o mapa, nem lhe sobrevive. É agora o mapa que precede o território – precessão dos simulacros – é ele que engendra o território cujos fragmentos apodrecem lentamente sobre a extensão do mapa. É o real, e não o mapa, cujos vestígios subsistem aqui e ali, nos desertos que já não são os do Império, mas o nosso. O deserto do próprio real. (Baudrillard)

Nada precisa mais do real para existir: os signos foram libertados. A simulação, que é uma recriação do real, pode produzir os mesmos efeitos do fenômeno real, sem precisar estar atrelada a nenhuma das condições do real. No momento em que ela se populariza e aperfeiçoa (a simulação), então Baudrillard avalia que o Simulacro (resultado da simulação) passa a deter o mesmo status ontológico do real (natureza). Ou seja, ele (o simulacro) pode ser tão verdadeiro ou tão falso (não importa decidir) a respeito daquilo que inicialmente pretendia simular.

Será que dá pra relacionar isso com a internet? Msn, vídeo-conferência, Second-life? Um simulacro que ganhou vida?

O excesso de significado coloca em risco a própria produção do sentido.

Uma vez que o signo está liberto e o simulacro ganha vida, sua trajetória, segundo Baudrillard, é a de uma reprodução crescente e incontrolável, desastrosa.

O signo se reproduz uma vez que ele além de ser utilizado por quem pretende se afirmar, ele também volta-se a si mesmo com o objetivo de investigar e descobrir o seu próprio processo de elaboração – a metalinguagem. A metalinguagem, em si mesma, não possui nenhuma característica negativa. No entanto, a exemplo do simulacro, ela se desenvolve justamente no espaço da ausência da comunicação. O trecho abaixo é uma crítica aberta a outro teórico da comunicação, McLuham.

O êxito da comunicação e da informação seria, do mesmo modo, resultante da impossibilidade que a relação social tem de superar-se como relação alienada? Na falta disso, ela desdobra-se na comunicação, multiplica-se na multiplicidade das redes. A socialidade superativada pelas técnicas do social. Ora, o social em essência não é isso. Foi um sonho, um mito, uma utopia, uma forma conflituosa e contraditória, forma violenta, em todo caso um acontecimento intermitente e excepcional. A comunicação, ao banalizar a interface, leva a forma social à indiferença. É por isso que não há utopia da comunicação. A utopia de uma sociedade comunicacional não tem sentido, já que a comunicação resulta precisamente da incapacidade de uma sociedade superar-se para outros fins. O mesmo acontece com a informação: o excesso de conhecimento dispersa-se indiferentemente ma superfície em todas as direções, mas ele só comuta. Na interface, os interlocutores estão ligados entre si como o plugue na tomada elétrica. “Isso” comunica, como se diz, por uma espécie de circuito único, instantâneo; e, para que comunique bem, é preciso que ande depressa, não há tempo para o silêncio. O silêncio é banido das telas, banido da comunicação. As imagens midiáticas (e os textos midiáticos são como as imagens) nunca se calam; imagens e mensagens devem suceder-se sem interrupção. Ora, o silêncio é justamente a síncope no circuito, a ligeira catástrofe, o lapso que, na televisão por exemplo, torna-se altamente significativo – ruptura carregada de angústia e júbilo, verificando que toda essa comunicação é no fundo apenas um enredo forçado, uma ficção ininterrupta que nos supre o vazio, o da tela tanto quanto da nossa tela mental, da qual espreitamos as imagens com igual fascinação. (Baudrillard)

Polêmicas

Para Baudrillard, a Guerra do Golfo (contra Saddam Hussein) nunca existiu. Invertendo o mote de Clausewitz, “a guerra é a continuação da política por outros meios” Baudrillard assume que o evento (ausência de guerra) foi “a continuação da ausência da política por outros meios”.

Pergunto

Qual foi mesmo a hiper-realidade das cenas do enforcamento do Saddam no YouTube? YouTube, vocês entenderam? YouTube?

Curiosidade

Baudrillard viveu na mesma época que Foucault. Chegaram a ter contatos e trocar idéias. Por iniciativa de Baudrillard, surgiu a proposta de que cada um fizesse um ensaio criticando a obra do outro. Baudrillard escreveu o seu ensaio, intitulado Esquecer Foucault, o enviou para Foucault e disse: agora estou esperando o seu. Foucault não escreveu o ensaio sobre a obra de Baudrillard. Depois de receber do amigo o ensaio que refutava sua obra, Foucault cortou relações com Baudrillard. Mesmo diante do rompimento, Baudrillard tentou publicar seu livro. Após um tempo sendo enrolado pelo editor, descobriu que Foucault tinha usado de influência que tinha com o editor para vetar a publicação. Tempo depois, em outra editora, Baudrillard publicou seu livro. Em 1984 Foucault faleceu. Atualmente o livro está esquecido. Foucault continua atual.

Filmes

Crash – Estranhos prazeres – David Cronenberg

eXistenZ – David Cronenberg

Cidade dos Sonhos – David Lynch

Truman Show – Peter Weir

Entrevista

http://www.consciencia.net/2003/06/07/baudrillard.html

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