Nossa Via

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Archive for the ‘COMPORTAMENTO’


Outliers e Seleções

Há tempos não escrevo aqui por falta de tempo e uma pitada de falta de inspiração. O Nossa Via é um blog que reúne bons autores e vários deles já me confidenciaram que sentem a mesma “pressão” quando precisam escrever aqui. Mas confesso que ainda tenho uns lampejos e alguns textos, mesmo que eu teime em publicar no meu blog pessoal, saem com a “cara” do Nossa Via. Este foi assim.

A leitura sempre me encantou e considero que ser uma leitora voraz me permite aproveitar mais do mundo. No entanto, na minha infância não tinha uma quantidade tão grande de livros infantis e tampouco os adultos levavam tão a sério a formação do leitor mirim. Por isso eu descobri a leitura diária não com coleções especiais da Editora Ática (que foram tão especiais para mim quando entrava na adolescência e pude ler emprestado de uma vizinha bibilotecária) e sim com revistas, em especial a revista Seleções. Li muito esta revista da família, depois os volumes com romances (sempre 4 histórias diferentes de autores contemporâneos) e aprendi a gostar tanto da ficção quanto das dicas e da vida real mostradas mensalmente nas histórias de superação.

Neste Natal meu pai me presenteou com a assinatura da revista Seleções de Reader’s Digest. Criada em 1918, por De Witt Wallace, um ex-combatente da 1ª Guerra Mundial, a revista sempre foi criticada por tratar de assuntos amenos. Sua idéia era lançar “uma revista que reunisse os melhores e mais úteis artigos já publicados, usando uma linguagem condensada, mas sem interferir no conteúdo e no “sabor” do texto”. Achei a história especialmente interessante quando soube que mesmo na época o projeto não foi aceito pelas grandes editoras e Wallace decidiu lançar a revista por conta própria, convidando as pessoas a assinarem-na. Vinte anos depois ela chegava ao Brasil já como um sucesso mundial. 

Louvo muito a atitude do meu pai que através da revista tem estado presente no meu cotidiano com as palavras de afeto, de consolo e de ânimo que os pais costumam dirigir aos filhos. E hoje uma das matérias que li me fez pensar exatamente na importância deste apoio paterno. O canadense Malcolm Gladwell respondia a uma entrevista sobre seu livro Outliers: The Story of Success (Fora de Série: outliers) listando algumas das características que, segundo seu estudo, as pessoas bem sucedidas e talentosas têm em comum. Citando Bill Gates e Tiger Woods ele comentava que ambos tiveram pais que lhes permitiram concentrar-se quase que exclusivamente no que lhes dava alegria e naquilo em que eram bons, conseguindo, ainda na infância, investir um tempo considerável em suas paixões específicas. 

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Meus pais fizeram isso por mim, sempre me estimulando a descobrir e aproveitar meus talentos e nunca questionando o tempo que eu dedicava ao que gostava de fazer (e, para sorte deles, sempre foram coisas visivelmente construtivas).  Espero ter sabedoria para fazer o mesmo por meus filhos.

E, por garantia, vou mostrar para eles os cinco passos do sucesso segundo Gladwell:

  1. Encontre significado e inspiração em seu trabalho
  2. Trabalhe muito
  3. Descubra a relação entre esforço e recompensa
  4. Procure tarefas complexas para evitar o tédio e a repetição
  5. Seja autônomo e controle o máximo possível seu próprio destino

P.S. Não li o livro Outliers, nem sei se o farei, mas gostei da idéia de que

“O sucesso não é uma função do talento individual. É o acúmulo constante e sucessivo de vantagens e de trabalho duro.”

Nota: Admiro Max Reinert e Zé (José Luiz Brandão) que conseguem escrever aqui no blog com regularidade invejável. ;) Graças a eles (e aos autores que dedicaram voluntariamente seu tempo ao blog em 2008) o Nossa Via concorre ao prêmio Best Blogs Brazil 2008 na categoria Artes e Cultura.

O “Amigo” secreto

O final de ano possui alguns rituais que não mudam nem por decreto. E um deles é o famigerado amigo secreto (ou oculto para algumas regiões do Brasil). A brincadeira, utilizada por praticamente 99% das festas de escritório e da família, não é unanimidade.

O amigo secreto é amado por alguns por ser um momento de descontração, de conhecer o outro através do presente ou lembrança comprado. Já os que odeiam, argumentam que é uma grande roubada onde você gasta tempo e dinheiro procurando algo para alguém que você não tem a menor intimidade. Além do risco de comprar um objeto caro e receber alguma coisa de R$ 1,99.
Quando estava no ar, Os Aspones traduziram uma parte do que pode acontecer neste momento de “confraternização” entre os colegas.


Se você topou entrar na brincadeira, respire fundo, prepare a descrição mais criativa sobre o sortudo que receberá o seu presente e deixe o seu melhor sorriso forçado no ponto, para quando for a sua vez de receber o mimo que provavelmente não sera do seu agrado. Lembre-se que depois, a vida continua.

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IED - Instituto Europeo Di Design abre matrículas para 2009

IED

Design, arte, criatividade, conceito. Foram essas palavras que me inspiraram a criar o Blog Style que foca o Design e objetos ainda em estudo, muitos desenvolvidos por Designers americanos e europeus. Gostar de desenhar novos produtos é apenas o começo para quem quer se profissionalizar na área.

Na semana passada fui até o IED para o desfile final que fecha o ano da escola e apresenta alguns produtos criados por seus alunos e fiquei surpreso com a qualidade dos protótipos; tanto os produtos de Design como uma bota com ar comprimido na sola e os da Moda, como bolsas e roupas com cortes finos foram muito bem expostos e elogiados por quem estava no local.

Para matricular-se no IED, que além de São Paulo tem unidades em Milano, Roma, Torino, Madrid e Rio de Janeiro,  acesse www.iedbrasil.com.br e escolha um cursos de Moda, Design ou Arti Visive.

Você é um consumidor consciente? Assista o chat para saber!

Comprar… comprar… comprar! Este parece ser o verbo do momento. Sem medo de cair em clichês fáceis, cada vez mais a sociedade parece nos enquadrar em categorias de consumo. Em faixas quantitativas. Todos interessados em saber “quanto” gastamos e não “quem” somos. Ao mesmo tempo, consumir é uma necessidade. Nosso corpo consome energia para manter-se funcionando. Todos consomem para poder sobreviver.

Mas, até quando estamos sendo conscientes em nosso consumo? Qual o “limite” entre o necessário e o supérfluo? Qual é a ”qualidade” de nossas escolhas? Você sabe?

Bom… aí vai uma excelente oportunidade para você descobrir: Hoje, as 12h30, tem videochat da série de chats sobre Sustentabilidade promovidos pelo Banco Real. O tema será Consumo Consciente e o convidado é Hélio Mattar, presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente.

Uma excelente oportunidade para você saber mais do assunto sem ter que sair de casa. Acesse http://www.bancoreal.com.br/sustentabilidade e clique no banner Videochat. vale a pena!

Enchente em Santa Catarina e a resposta dos Blogs!

Clique para ampliar!

“Por que foi que cegamos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.”

Em uns dois ou três lugares ouvi algumas pessoas compararem os acontecimentos aqui em Santa Catarina com o “Ensaio sobre a Cegueira” do Saramago. Não a catástrofe climática, obviamente, mas os acontecimentos que seguiram depois dela. A degradação dos seres-humanos submetidos a condições de vida completamente inaceitáveis, as notícias dos saques a supermercados e da extorsão na venda de alimentos e gasolina e tantos outros acontecimentos dessa ordem. Muita tristeza e desolação. (Para saber mais você pode acessar aqui, aqui, aqui, aqui e aqui!)

Meu principal temor era de que os atos praticados por algumas pessoas que agiram de má-fé roubando coisas de que realmente não precisavam ou a tentativa de lucrar com a desgraça alheia começassem a ter mais repercussão de que o sofrimento das pessoas que tudo perderam no desastre. Esse temor ficou ainda mais forte quando li no Twitter uma mensagem de um dos “grandes nomes” da blogosfera falando uma extrema bobagem do tipo “existe gente que está se aproveitando dessa situação, por isso não vou mandar ajuda”. Obviamente, essa bobagem repercutiu em outra lista, com uma “defesa” ainda mais apaixonada no estilo “o mundo é mal”.

“(…) Se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar. Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratular-nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala.”

E, foi aí que a blogosfera deu uma resposta adequada ao meu post anterior aqui no NossaVia. Nada de ir na onda. Nada de se deixar impressionar por declarações excêntricas. A quase totalidade dos blogs arregaçou as mangas e se colocou a disposição das pessoas que realmente necessitavam de ajuda. A grande maioria dos blogs compreendeu que as más ações de uns não podem servir de balizamento para o julgamento de uma comunidade inteira.  Que o pânico, o terror, o medo levam as pessoas a realizar coisas das quais elas não se orgulham.

Até o momento em que escrevo este post, já são mais de 9.000 posts citando a catástrofe, muitos deles nos quais, além de noticiar, está se tentando disseminar maneiras de ajudar as pessoas do estado em que vivo. E todo esse movimento me inspira a escrever esse post para afirmar que “talvez” ainda exista salvação para o mundo. Talvez, assim como no livro/filme, a cegueira tenha sido não uma maldição, mas uma nova oportunidade para que enxerguemos o mundo com outros olhos.

“O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros, São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos, Quem está a falar, perguntou o médico, Um cego, respondeu a voz, só um cego, é o que temos aqui. Então perguntou o velho da venda preta, Quantos cegos serão precisos para fazer uma cegueira. Ninguém lhe soube responder.”

E como o próprio Saramago escreveu em seu blog:

Continuamos no Brasil, Pilar e eu, e comovidos pela tragédia de Santa Catarina, onde o número de mortos ou desaparecidos não deixa de aumentar, como as histórias humanas, de desolação e desesperança dos sobreviventes, que dali nos chegam. (…) Muito consolo tem que transportar para demonstrar que o Estado é útil. Consolo em palavras e em meios. Das duas coisas necessitamos, os humanos. Contam-nos que nas empresas, espontaneamente, se estão recolhendo fundos para ajudar os vitimados. Para quem, como nós, não vivemos directamente a tragédia, gestos como estes também nos consolam, nos fazem pensar que a jovem da editorial que se preocupa com a sorte de gente que não conhece é uma imagem possível do mundo.

PS:Os textos escritos nessa cor estranha são citações do livro “Ensaio sobre a Cegueira”.

PS 2: Se você chegou até aqui tentando encontrar uma maneira de ajudar, dê uma olhada na imagem que ilustra o post. Procure meios oficiais para doar recursos financeiros, não seja enganado por pessoas inescrupulosas.

PS 3: Notícias sobre a enchente você encontra naqueles links citados alí no meio.