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Archive for the ‘Desenvolvimento Pessoal’


Guarda compartilhada

mãos pai e filho

No ano passado, quando soube que tramitava no Congresso um projeto sobre Guarda Compartilhada, escrevi um post no Blog do Desabafo de Mãe sobre o tema. Na época, ainda como editora de cultura infantil do portal colaborativo e colunista do blog, tinha as notícias ligadas à família muito fortes no meu cotidiano. Não sou separada, mas lá contei minha experiência como “filha de pais que se separaram, mantiveram informalmente uma guarda compartilhada dos 4 filhos e depois de alguns anos de divórcio se casaram novamente.” Tenho amigos que vivem experiências semelhantes (ou opostas) com suas separações e o que observo é que o importante é a forma como se encara e se vive a família apesar da separação.

Eis que seis meses depois o projeto virou lei, modificando o Código Civil e estabelecendo oficialmente a guarda compartilhada. Vi nesta decisão oportunidades para que o homem, que geração após geração tem assumido um papel de maior como co-gestor da educação dos filhos, pudesse exercer uma paternidade mais presente, independente do casamento. Não está tão longe a época em que o homem se contentava com o papel de provedor da família e de papai sabe-tudo, sendo no entanto uma pessoa nunca está disponível em casa.

Entendo esta lei como a percepção de que o homem se tornou mais participativo na vida familiar e agora é alguém que deseja um contato mais próximo com os filhos, mesmo se (ou depois) de separado.

Em novembro, quando escrevi sobre o tema, a Época citou projetos interessantes sobre a guarda. No orkut, por exemplo, há várias comunidades de pai que vive longe do filho, nas quais os homens compartilham a dificuldade de viver sem a presença efetiva na vida dos filhos. Após a aprovação da lei, em maio, o post que fiz voltou a ser muito procurado e tem recebido comentários diários, de mães reclamando da má-vontade dos pais de seus filhos e -pasmem!- sobretudo de homens que cobram o direito de estar presentes na vida dos filhos e de serem mais do pagadores de pensão que fazem visitas a cada 15 dias. Um dos testemunhos me pareceu sintetizar o que estes novos homens tentam dizer, pois o pai dizia que queria “o direito de poder visitar, buscar e ter opinião mais ativa no que diz respeito a saúde e educação dos filhos, decisão tomadas em conjunto para um bem maior, OS FILHOS.” Este rapaz, de 25 anos, se diz pai de uma bebê de seis meses e imagino que nem teve contato suficiente com a filha, mas quer amá-la, quer estar presente.

Com o caso Isabella Nardoni aumentaram as preocupações das mães sobre a cobrança de pensão alimentícia ou o direito de que a criança durma na casa do pai, temendo maus-tratos (psicológicos ou físicos) à criança. Sempre há este risco, infelizmente, e a mãe terá que provar que o pai não tem condições de conviver com o filho. Mas esta mudança na lei permitirá aos pais que estiverem aptos a esta convivência uma oportunidade que pode, a médio prazo, trazer consequências positivas para a sociedade, por reduzir a sobrecarga das “mães solteiras” e trazer maior segurança emocional à criança.

Com a guarda unilateral, até agora a mais comum no Brasil, quem fica com a criança é o responsável por tomar todas as decisões referentes a sua educação e dia-a-dia.

A guarda compartilhada traz a idéia - e a prática - da participação de ambos os pais em todas as decisões sobre a vida da criança. Não parece que este é o ideal? O tempo e a experiência destas primeiras famílias que optam formalmente por compartilhar os direitos e deveres nos mostrará. ;)

P.S. A conscientização da sociedade sobre o tema contou com entidades como a Apase (Associação de Pais e Mães Separados), de Florianópolis. No site deles é possível encontrar boas informações sobre o assunto.

Às vezes, o silêncio!

Aprendi com as primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira.

Cecília Meireles

Andei sumido, mas esse post não é somente um pedido de desculpas, é também uma ode ao silêncio reparador.

No nosso dia-a-dia convivemos com todos os tipos de ruído. A vida contemporânea tornou-se um caos (que na maioria das vezes adoramos!) que nos inunda de informações sobre os sentidos. É uma confusão de ofertas de todos os tipos. É muito. É excesso. É tudo ao mesmo tempo agora! O caso é que estamos tão acostumados a isso que acabamos por deixar de perceber que nosso cérebro (conseqüentemente nós mesmos!) também necessita do oposto disso tudo.

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O trabalho desenobrece o homem

Uma mesma palavra pode designar duas coisas diferentes.

Essa palavra - por se encaixar em objetos distintos e por esses objetos serem, ainda assim, tão semelhantes - pode ser manipulada em seu significado, ora auxiliando um ora outro senhor, como o Arlequim, servidor de dois patrões, personagem da Commedia dell’Arte.

A palavra trabalho, por exemplo.

Não há dúvida de que o que estou fazendo agora ao escrever esse texto é um trabalho, sob certo ponto de vista. Sob diversos. (more…)

A arvore dos problemas

Problema

O que você faz com seus problemas no final do dia? Leva-os para casa e os convida para a mesa de jantar? Ao dormir, você permite que eles se deitem na sua cama e transformem seus sonhos em pesadelos?

A maneira como lidamos com nossos problemas diários tem um forte impacto sobre nossa saúde física e mental, sobre nosso desempenho profissional e, especialmente, sobre nossa vida familiar. Se deixarmos os problemas à solta, nossa mente tem a tendência de aumentá-los. Alimentados pelo nosso lado pessimista, problemas normais do dia a dia se transformam e assumem em nossa mente proporções que, na maioria das vezes, não correspondem à realidade.

Estas reflexões me trazem à memória uma pequena história de autor desconhecido, vamos a ela. (more…)

Liderança: Mitos e realidade

Liderança

Liderança tem sido um dos assuntos mais discutidos nos fóruns da web que tratam de temas ligados ao mundo empresarial. Muitas das opiniões sobre as qualidades de um líder levam a conclusão de que um verdadeiro líder é uma pessoa dotada de poderes extraordinários, quase um super homem ou uma mulher maravilha.

Nesses fóruns, o perfil de um líder inclui coragem, carisma, assertividade, humildade, criatividade, honestidade, autoconhecimento, integridade, lealdade, boa comunicação, visão de futuro, paixão, curiosidade, empatia, perseverança, etc. É claro que são todas boas qualidades e algumas são requisitos morais indispensáveis, como honestidade e integridade. Confesso que, em mais de 40 anos de vivência no mundo empresarial, conheci alguns líderes bem sucedidos, mas nenhum que conseguisse reunir em sua pessoa metade das qualidades dos líderes idealizados nos livros, seminários e fóruns de discussão.

Creio que o erro básico destas discussões é o enfoque exclusivo nos perfis de grandes empreendedores e de executivos em posições estratégicas de grandes corporações. Ignoram que há necessidade de liderança em todas as atividades humanas e em todos os níveis. Nestes diversos níveis, a complexidade das responsabilidades do líder pode variar, mas há alguns valores e práticas que são comuns em todos os níveis de liderança.

Os valores da liderança

Valores pessoais são a base da liderança. Os bons líderes têm uma boa percepção dos princípios e valores essenciais para a realização de sua missão. Eles vivem seus valores e procuram se tornar um exemplo para todas as outras pessoas. Demonstrando estes valores em suas ações, eles se tornam poderosos modelos para suas equipes. Eles usam esses valores para alinhar comportamentos e atitudes, não só nos bons momentos, mas especialmente nos momentos de dificuldades e tormentas.

Para liderar é importante mostrar-se como um modelo de integridade, respeito pelas pessoas, compromisso com o aprendizado e na abordagem saudável das decisões que envolvem riscos.

Integridade: Enquanto algumas pessoas podem obter resultados sem preocupações éticas, aqueles que se preocupam em construir relacionamentos confiáveis de longo prazo e mutuamente benéficos valorizam a integridade em si próprios e nos outros. Embora ninguém seja perfeito, os grandes líderes procuram fazer com que suas palavras e ações confirmem seus valores e aspirações.

Respeito pelas pessoas: Quando você compartilha respeito mutuo com seus colegas e auxiliares, você confia neles e inspira confiança entre eles. Respeito pelos outros significa respeito pelos seus pontos de vista, seus valores e suas necessidades.

Compromisso com o aprendizado: Bons líderes são comprometidos com o aprendizado contínuo e encorajam os outros para fazerem o mesmo. Sempre alertas para novas oportunidades e possíveis obstáculos, eles procuram constantemente por novos conhecimentos e informações que os deixem preparados para enfrentar novos desafios.

Grandes líderes vivem um estado de permanente questionamento sobre o que fazem, como fazem e quais os resultados. Eles procuram incansavelmente aprender com seus sucessos e fracassos e orientam suas equipes a fazerem o mesmo. Eles sabem que, ao enfrentar desafios e tentar novos caminhos, estão se arriscando a cometer alguns erros. Entendem também que os erros podem encerrar boas oportunidades de aprendizado e melhoria.

Situações de risco: Às vezes, torna-se necessário assumir alguns riscos calculados para enfrentar novos desafios e realizar mudanças inevitáveis. Faz parte do trabalho dos líderes ajudarem as pessoas a aprender como assumir riscos de forma saudável e responsável de modo a não colocar em perigo sua organização e sua missão.

As demandas são muitas e complexas, mas não são tarefas exclusivas para super homens e mulheres maravilhas. São tarefas para pessoas talentosas é certo, mas que acima de tudo conhecem seus limites e têm a humildade e a sabedoria de procurar quem possa ajudá-las a complementar suas limitações. São tarefas para quem sonha e adora enfrentar desafios e, especialmente, para quem ama trabalhar com outras pessoas.