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Archive for the ‘Mundo Feminino’


Mulher, midia e consumo

As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental.”
Vinícius de Moraes

Esta frase, de um dos meus poetas preferidos e que mais li na adolescência, marcou por muito tempo minha noção do que é ser mulher. Em cada fase da minha vida, ela foi mudando de significado, da meiguice cultuada na infância à beleza helênica (não ariana, pior, aquela das Mulheres de Atenas) até chegar na mulher balzaquiana que eu sou hoje. Seja qual for o padrão, eu sempre achei que minha visão era da beleza interior, do conteúdo e não da forma.

http://img5.allocine.fr/acmedia/rsz/434/x/x/x/medias/nmedia/18/65/02/76/18829105.jpgLedo engano, concluí, ao ler o livro A Beleza Impossível - Mulher, Mídia e Consumo da psicóloga e feminista Rachel Moreno (Editora Ágora , 80 págs, preço médio 25 reais). A leitura, confesso sem vergonha, foi um um soco no estômago em muitos momentos, mas um “acorda menina” bem merecido (e faço uso do bordão famoso de uma apresentadora de TV a propósito). Passei os últimos dias conjecturando e reuminando tudo que li. Enfim, é daqueles livros que abrem uma janela e fazem a gente ver o mundo de uma forma bem diferente, do tipo que pensamos em presentear ou emprestar para amiga, vizinha, irmã, mãe e até para a namoradinha do filho - quando minha norinha crescer, claro!

A ditadura da beleza é um tema que eu já tratei outras vezes, inclusive aqui no Nossa Via, mas o foco de minhas críticas sempre foi o tempo e a atenção exagerados que damos à aparência, que é irrelevante em relação à obra da pessoa e à sua verdadeira essência. Este livro me fez pensar no quanto a indústria da beleza, que está se consolidando há alguns séculos, mas nas últimas décadas chega num ponto insuportável, trabalha para nos deixar insatisfeitos e inexoravelmente infelizes.

A autora cita uma pesquisa da Dove (dentre muitas outras interessantes, com o cuidado de colocar link completo para consulta em internet no rodapé) que concluiu que nós (brasileiras) nos submetemos a todo tipo de intervenção estética (somos campeãs em cirurgia plástica) para nos sentir belas e que

“as brasileiras estão entre as que têm a auto-estima mais baixa – muito provavelmente em conseqüência do modelo de beleza eurocêntrico e inalcançável para a realidade nacional”

Outros estudos revelam que, comparada com outras, a população feminina no Brasil é a que mais se submete a sacrifícios pela “beleza”: dietas, malhação, remédios, cosméticos e tudo mais. São ações forçadas dispendiosas,  que nos tiram da família, da leitura, do lazer mas que, conforme nos “garante” a mídia (seja em novelas, jornais ou revistas “photoshopadas”) e nos cobram amigas e maridos, devemos fazer para sermos socialmente aceitas. Estar bela já não é mais uma questão de ser desejável, mas aceita pelo grupo onde estamos inseridas.

“A mulher brasileira busca se aproximar da silhueta típica das européias (mais longelíneas) ou das americanas (de seios mais fartos)”. Isso mostra o quão maléfica é a influência da mídia. “As mulheres estão bastante desconfortáveis consigo mesmas. Desconfortáveis e provavelmente com sentimento de culpa. Uma geração com baixa auto-estima. A quem serve isso?”, questiona Rachel. A resposta, segundo ela, é simples:

A verdade é que isso vende. Vende, vende, vende toda a parafernália de produtos, profissionais e serviços que não entregam o que prometem – como, aliás, ocorre com qualquer produto anunciado na mídia que, mais do que qualquer característica, ação ou desempenho, nos promete felicidade, modernidade ou sucesso”.

Terminei a leitura me sentindo renovada e desejando ganhar o olhar do personagem Hal (Jack Black) do filme O amor é cego. No dia em que recebi o livro da editora eu fui à Paulista e no metrô tive a impressão de que só tinha gente feia e deselegante. Bem, dias depois da leitura, peguei metrô novamente e senti que minha percepção já mudou um pouco. ;)  Embora eu não seja feminista e não goste de nenhuma postura radical na vida, eu concordo com a idéia de que se estivermos atentas às armadilhas consumistas, teremos chances de ser menos escravizadas pela cobrança estética e mais dedicadas às questões realmente relevantes à sociedade. Mas isso não vai me fazer abandonar meus creminhos nem entrar numa onda “grey” quando envelhecer!

Se você gostou e ficou com vontade de ler, o Nossa Via vai sortear um exemplar do livro para um dos comentaristas deste post! Participe, dê sua opinião sobre a relação da mulher, da mídia e do consumo, conte para nós como você reage à pressão social para ser uma mulher esteticamente perfeita.

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Quem aborta no Brasil?

No feriado do trabalho recebi uma dica da Lella, num comentário do post Parto anômimo, citando nota do G1 sobre matéria do Jornal Hoje que traçava um novo perfil do aborto no Brasil. Os números são alarmantes, não por considerarmos que se faz o aborto e sim pelo perfil das mulheres que optam por ele como “método de planejamento familiar”. Estranhou? Mas é assim que tem sido.

Ao contrário do que reza o senso comum (e o preconceito social), que imagina a opção do aborto sendo feita por mulheres solteiras, jovens demais, com múltiplos parceiros e poucas condições financeiras ou psicológicas para ter um filho, o perfil é quase oposto.

Mulheres mais velhas e com filhos são as que mais fazem aborto. Não se surprendeu ainda? Segundo levantamento feito por amostragem pela UnB e UFRJ são 4 milhões de mulheres fizeram aborto no Brasil nos últimos 20 anos. E mais da metade delas é católica.

O levantamento é fruto da análise de todos os estudos científicos publicados no país sobre o assunto nesse período e mostra que são mulheres de 20 a 29 anos, mais de dois terços já têm filhos e a maior parte optou pelo aborto como forma de planejamento familiar, já que têm relacionamento estável e o parceiro costuma participar ativamente da decisão.

As mudanças na forma de fazer aborto pesaram e agora ele parece menos obscuro, o que o tornou ainda mais comum, mas não menos arriscado para as mulheres. A partir da década de 90, em vez de procurar clínicas clandestinas ou aplicar injeções, se tornou mais comum o uso de remédios e de chás para interromper a gestação.

Tomar chás de ervas abortivas é técnica milenar de controle de natalidade e falo isso sem defender, mas para mostrar que é que uma prática enraizada e que devemos encarar de frente esta realidade e passar a oferecer condições reais para as mulheres planejarem suas gestações sem precisar chegar ao extremo de interromper uma gravidez.

Como lembrou Deborah Diniz, uma das coordenadoras da pesquisa, diante desses dados é preciso dar um novo enfoque à discussão do aborto. Não há como não concordar com ela e reflexionar que antes de definir se é correto ou não abortar, precisamos discutir a fundo o que leva as mulheres a praticarem o aborto no Brasil.

P.S. Questionados sobre o resultado da pesquisa, Ministério da Saúde e Conferência Nacional dos Bispos dos Brasil (CNBB) se disseram preocupados com essas informações.

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Uma vida inventada… ou… de como passei a admirar Maitê Proença!

A única coisa que um artista pode fazer é descrever o próprio rosto.
(Chuck Palahniuk em Diário)

Capa do livro lançado pela Editora AgirNão sou uma pessoa que se interessa pela vida das celebridades. Realmente, não leio revistas de fofocas, não folheio a Caras e não me preocupo com quem o Fulano andou levando pra cama!

Assim que, quando recebi os exemplares de “Uma vida Inventada - Memórias Trocadas e Outras Histórias” a primeira coisa que me veio à cabeça foi: Por que, diabos, eu vou me interessar pela vida da Maitê Proença?

Ok, eu a assisto fazendo o Saia Justa, não li seu livro anterior e vi algumas coisas que ela fez como atriz, mas não posso dizer que era um fã. A respeitava como artista, assim como qualquer outra pessoa.

Mas, eis que, em pleno sábado de manhã, vou dar uma folheada no livro e “pufff” lá se vão 90 páginas! Tomo banho, almoço e mais um pouco! Trabalho um pouco e lá se vão as páginas que faltam! 214 ao todo e uma mudança (na minha cabeça!) da imagem que tinha sobre ela.

Não foi a história triste da sua vida que me convenceu. Não sejamos melodramáticos… mas sim, a coragem que ela tem de se expor enquanto escreve. Ora, por mais que se questione se o que está escrito é ficção ou não, encontramos uma mulher que não tem medo de colocar suas opiniões. Não tem medo de se revelar inteira, seja de forma casual em alguns momentos, ou de forma lírica em outros. Na verdade, tudo o que eu “tento” fazer no meu Pequeno Inventário de Impropriedades.

Maitê em cena!Sou obrigado a confessar que me emocionei em algumas passagens… torci em outras… e me peguei pensando em várias! Ou seja, por mais despretensioso que possa parecer, o livro fala de vivências… femininas, sim… mas não só! Quem nunca se confrontou com a morte e se viu impotente diante de várias situações? Quem nunca amou alguém tão perdidamente e de repente viu que o amor, às vezes acaba? E muitas outras… simples? Sim! Mas, colocar isso no papel sem parecer piegas ou melodramático, não é.

Aprendi com esse livro a admirar Maitê Proença! Para ela isso não faz diferença nenhuma, mas para mim sim… vou agora buscar Entre Ossos e a Escrita e correr atrás do tempo perdido.

PS1: O Gustavo Gitti do Não 2, não 1 também escreveu sobre o livro… e colocou várias citações, me poupando o trabalho aqui!
PS2: Quem estiver por São Paulo pode ir ao lançamento do livro na Livraria da Vila (02 de abril, quarta-feira, 19:00 hs), com a participação afetiva de Irene Ravache (lendo trechos), na Rua Fradique Coutinho, 915 - Vl Madalena - Tel: (11) 381405811.
PS3: Esse não é um post patrocinado… escrevi porque quis!
PS4: Pois é, pessoas… Recebi com bastante satisfação, duas unidades do livro. Um deles vai ficar para mim, é claro… mas o outro você pode ganhar! Como? Hummm… Deixe um comentário “relevante” e participe. O sorteio será na próxima segunda-feira (07/04), ou seja, as pessoas que comentarem até esta data, estarão concorrendo.
PS5: Considero um comentário relevante algo que seja um pouco mais de “Oi, tudo bem, comentei e quero ganhar o livro!”… ok?
UPDATE!!!: Então… quem escreveu, escreveu…. quem não escreveu, fica para a próxima! Acabei de realizar o sorteio e o ganhador do livro foi o Wilson Ramon Fernandes Cória!!!!Parabéns para ele e espero que os que aqui passaram, voltem e comentem outros textos do NossaVia.

Até a próxima!!!!

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E o dia do homem?

collage3.jpgNo sábado centenas de blogs se manifestaram e discutiram a imagem da mulher brasileira, numa blogagem coletiva proposta pelos blogs Pensieri e Parole e Universo Desconexo, brasileiras residentes no exterior que em seus blogs narram os preconceitos que envolvem a figura da mulher brasileira. Esta imagem, apesar de não representar o perfil da mulher brasileira, não é diferente do que vemos ser explorado e vendido pela mídia, com a diferença de que este enfoque é enaltecido no exterior porque, como toda “pauta digna de imprensa marrom”, vende mais e explica-se facilmente neste ponto porque os comerciais de cerveja são tão apelativos.

(more…)

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Parto Anônimo um retrocesso?

Por Viviane Weingartner para o Via Aberta

http://www.sxc.hu/photo/948948 Passando pelo blog de minha amiga Samantha Shiraishi, deparei com um texto curioso e intrigante sobre adoção, onde ela faz ligação entre o filme Juno e o projeto Parto Anônimo. Como tenho formação jurídica me arrisquei num comentário crítico ao projeto, ao qual sou favorável. Critiquei o retrocesso legal desse projeto, que opta por reviver práticas antigas bem sucedidas, abolidas por nossa legislação, ao invés de utilizar tais experiências para a evolução de nossa legislação.

As experiências vividas no passado demonstram que para o bem das crianças colocadas para adoção a “roda” era uma benção para elas. Colocadas à disposição de pais amorosos nas Santas Casas, as crianças eram adotadas “à brasileira”. O índice de crianças sem amor era zero. Mas e hoje? Esse amor deixou de existir?

A “roda” foi abolida e com ela as adoções “à brasileira”, passando o poder público administrar as adoções legalizando essa prática. Mas as adoções são extremamente burocráticas, cheias de por menores que estendem as adoções por meses. Um verdadeiro prejuízo emocional para a criança e pretendentes a pais. E provavelmente esse é o principal motivo para que o IBDFAM criasse o projeto parto anônimo. Uma tentativa de redução da burocracia. Mas essa redução com retrocesso legal é a melhor saída?

Os requisitos legais para a destituição do pátrio familiar, antigo pátrio poder, são vistos como entraves legais para a adoção na visão do projeto, que tem como objetivo viabilizar essa destituição e agilizar a adoção. Todavia, a forma proposta só vai gerar mais prejuízo emocional para os envolvidos. O governo passa a “roubar” crianças nas salas de parto. Se o objetivo é fazer com que a destituição do poder familiar não leve meses no poder judiciário, porque não evoluir nossa legislação para um patamar superior?

A alternativa seria um trabalho de esclarecimento com as gestantes, desde a primeira consulta, questionando-a sobre o desejo de ter o filho, evitando abortos ilegais e adoções ansiosas. O encaminhamento dessa gestante para o conselho tutelar, que dará início ao processo de destituição de poder familiar, com suporte psicológico mais que necessário, agilizaria o processo de adoção. E ao mesmo tempo em que a gestante entrega seu filho ainda embrião para adoção, as extensas listas de espera de adoção começariam a andar. Dessa forma os futuros pais também gestariam por nove meses e não mais por anos a fio.

Esse trabalho em conjunto desentravaria os processos de adoção sem que houvesse retrocesso legal e prático. As experiências do passado devem enriquecer a evolução legal de nosso país e não um apoio para o retrocesso.

Outras vozes, mesmo tema

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