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Archive for the ‘Mundo Feminino’


Parto Anônimo um retrocesso?

Por Viviane Weingartner para o Via Aberta

http://www.sxc.hu/photo/948948 Passando pelo blog de minha amiga Samantha Shiraishi, deparei com um texto curioso e intrigante sobre adoção, onde ela faz ligação entre o filme Juno e o projeto Parto Anônimo. Como tenho formação jurídica me arrisquei num comentário crítico ao projeto, ao qual sou favorável. Critiquei o retrocesso legal desse projeto, que opta por reviver práticas antigas bem sucedidas, abolidas por nossa legislação, ao invés de utilizar tais experiências para a evolução de nossa legislação.

As experiências vividas no passado demonstram que para o bem das crianças colocadas para adoção a “roda” era uma benção para elas. Colocadas à disposição de pais amorosos nas Santas Casas, as crianças eram adotadas “à brasileira”. O índice de crianças sem amor era zero. Mas e hoje? Esse amor deixou de existir?

A “roda” foi abolida e com ela as adoções “à brasileira”, passando o poder público administrar as adoções legalizando essa prática. Mas as adoções são extremamente burocráticas, cheias de por menores que estendem as adoções por meses. Um verdadeiro prejuízo emocional para a criança e pretendentes a pais. E provavelmente esse é o principal motivo para que o IBDFAM criasse o projeto parto anônimo. Uma tentativa de redução da burocracia. Mas essa redução com retrocesso legal é a melhor saída?

Os requisitos legais para a destituição do pátrio familiar, antigo pátrio poder, são vistos como entraves legais para a adoção na visão do projeto, que tem como objetivo viabilizar essa destituição e agilizar a adoção. Todavia, a forma proposta só vai gerar mais prejuízo emocional para os envolvidos. O governo passa a “roubar” crianças nas salas de parto. Se o objetivo é fazer com que a destituição do poder familiar não leve meses no poder judiciário, porque não evoluir nossa legislação para um patamar superior?

A alternativa seria um trabalho de esclarecimento com as gestantes, desde a primeira consulta, questionando-a sobre o desejo de ter o filho, evitando abortos ilegais e adoções ansiosas. O encaminhamento dessa gestante para o conselho tutelar, que dará início ao processo de destituição de poder familiar, com suporte psicológico mais que necessário, agilizaria o processo de adoção. E ao mesmo tempo em que a gestante entrega seu filho ainda embrião para adoção, as extensas listas de espera de adoção começariam a andar. Dessa forma os futuros pais também gestariam por nove meses e não mais por anos a fio.

Esse trabalho em conjunto desentravaria os processos de adoção sem que houvesse retrocesso legal e prático. As experiências do passado devem enriquecer a evolução legal de nosso país e não um apoio para o retrocesso.

Outras vozes, mesmo tema

Que padrão de beleza é este?

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O que é ser extraordinário?

É sair do comum, ser diferente, especial, único em algum aspecto, é ser notável e notado. E uma das formas do ser humano ser notado é por sua beleza física, talvez porque a aparência “fale” antes das palavras. Vivemos, infelizmente, uma época em que o culto a certo padrão de beleza se tornou tão doentio que não conseguimos deixar de agir como títeres de uma indústria que, no fundo, não sabe para onde quer nos levar.

Quando morei no Japão me chamava atenção algumas diferenças no padrão de beleza. Em outros lugares (como na Índia, Egito e na China) o padrão consegue seguir mais o biotipo dos autóctones, mas posso falar de lá porque foi onde eu vivi e me vi. (more…)

Bolsa de Mulher

Caixa de Pandora

A bolsa mágica foi um dos primeiros textos que li na internet no formato blog. Primeiro blog que eu acompanhei (ainda no tempo em que tinha bebês), Mothern foi pioneiro no formato, inaugurando a idéia de blogar em conjunto e de que mãe-mulher-profissional-amante-cidadã podem coexistir no mesmo ser pensante. Mas, pensantes ou não, há coisas no mundo feminino que são indefectíveis e uma delas é a bolsa.
Adoro bolsas, apesar de menos maníaca que minha mãe e irmã, eu sempre as namoro nas lojas e aderi com alegria aos modelos grandes e disformes da estação. Em tecidos e materiais alternativos, combinam com minha personalidade e a escolhida do dia inevitavelmente mostra meu estado de humor. Aí, navegando, me deparo com um post-provocação no Sindrome de Estocolmo sobre a bolsa feminina: O que cabe na minha bolsa?

Bom, cabe minha carteira, sempre pequena e com poucas coisas, que desta vez é de couro rosa claro, um presente de meu cunhado, mas geralmente é em tom de marrom. Meus óculos de sol, imprescindíveis para minha fotofobia imaginária. Um porta lenço de papel e band-aid (coisas de mãe), chaves e meu celular. Ah, meu celular é um computador de mão, é grande e culpo-o por não levar mais “tralhas” na bolsa. Raramente carrego maquiagem ou escova de cabelos (meu cabelo de japonesa ajuda muito nisto), mas se eu estiver com a nécessaire, lá tem mentos ou tic tac para acalmar os meninos. É o contrário da minha amiga Sayuri, que é dona de salão de beleza e tem uma filha. A bolsa dela, que raramente troca para não mexer em tudo que carrega, podia nos proteger de um assalto (li esta idéia no blog Novidades). Seu peso seria uma arma contra qualquer malfeitor!

Não fui a única a me inspirar na Denise. Adriana, do DriEveryWhere, fez o mesmo. E há quem diga que a bolsa feminina é uma caixa de pandora. Descobri um texto engraçado da Mari sobre a bolsa de mulher nas diferentes idades, que me fez pensar em minha afilhada Dora, na “bolsa de parteira” (enorme, cheia de tesouros e guloseimas) da minha avó Maria, na carteira singela da minha Batian (avó) japonesa. Por falar em Japão, naquele país, considerado por tantos um sinônimo de machismo, as mulheres são as donas do orçamento e nas suas bolsas (e por suas cabeças) passa todo o dinheiro da família. Aprendi quando morei lá e aqui em casa ainda funciona o esquema de que marido vive de mesada. Sabem que dá certo? Nada como a responsabilidade pesando nos ombros para decidirmos com parcimônia o uso do dinheiro.

Este é o tema do post administrar bem o seu dinheiro no blog Coisas Caseiras e do livro Mulher Inteligente: Valoriza o Dinheiro, Pensa no Futuro e Investe, de Sandra Blanco. Em tempos de entusiasmo com a bolsa de valores e investimentos, a entrevista de Sandra Blanco no Dinheirama mostra como a consultora financeira e colunista do portal Bolsa de Mulher pode nos ajudar a mudar o estigma feminino de ser perdulária. Aliás, ela é fundadora do primeiro clube de investimento feminino brasileiro.

P.S. Um conselho: se a bolsa da sua namorada, esposa, mãe ou irmã der sopa, não mexa nunca, não revire, se precisar de algo, nem que seja pegar o celular que está tocando sem parar, espere que ela peça este favor. Não vale a pena arriscar um ataque de fúria não é mesmo?