Nossa Via

O conteúdo passa por aqui!

Archive for the ‘Sexo e Relacionamentos’


O ataque dos fakes assassinos!

Imagine a cena:

Você se corresponde a uns seis meses com uma outra pessoa. Já conversaram um monte de assuntos, algumas intimidades. Já trocaram fotos, talvez até links de vídeos do youtube. De uma hora pra outra, você (seja lá como for…) descobre que essa pessoa não existe. Bom, quer dizer, existe… só que você não sabe como ela é realmente. Não sabe nem mesmo se é um homem ou uma mulher. Não sabe nada mesmo, a não ser que estava se relacionando com uma “personagem”! Como você se sentiria?

couple-022.jpgPois é… essa é uma das novas manias da web. O mundo dos fakes parece ter cansado de suas festas na mansão HSM (High School Musical) entre “famosos”. De seus bailes regados a muito álcool e sexo virtual e resolveu invadir, novamente o mundo real.

Muito em voga nos sites de “relacionamento”, a “mentirinha” institucionalizada já não preenche mais os desejos esquizofrênicos de alguns “web surfers”. Onde antigamente havia uma pequena “correção” estética ou financeira, abriu-se espaço para seres completamente virtuais que desenvolvem “biografias” dignas de roteiristas de seriados americanos. Claro que, um ouvinte real com um pouco de atenção, consegue identificar “falhas” na lógica dessas figuras:

  • Viagens que comumente levam seis horas se transformam em “idas rápidas”. Lógico! Algumas vezes porque o/a personagem mora em uma cidade que o próprio criador não conhece.
  • A presença de antagonistas e “anônimos” que sempre fazem ameaças. Sempre há algum “culpado” para possíveis desaparecimentos, possíveis promessas que não poderão ser cumpridas, possíveis impedimentos que “impedem” o relacionamento virtual de se tornar algo real.
  • Coincidências incríveis. Justamente no dia em que você vai estar na cidade do/a outro/a algo acontece e essa pessoa não vai poder estar lá. Que coincidência, não é?
  • Fotos e perfis mutantes. Claro que, nesses casos, não é possível utilizar fotos verdadeiras… então se recorre à álbuns de estranhos, na maioria das vezes, estrangeiros. Como nem sempre se encontra a situação necessária, não existe pudor em misturar álbuns.

Mas, por que então não se afastar desses tipos de relacionamentos?

Essa é uma boa pergunta. Afinal, os sinais, são bastante evidentes. Mas, acreditem, só se tornam evidentes com o distanciamento crítico da situação. Só se você conseguir olhar atentamente para o que está acontecendo e resistir à tentação de “querer acreditar” no fake. Eles, na maioria das vezes, são muito bons de lábia!

De qualquer forma eles nunca admitem ser um personagem, mas ao mesmo tempo, nunca se mostram completamente. WebCam? Nem pensar. Telefone? Nunca é possível. Um encontro no mundo “real”? Claro, porque não?… mas terá que ser mais adiante, no momento há algum tipo de impedimento. E assim, o tempo passa e você já começa a ser também mais um “ponto” que dá vida a ele.

Desde agosto venho me interessando por estes personagens, inclusive me correspondendo com alguns deles. E, nos últimos seis meses, consegui identificar três fakes desses. Quem são eles? Não sei. Mas sei que não são quem eles diziam ser. Quais as motivações? Não me perguntem: EU SOU REAL!

Popularity: 21% [?]

Compartilhe:
  • Rec6
  • Technorati
  • del.icio.us
  • Digg
  • StumbleUpon
  • YahooMyWeb

Espontaneidade primordial: diante de tudo, só nos resta gargalhar

“Já que todos os fenômenos
são apenas espectros,
perfeitos sendo apenas o que de fato são,
sem qualquer inclinação para bem ou mal,
aceitação ou rejeição,
podemos realmente gargalhar”
Longchenpa, mestre budista do séc. XIV

Mulheres e mestres de meditação concordam. Quando perguntadas sobre o que faz um bom primeiro encontro, a maioria responde: “Ele tem de ser espontâneo”. Quando indagados sobre a qualidade que surge após muito desenvolvimento espiritual, os mestres são unânimes: “Espontaneidade”.

Veja o vídeo abaixo. Será que ficaremos assim quando descobrirmos espacialidade, luminosidade e ludicidade em qualquer fenômeno?

Espontaneidade, quando em vida adulta, é sinal de algum grave problema – não ter filtro social, por exemplo, e sair andando nu pela rua – ou de muita sabedoria. Aliás, no Budismo, o tipo mais sofisticado de ação sábia e compassiva tem um nome: crazy wisdom (louca sabedoria). Em tibetano, a expressão é yeshe chölwa, sendo que yeshe significa sabedoria e chölwa seria algo como insano, “gone wild” em inglês ou, mais especificamente, sem ponto de referência.

A idéia de viver sem ponto de referência pode significar se mover sem referência alguma. Neste caso, recomenda-se medicamentos e terapia, claro. A mesma idéia também pode significar, por outro lado, viver com a capacidade de transitar entre incontáveis referências, sem fixação por nenhuma delas. A liberdade é a condição de possibilidade da autêntica espontaneidade. Chögyam Trungpa Rinpoche, mestre de Pema Chödrön (atualmente mais conhecida que ele aqui no Brasil), foi o grande propagador dessa abordagem.

Não precisamos de muito esforço para experimentar vislumbres disso. Depois de pouco tempo de meditação, nossa percepção sensorial fica bem mais aguçada. Estou falando de cores, cheiros e texturas, afinal não me interesso por nada extra-sensorial. Cada fenômeno surge de modo mais nítido, límpido. As coisas ficam vivas e coloridas, como se fosse a primeira vez. De fato, todas as coisas surgem dessa espontaneidade primordial a todo momento. Somos nós que embaçamos e descolorimos tudo com nossos monólogos internos e padrões de reação condicionada.

A arte zen é um dos mais claros exemplos de como a espontaneidade pode ser cultivada pelo abandono de nossas identidades e certezas. Todas trabalham com isso à sua maneira: arranjo floral, cerimônia do chá, teatro, pintura, técnicas marciais, caligrafia, poesia. Quem nunca se comoveu com as três simples frases de um haikai? Matsuo Bashô foi o grande mestre nessa arte. Seu haikai mais famoso é (em uma de suas infinitas traduções):

Olha o velho lago –
Após o salto da rã
O barulho da água.

É possível encontrar várias histórias que descrevem em detalhes como um tapa na cara ou um gotejar do telhado fazem surgir a iluminação derradeira em um meditante. Naquele simples momento, toda a estrutura do real é instantaneamente desvelada e o resultado disso é uma enorme gargalhada. É como se nosso casamento de 20 anos fosse precisamente igual a um carro que passa buzinando na rua enquanto meditamos. O som surge do nada, vive por um tempo e logo cessa. Quando realmente estamos abertos, isso é um milagre! Todos os fenômenos são iguais à cena descrita por Bashô: tchibum, zapt, ploft.

Espontaneidade, bebe, nene, brincadeira

Um outro grande exemplo de homem espontâneo é Alberto Caeiro, o mais famoso heterônimo de Fernando Pessoa. Sua poesia é uma celebração da presença lúdica no mundo, aberta ao frescor dos eventos, à “eterna novidade do mundo”. Ser espontâneo é justamente isso: ser “nascido a cada momento”, como ensina Caeiro.

Deixamos cair conceitos e estratégias, deixamos de tentar controlar, ser alguém ou atingir algo. Abrimo-nos ao mundo, sem armas, sem defesas. Desse modo, como não há estratégias por trás, quando surgir uma ação, ela brotará da mesma base que dá luz a cada átomo do universo. As mulheres estão certas: uma noite de amor que não nascer disso, bem, não vale a pena nem começar.

Podemos olhar agora para toda a nossa vida. Acontecimentos, pessoas, histórias, momentos. Por toda parte, não há nada que seja diferente do papel cortado pelo bebê no vídeo. Só que, em vez de gargalhada, surgem medo, dor, ansiedade. Ao mesmo tempo, o simples fato de sorrirmos junto com o bebê acima já prova que possuímos essa mesma espontaneidade primordial dentro de nós. Nascemos dela e, sem saber, somos por ela alimentados a cada segundo.

Uma das primeiras descobertas de quem começa a meditar é a de que os fenômenos não são tecidos de modo causal – um levando ao outro, um em cima do outro. Eles pulam diretamente de uma base ampla e livre, um a um, como se fossem (e são) autônomos. Se assim não fosse, a ação livre seria impossível: depois de uma traição, como não sentir raiva e impulso de vingança? Encontrar e surgir a todo instante desse espaço básico, sem agir a partir de coerências passadas, é o nosso desafio para vermos papéis cortados em todas as direções.

Dinheiro, emprego, problemas, crises e amores. É tudo nonsense, é tudo sonho. Mistério e diversão. Já é hora de pegarmos a vida com as mãos e brincarmos sem esconder as gargalhadas.

Posts para aprofundamento:

Popularity: 28% [?]

Compartilhe:
  • Rec6
  • Technorati
  • del.icio.us
  • Digg
  • StumbleUpon
  • YahooMyWeb

Se eu disser que te amo você fica muito chateado?

Texto enviado pelo canal Via Aberta por uma leitora que identificou-se apenas como Katerina

 

Se eu disser que te amo você fica muito chateado?
- Rubem Fonseca: Vastas Emocões e Pensamentos Imperfeitos, p. 85

despedida.jpg

Por que eu sempre sentia medo de falar para ele que eu o amava?
E por que, como eu posso ver no livro que acabei de ler, não sou a única a quem isso acontecera?
Por que quase todo o mundo tem hoje em dia medo não somente de falar de amor mas ainda por cima sentí-lo?
Amor é uma sensação ruim?

Há alguma razão para reduzirmos o relacionamento ao ficar? (Namorar fica sério demais, não é?)
Há alguma razão para reduzirmos nossos sentimentos à paixão? (Amor não é fácil de tratar, é?)
Estou perguntando. Se eu escolher o caminho mais fácil de todos que se oferecem, isso vai me assegurar a vida boa e feliz, satisfeita e preenchida?
Será…?

“A via mais fácil ruma ao inferno.” - Bíblia Sagrada

Pois é. Fazer perguntas é fácil demais. O que é difícil é responder.
Então, vamos lá.

Eu o amava de verdade. Não é nada mau nisso, é? Ele me tratava muito bem, com muito carinho, ele me dava tudo o que eu precisava, tudo do que sonhava, muito mais no que esperava. Cresci ao lado dele. Ele também floresceu ao meu lado. Todo o mundo viu. Todo o mundo sabia. Aprendemos muito um com o outro. Ficamos felizes. Mesmo assim cada vez me senti culpada ao dizer: “Te amo.”

Ele nunca falou para mim. Eu sempre sentia uma estranha sensação de medo atrás do silêncio dele. Medo de que? Medo de falar de amor ou medo de mesmo sentí-lo? Medo de sofrer depois que o amor acaba? Parece ser assim. É até lógico. Homem não quer sofrer… Para evitar o sofrimento como uma consequência de alguma coisa, a pessoa tenta evitar a causa daquela coisa.

Como se pode evitar um desespero ao perder o amor senão por recusá-lo desde o princípio? Não vejo nenhum erro nesta lógica. Parabens! Nao há nada melhor do que ser racional, não é? Não, para mim não. Para mim, as emocões nos oferecem muito mais do que o raciocínio e a razão podem dar em qualquer instante. Por isso não estou entendendo este tipo de medo de sofrer de amor.

Porque para mim, amar é a coisa mais bela do mundo. Mas não é somente amar, o que é belo é saber disso.

Para voltar ao assunto é preciso dizer que não acho possível alguém conseguir recusar um amor. Amor não nos pergunta se
pode entrar. Ele simplesmente aparece sem podermos fazer qualquer coisa.

Então, como é que algumas pessoas, igual ele, sucedem? É simples. Amar é uma coisa, admití-lo diante de si mesmo e diante de outros é outra coisa. E daí? Admitir uma coisa é em nosso poder. Se a pessoa conseguir acreditar, que não ama, nunca vai sofrer tanto como a pessoa que sabia que amava. Na verdade, ambos nos amávamos. Mas ele sofreu menos do que eu quando decidiu acabar conosco. Ele lutava contra a realidade muito tempo, isso é verdade. Como eu o conhecia, não esperava nem por um minuto, que o nosso amor sobreviveria tanto tempo, apesar do oceano entre nós, impedindo-nos, com força, pegar a mão do outro, acariciar o seu rosto, abraçá-lo, beijar, fazer amor.

Naquela situação tudo fica muito mais complicado, sob aquelas condições um problema pequeninho, que normalmente se resolveria durante uns minutos, se vira uma causa grande e grave sem muitas chances para se resolver sem consequências.

Num momento da minha fraqueza, da minha insegurança, eu falei para ele: “Você me ama? Quero que você diga que me ama.” Foi isso o que estragou tudo. Ambos fomos culpados. Eu que deixara de acreditar nele e na pureza dos sentimentos
dele e ele que ficara com medo de admitir um amor tão grande, que um dia atravessasse o oceano e nos permitisse realizar os nossos sonhos. Mas agora é tarde demais.

Ambos estamos aprendendo viver ao lado de outra pessoa que nos ajudaria esquecer do que aconteceu e que nos habilitaria acreditar, que o que aconteceu foi o melhor possível. Que não existia melhor alternativa. Que entramos no caminho que está nos levando para o futuro feliz, mais feliz do que o que recusamos. Será que um dia eu dou conta disso? Não. Sei que não.

E estou feliz por isso. Nunca quero terminar como um racionalista verdadeiro incapaz de render-se às emocões, atuando sob a influência de medo. Não tenho medo de sofrer. Acredito que a pessoa, cuja vida, cheia de sofrimentos – não os físicos, claro – está acabando, é muito mais feliz por vivê-la, do que a pessoa que nunca sofria na sua vida. Aquela pessoa não
sofrera, sim, mas não porque ela seria por toda sua vida feliz. Foi porque ela nunca estava feliz suficiente para poder sofrer de uma perda…

Aliás, o que é amar? Cada um possui uma definição diferente, não é? Talvez por isso amor é difícil de tratar. Então, o que é amar para mim?

Amar é querer passar o resto da vida ao lado daquela pessoa. É não sentir medo de encarar problemas e desafios junto a ela. É não sentir desejo por qualquer outra pessoa. É estar feliz ao imaginar estar envelhecendo mão em mão. E muito mais do que isso. É exatamente isso o que eu senti a respeito dele. E não vou ficar envergonhada por isso. Também não vou lamentar que um dia quis ouvir isto do lado dele. Tenho, todos temos, direito de ser amados. Mas primeiro, temos que amar - profundamente, de verdade, de mão aberta, sem brincar com os sentimentos de alguém. Assim que conseguirmos isto, a porta da felicidade vai ser aberta para nós. Não vai ser a vida sem sofrimentos… Com certeza não. Mas quem nunca sofreu, nunca era feliz. E vice versa…

Popularity: 26% [?]

Compartilhe:
  • Rec6
  • Technorati
  • del.icio.us
  • Digg
  • StumbleUpon
  • YahooMyWeb

Seja você a pessoa certa

“O sucesso do casamento é muito mais do que encontrar a pessoa certa; é uma questão de ser a pessoa certa.” –B. R. Bricker

O elemento mais comum no imaginário amoroso das pessoas do séc. XXI é, talvez, o da “pessoa certa” ou “the one”. Estou cansado de ouvir frases assim: “Ainda não encontrei a pessoa certa” ou “Será ele o cara certo para mim?”. A “pessoa certa” para quem, para o quê? Para o grande “eu”, foco de nossas atenções. Para a importantíssima “minha felicidade”, claro.

A pessoa certa é aquela cujos atributos se acoplam perfeitamente com todos os nossos desejos, hábitos, vícios e peculiaridades. Se sou carente, quero um superprotetor traumatizado (traído da última vez que ficou ausente). Se gosto de vinho, adoraria um homem que seja quase um sommelier. Se sou fascinado por peitos, uma mulher tábua não me serviria.

Tal lógica seria perfeita em um mundo intocado pela impermanência. O problema é que nossas preferências, hábitos e desejos mudam a todo instante. Já tivemos nossas fases gastronômica, carente, acadêmica, cultural, caseira… E assim fomos trocando de parceiros. A situação a que chegamos hoje é simples de resumir: além das relações líquidas, as que tentam ser duradouras dificilmente escapam de situações de traição, adultério e muita, muita dor.

O que aconteceria se invertêssemos essa lógica? Se, em vez de procurarmos pela pessoa certa, tratássemos de ser a pessoa certa? A seguir, vou rascunhar algumas possibilidades nessa outra direção. No entanto, só saberemos se pularmos, mergulharmos e incorporarmos essa outra lógica com nossos poros, retinas, veias. Quem pular nesse abismo, depois passe aqui e nos conte como foi.

Casamento

A lógica do oferecer

Uma boa metáfora para contrastar as duas abordagens: se estiver em dúvida entre duas pessoas, não escolha a mais engraçada, mas a que ri de suas piadas. Ou seja, não escolha a que tem mais a lhe proporcionar, e sim aquela que mais pode se beneficiar com o que você tem a oferecer.

Em vez de focar suas energias em encontrar alguém belo, contemple seu próprio corpo e faça surgir beleza dele. Em vez de ficar esperando por alguém inteligente, apenas distribua sua inteligência para qualquer um. Seja a pessoa certa, sem esperar resultados ou retribuições de qualquer tipo.

Se você é mulher, não busque olhares. Irradie aquilo que você não precisa de espelhos para ter a existência confirmada. Se é homem, não pense que o amor é aquilo que você recebe. Seu amor é aquilo que você oferece. Isso ninguém tira, isso você leva junto para onde for.

Estava há pouco conversando com um amigo em conflito. Ele deseja vir trabalhar em São Paulo, mas tem uma namorada há 5 anos em sua cidade. Em um dos momentos, disse: “Posso ir a São Paulo, fazer sucesso profissionalmente e nunca encontrar um amor”. Ora, o amor ele trará junto, nunca será encontrado, só direcionado para outra. Se ele cultivar esse amor, é possível que consiga reconquistar a namorada atual quando voltar à cidade natal anos depois. Se ele voltar esperando receber amor, dificilmente conseguirá conquistá-la novamente.

Reconhecendo a impermanência (sem fugir ou ignorá-la), podemos amar com liberdade. Renunciamos a realização de nossos impulsos neuróticos, largamos os ganchos e oferecemos nossas habilidades para o deleite de nosso parceiro. Na verdade, é isso que sempre desejamos, sem saber como realizar.

Após um fim de namoro dolorido, nossa felicidade não surge quando descobrimos que podemos ser amados novamente. Sentimos a vida pulsar apenas quando descobrimos que podemos amar outra pessoa. É a capacidade para o amor que nos alegra. Nossa felicidade não vem do outro tanto quanto vem de nossa própria potência inata de amar e produzir felicidade em todas as direções.

O amor livre como um antídoto ao adultério

Casamento, casório, noiva, noivo, noivadoAlgumas pessoas que já me ouviram falar em “desvincular o amor do amado”, ao propor algo que às vezes chamo de amor livre, reagem com um desconforto e defendem a fidelidade monogâmica – como se “amor livre” significasse poligamia ou justificasse o adultério. Pelo contrário, uma pessoa só trai porque se sente incapaz de reconstruir o amor, curar a relação, sentir-se viva novamente diante do outro e, assim, fazê-lo renascer diferente.

Na verdade, o amor é livre de fixações, livre de personagens, livre até mesmo dos parceiros que os manifestam. Se depender dos condicionamentos que o trazem à tona, ele terminará quando o casal afundar. Mas o amor oferecido não cessa, não é mesmo? Ele é amplo, vasto, todo abrangente. O amor recebido, este sim cessa.

Qual não é nossa surpresa quando percebemos que, logo após o fim, seguimos com a potência de trazer felicidade ao outro? O amor não cessa pois ele é essa abertura ao outro, essa capacidade de oferecer, oferecer, oferecer. Se podemos sempre oferecer, é sinal que sempre temos amor, mesmo quando parece que ele nos foi arrancado de dentro do peito.

Mostro abaixo, ao mesmo tempo que deixo um desafio a homens e mulheres nesse fim de ano, como o amor livre favorece a fidelidade (não o contrário) e diminui o impulso à traição.

Recado para os homens

Faça-me um favor. Descubra logo que você pode conquistar e amar qualquer qualquer uma. Seja você rico ou pobre, feio ou bonito, você tem tudo o que é necessário para fazer qualquer mulher feliz. Basta liberar seu amor, sem fixações, hesitações ou dúvidas. Enquanto não perceber que seu amor é livre, você continuará testando-o com várias. Enquanto sentir seu amor acabar, você terá de dormir com outras garotas para resgatar sua potência vital.

Uma vez solto, canalize tudo em apenas uma mulher (a menos que você realmente consiga fazer duas felizes sem causar complicações, o que hoje duvido ser possível em nossa sociedade). Depois, tome cuidado para não confundir foco com fixação. Seu amor nunca será dela para que sempre seja dela, momento a momento, em um processo incessante de escolha e liberdade.

Assim que você vincular seu amor a ela, ele parecerá surgir de fora e você o sentirá como vindo dela para você. É nesse momento que você pára de oferecer, ou seja, pára de amar. Quando a relação acabar, você terá a certeza de que ela levou seu coração, apagou o Sol e deixou a sala vazia, sem amor algum. É esse o outro lado da “pessoa certa”.

Sugestão para as mulheres

De uma vez por todas, sinta-se inteira como sendo o amor que você busca nos olhares e espelhos do mundo. Você já é aquilo que espera ouvir de um homem. Você já está na ilha paradisíaca de seus sonhos, abraçada e acariciada com declarações de amor. No momento em que você sente que precisa de amor, a carência inunda seu corpo até o ponto em que você precisará de outro olhar para voltar a ser bela.

Para você também: seu amor nunca será dele para que seja sempre dele. Enquanto você transpirar amor por todo lado, terá o que oferecer e portanto poderá ser totalmente dele. No instante, porém, que você precisar dele para respirar, você não mais conseguirá oferecer e terá de exigir o amor dele.

Você se lembra dos momentos em que mais foi feliz e aberta? Na maioria deles, havia um outro em cena? Sem querer, vinculamos todas essas sensações a uma ou outra pessoa. Se elas deixarem de proporcionar essas sensações, você será obrigada a buscar um outro que resgate todas as alegrias e toda a beleza que você já vivenciou. Um outro homem que veja beleza em você e movimente tudo aquilo que você desconfia da existência mas não sabe bem como encontrar.

Durante essa busca por amor, você fará muitos homens sofrer. O primeiro vai olhar e revelar beleza. O segundo revelará ainda mais. O terceiro a levará para locais que os dois primeiros nunca sequer vislumbraram. O quarto finalmente a fará mulher. O quinto ensinará todos os prazeres do sexo. O sexto… Até quando? Quando chegará o “The One”? Sinta agora seu corpo, inspire sua beleza, deite-se sobre a certeza de que você já é mulher. Totalmente, inteiramente, deliciosamente mulher. Como a face feminina do amor, ofereça-se ao mundo de corpo e alma. E se ainda quiser causar dor nos homens, produza um outro tipo de dor, if you know what I mean;-)

É esse meu desejo para 2008. Homens e mulheres completos, um oferecendo ao outro aquilo que nenhum precisa, aquilo que ninguém nunca quis ou pediu (como ensina Contardo Calligaris). Amor necessário é horrível. Amor bom é igual arte: inútil, completamente descartável… e belo.

Popularity: 49% [?]

Compartilhe:
  • Rec6
  • Technorati
  • del.icio.us
  • Digg
  • StumbleUpon
  • YahooMyWeb

Relacionamentos virtuais: arejando um pouco nossas idéias

zero-dois-sem-flash.JPG“Odeio correr o risco de ser um sedutor barato a quem não me conhece.
Depois que me conhecer de verdade, pode até pensar isso de mim.
Eu sou mesmo um sedutor, só não quero é ser barato.”

[Antônio teclando para Bia.]

Em épocas de um pós-modernismo ainda cambaleante, aliciado, até o momento, por uma maré de relativismos, em que tudo é permitido porque pode ser justificado por qualquer ponto de vista, fica a pergunta: se a linguagem é o nosso principal meio de se relacionar com o mundo, qual seria o papel da internet, como um expoente dessa linguagem, no campo amoroso?

Será que deveríamos continuar a ver as pessoas a ela conectadas com os olhos ainda tão cheios de suspeita?

Desconsideremos a parcela dos casos em que existem mentirosos, enrolados, e mal intencionados. Essa parcela sempre existirá, independente do meio. Vamos, portanto, considerar duas pessoas de boa índole, igualmente disponíveis, como o caso do Antônio, 34, analista de sistemas e Bia, 28, pós-graduanda em administração.

Tudo começa quando Bia, navegando pela internet, acidentalmente descobre o blog de Antônio. Ela se identifica com o conteúdo e começa a freqüentá-lo; gosta tanto que acaba se tornando leitora assídua. Chega o dia, enfim, em que uma discussão lá levantada lhe desperta maior interesse e ela posta um comentário. Esse se torna o início de uma rica e divertida troca de idéias e a descoberta, uma a uma, de várias sintonias. A essa altura, tanto Antônio quanto Bia estão a ponto de serem fisgados. Eles já notam, em seus papos virtuais, que a presença de um na vida do outro, desperta a vontade, mútua, de se tornarem pessoas cada vez melhores. No entanto, Antônio e Bia sequer ainda se viram.

toque.jpg

Se fosse num encontro tradicional, toda a energia da linguagem corporal já estaria, também, em movimento. Aquela vontade de estar tocando um ao outro por qualquer motivo, a repetição dos movimentos: se ela solta um olhar maroto, ele recebe e o devolve. Ou, ao contrário, eles notariam qualquer possível descompasso e já sairiam do encontro tendo uma medida, não ainda definitiva, mas já capaz de se dizer se haveria possibilidade ou não de sintonia entre suas peles.

Nesse sentido, estatísticas das agências de relacionamento virtual apontam que apenas entre 2 a 3% das pessoas que estabelecem contato por meio da troca de mensagens eletrônicas realmente dão o segundo passo, o encontro no mundo físico. Desses, parcela ainda menor, parte para um relacionamento. No entanto, esse quadro é ainda embrionário e cheio de variáveis.

As pessoas já vêm se acostumando com a idéia de que a internet é uma excelente ferramenta para se desenvolver redes sociais de contato no campo profissional, contudo, ainda na esfera pessoal, somos todos demasiadamente desconfiados. Não condeno a cautela e a prudência, requisitos que nos servem muito bem em qualquer campo. Entretanto, além de ser um processo irreversível, não há como negar: números cada vez mais significativos de pessoas terão acesso à rede, estabelecendo nela as mais variadas atividades.

Por isso um conselho aos Antônios e Bias espalhados por esse país e aos que, mais cedo ou mais tarde, estarão em uma situação semelhante. Caso o interesse seja mútuo e verdadeiro, o quanto antes vocês se encontrarem e desvendarem se há, também, sintonia entre peles e pupilas, melhor. Caso contrário, se a troca entre vocês ocorrer apenas no mundo virtual, ela não edifica, pois não há espaço para que uma verdadeira ampliação das duas individualidades surja. Vocês, assim, estariam às portas do que os franceses chamam de folie a deux, loucura a dois, um auto-engano mútuo. Além disso, é sempre bom lembrar também que poucas coisas são mais sagradas nesse mundo do que o sentimento do outro.


Popularity: 27% [?]

Compartilhe:
  • Rec6
  • Technorati
  • del.icio.us
  • Digg
  • StumbleUpon
  • YahooMyWeb