No último post sobre as duplas de homens que vivem de música eletrônica, Unkle mostra seu lado mais rock, abusando dos solos de guitarra; já os noruegueses do Röyksopp seguem os ventos da dance music, porém com músicas mais bem trabalhadas.

Unkle – War Stories (2007)
MTV era um ótimo recurso para eu me atualizar com o mundo da música alternativa – inclusive a eletrônica. Lembro que quando tinha de madrugar (setes horas da manhã para mim ainda é noite) para ir trabalhar, ligava no canal e me deliciava com os artistas que a programação normal não permitia transmitir. Unkle era um deles cujas produções televisivas me impressionavam. Não é à toa que a animação de Eye For An Eye ganhou o MTV Europe Awards de 2003. James Lavelle começou o projeto com Tim Goldsworthy, Josh Davis (hoje sob o codinome DJ Shadow) e um japonês chamado Masayuki KUDO, mas logo eles partiram para carreira solo e Richard File apareceu com novo parceiro. Todos tiveram fortes influências de hip-hop, acid jazz, o comecinho do tecnho e suas vertentes menos comerciais.
Junte tudo isso no liquidificador e o que você ouvirá é uma mistura inteligente de rappers com vocalistas da cena indie rock - os garotos já convidaram Thom Yorke do Radiohead, Richard Ashcroft do inexistente The Verve, Ian Astbury do The Cult e Josh Homme do Queens of the Stone Age –, uma boa dose de samples de filmes e, claro, as batidas eletrônicas. No terceiro disco da dupla “War Stories”, eles apelaram para o bom e velho rock, abusando sem limites dos solos de guitarra. E os vídeos continuam tão bem caprichados quanto os antigos; o vídeo de Burn My Shadow chega a assustar pelo destino traçado para o personagem de Goran Visnjic (ator que faz o médico no seriado E.R. – Plantão Médico). Dica: eles mantêm um blog para que seus fãs fiquem antenados com as novidades.

Röyksopp – The Understanding (2005)
Poderia dizer que não há nada de extraordinário nas músicas do Röyksopp. A princípio, não passaria de mais uma dupla que gosta da dance music e, conseqüentemente, decide seguir um atalho para o sucesso. Mas fama é o que eles não conseguiram, pelo menos mundialmente. Entretanto, parece que as empresas é que gostam mais do trabalho da dupla norueguesa, formada por Torbjørn Brundtland e Svein Berge. A Apple licenciou a canção Eple (que coincidência!) para usar como início do sistema operacional Mac OS X Panther.
Por aqui no Brasil, eles infelizmente tocaram sem parar, o que me fez perder um pouco a vontade de escutá-los com mais freqüência. Uma versão techno e irritante de What Else Is There tocou incessantemente nas rádios – e provavelmente nas casas noturnas . A culpa é da Antena 1 FM que fez questão de colocar essa música até enjoar seu ouvinte – ao menos é a versão original, mas que mesmo assim não combina em nada com o repertório deles. Bom, famosos ou não, eles sabem produzir uma boa música eletrônica, cujos efeitos são bem trabalhados na composição dela. São eles também que cantam, deixando uma ou outra faixa para um vocal feminino. Os vídeos são outra parte interessante do dueto, dada a criatividade deles: Poor Leno ganhou o MTV Europe Awards pela animação do ursinho de pelúcia e Remind Me na hora me lembrou as saudosistas peças do Lego.