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Archive for the ‘DESTAQUE’


Retrospectiva: Garbage

O post de hoje é mais uma homenagem do que propriamente uma retrospectiva a uma de minhas bandas favoritas: Garbage. Aproveitando o lançamento em 2007 da coletânea de sucessos “Absolute Garbage”, que marcou uma incerteza no destino no grupo, falarei brevemente de seus quatro trabalhos.

Quando tudo começou
O nome surgiu de um comentário negativo de alguém que, ao ouvir a fita demo, achou as músicas um “lixo” (garbage em inglês).  Butch Vig, renomado produtor musical de bandas como Nirvana e The Smashing Pumpkins, se reuniu com seus amigos Duke Erikson e Steve Marker para formar a banda, cuja vocalista foi escolhida por acaso em um playlist de vídeos da MTV. Shirley Manson, que ainda fazia parte da extinta banda Angelfish, foi a escolhida para completar o quarteto.

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The Raveonettes

The Raveonettes

The Raveonettes - Lust, Lust, Lust (2008)

A maioria das bandas, ao longo da carreira (seja ela curta ou muito extensa), sofre diferentes influências que determinam o estilo do projeto a ser produzido. Percebo isso em minhas bandas favoritas, como Garbage e The Cardigans. Às vezes o resultado não é muito satisfatório, o que implica em uma razoável queda na audiência dos fãs pela banda.

O dueto The Raveonettes, composto pelos dinarmaqueses Sune Rose Wagner e Sharin Foo, parece ficar longe dessa regra. Desde o primeiro álbum, “Whip It On” - o single de estréia, Attack Of The Ghost Riders, cravou na minha cabeça por um bom tempo -, nota-se a preocupação de seguir um estilo até com as roupas, tudo para dar o clima de nostalgia que os anos 50 e 60 proporcionaram; as capas dos discos lembram pôsteres de filmes noir , cujo toque de rebeldia remete à época de James Dean.

O som não poderia ser diferente. Mesmo com a proposta de fazer um rock alternativo sessentista, os barulhos distorcidos e estridentes durante os solos de guitarra são comuns - para não dizer a marca registrada da dupla -, que, em contrapartida, abafam uma vez ou outra os vocais afinados e sincronizados. Creio que nesse último trabalho as músicas retornaram à sua forma original, dando a impressão de que elas ficaram um pouco mais “pesadas” e não tão prazerosas de se ouvir (demorei para me acostumar com a primeira faixa, Aly, Walk With Me).

Como disse antes, tais mudanças podem afetar a preferência dos fãs, mas no caso dos Raveonettes isso talvez não aconteça, já que havia um tempo - o hiato se prolongou por três anos desde a gravação do terceiro disco, “Pretty In Black”, bem mais tranquilo de se escutar - que o casal não fazia tanto barulho assim. Acesse a página oficial e confira três vídeos de “Lust, Lust, Lust”.

 

Rihanna não é mais uma no mundo pop

Rihanna

Eu sei que irei me arriscar falando isso, principalmente, quando vivemos em uma era em que boa parte do meio musical parece ter a mesma cara e o mesmo produtor. Mas como conheço Rihanna antes dela estourar de fato, acredito que ela veio para ficar. Essa belíssima negra/mestiça de olhos verdes ganhou outra roupagem em seu som através do megaprodutor Jay-Z com o lançamento “Good Girl, Bad Girl”. Não somente no som, mas o seu visual ficou mais sofisticado e o seu cabelo a La Beckman lançou moda entre os fashionistas. O seu  primeiro álbum “A girl like me” lançou alguns hits, mas foi de fato o segundo que a tornou celebridade. Ok, você pode torcer o nariz para meninas bonitas dançando na MTV e associá-la a inaudível “Umbrella”, mas se ouvir o restante do álbum, certamente, mudará de opinião.

As minhas músicas preferidas são o Hip Hop “Sell me candy”; a baladinha perfeita para terminar com alguém intulada “Rehab”; “Shut up and drive” um rock pop bem feito e “Dont stop the music” perfeita para as pistas, tanto que já ganhou mais versões em remix. Novas Mariahs irão sempre surgir com hits perfeitos para as rádios, mas é aí que entra o bom Pop Rock R&B que ela canta. Ela se diferencia, pois sua voz não é de graves ensurdecedores e nem fica restrita as baladinhas açucaradas . Além disso, suas letras são mais ousadas e o seu comportamento não é de diva intocável. Ah! Esquece o preconceito e se jogue no som da menina, ela tem talento e veio para ficar. Eu espero.

Duplas dinâmicas (parte 3)

No último post sobre as duplas de homens que vivem de música eletrônica, Unkle mostra seu lado mais rock, abusando dos solos de guitarra; já os noruegueses do Röyksopp seguem os ventos da dance music, porém com músicas mais bem trabalhadas.

Unkle – War Stories (2007)

MTV era um ótimo recurso para eu me atualizar com o mundo da música alternativa – inclusive a eletrônica. Lembro que quando tinha de madrugar (setes horas da manhã para mim ainda é noite) para ir trabalhar, ligava no canal e me deliciava com os artistas que a programação normal não permitia transmitir. Unkle era um deles cujas produções televisivas me impressionavam. Não é à toa que a animação de Eye For An Eye ganhou o MTV Europe Awards de 2003. James Lavelle começou o projeto com Tim Goldsworthy, Josh Davis (hoje sob o codinome DJ Shadow) e um japonês chamado Masayuki KUDO, mas logo eles partiram para carreira solo e Richard File apareceu com novo parceiro. Todos tiveram fortes influências de hip-hop, acid jazz, o comecinho do tecnho e suas vertentes menos comerciais.

Junte tudo isso no liquidificador e o que você ouvirá é uma mistura inteligente de rappers com vocalistas da cena indie rock - os garotos já convidaram Thom Yorke do Radiohead, Richard Ashcroft do inexistente The Verve, Ian Astbury do The Cult e Josh Homme do Queens of the Stone Age –, uma boa dose de samples de filmes e, claro, as batidas eletrônicas. No terceiro disco da dupla “War Stories”, eles apelaram para o bom e velho rock, abusando sem limites dos solos de guitarra. E os vídeos continuam tão bem caprichados quanto os antigos; o vídeo de Burn My Shadow chega a assustar pelo destino traçado para o personagem de Goran Visnjic (ator que faz o médico no seriado E.R. – Plantão Médico). Dica: eles mantêm um blog para que seus fãs fiquem antenados com as novidades.

Röyksopp – The Understanding (2005)

Poderia dizer que não há nada de extraordinário nas músicas do Röyksopp. A princípio, não passaria de mais uma dupla que gosta da dance music e, conseqüentemente, decide seguir um atalho para o sucesso. Mas fama é o que eles não conseguiram, pelo menos mundialmente. Entretanto, parece que as empresas é que gostam mais do trabalho da dupla norueguesa, formada por Torbjørn Brundtland e Svein Berge. A Apple licenciou a canção Eple (que coincidência!) para usar como início do sistema operacional Mac OS X Panther.

Por aqui no Brasil, eles infelizmente tocaram sem parar, o que me fez perder um pouco a vontade de escutá-los com mais freqüência. Uma versão techno e irritante de What Else Is There tocou incessantemente nas rádios – e provavelmente nas casas noturnas . A culpa é da Antena 1 FM que fez questão de colocar essa música até enjoar seu ouvinte – ao menos é a versão original, mas que mesmo assim não combina em nada com o repertório deles. Bom, famosos ou não, eles sabem produzir uma boa música eletrônica, cujos efeitos são bem trabalhados na composição dela. São eles também que cantam, deixando uma ou outra faixa para um vocal feminino. Os vídeos são outra parte interessante do dueto, dada a criatividade deles: Poor Leno ganhou o MTV Europe Awards pela animação do ursinho de pelúcia e Remind Me na hora me lembrou as saudosistas peças do Lego.

Black Kids é o melhor do POP dos últimos tempos…

Black Kids

A melhor banda dos últimos tempos da última semana” é assim que cantou os Titãs ao se referir o culto dos jovens assíduos por novidades a cada estação. É sempre aquela situação: um amigo conta para outro sobre uma banda e esse divulga em seu blog  ou em outras redes sociais, o endereço do myspace. Imediatamente, ela se torna conhecida entre os descolados geeks. Em pouco tempo vem o estouro e o grupo que só era conhecido por demos grava um disco e se torna mais popular. Essa história irá se repetir, pois hoje o indie tem mais espaço e  eu estou me referindo ao Black Kids. Banda americana nascida há dois anos na Flórida que mistura rock com influências do pop da década de 80, como Erasure. A banda multiracial é bem vinda em tempos onde Obama tem influenciado grandes resenhas em nome da diversidade, mas o que é interessante aqui não é a aparência e sim a música.

Como explicou Raphael Caffarena em Partie Traumatic, o primeiro álbum, a banda tirou o pouco do som sujo que carregava no EP e se tornou mais leve. Todavia, acho que o Black Kids não perdeu a identidade e representa uma boa novidade para os ouvidos sedentos de experimentalismo pop. Talvez não tenham o mesmo sucesso numa parada lotada por Britneys e cachorrões do Hip Hop, mas é, sem dúvida, “o melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado”.

Faixas destaque:”Hit The Heatbrakes“; a música que dá nome ao disco: “Partie Traumatic”; a radiofônica e deliciosa “Listen To Your Body Tonight”; “Hurricane Jane”; “I’ve Underestimated My Charm”; o hit bem humorado  “I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How To Dance With You”; a minha preferida “Love Me Already”; “I Wanna Be Your Limousine” e a outra preferida que eu não consigo parar de ouvir “Look At Me (When I Rock Wichoo)”.

Boa música pop é isso aí!