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Archive for the ‘Agenda Cultural’


Cores japonesas em São Paulo

Pelo meu sobrenome, é fácil imaginar que sou meio oriental. Meu pai é filho de japoneses e fui criada com muita intimidade com esta cultura, que posteriormente aprendi a apreciar com olhos mais maduros e sobre a qual estudo sem parar. No entanto, até eu, apaixonada pelo Japão, me surpreendo quando vejo como a sociedade brasileira está assumindo os festejos do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Apesar de ser um dos grupos de imigrantes que chegou mais tarde ao Brasil (quase cem anos depois dos alemães e décadas depois dos italianos, para fazer apenas duas comparações), os japoneses sempre chamaram atenção. O idioma, que as primeiras gerações mantiveram a todo custo, os hábitos e especialmente sua aparência diferente sempre os distinguiram dos outros grupos brasileiros.

Mas o que faz dos festejos do centenário uma festa popular é a curiosidade e o interesse pela cultura japonesa. Seja pelo tradicional ou o hitech, o Japão é interessante.

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Marília Gabriela entrevista… e bem!

Não posso dizer que os programas de entrevista sejam os meus favoritos. Primeiro porque, dependendo do convidado, os temas podem me interessar mais ou menos. Depois, porque a maioria dos entrevistadores costuma ter algum tipo de desvio aparente! A maioria deles quer aparecer mais do que o entrevistado. Nessa categoria Jô Soares e o próprio Fausto Silva são praticamente imbatíveis. E também tem aqueles que são interessados no que o entrevistado tem a dizer, mas possuem carisma zero.

Entre mortos e feridos na guerra da audiência, destaca-se Marília Gabriela! Com inteligência e muito carisma ela comanda, desde 96 seu programa no GNT. Inicialmente com o nome de Aquela Mulher, e a partir de 98 como Marília Gabriela Entrevista.

Nascida em Campinas e formada em Psicologia e Artes Plásticas, além de ser professora primária, começou a trabalhar nas organizações Globo em 1969. Começou como estagiária do Jornal Nacional e desempenhou inúmeros papéis, passando por apresentadora de noticiário, repórter, fazendo coberturas e trabalhando como enviada especial. Hoje em dia, desenvolve paralelamente seu trabalho como atriz, tanto no teatro, como no cinema e na televisão.

Sua presença em frente das câmeras é marcante! E a lista de pessoas interessantes que já passaram por seu programa tem a mesma medida. Óbvio que as celebridades acabam ganhando mais atenção da mídia, mas não é raro que ela leve alguém não tão famoso para falar sobre algo realmente interessante. Nem preciso dizer que essas são minhas entrevistas preferidas.

No último dia 16, as entrevistadas eram a juíza Luciana Fiala e a diretora de cinema Maria Augusta Ramos que realizaram juntas o documentário Juízo que estreou recentemente. (Assim que assistir, volto para falar! ;))

Como sempre faz, Marília se colocou a disposição de seus entrevistados, tentando obter mais pensamento do que sensacionalismo. Com opiniões embasadas e longe de se colocar numa posição cheia de “achismos” ela consegue discutir diferentes pontos de vista com seus entrevistados. Não é raro que os entrevistados sejam vistos “pensando” para responder as perguntas, prova de que Marília consegue sair dos questionamentos óbvios e costumeiros.

Óbvio que ela não faz o programa sozinha. Fica evidente o cuidado da direção (Maria Helena Amaral) e do roteiro (Maria Thereza Pinheiro), além de uma ficha técnica imensa e cheia de pessoas interessantes. Se você ainda não assistiu, não perca…. vale a pena! O programa passa no GNT e você consegue consultar dias e horários aqui!

Brazil Next Top Model chega à final sem emplacar.

A Sony tentou! Isso não se pode negar. Ela foi lá, copiou a forma do programa americano (como todos os reality shows!) e colocou boca abaixo da galera mais esta competiçãozinha furréca como se fosse uma super atração! Mas, não dá. Sinceramente, não dá!

... e parece que vai haver continuação!

O equívoco começou com a escolha da apresentadora. Fernanda Motta não tem o carisma suficiente para manter o espetáculo em pé. Ela comete gafes uma atrás da outra. Horas tropeçando na língua portuguesa, horas com sua péssima dicção. Sem contar quando ela tenta ser espontânea e acaba se tornando a rainha do bola fora: - Olha ‘daonde’ você veio e aonde você chegou!!! - Diz ela para um das candidatas selecionadas.

Os jurados também não convencem muito! Ser mal-humorado é regra para trabalhar com moda? Ou será que é vontade de imitar os americanos e dizer ‘Olha  como somos cruéis e exigentes!’. Por favor!!! Paulo Borges, de todos parece ser o mais coerente. Alexandre Herchcovitch é mais ausente do que presente. Volta e meia some e colocam um convidado no seu lugar. Erika Palomino é a rainha do ‘não gostei’. Nunca espera nada de ninguém e sempre que uma das candidatas é eliminada parece que tirou um peso dos ombros.

As candidatas também, é verdade, não ajudam muito. A maioria se demonstrou mal preparada. Para quem quer ser uma Top Model, faltou bastante conhecimento. E nem estou falando em cultura geral não. Faltaram conhecimentos básicos da profissão e de como se comportar de maneira profissional.

Para a finalíssima, que acontece nesta quarta-feira próxima, chegaram Mariana Velho, Livia Maria e Ana Paula Bertola. Mais ou menos nessa ordem, me parecem ser as melhores.

Agora é esperar para ver quem ganha! E torcer para que na próxima edição seja dada uma melhorada total…. sim, meus amigos, provavelmente haverá próxima edição. Lá mesmo no site da Sony já consta ‘ano um’. Outros virão. Fazer o que, né?

Um lugar razoávelmente In(comum)!

Uma das coisas que eu mais gosto que aconteça comigo é alguém provar que eu estava errado sobre algo! Nada melhor para “acordar”, de vez em quando, do que você se surpreender com algo (ou alguém) com o qual mantinha uma relação bastante preconceituosa. Quem conhece meu Pequeno Inventário de Impropriedades sabe disso…A apresentadora passando frio em New YorkConfesso que sempre achei Didi Wagner, apresentadora do programa Lugar (In)comum , bastante chatinha e sem graça. Todas as vezes em que estava zapeando pela cabo e escutava sua voz bastante nasalizada, nem olhava direito para o que estava na tela e já mudava de canal.

Mas, ultimamente, por pura sorte, acabei vendo alguns dos seus programas e (que heresia!) acabei por gostar de, pelo menos, seus critérios de escolhas dos convidados. Nas últimas semanas Didi fez entrevistas/programas com Candis Cayne (uma transexual que é a mais nova sensação de Nova Yorque, atuando na série Dirty Sexy Money da ABC, onde tem um caso com um senador interpretado por Willian Baldwin); com dançarinas de um show burlesque (mistura de dança, comédia e strip-tease, inspiração completamente vintage!); com jogadores sobre os jargões do futebol; sobre fotografia na Big Apple; entre outros.

Didi Wagner, Candis Cayne e seu marido Dj MarcoSegundo ela, “Lugar (In)comum vai explorar as verdades e o comportamento de gente interessante, e profissionais das mais diversas áreas. Ela provocará situações engraçadas e curiosas através de matérias que desmistificam o senso comum, questionando jargões, tais como, toda mulher dirige mal”.

Claro que, nesta busca pelo “diferente”, a produção do programa acaba caindo algumas vezes na pura banalidade ou em assuntos /temas meio absurdos (vide “o homem que se comunica com pombos” [sic] e “a cuddle party”) ou ainda no clichê total do universo das Sex Shops (assunto mais batido, impossível!). De qualquer forma, como puro entretenimento, é uma opção menos idiotizante do que muita coisa que se vê na TV.

A apresentadora ainda peca por tentar extrair humor de todo assunto, afinal, o programa é para ser “descolado”, mas acerta nos momentos em que não deixa a entrevista caminhar pelo lado mais óbvio da notícia. E Didi parece ter consciência dessas escolhas. No último programa que assisti (sobre Candis Cayne) ela diz, em certo ponto da entrevista:

- Poxa, que bom que você não teve momentos difíceis com a aceitação pela família de sua “transformação”, senão o programa ia ficar aquela coisa triste, falando das dificuldades da vida.

Pois é, nem sempre a vida tem que ser dura! Ainda bem!

PS: Não, este post não foi patrocinado! Mas, é tão difícil ver algo decente na TV que, quando existe, tem que divulgar!