Uma das coisas que eu mais gosto que aconteça comigo é alguém provar que eu estava errado sobre algo! Nada melhor para “acordar”, de vez em quando, do que você se surpreender com algo (ou alguém) com o qual mantinha uma relação bastante preconceituosa. Quem conhece meu Pequeno Inventário de Impropriedades sabe disso…
Confesso que sempre achei Didi Wagner, apresentadora do programa Lugar (In)comum , bastante chatinha e sem graça. Todas as vezes em que estava zapeando pela cabo e escutava sua voz bastante nasalizada, nem olhava direito para o que estava na tela e já mudava de canal.
Mas, ultimamente, por pura sorte, acabei vendo alguns dos seus programas e (que heresia!) acabei por gostar de, pelo menos, seus critérios de escolhas dos convidados. Nas últimas semanas Didi fez entrevistas/programas com Candis Cayne (uma transexual que é a mais nova sensação de Nova Yorque, atuando na série Dirty Sexy Money da ABC, onde tem um caso com um senador interpretado por Willian Baldwin); com dançarinas de um show burlesque (mistura de dança, comédia e strip-tease, inspiração completamente vintage!); com jogadores sobre os jargões do futebol; sobre fotografia na Big Apple; entre outros.
Segundo ela, “Lugar (In)comum vai explorar as verdades e o comportamento de gente interessante, e profissionais das mais diversas áreas. Ela provocará situações engraçadas e curiosas através de matérias que desmistificam o senso comum, questionando jargões, tais como, toda mulher dirige mal”.
Claro que, nesta busca pelo “diferente”, a produção do programa acaba caindo algumas vezes na pura banalidade ou em assuntos /temas meio absurdos (vide “o homem que se comunica com pombos” [sic] e “a cuddle party”) ou ainda no clichê total do universo das Sex Shops (assunto mais batido, impossível!). De qualquer forma, como puro entretenimento, é uma opção menos idiotizante do que muita coisa que se vê na TV.
A apresentadora ainda peca por tentar extrair humor de todo assunto, afinal, o programa é para ser “descolado”, mas acerta nos momentos em que não deixa a entrevista caminhar pelo lado mais óbvio da notícia. E Didi parece ter consciência dessas escolhas. No último programa que assisti (sobre Candis Cayne) ela diz, em certo ponto da entrevista:
- Poxa, que bom que você não teve momentos difíceis com a aceitação pela família de sua “transformação”, senão o programa ia ficar aquela coisa triste, falando das dificuldades da vida.
Pois é, nem sempre a vida tem que ser dura! Ainda bem!
PS: Não, este post não foi patrocinado! Mas, é tão difícil ver algo decente na TV que, quando existe, tem que divulgar!