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Archive for the ‘Cinema’


É Proibido Falar do Holocausto aos Jovens?

Coincidência ou não, o fato é que essa semana após ter levado fotos para abrir um fórum no Orkut, meu perfil ficou marcado como ‘impróprio’ - perfil adulto. Como se não fosse exigido ter mais de 18 anos de idade para fazer parte de lá. Tudo porque, ao nomear as fotos com a palavra ‘holocausto’, ela caiu no filtro de censura que ele está usando. Sem apelação. Deveria ter um caminho para a pessoa explicar onde as fotos serão usadas. Nesse critério adotado por eles então, cai nessa malha fina, os que querem mostrar que o Holocausto existiu sim - que foi o meu caso -, como também, os neo-nazistas. Mais, também a turma do Revisionismo. Bem, ainda bem que viram que sou mesmo adulta …rsrs E já que fiquei ‘marcada’, aproveito para trazer alguns Filmes, Séries e Documentários, onde adultos e adolescentes verão o que foi essa bárbarie. Vem comigo!

Seguindo alguns, com uma pequena sinopse em cada um.

Olga“. 2004. Adaptado de um romance, que é a novelização de um caso real, conta a história da alemã Olga Benário, comunista que acabou se envolvendo com o grande líder também comunista Luís Carlos Prestes. Durante o governo de Getúlio Vargas, Olga foi presa e deportada para sua terra natal, indo parar na mão dos nazistas.

A Vida é Bela“. 1997. O filme pode ser dividido em duas partes muito bem definidas: a luta de Guido (vivido pelo também diretor Benigni) para conquistar seu amor Dora (interpretada por Braschi, mulher de Benigni na vida real) na primeira parte e a luta pela sobrevivência de sua família durante a Segunda Guerra Mundial na segunda metade do filme.

A Escolha de Sofia” (Sophie’s Choice. 1982). Para uma mãe, o destino fora cruel. Ela teve que escolher qual dos seus dois iria viver. É. Esse título, saiu das telas para as Emergências de Hospitais Públicos, onde a falta de material, leva aos abenegados médicos, escolherem qual paciente terá a chance de sobreviver.

Bent“. 1997. Na Alemanha nazista, no período que antecedeu a guerra, o gay Max é enviado para o campo de concentração de Dachau. Ele tenta esconder sua homossexualidade usando uma estrela amarela, que era a forma de identificar judeus, em vez do triângulo rosa usado para “marcar” os homossexuais. No campo se apaixona por Horst, um prisioneiro homossexual que usa com orgulho seu triângulo rosa.

Noite e Nevoeiro” (Nuit et Brouillard, 1955) monta um painel realista e comovente sobre os sofrimentos causados pelos campos nazistas, mesclando cenas coloridas e imagens de arquivo. É uma aula cruel de história, com toda a força que a realidade dos acontecimentos exigem.

Em “Uma Mulher Contra Hitler” (Sophie Scholl. 2005), alguns jovens, entre eles, dois irmãos lutaram contra a ditadura nazista por princípios éticos e religiosos. Presa juntamente com seu irmão, nega sua participação na distribuição de panfletos contra o regime, mas que deixa de mentir quando descobre que Hans Scholl confessou a verdade.

Um Homem Bom” (Good. 2008). Na Alemanha nazista, o professor universitário John Halder é um dedicado pai de família que divide a atenção entre seus dois filhos, sua mulher e sua mãe senil. Prestes a se aposentar, ele escreve um livro em que defende a eutanásia. Os nazistas se interessam pelo trabalho e John passa a pesquisar sobre o tema para o regime. Aos poucos, ele troca a jaqueta de professor pelo fardo do partido. Quando seu melhor amigo, um psiquiatra judeu, começa a ser perseguido, John percebe as devastadoras conseqüências de suas pequenas decisões.

O Pianista” (The Pianist, 2002) também enfoca uma história real. No caso, a de Wladyslaw Szpilman (Adrien Brody), um pianista judeu polonês que mora em Varsóvia quando os nazistas invadem seu pais. Ao poucos ele vê as pessoas ao seu redor serem mortas ou sumirem nos campos de concentração. Mas, por sorte, destino ou mero acaso, Wladyslaw consegue sair com vida da Segunda Guerra Mundial.

Nuremberg” (Nuremberg, 2000) é uma minissérie que mostra o julgamento dos principais lideres nazistas ocorrido em Nuremberg em 1946. Basicamente é o duelo ideológico entre o promotor americano Robert Jackson (Alec Baldwin) e o Marechal do Reich Hermann Goering (Brian Cox). No meio está o psiquiatra Gustav M. Gilbert (Matt Craven), que tenta entender como os réus puderam ser capazes de cometer tamanhas atrocidades. Mas quem rouba o filme é Colm Feore vivendo Rudolf Hoss, o infame chefe do campo de concentração de Auschwitz, que confessa sem arrependimento o assassinato de mais dois milhões de judeus ocorrido no local.

Os Falsificadores” (Die Falscher) conta a história verídica de Solomon Soeowitsch que em 1936 era considerado o rei das falsificações e portanto muito requisitado por muitos vigaristas de Berlim. A temível Gestapo de Hitler o prendeu. Graças aos seus talentos únicos foi poupado da câmara de gás, desde que colaborasse numa mega operação que envolvia outros falsificadores de renome e que consistia em produzir séries de notas para alimentar a guerra. Obviamente que Solomon e os outros falsificadores estavam perante um dilema moral - se não ajudassem os seus inimigos seriam mortos sem piedade, mas se ajudassem prolongariam a guerra e compactuariam com a morte de milhares de pessoas.

Holocausto” (Holocaust. EUA. 1978) - As atrocidades dos tempos de guerra contadas pela saga de duas famílias. Uma, judia, que vai sendo destruída pela violência do jugo nazista e outra, alemã, que alcança proeminência e riqueza durante os anos da Segunda Guerra Mundial.

Sobreviventes do Holocausto” (Survivors of the Holocaust. 1995). Documentário. Conta os eventos do Holocausto através do testemunho daqueles que sobreviveram ao terror. São registros e imagens de pessoas que sofreram o vasto impacto do nazismo e a vida contada 50 anos depois. Ao reviverem sua história, a emoção não pode ser contida. Aqueles que assistirem a este filme ficarão profundamente tocados.

É essencial que vejamos suas faces, ouçamos suas vozes e que entendamos que os terríveis acontecimentos do holocausto foram para pessoas“. (Steven Spielberg)

História de Auschwitz - A fábrica da morte do império nazista“. Documentário produzido sobre Auschwitz pela BBC. O campo de concentração e extermínio, onde 1,5 milhão de pessoas foram assassinadas durante a 2ª Guerra Mundial. O filme traz depoimentos de sobreviventes, entrevistas com soldados e oficiais alemães que participaram de execuções em massa, imagens das câmaras de gás e revelações sobre o cotidiano de Auschwitz.

Olhos Do Holocausto” (A Holocaust szemei. 2000). Intercala recordações de sobreviventes com imagens de arquivo que ilustram os depoimentos. O foco é a infância nos tempos do nazismo. Como ponto de partida para dividir o documentário por assunto, filmaram uma menina lendo verbetes de uma enciclopédia chamada “Eyes of the Holocaust”. Depois da definição de termos como anti-semitismo, gueto, deportação e crematório, cada entrevistado dá o seu depoimento pessoal sobre o significado da palavra.

Julia“. 1977. Duas amigas de infância trilham caminhos diferentes: a mais rica, Julia (Vanessa Redgrave), foi estudar em Viena e a outra, Lillian Hellman (Jane Fonda), se tornou escritora, que quando alcança a fama é convidada para ir a União Soviética. Julia, que vive na Europa, lhe pede que contrabandeie dinheiro através da Alemanha para ajudar as vítimas do nazismo, que se encontrava em ascensão meteórica. A missão apresentava perigo, pois Lillian era uma intelectual judia que rumava para a Rússia comunista. As duas têm um rápido encontro e a escritora fica sabendo que Julia tinha uma filha. Logo após retornar para a América do Norte, Lillian fica sabendo que sua rica amiga foi assassinada. Ela então viaja para a Inglaterra na esperança de encontrar a filha de Julia, a quem tinha prometido cuidar.

Cinzas da Guerra” (The Grey Zone, 2001) mostra um fato obscuro da Segunda Guerra: a atuação dos Sonderkomando. Eram os judeus que tinham a trágica missão de conduzir seu povo para dentro da câmara de gás. Depois, recolhiam os pertences dos cadáveres e os levavam ao forno crematório. Como prêmio, viviam um pouco mais. Mas um destes grupos no campo de concentração Auschwitz resolve se rebelar e explodir o forno crematório. Realista por demais, Cinzas da Guerra, é para quem tem estômago forte.

O Dossiê de Odessa. 1974. Hamburgo, 22 de novembro de 1963. Peter Miller (Jon Voight) é um repórter que pára seu carro para ouvir notícias sobre o atentado em Dallas, que matou o presidente Kennedy. O simples fato de parar alguns segundos no meio-fio foram o ponto de partida para Miller alterar totalmente sua vida, ao descobrir que Solomon Tauber (Towje Kleiner), um velho judeu, cometera suicídio. Karl Braun (Gunnar Möller), o delegado encarregado do caso, disse que ali não havia história alguma para ser contada, mas pouco tempo depois o mesmo delegado entregou para Miller vários manuscritos de Tauber, que foram encontrados ao lado do seu corpo. Tauber relatou que todos os amigos tinham sido mortos, mas os assassinos continuavam vivos e livres. Tauber narra que quando foi para Riga, um campo de concentração, juntamente com Esther (Mirian Mahler), sua mulher, conheceu Eduard Roschmann (Maximilian Schell), o chefe da SS conhecido como “O Açougueiro”, pois os judeus valiam mais mortos que vivos.

A Lista de Schindler” (The Schindler’s List, 1993) conta a saga de Oskar Schindler (Liam Neeson), um industrial e membro do partido nazista que acabou salvando a vida de 1100 judeus, enquanto driblava a sanha assassina do chefe da SS local (Ralph Fiennes).

Um Dia De Outubro” (A Day In October. 1990). Na II Guerra Mundial, durante a ocupação alemã na Dinamarca, ao acolher um jovem da resistência ferido, uma jovem judia coloca sua família em perigo. Eficiente drama de guerra, que discute o dilema de as pessoas agirem de acordo com suas convicções ou preservarem a segurança pessoal e o conforto.

Trem da Vida” (Trains de Vie. 1998). Com a notícia do avanço dos soldados alemães, um grupo de judeus numa pequena província decidem que devem partir. Mas como? Juntos, seria difícil pois iriam levantar suspeitas. Eis que, o mesmo que trouxera a notícia, também traz a solução: montar um trem de deportação e uns, se passariam por alemães. Assim, teriam uma chance para fugirem da perseguição nazista. E com isso somos brindados com cenas hilárias e emocionantes.

A História De Hanna” (Hanna’s War. 1988) - Jovem judia húngara abraça a causa sionista nos anos 30 e vai para a Palestina. A Segunda Guerra e a perseguição aos judeus a fazem retornar à Europa como agente treinada pelos ingleses, mas ela é presa e enfrenta a tortura e a humilhação dos nazistas. Baseado em fatos reais.

Mais Tarde, Você Vai Entender…” (Plus tard, 2008). Rivka, senhora judia que vive rodeada de objetos do passado, prepara o jantar para seu filho Victor, enquanto acompanha na televisão o julgamento de Klaus Barbie. O ano é 1987, e o ex-líder da Gestapo, conhecido como o “açougueiro de Lyon”, finalmente enfrenta a justiça por seus crimes no Holocausto. Em seu escritório, Victor trabalha organizando os documentos e cartas que contam a história de sua família e também assiste o julgamento. É quando Rivka reconhece na TV a voz de uma das testemunhas, a voz de um sobrevivente, que despertará emoções profundas entre mãe e filho.

O Longo Caminho para Casa” (The Long Way Home. 1997). A trajetória dos sobreviventes do Holocausto, que logo depois lutaram para a fundação do Estado de Israel.

A Onda” (The Wave. 1981). O poder corrompe? Quando a dedicação a um grupo passa da lealdade para o fanatismo? Qual a natureza da propaganda e da persuasão em massa? Pode o nazismo voltar a ocorrer?
A Onda, filme produzido para a televisão e baseado em história verídica de uma experiência realizada em escola norte-americana, induz a estes questionamentos. Durante uma aula sobre o nazismo na Alemanha, quando um aluno insistia em dizer que ‘isso jamais aconteceria aqui’, o professor resolve criar as condições necessárias para o nascimento do grupo, com características nazistas, denominado ” A onda “.

Para encerrar, cito “Escritores da Liberdade” por mostrar que uma parcela da juventude desconhece completamente o que foi o Holocausto. Mas diferente da didática do professor do filme “A Onda”, a professora aqui, deu a eles outro caminho, o do respeito a todos.

O Holocausto existiu sim. Se fazem tantos filmes, é para manter viva essa página da História da Humanidade. Mas há quem queira provar que não existiu. E nesse caminho… sobrou para o livro ‘O Diário de Anne Frank‘. Se alguém quiser ler, há um artigo onde contesta a veracidade dessa história, aqui. Bem, se Anne Frank, existiu ou não, o que importa é a história em si. E continuar falando, para que pelo menos sirva de lição as novas gerações. Que façam do mundo um lugar sem fronteiras, sem guetos, sem preconceitos…

Primeiro levaram os negros. Mas não me importei com isso. Eu não era negro. Em seguida levaram alguns operários. Mas não me importei com isso. Eu também não era operário. Depois prenderam os miseráveis. Mas não me importei com isso. Porque eu não sou miserável. Depois agarraram uns desempregados. Mas como tenho meu emprego. Também não me importei. Agora estão me levando. Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém. Ninguém se importa comigo.” (Bertold Brecht)

Em solidariedade a todas as vítimas, eu não me calarei!
See You!

Michael Nyman - um poeta da música!

Ritmo, tempo, melodia, metáfora. Palavras que servem para definir as partes constantes da música, mas que também servem para a poesia e outras áreas artísticas. Ferramentas… que não mão de um artista medíocre não passam de artifícios para nada, mas que na mão de um artífice como Michael Nyman viram verdadeiras obras primas que emocionam/encantam/entristecem/movem quem as ouve.

Michael Nyman já realizou diversas obras, mas certamente é através das trilhas para o cinema que ele é facilmente reconhecido. “O Piano”, “O diário de Anne Frank”, “O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante”, “Carrington”, “O Quarto do Filho” e “O Libertino” são apenas alguns trabalhos assinados por ele. - Uma lista completa você acessa no Wikipédia ou pode acessar na LastFM - Aliás, uma parceria de sucesso é com o diretor Peter Greenaway que rendeu inúmeros sucessos.

Eu já o usei para compor alguns posts do meu blog. Aliás, quando estou sem muita inspiração, nada melhor do que colocar alguma música dele e deixar com que a “história” cresça/apareça com ela. Isso aconteceu aqui. No meu blog ele só perde em “inspiração” para Arvo Part.

Provavelmente voc~e já deve ter ouvido algumas músicas dele, obviamente sem saber que eram dele! Abaixo eu coloco algumas que eu adoro. Espero que gostem!!!

Uma prévia da Mostra Internacional de Cinema

No último sábado, 11/10, aconteceu a coletiva de imprensa no Unibanco Arteplex do Shopping Frei Caneca, em São Paulo, para promover a 32ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo, que iniciará sua programação a partir de 17/10. O filme escolhido para os presentes foi o filme francês “Horas de Verão”.

 

Título original: L’Heure d’ÿté (2008, França)
Elenco: Juliete Binoche, Charles Berling, Jérémie Renier, Edith Scob
Diretor: Olivier Assayas

O filme conta a trajetória de três irmãos, Frédéric (Charles Berling), Jérémie (Jérémie Renier) e Adrienne (Juliette Binoche) que enfrentam a morte súbita de sua mãe Hélène (Edith Scob) aos 75 anos, cuja herança compreende obras de artes valiosas de Paul Berthier, tio-avô deles.

Percebi que o filme retrata os diferentes pontos-de-vista sobre o que é ser valioso na vida de cada um. A própria falecida, quando abordou o assunto de sua provável morte com seu filho mais velho Frédéric - o único que ainda reside na França -, antecipou os possíveis conflitos que sua família poderia ter quando começasse o espólio e a venda da casa em que ela vivia. Frédéric, ao contrário dos outros dois irmãos, se sente bastante apegado à casa, lugar onde guarda suas lembranças de infância com toda a famíia. Jérémie, por sua vez, está mais preocupado com o futuro promissor de sua carreira no exterior (ele é supervisor de uma fábrica de artigos esportivos na China), assim como o da sua família. Adrienne é uma designer que já mora há algum tempo em Nova York, fazendo da sua vinda à Europa cada vez menos frequente.

Entretanto, a questão do inventário e da venda da casa não é o tema principal no filme, visto que essa burocracia é resolvida com muita praticidade e sem rodeios. Como disse antes, é o valor que cada um dos personagens tem em relação ao que é deixado como herança. Para uns, o dinheiro a ser arrecadado na venda da casa é mais importante (devido às necessidades financeiras de cada um, como no o caso de Jérémie), para outros, o valor das obras de arte valem mais pelo cunho histórico do que o sentimentalismo da família (como é o caso de Adrienne, que preferiu desde o início fazer doação para um museu). Para outros ainda, o valor que um objeto da casa representa é mais do que o conhecimento artístico sobre ele, é a única lembrança viva de alguém que não está entre nós.

O filme ainda consegue mostrar, mesmo que em segundo plano, o conflito com a nova geração, aqui representado pelos dois filhos adolescentes de Frédéric; há uma cena em que a filha desdenhosamente comenta que as pinturas de Paul Berthier não são o seu estilo - fiquei pensando como deve ser o estilo de arte que um adolescente no dias de hoje conhece e prefere.

Serviço:

  • 32ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo
  • Quando: De 17 a 30 de outubro de 2008
  • Quanto: Ingressos permanentes: R$ 390,00 (integral), R$ 90,00 (especial), R$ 165,00 (pacote de 20 ingressos), R$ 285,00 (pacote de 40 ingressos). Ingressos individuais: R$ 14,00 (inteira) e R$ 7,00 (meia) de segunda a quinta, R$ 18,00 (inteira) e R$ 9,00 (meia) de sexta, sábado e domingo
  • Onde: confira em breve mais informações no site oficial
  • Visite também o blog oficial para outras novidades

 

Com os Filmes, um Tour pelo Oriente Médio

Uns dias atrás, li que o Turismo por regiões em conflitos está sendo bem rentável. Eu, mesmo com todas as belezas naturais, não iria. Preferindo conhecer certos lugares através dos filmes. E para quem quiser fazer o mesmo, trago hoje um tour pelo Oriente Médio, e um pouco além. Vem comigo!

Se na infância, o que vinha de toda essa região do planeta, eram as histórias das Mil e Uma Noites, atualmente o que os noticiários nos trazem maciçamente, são as guerras. Internas e externas. Dependendo de quem quer que ela seja divulgada. Me faz lembrar da frase dita por uma jornalista ao seu chefe que abortara a sua reportagens por ordens superiores, essa:

Se ninguém ver, talvez signifique que não tenha acontecido.”

Ou como, querem que seja divulgado a notícia. Às vezes fazem de um cordeiro, um leão. Certeza mesmo, temos que há o interesse material por trás de tudo. As tidas guerras santas, as ideologias são apenas para fazer a cabeça do povão.

Por vezes, ficamos nós presos aos esteriótipos que nos passam. Foi até para clarear a impressão que eu tinha dos homens-bombas, que assisti “Paradise Now“. Limpar, limpou, mas não a ponto de aceitar tal coisa. Fora dos bancos escolares, se quisermos saber mesmo o que de fato ocorre por lá, precisaremos fazer uma filtragem nas News. Ou, usar também um filtro nas histórias que os livros e os filmes contam. No filme “O Preço da Coragem” (A Mighty Heart), uma jornalista, por conta de vivenciar um grande drama - o marido ser seqüestrado por ser americano, judeu, e repórter de um influente jornal -, ela tenta ser imparcial no relato. O filme é baseado num caso real.

Num resgate às lembranças da infância, temos alguns Animações, ou mesmo filmes do tipo sessão-da-tarde, para mostrar um pouco de tão rica são as histórias dessa região. Tais como: “Ali Babá e os Quarenta Ladrões“, “Aladim e a Lâmpada Maravilhosa“, “Simbad, o Marujo“, “As Mil e Uma Noites” (Nights Arabian)… Assim, a Sherazade que há em nós, pode passar aos mais jovens que com criatividade podemos ir longe. E numa visão bíblica, o “O Príncipe do Egito“.

Ao fazer uma pesquisa, eu encontrei um, que fiquei com vontade de ver. ÿ esse: “As Aventuras de Azur e Asmar“. ‘A história de Azur e Asmar é disfarçadamente armada para fazer ponte com a atual relação entre europeus e africanos/árabes. Durante a ação, situações de choque entre uma cultura e outra, mostrando o quanto a intolerância entre Ocidente e Oriente é absurda. ÿ antes de tudo um filme sobre descobertas. Sobre abrir a cortina que esconde a beleza de uma cultura e desvendar seu colorido, sua estranheza e complexidade.‘ Tem mais aqui.

Outro filme, que ainda atrairia um público jovem para uma aula de história disfarçada, é o “O Caçador de Pipas“. Com a invasão do Iraque, o Bush achou que tudo terminaria logo, mais ainda há distúrbios. Pior, os talibãs estão ganhando terreno. Para conhecer um pouco mais dos conflitos ocorridos no Afeganistão, que inflamou a esses fanáticos, além de saber como e porque o Congresso dos Estados Unidos ‘cooperam’ com os que estão em guerra, cito dois: “Jogos do Poder” e “Tiros em Columbine“.

Também onde podemos ver um passado mítico daquela região, seriam em alguns Clássicos, tais como: “O Rei dos Reis“, “Os Dez Mandamentos“, “José e Seus Irmãos“, “Ben-Hur“, “Cleópatra“, “David e Betsabá“, “Spartacus“… São filmes que as televisões costumam passar próximo ao Natal. Mas já fica um adendo em conferir também a geografia do local.

Se a geo-política dessa região já era uma babel no passado longínquo, atualmente é um barril de pólvora. Mais que conquistar territórios como na época das Cruzadas, o agora é marcar o território com companhias petrolíferas. Com acordos entre nações que nem vizinhas são. Essa paz sedimentada pelo ouro negro, foi o que ocorreu entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita. Mas até quando essa paz resistirá? Eu já listei para ver o “Syriana - A Indústria do Petróleo“.

Na guerra, o único heroísmo é sobreviver“. (Samuel Fuller)

Há uma safra de filmes que estou pretendendo ver. Um deles, é o “O Suspeito” (Rendition), onde um egípcio é torturado, de acordo com a lei Extreme Rendition, por ser suspeito de ser terrorista. Baseado em fatos reais. Outro, “O Reino” (The Kingdom), quando um terrorista detona uma bomba no interior de uma zona residencial americana em Riad, na Arábia Saudita, desencadeia um incidente internacional. Agentes do FBI e oficiais sauditas na caça ao terroristas. Juntos? Irei conferir. Também o Documentário “Caminho para Guantánamo” (Road to Guantanamo), onde três jovens britânicos com origem paquistanesa são levados presos por suspeita de terrorismo. E eles eram inocentes. Esse outro, o “Rede de Mentiras” (Body of Lies), no qual um ex-jornalista ferido na Guerra do Iraque é contratado pela CIA para ajudar na captura de um líder da Al Qaeda na Jordânia. Mais um seria o “Nesse Mundo” (In This World), onde dois refugiados do Afeganistão que viviam em um campo em Peshawar tentam escapar para a Grã-Bretanha, procurando uma vida melhor. A perigosa jornada os leva até a “rota da seda”, passando pelo Paquistão, Irã e Turquia, até chegarem a Londres.

Fiquei com vontade de também ver esse filme documentário: “Onde no mundo está Osama Bin Landen?“. ‘O Diretor Morgan Spurlock está decidido a encontrar SOZINHO a pessoa mais ?não encontrável? do planeta. Se o FBI e a CIA não conseguiram ainda, talvez ele seja nossa última esperança não é?  Usando uma narrativa documental repleta de humor ácido, semelhante ao quem vemos nas produção de Michael Moore, o filme mostra a jornada de Morgan pelos locais que possam servir de esconderijo do terrorista mais procurado do mundo.‘ Tem mais aqui.

Ainda na linha de comédia, deixo a sugestão do “A Banda“, onde egípcios e israelenses para se entenderem fazem uso da língua inglesa. Mas também mostra que o que realmente nos difere, são os muros das fronteiras. Isso claro, para nós seres pacíficos.

E para terminar, um que envolve guerras por etnia e religião, onde uma mãe abdica de seu único filho, o único que o horror da guerra não matou, para que ele sobreviva. Mais, para dar a ele a chance de ser alguém. O filme é “Um Herói do Nosso Tempo” (Va, Vis et Deviens). Ele foi um dos sobreviventes da Operação Moisés, que o governo israelense resgatou em 1984, no Sudão.

Por fim, quem sabe um dia, uma Sherazade surja a cada um desses fomentadores de guerras, e os façam parar, por mil e uma noites, como também mil e um dias. E então, os outdoors com paisagens bucólicas virão nos mostrar e convidarmos a conhecer um Novo Oriente Médio. Um reino de paz e fantasias!
See You!

A cegueira e a desumanização

Vamos partir do princípio de que este não é um post imparcial. Não mesmo. Este post está sendo escrito por alguém que leu o livro Ensaio sobre a Cegueira do Saramago e imediatamente pensou: Este livro dá teatro! Este livro dá cinema! Este livro é brilhante! Esta mesma pessoa fica extremamente intrigada por não entender porque diabos o mundo inteiro não leu este livro ou não está vendo (agora! já! pára de ler e vai lá!) o filme dirigido por Fernando Meirelles.

Ensaio sobre a Cegueira (Blindness) é em minha opinião a melhor realização de Meirelles! (Aliás, já começo aqui a campanha “Meirelles, deixa eu atuar pra vc?“) Eu sei que muita gente vai dizer que Cidade de Deus é perfeito e bla-bla-blá… mas nesse novo filme ele se supera e cria uma obra de arte total, onde forma e conteúdo dialogam de tal forma que é impossível sair do cinema dizendo o que mais agradou.

A mão precisa do diretor está presente em todas as etapas do processo (a fotografia de César Charlone, a montagem de Daniel Rezende, a trilha de Marco Antônio Rodrigues / Uakti) equalizando e criando uma coisa rara no cinema brasileiro: LINGUAGEM! Neste Ensaio, o diretor faz muito mais do que contar uma história: ele cria metáforas que ampliam/revelam o conteúdo do livro. Desde os planos desfocados e que mostram os personagens através de seus reflexos no início do filme até a câmera documental que nos mostra os personagens cara-a-cara nos momentos finais. Ponto positivo para a leveza (tão questionada por alguns!) que nos permite “suportar” o filme durante as duas horas de projeção e os momentos “ternos” que nos permitem a identificação com aquele grupo de pessoas em situação tão deplorável. Chorei na cena da rádio! Chorei na cena em que se decide se as mulheres deverão ou não se entregar para a Ala3! Chorei no banho da mulher morta!

Ouvi muitas pessoas dizendo que não há nenhuma grande atuação no filme e concordo com isso! Afinal todos os atores do “grupo principal” têm seu momento no trabalho e criam tal consistência para aqueles personagens sem nome que fica praticamente impossível escolher um trabalho em especial. Mas Julianne Moore consegue transmitir muito do que imaginei lembro o livro. Uma personagem que é mais do que vemos na cena. Alice Braga me surpreendeu positivamente (ainda não estava tão convencido de suas possibilidades!) e Gael Garcia Bernal é o cara (ponto!). E ainda temos a participação dos japoneses Yusuke Iseya e Yoshino Kimura com uma cultura tão distinta dos outros personagens e, por isso mesmo, auxiliando a criar um clima de “em qualquer grande metrópole”.

E, se ainda não bastasse todo esse acabamento técnico incrível, ainda existe a história! Você sabe qual é, né? Não? Onde esteve nas últimas semanas? (rs)

Uma epidemia de cegueira branca espalha-se rapidamente em uma grande metrópole mundial. Um grupo de pessoas é recolhido em quarentena e passa a viver em uma situação degradante onde todas as mazelas do mundo parecem rapidamente se mostrar aplicadas neste micro-cosmo. A que ponto de degradação e desumanização pode chegar o ser-humano?  Unidos pelo destino, um grupo de pessoas forma um grupo que acompanhamos durante sua quarentena e depois de sua fuga deste local.

Todos esses acontecimentos não querem nos contar uma historinha boba e hollywoodiana (como eu li em algumas críticas reclamando de “detalhes” do roteiro!). O livro investe claramente na construção dessa metáfora sobre a falta de visão da humanidade, da NOSSA falta de visão sobre as coisas. Afinal de contas: no que estamos nos tornando? Aonde nossa falta de visão nos levará? O filme segue no mesmo caminho, escolhendo corajosamente ser uma grande obra de arte e não um filme banal sobre uma catástrofe.

Poderia ficar horas aqui escrevendo sobre o filme e o livro… realmente saí tocado do cinema! E se você conseguiu chegar até aqui na leitura do post talvez se interesse por alguns outros materiais: o blog com um diário das filmagens escrito pelo próprio diretor; uma crítica muito bem escrita por Juliano Mion para o Cine Players (se você fuçar por lá encontra outras coisas sobre o filme!) e o site do filme em português.

Uma pena que alguns críticos de cinema ficaram se atendo a aspectos menores do filme, gerando uma expectativa ruim sobre ele. Como se vê, existem vários tipos de cegueira por aí. Algumas criadas por uma necessidade de se seguir certos padrões e/ou dogmas estabelecidos. Ainda bem que Fernando Meirelles nos oferece outro tipo de trabalho!