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Archive for the ‘Música’


Duplas dinâmicas (parte 1)

É difícil encontrar cantores em meu acervo musical, já que tenho uma queda longa pelas vozes femininas. Entretanto, quando dois homens se juntam para tocar, programar, produzir ou mesmo arriscar suas cordas vocais, meus olhos – e ouvidos – se voltam com a máxima atenção. Pensando na imbatível dupla dinâmica mais famosa do mundo, resolvi fazer uma breve trilogia (com direito a dobradinha para cada capítulo) dos duetos masculinos que eu mais tenho apreço no cenário da música eletrônica.

Air – Pocket Symphony (2007)

Quando se fala na França, a primeira dupla que vem à cabeça é o Daft Punk. Na mesma época em que os dois robôs surgiram com o hit grudento Around The World, Jean-Benoît Dunckel e Nicolas Godin também deram suas caras – sem capacetes ou máscaras – na cena eletrônica do final dos anos 90. Suas músicas com ritmo lento e hipnótico, cujas batidas sintetizadas soam suaves aos tímpanos, renderam muitos fãs. E entre tantos fãs, quem imaginaria que Sofia Coppola chamaria o dueto para compor a trilha sonora de seu filme “As Virgens Suicidas”. O americano Beck também foi um que se interessou pelo trabalho deles e contribuiu com duas faixas do disco “1000Hz Legend”.

Em seu quarto álbum de estúdio “Pocket Symphony”, Air continuou do mesmo jeito, fazendo músicas para relaxar o corpo e deixar o espírito em paz. As vozes robotizadas, ao contrário do que se pode pensar, não tornam suas canções estranhas, já que os instrumentos ajudam e muito a alinhar o tom das músicas (fico sensibilizado quando escuto o piano em Once Upon A Time). Mesmo assim, só para quebrar um pouco o gelo, Jarvis Cocker aparece de sopetão em One Hell Of A Party. Se quiser saber mais um pouco sobre as letras, confira o que cada um deles falou, faixa por faixa.

Funkstörung – Disconnected (2004)

O site deles ainda está no ar, mas a dupla não.. . infelizmente. Foi uma das poucas notícias que me decepcionou bastante sobre bandas que terminaram – ou duplas, como no caso deles, que se separaram – e cada um acabou seguindo seu próprio caminho. O MySpace é mais um link que eles fazem questão de manter ativo para novidades, apesar do aviso de obituário: “Funkstörung is dead!”. Michael Fakesch e Chris De Luca começaram remixando músicas de outros artistas – entre eles Björk, cuja versão de All Is Full OF Love ficou muito estranha e difícil de ouvir até o final -, até que lançaram seu primeiro trabalho, “Appetite For Distruction”.

Aqui eles ainda estão bem experimentais, seguindo a linha do IDM (Intelligent Digital Music), cujas batidas profundas e disformes mais parecem barulhos de vidros trincando do que melodias propriamente ditas – e o hip-hop aparece timidamente em algumas músicas. Mas é no segundo (e último) álbum que eles conseguem unir a esquisitice do IDM com o rap cantado; o resultado é surpreendente e bem diferente do que tinha sido mostrado no trabalho anterior. Um convidado desconhecido de nome Enik ambientou as músicas com sua voz firme e rude, sendo que Lou Rhodes, também dotada de um vocal rouco mas marcante, cantou com muita emoção em Sleeping Beauty. É uma pena eles não estarem mais juntos para fazer música, mesmo que seja só para fazer ruídos de portas rangendo. ;)

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Imogean Heap + Guy Sigsworth = Frou Frou

Frou Frou - Details (2002)

Nunca ouvi com atenção o trabalho dessa britânica que gosta de fazer tudo sozinha – seus álbuns tiveram produção própria, inclusive as músicas que foram escritas por ela mesma -, mas tenho de admitir que essa combinação entre Imogean Heap e Guy Sigsworth foi muito positiva. A voz exótica e de várias tonalidades de Imogean e os arranjos eletrônicos de Sigsworth resultaram no projeto chamado Frou Frou - pelo que eu li, é uma onomatopéia francesa para o barulho das saias longas que se reviram enquanto as mulheres dançam freneticamente.

Para quem conhece o trabalho de Sigsworth vai perceber imediatamente que os teclados e as flautas indianas são a marca registrada dele. Guy já tem seu reconhecimento de produtor firmado com artistas consagrados do mundo pop: Seal (ele ajudou a compor o sucesso Crazy), Madonna (What It Feels Like For A Girl), Björk (um remix maravilhoso de All Is Full Of Love e co-produção em outras músicas da islandesa) e até a cantora-que-gosta-de-fazer-polêmica Britney Spears (prefiro não fazer comentários sobre essa loirinha).

Imogean, por outro lado, só deve ter feito mais sucesso no Mundo Velho, já que sua birra com gravadoras é um empecilho para que ela seja melhor divulgada pelas bandas de cá. Entretanto, essa briga mal resolvida não foi problema para suas músicas tornarem parte de seriados de TV – o extinto “The O.C.”, pessimamente traduzido pelo SBT como “Um Estranho no Paraíso” - e até de filmes – “Shrek 2″, com um segundo cover de Holding Out For A Hero assinado pelo próprio Frou Frou.

Imogean provavelmente sofreu fortes influências da parceria com Guy, visto que seu segundo disco, “Speak For Yourself”, pareceu imitar as façanhas eletrônicas de seu colega. Pode ser que Frou Frou não tenha mais continuação, mas os dois continuam mais amigos do que nunca.

P.S.: só por curiosidade, ouça aqui como se pronuncia o nome dela. ;)

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Róisín Murphy

Róis�n Murphy

Os pobres mortais da década de 90 conheceram de perto o burburinho em torno do movimento Trip-Hop. Foram inúmeros os artistas classificados  como pertencentes ao gênero que nasciam da bem sucedida mistura do jazz, Hip Hop e house na charmosa Londres. Um deles foi o festejado Moloko com seu maior hit, o  “Fun for me“. O videoclipe permeava constantemente o extinto “Non Stop”, ótimo programa da MTV onde os descolados viam na madrugada o que de melhor havia no underground inglês e americano. No programa rolava MaxWell, Jamiroquai antes de estourar, Smoke City, dentre outros.

Bem, mas o assunto aqui é Róisín Murphy, a ex-vocalista do Moloko. Fashion e incrivelmente bonita com seu ar vintage, Róisín Murphy desponta como uma das melhores cantoras do Reino Unido. José falou no inicio da semana sobre o Moloko e sua fase inicial, mas o último álbum solo de Róisín Murphy, o “Overpowered”, mostra com quantas batidas eletrônicas, vozes sexys e arranjos pop fazem um bom disco que representa bem a música inglesa jovem desse milênio.

Não há como se apaixonar pelo som de “You Know me Better”, “Overpowered”, “Foolish”, “Sweet Nothings”, aliás, todas as músicas do álbum são boas e eu nem me atrevo a esquecer de nenhuma . Veja o vídeo dela apresentando ao vivo o hit “You Know me Better” numa rua de Londres. Em seu Myspace ou no LastFm é possível ouvir as músicas de “Overpowered”, além disso recomendo o álbum anterior intitulado “Ruby Blue” você vai virar fã com certeza.

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Do you like my tight sweater?

Moloko - Catalogue (2006)

A história de Róisín Murphy e Mark Brydon é bem engraçada. A situação, por ser bem inesperada, foi o motivo pelo qual o primeiro álbum da dupla se chama “Do You Like My Tight Sweater?”. Róisín, pelo visto, sempre se demonstrou ser a mais extrovertida – foi dela a abusada pergunta para tentar fisgá-lo (namoraram por um bom tempo, hoje são só amigos).

“Catalogue” reúne as principais músicas que deslancharam Moloko no tapete vermelho da indústria fonográfica. Aqui no Brasil – assim como no resto do mundo -, Sing It Back enjoou de tanto tocar em rádios e casas noturnas. Isso graças ao divertido remix, misturado a um solo de guitarra grudento, do produtor musical Boris Dlugosch (dona Murphy chegou a cantar em uma música dele logo depois).

Bem, mas para quem se acostumou com as batidinhas dance de Sing It Back, provavelmente não vai gostar das músicas de antes. O trip-hop foi marcante tanto no primeiro como no segundo álbum, fazendo com que o Moloko ficasse encoberto no lado alternativo da música eletrônica. Mesmo assim, Fun For Me foi o cartão de visita oficial da dupla. O videoclipe, que até ganhou uma segunda versão, mostra bem o lado exótico de Roisin. A partir daí, ela se esbaldou no ridículo propositalmente e continuou com essa imagem até hoje em sua carreira solo. (você andaria na rua vestido assim?)

O último álbum do Moloko - que sequer chegou nas nossas prateleiras - definiu o ponto final do casal. “Statues” contém músicas bem acessíveis aos ouvidos de quem não está acostumado com batidas desalinhadas e vozes distorcidas. Róisín coloca toda sua emoção nas letras e Mark se encarrega de produzir uma melodia recheada de disco e house music.

No final de tudo, o que ela gosta mesmo é de dançar. Seja em um salão de baile, seja dentro de um caixão, seja dentro de um túnel. E é o que ela mais faz agora, porém sozinha. Apesar de já ter dito que não pensa em voltar com seu companheiro de festas, nós fãs ainda preenchemos a saudade com alguma esperança de que eles voltarão.

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Days to come

Bonobo – Days To Come (2006)

Depois de tanto tempo escutando sons mais agitados e pesados, hoje me vejo uma pessoa mais tranqüila e que prefere muito mais uma melodia ao estilo after hours. Seja lounge, chill out, downtempo ou música de lobby de hotel. Não importa o nome, o que importa é que de uns tempos para cá só tenho ouvidos para esse gênero.

Bonobo é um belo exemplo dessa linha melódica que, às vezes, é puramente eletrônica e tem o auxílio de certos arranjos instrumentais e, outras vezes, é extremamente instrumental e conta com a ajuda de alguns elementos eletrônicos. Simon Green - seu verdadeiro nome - sempre gostou de experimentar vários instrumentos (flauta, saxofone, guitarra, violão) em suas faixas, brincando com eles aleatoriamente entre uma nota eletrônica e outra.

Nesse terceiro disco, “Days To Come”, tive a impressão de que ele quis algo muito mais instrumentalista. Além dos vocais graves de Bajka em algumas canções – o que ele não tinha arriscado nos dois primeiros trabalhos -, Bonobo pareceu revezar entre os improvisos do jazz contemporâneo e as batidas rápidas e fortes do soul. Para tanto, dou meu palpite de que ele sofreu considerável influência do Cinematic Orchestra (quando ouvi Transmission94 (Parts 1 & 2), logo pensei que fosse uma participação especial do grupo) e até do Lamb (Walk In The Sky tem um violoncelo tocado quase que igualmente pela dupla de trip-hop).

Por mais que não tenha influência de ninguém, o homem-macaco (trocadilho infame: bonobo, em inglês, é uma espécie de chipanzé) deu suas piruetas e conseguiu fazer um disco diferente, mas sem perder sua identidade do começo da carreira.

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