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Archive for the ‘Música’


Juana Molina… uma cantora para quem gosta do novo!

Diz um amigo meu que eu “não gosto de música normal”! Nunca entendi direito o que ele quis dizer com isso, mas tenho um palpite de que afirmação tenha a ver com minha pouca familiaridade com a música pop. Obviamente que música é uma questão de gosto pessoal… e depois de muitos carnavais, a mesmice da música pop não consegue mais me chamar muito a atenção.

Digamos que um ou dois hits por ano conseguem se enfiar na minha cabeça. Não pensem que é exibicionismo para parecer cult (nem tenho paciência para isso), é que simplesmente não tenho paciência para ouvir música pop ou eletrônica fora da balada. Felicidade excessiva me cansa um pouco.

Assim que,  para o dia-a-dia, prefiro sonoridades mais instigantes. E foi seguindo uma indicação no blog do Zeca Camargo (sim, aquele do Fantástico, quem diria! - e ele também fez este post aqui indicando alguns discos super interessantes) que comecei a escutar Juana Molina.

Segundo o site oficial da cantora argentina, ela começou como atriz em programas de humor em 1988.  Em 1996 lançou seu primero CD solo chamado Rara“. Morou um tempo em Los Angeles e voltou para Argentina para lançar seu segundo trabalho: Segundo. No final de 2002 lançou “Tres Cosas“, em 2006 “Son” e recentemente, no finalzinho de 2008, Un dia.

Definir a musicalidade dessa mulher não é das tarefas mais fáceis. Em alguns momentos seus experimentalismos me lembram Meredith Monk e John Cage. Em outros momentos sua voz muito latinoamericana me lembra alguns lamentos de quem nem sei dizer o nome.

Se você gosta de experimentar novas musicalidades, seja bem vindo ao grupo! Aventure-se.

Maltines lança CD em Floripa!

maltines

Eu não posso ser considerado uma daquelas pessoas que vivem correndo atrás dos “últimos lançamentos da semana” e nem me vanglorio por escutar “aquela banda que quase ninguém conhece” para parecer moderno. Meu gosto musical não é parâmetro para sucesso. Já andei por coisas que todo mundo acha um barato e já colei em músicas que neguinho ficava dizendo que era uma chatice.

De qualquer forma, hoje em dia é possível encontrar música de todo tipo e a democratização dos modos de distribuição serve para que muitos músicos, grupos e bandas possam realizar um trabalho autoral e ser reconhecido por ele.

Mesmo assim, foi de forma quase “sem querer” que esbarrei no trabalho da banda Maltines daqui de Florianópolis. Fui tirar umas fotos para registrar o pocket show do grupo que aconteceu na livraria Saraiva em um shopping aqui na cidade e acabei sendo conquistado pelo som deles. De forma despretensiosa o grupo caminha pelo indie/pop/rock com tranquilidade e bom humor.  Um som simples e moderno.

Bastante conhecidos na cena musical da ilha, eles também já tiveram seu reconhecimento fora daqui. Foram semi-finalistas do concurso Gás Sound, parceria da Rede TV e Guaraná Antarctica e participaram do MTV Cachorro Grande Em Busca da Fama.

Com apenas dois anos de formação, a banda acabou de lançar seu primeiro Cd. Mas já está na web há um bom tempo, angariando seguidores para o trabalho de Jiva Lin (Vocal e Guitarra), Ligia Estriga (Vocal, Teclados, grávida e linda!),  Cisso Fernandes (Baixo), Marcill (Bateria) e Rafael Galelli (Guitarra).

Minha música preferida é Balada Para Um Amor Que Ainda Não É (por questões puramente pessoais!!!) que eu deixo para vocês aqui embaixo. No MySpace da galera você encontra mais seis músicas (dentre as treze do CD).

Ahhhh… e se você quiser ganhar o CD e uma camiseta do grupo, é só clicar neste link aqui e concorrer. Mas seja rápido, a promoção é só até sábado!

PS: Essa foto aqui de cima é minha….. a outra, do início do post, é de divulgação do grupo! ;)

The Pierces

The Pierces - Thirteen Tales Of Love And Revenge (2007)

Se eu falar que elas não passam de dua garotas sulistas (nasceram no estado do Alabama) cujas músicas dos dois primeiros discos soam um country qualquer, o interesse seria zero por elas - pelo menos para mim seria.

Entretanto, Allice Pierce e Catherine Pierce conseguiram fazer seu burburinho no mundo da música com um som totalmente diferente. Não chega a ser psicodélico e alternativo, como elas mesmo entitulam no MySpace, mas em nada se compara com aquele country tradicional dos Estados Unidos.

O primeiro single desse último álbum, Boring, foi o estopim para chamar a atenção da mídia e da crítica. A letra fala da chatice (boring em inglês) que é ser uma celebridade, cujas realizações pessoais se restringem a marcas de roupas, festas, sexo e um pouco de drogas - e nem tudo isso é suficiente às vezes. A superficialidade da letra, assim como de todas as outras faixas, é explicada pelas irmãs como uma simples brincadeira, nada para ser levado a sério. A revista Rolling Stone elegeu a dupla como artista revelação e elas até fizeram uma apresentação - com direito a duas músicas Secret e Three Wishes - no seriado “Gossip Girl”, transmitido pela Warner Channel aqui no Brasil.

O repertório deve ser ouvido conforme aconselhado pelas Pierces: como uma brincadeira. Uma faixa ou outra elas colocam um clima folk (só para matar saudades do country e do Alabama), balanceando com o ritmo bem pop das outras músicas. Então divirta-se!

EBTG: parte 2

Por enquanto, a dupla Everything But The Girl não tem novidades pela frente, mas pelo menos podemos contar com os projetos solo de Ben Watt e Tracey Thorn. Nesse segundo artigo, falarei um pouco do trabalho de cada um.

Tracey Thorn - Out Of The Woods (2007)

Na verdade, esse é o segundo álbum solo de Tracey Thorn. Seu primeiro disco, “A Distant Shore”, foi lançado em 1982, logo depois de sua saída do grupo Marine Girls e um pouco antes de ingressar no EBTG. “Out Of The Woods” tenta ser o mais pop possível com pitadas acentuadas de dance music.

Quem acha que há semelhanças com as músicas do EBTG, é melhor tirar essa idéia da cabeça. O primeiro single de Thorn, It’s All True, é uma das poucas faixas agitadas. Creio que o objetivo de Tracey foi produzir canções com letras intimistas sobre amor - o que, por outro lado, não deixa de ser um progresso se comparado com o primeiro álbum, cujas músicas são para lá de melancólicas -, resultando em melodias mais tranquilas do que o esperado.

Entre um disco e outro do EBTG, Tracey colaborou com alguns artistas da cena eletrônica, como Massive Attack, cuja participação foi a mais presente (Protection, Better Things e The Hunter Gets Captured By The Game), Deep Dish (The Future Of The Future (Stay Gold); é mencionada como uma colaboração entre eles e EBTG) e a dupla alemã de DJs Tiefschwarz (Damage), além do produtor/DJ de drum’n'bass Adam F (The Tree Knows Everything).

Ben Watt - Buzzin’ Fly Records

Ben Watt também teve seu momento de carreira solo, lá pela década de oitenta, com um projeto chamado “North Marine Drive”. Isso foi alguns anos antes de se empreitar com Tracey como EBTG. Agora, pelo visto, Watt não quer mesmo seguir a carreira de cantor.

Ben sempre foi um fã de música eletrônica, embrenhado pelas vertentes do deep house. A paixão era tão grande que em 1998 ele abriu uma casa noturna em Londres, a Lazy Dog, tornando-se, claro, um dos DJs residentes. O sucesso rendeu até duas compilações com as músicas mais tocadas na casa, porém a alegria durou até 2003, quando foi anunciado seu fechamento. Contudo, no mesmo ano, Ben Watt teve orgulho de inaugurar sua própria gravadora, a Buzzin’ Fly Records. Ele estreou não só como dono mas também como produtor dos artistas que lançou na época, todos concentrados no ramo da música eletrônica - especialmente da house music.

Ben Watt se deu bem também, adivinhem, na área da literatura. O livro autobiográfico “Patient: The True Story of a Rare Illness” (Paciente: A Verdadeira Estória de uma Rara Doença) conta a dura luta contra uma doença auto-imune que ataca vasos sanguíneos (Síndrome de Churg-Strauss). Pelas críticas que li, o livro ganhou boa aceitação não pelo drama que Ben viveu - ele não se faz de vítima e muito menos demonstra auto-piedade - mas pela boa narração desenvolvida no decorrer da história.

EBTG: parte 1

A dupla - e também casal - Everything But The Girl, formada por Tracey Thorn e Ben Watt (vou deixar os links para o próximo post), registraram seu apogeu há 14 anos com o single Missing, sucesso de abertura ao dueto que já está na estrada desde a década de 80. Falarei brevemente, nessa primeira parte, de três álbuns que revelam a transição quase que radical do pop acústico melancólico à música eletrônica animada.

Amplified Heart (1994)
remix feito por Todd Terry para Missing estourou nas rádios de todo o mundo, colocando EBTG em evidência depois de tantos anos juntos - mais precisamente desde 1984. Esse foi o indício de que Ben e Tracey estavam interessados em uma roupagem mais moderna para suas músicas. “Amplified Heart”, sétimo álbum de estúdio do EBTG, ainda mostra o lado acústico com letras um tanto solitárias e penosas (ao meu ver, talvez seja a principal característica deles) que é percebido nos discos anteriores - inclusive, é o último trabalho que Ben efetivamente participa como cantor e não somente em backing vocals. Entretanto, ao ouvir as duas primeiras faixas, Rollercoaster e Troubled Mind, já é possível notar alguns efeitos eletrônicos, mesmo que discretos. Até a versão original de Missing possui um pouco dessas novas características.

Walking Wounded (1996)
“Walking Wounded” estabeleceu a grande mudança no estilo musical do casal, saltando direto para as influências do breakbeat. A maioria das faixas constitui de batidas provenientes do drum’n'bass (destaque para a faixa-título Walking Wounded), sendo que as letras continuam com o mesmo clima depressivo, como é explicitado em Single - não sei por que eles gostam tanto de mostrar o lado infeliz de um relacionamento, pois eles provam completamente o contrário. Por outro lado, eles conseguiram combinar de forma harmoniosa o antigo pop dos anos 80 com a experimentação eletrônica (Mirrorball e The Heart Remains A Child são os melhores exemplos). E mais uma vez Todd Terry remixou o próximo single deles a fazer sucesso mundial, Wrong, cuja versão também ficou muito mais conhecida que a original - eu ainda prefiro a do álbum, mas o DJ não desaponta com a nova produção.

Temperamental (1999)
O último álbum de estúdio do EBTG se entrega totalmente à house music. O foco parece ter mudado de direção quando nos deparamos com o divertido videoclipe de Five Fathoms.  O single de mesmo título, Temperamental, por exemplo, pode soar estranho pelo tom mais agudo que Tracey canta e, claro, pela aparente animação acompanhada das batidas pulsantes. Muito mais agitado que o trabalho anterior e com letras mais leves e descompromissadas, as faixas de “Temperamental” traduzem definitivamente a nova identidade musical do dueto. Aqui não há single que tenha se destacado massivamente como nas outras vezes, porém isso não afetou em nada na qualidade de suas canções.

Coletâneas de singles e remixes
Tracey e Ben infelizmente não têm pretensão de voltarem ao estúdio. As coletâneas, como por exemplo “The Best Of” (1996, lançamento feito só na América Latina) e “Like The Deserts Miss The Rain” (2002), mostram o que já é de conhecimento da maioria dos fãs: hits, lados-b, remixes e baladinhas dos anos 80. A esperança até que bateu à porta quando eles resolveram lançar um disco só de remixes, “Adapt Of Die: Ten Years Of Remixes” (2005), com versões bem interessantes (Rollercoaster), outras péssimas (Missing) e algumas que não ficaram lá tão diferentes das originais (Downhill Racer). Mesmo assim, vale a pena conferir; é só acessar o site oficial do dueto e apertar o play para matar saudades.