Dot Allison Goldfrapp
Não se assute com o título, é apenas um trocadilho com as duas cantoras de quem falarei hoje: Dot Allison e Allison Goldfrapp. Ambas divulgaram trabalhos cuja sonoridade me surpreendeu: Dot, além de seu longo sumiço, voltou mais serena e deixou para trás seu lado eletrônico; Goldfrapp, depois do agitadíssimo (e também pop) “Supernature”, resgatou seu estilo registrado no primeiro disco “Felt Mountain”.

Goldfrapp - Seventh Tree (2008)
Goldfrapp, apesar de levar o sobrenome de Allison, foi o nome escolhido para o dueto com Will Gregory, colaborador nos teclados e sintetizadores (ele já tocou, inclusive, com artistas dos anos 80, como Tears For Fears, Peter Gabriel e The Cure). As preferências musicais se entrelaçaram e, em 2000, foi lançado o primeiro trabalho da dupla, “Felt Mountain”. As músicas, dignas de canções de ninar, revelam vozes sussurantes e melodias que parecem intermináveis. Essas características prevaleceram até o segundo álbum, “Black Cherry”, porém com algumas faixas mais animadas (Train e Strict Machine são os melhores exemplos). O disco seguinte, “Supernature”, é que provou a mudança quase radical no som dos dois: músicas pop e dançantes com refrões fáceis, típicos para não sair da cabeça de quem ouve pela primeira vez.
No quarto álbum de estúdio, a começar pelo primeiro single A&E, a impressão é de que Goldfrapp resgatou as canções do primeiro disco. Toda a agitação pop desaparece desde quando você vê Allison fantasiada de coruja (veja a foto do perfil no MySpace dela) e uma paisagem bucólica como pano de fundo. A tranquilidade reina em todas as faixas, sendo que algumas tentam seguir o sentido contrário, como em Happiness - contudo, o ânimo da melodia remanesce só por conta da letra da música (make it better / we’re here to welcome you).
Dot Allison - Exaltation Of Larks (2007)
Dorothy Allison, mais conhecida por Dot, já tinha sua carreira iniciada com a banda One Dove, a qual não vingou. Mais no final da década de 90, Allison retornou em produção solo com “Afterglow”, cujas faixas se enroscam nas batidas eletrônicas de uma maneira pop, já que ela é fã do gênero musical e uma antiga frequentadora de clubes de house. Sumida desde 2002, quando lançou o segundo álbum “We Are Science”, pensei que Dot tivessse desistido de cantar. Em 2003 ela até chegou a fazer um tour com o grupo de trip-hop Massive Attack, em substituição aos vocais de Sinead O’Connor e Liz Frasier do extinto Cocteau Twins, mas depois disso ela sumiu do mapa.
Mesmo com esperanças nulas, Allison voltou à cena ano passado e, para minha surpresa, com um disco completamente diferente. Nem me arriscaria a dizer que se trata de um trabalho eletrônico, pois todas as músicas são praticamente acústicas. Os arranjos orquestrais e de percussão dão o toque final para elevar sua alma ao nirvana ? ou pelo menos deixar você em bem-estar mental e físico. Digo isso porque só pela primeira música, Allelujah, você entra nesse clima de plenitude celestial e termina com indagações sobre a vida (uma rápida reflexão, diga-se de passagem) com The Latitude And Longitude Of Mystery. Espero que da próxima vez ela não desapareça sem dar notícias.
























