O acidente que tirou a vida de Rafael Sperafico no último domingo na Stock Car reacendeu por mais uma vez a discussão da segurança no automobilismo. Foi triste o que aconteceu, uma fatalidade, mas acredito que se fosse em uma rua ou avenida, as conseqüências do acidente seriam as mesmas ou até piores.
Vamos voltar um pouco no tempo. Quando a Fórmula 1 começou, lá na década de 50, os pilotos ficavam bem mais expostos nos carros e usavam apenas um capacete. O que teve de gente morrendo até a década de 80 não está escrito. Para vocês terem uma idéia, durante as filmagens do longa Grand Prix, com trama sobre a F-1 e seus pilotos, vários competidores participaram como figurantes. Alguns anos depois, mais da metade do elenco tinha morrido nas pistas.
Os brasileiros não se esquecem do acidente que matou Ayrton Senna, em 1994, durante o GP de San Marino, em Ímola. Porém, um dia antes, nos treinos para o GP, o piloto Roland Ratzenberger também faleceu após uma forte batida.
Esses foram os últimos acidentes fatais da categoria, que investiu pesado na segurança dos pilotos. Uma prova disso foi o grave acidente de Robert Kubica, no GP do Canadá deste ano. A batida impressionou, pois somente a célula de sobrevivência ficou intacta, dava até para ver os pés do polonês balançando. Resultado: nenhuma fratura. A combinação de acessórios como o hans, que protege pescoço e coluna, balaclavas e capacetes mais resistentes, a própria célula de sobrevivência ? praticamente indestrutível - e o uso da fibra de carbono na construção dos carros são os segredos para uma categoria tão segura e protegida.
Para trazer essas tecnologias mais próximas da realidade da Stock Car, podemos usar o acidente de Gualter Salles no ano passado como exemplo. Foi uma batida impressionante, que começou com o toque de outro competidor. Depois, Gualter foi para a grama e acabou passando por um monte de terra. Seu carro decolou e foi praticamente estilhaçado. Mais uma vez, não houve nenhuma fratura e poucos dias depois Gualter estava em casa.
São momentos como esse que mostram que realmente o ocorrido com Rafael foi uma triste fatalidade. Uma das soluções a curto prazo seria limitar o número de carros no grid. Talvez, se não tivessem tantos pilotos no mesmo local naquele momento, o acidente poderia ser um pouco menos grave. Mas acredito que ainda é muito prematuro para iniciar um julgamento do que realmente aconteceu.
Quem aposta no automobilismo como carreira e estilo de vida sabe quais são os seus riscos. Independentemente desses fatores, a tristeza é geral. A família Sperafico colabora muito com o automobilismo e é penoso acreditar no que aconteceu.