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Archive for the ‘Cotidiano’


O primeiro grande carro

Em 2006, quando vi a campanha do Prisma, da Chevrolet, foi impossível não me identificar. Quem se lembra do Fofão, Saci e tantos outros elementos da nossa vida (de quem nasceu nos anos 1970 como eu) retratados lá?

Bem, hoje fui convidada a conhecer e divulgar uma campanha deste carro que dizem ser o primeiro grande carro da nossa turma. Não sei se é assim com todos - meu marido, por exemplo, é de 1972 e sempre gostou de carro de tiozão - mas eu sempre preferi os compactos. Quando entrei na faculdade meu pai comprou um carro popular para mim e para minha irmã dividirmos (uma estudava de manhã, outra à tarde e teoricamente era possível usar o mesmo carro). Acabou sendo dela, pois eu não me encantei, mesmo fazendo auto-escola e depois treinando no próprio carro lá em Curitiba. Anos depois, já com filhos, tive que aprender a dirigir no caótico trânsito de São Paulo e percebi o quanto alguns confortos são importantes para o motorista! Realmente precisamos ter um grande carro para aguentar horas no trânsito.

Mas novamente o carro que dirijo hoje não é meu. Na teoria é nosso, mas na prática, é mais do meu marido. E aí comecei a pensar seriamente em comprar um carro para mim. Mas carro não é como uma blusinha, um sapato, é quase como um notebook ou smartphone (huahuahua, sou muito geek, não tem jeito) e preciso pensar em mil detalhes. Este lado geek é outra característica da minha geração e, afora a tradição familiar* com a marca, foi o que me pegou de jeito na campanha do Prisma que conheci hoje. O hotsite é cheio de ferramentas legais - Prisma Tube (um canal de vendas para todas as concessionárias) com promoções em video na internet, Animês e Widgets com informações do trânsito no Rio e em SP.

Identifiquei-me  com o Blog Jump Manifesto que nos convida a contar, através de vídeos ou textos, qual foi o momento em que deram um JUMP na vida. ;) E, claro que adorei o Leilão que acontecendo no site até este sábado, dia 02/08, no qual qualquer pessoa pode ter uma chance real de levar o carro por um preço ótimo. Meu lance, feito agora, foi de R$ 8.372,00… como o carro tem preço médio de 35 mil, já pode sair meio “em conta”. :)

Se você também pensa em ter um carro seu, faça como eu, se inscreva e dê seu lance. Quem sabe um de nós pode sair por aí num carro 2009 daqui a alguns dias? ;)

* Meus pais sempre gostaram da Chevrolet. Contam que eu demorava para dormir e o que funcionava era passear no Opala (que tinha a inscrição SS na lateral e por anos achei que eram minhas iniciais!) e nossas melhores viagens foram numa Caravan que eu e meus irmãos chamávamos carinhosamente de “carroça”.
Este post é publieditorial.

Conforto e facilidade? Pra quem?

O Park Shopping Barigüi, em Curitiba, novamente pisa na bola.

A primeira vez, pelo menos para mim, foi através da demonstração de como a empresa trata os clientes e seus filhos.

Agora, passa a cobrar o estacionamento.

Sem dúvida que é um direito da empresa cobrar por qualquer serviço que ofereça. Cabe ao consumidor decidir se quer adquirir ou não esse serviço ou produto.

Mas dizer que a cobrança de algo que antes era oferecido gratuitamente equivale a mais facilidade e conforto (incluindo o fato de que só se aceita uma bandeira de cartões de débito ou crédito) é propaganda enganosa.

Se não é propaganda enganosa é, no mínimo, um discursinho típico de coorporações (veja o documentário). Do tipo: “calma filhinhos (clientes), nós sabemos o que é melhor para vocês.”

Inclusive existe o inevitável item:

– O que acontece se houver dano ou perda do cartão?
O cliente deve informar imediatamente o ocorrido em um dos caixas e pagar a importância de R$ 15,00 + a tarifa de estacionamento desde a abertura do shopping até o horário do comunicado.

Presunção de valor e tentativa cobrança indevida no caso de perda de cartão de consumação já é um problema que as casas-noturnas costumam causar. A obrigação de controlar os valores consumidos pelo cliente é do estabelecimento, mas não sei se isso se aplica a estacionamentos. Mas deveria.

Além disso, é muito comum para quem visita o o tal shopping ouvir os alto-falantes: “Atenção proprietário do carro marca tal, cor tal, placa tal: favor comparecer ao estacionamento…”. E ouve-se isso tantas vezes que você começa a achar que os caras têm problemas mesmo nesse setor. Esses anúncios vencem fácil, em tempo de execução, a música ambiente.

Além disso, você até compreende o fato de os outros shoppings cobrarem estacionamento. Mais centrais, houve época em que as pessoas tiravam as vagas dos efetivos clientes para deixarem seus veículos e irem trabalhar ou exercerem outras atividades.

Mas, como se sabe, o Park(ing) Shopping Barigüi fica no Mossunguê, bairro residencial de Curitiba.

O engate para reboque é o troféu do individualismo estúpido

Você sabe para que serve um pára-choque?

Se você, como eu, tem um QI igual ou superior ao de um repolho em coma, percebe, pelo nome do artefato (pára-choque), que ele tem algo a ver com reduzir a violência e efeitos de possíveis acidentes sobre a estrutura de um veículo e, principalmente, sobre seus ocupantes.

Porém, faz tempo que vejo carros e mais carros com os tais engates para reboques em seus pára-choques traseiros.

Pergunto-me quanto desses felizes proprietários de automóveis (todo carro é brocha) têm de fato reboques esperando em suas garagens e, portanto, alguma razão em usar tal dispositivo.

Sim, porque um engate para reboque serve para isso: para engatar um reboque, bidu.

Não sei se existe uma estatística sobre isso, mas aposto que mais de metade deles não tem. Estou sendo otimista.

Pois é isso. Alguns gênios do trânsito usam o engate para reboques para proteger o pára-choque de possíveis acidentes.

Péraí. Dexoversintindi.

O gênio do trânsito instala um negócio em seu carro para proteger algo - o pára-choque - que, por sua vez, foi projetado para proteger estruturas mais importantes do carro e, principalmente, proteger ele - o gênio do trânsito - e sua família. Mas, ao ser protegido, o pára-choque perde em muito a sua função. Bem, pelo menos uma coisa vai se salvar em um provável acidente.

E, depois disso, o gênio do trânsito se acha muito esperto.

Ainda bem que existe uma regulamentação para o uso do engate para reboques (em PDF).

De outra forma, haveria proprietários de veículos instalando engates na frente do carro.

Ora, se eu quiser puxar meu reboque de ré, eu puxo, iria se justificar o gênio do trânsito.

Publicando uma notícia você pode ir à Olimpíada; não é sorteio

Quando eu era um inocente e cabeludo aspirante a repórter, sonhava com a minha primeira notícia estampada em algum veículo de imprensa.

É o tipo de coisa que eu jamais esqueceria, pensei na época.

A verdade é que, depois de 10 anos em jornais, eu esqueci até sobre o que foi a minha primeira matéria publicada. Talvez tenha faltado relevância pessoal, talvez eu não tenha me identificado com aquilo que escrevi. Repórter só escreve aquilo que deixam, na maior parte das vezes. Faltou paixão, dirão alguns românticos.

Hoje com muitos anos a mais e muitos fios de cabelos a menos sei que a notícia acontece o tempo todo. Agora, neste instante, a seu lado: qualquer coisa que interesse a você pode interessar ao seu semelhante, seja ele da sua rua, seja ele da China.

Recebi o convite para conhecer o concurso cultural do Vc Repórter, do Terra - que vai levar dois participantes à China, para ver a Olimpíada - e escrever sobre ele.

Pensei, ao encontrar esse canal e o seu concurso, que o que faltou para mim naquela primeira matéria foi não um incentivo tão bom quanto uma viagem ao outro lado do planeta - além do notebook, da câmara digital e da filmadora que a promoção oferecerá aos dois participantes. Mas a proximidade com meus interesses.

Quando um leitor de um portal tão grande quanto o Terra envia uma notícia - fotos, vídeos, textos e áudios sobre qualquer assunto interessante, inusitado ou relevante -, certamente é algo que diz respeito à sua realidade, algo que lhe impressionou os sentidos ou que ele acha que deve ser compartilhado ou que deve ser divulgado ou denunciado. Enfim: algo que lhe toca. É o tipo de coisa que, depois de publicado, não se esquece. É próximo. Pode provocar modificações sensíveis na realidade individual.

Claro que as notícias enviadas - você só tem até sexta-feira para participar - passam pelo crivo de uma equipe de jornalistas antes de serem publicadas. Mas, se a notícia enviada for publicada, você pode ser um dos dois escolhidos para cobrir os jogos em Pequim ao lado da equipe do Terra. Sim: o notebook, a câmara digital e a filmadora são para que você possa ajudar na cobertura.

O bacana é que, depois do concurso cultural, o serviço não vai deixar de existir. Continuará como um canal por onde o público poderá se expressar e divulgar as informações que considera relevantes.

O que achei mais interessante é que não se trata de sorteio. Segundo o regulamento:

A comissão julgadora analisará todas as matérias participantes do concurso cultural e premiará as duas melhores matérias, com base nos seguintes critérios: importância da informação, ineditismo da informação e criatividade na proposta de imagem/vídeo/texto. Outro critério de avaliação que será levado em consideração é se a matéria foi publicada no canal Vc Repórter.

Assim, você só depende de uma coisa.

Não de uma formação jornalística, certamente. Isso eu tinha quando fiz a minha primeira matéria.

Você só depende de seu interesse. Dele e de sua capacidade de mostrar como essa informação, que já é tão importante para você, também é importante para o resto do mundo.

Isso, quando fiz minha primeira matéria, eu ainda não tinha.

Todo carro é broxa*

São Paulo ganhou o Estilingão. Sua pedrada tem por definição um alcance limitado. Afinal, não é aumentando as possibilidades de escoamento - escoamento se aplica a carros e a esgoto, entre outras coisas - que o problema será solucionado.

O slogan da Ipiranga diz burramente que todo brasileiro é apaixonado por carro. Não. Não estou cobrando inteligência da publicidade. Mas sinceramente me sinto ofendido, pois me considero um sujeito capaz de paixões muito mais interessantes e instigantes.

Definitivamente, não sou um apaixonado por carros. Tenho certeza de que não sou o único a pensar assim.

Só uso um como última possibilidade. Por exemplo, para levar alguém - que não pode se deslocar de outra forma - a um tratamento médico.

Ou à noite ou nos fins de semana, quando sei que meu carro não será mais um estorvo. Um estorvo a mais nas ruas para quem realmente precisa usar um: por exemplo, alguém que necessite levar uma pessoa que não pode se deslocar de outra forma a seu tratamento médico.

Porém sei que nem todos têm essa opção. Distantes de seus empregos, muitos precisam de um meio de transporte rápido.

Eu disse rápido? Eu acho que me enganei.

Tenho certeza de que muitos só utilizam automóveis porque não há alternativas satisfatórias de transporte público. Ou uma boa rede de ciclovias. Sei.

Claro que também há os - entre ingênuos e egoístas - que acreditam na promessa de liberdade oferecida pelos carros, na publicidade.

Você já viu algum carro aparecer em uma propaganda em uma situação real de trânsito? Digo, num engarrafamento?

A cultura em torno dos carros é frustrante por natureza: os publicitários - que sabem que o consumidor é uma espécie de criança, movida por suas emoções mais primitivas - oferecem liberdade, pujança, virilidade. Na verdade, o carro é uma prisão. Um carro parado no trânsito é tremendamente broxa.

Há uma distância enorme entre aquilo que é vendido e o que se adquire.

No tráfego, aproveite o fato de que você está parado, ainda que o semáforo esteja verde, e observe. A seu lado, carros com capacidade para carregar suas próprias inúteis toneladas mais cinco pessoas - a uma velocidade impraticável e apenas potencial - estão ocupados somente pelo motorista.

É desperdício de energia. Carro é jacu.

Diante disso, não me venha falar em fechar a torneira na hora de escovar os dentes.

Se a curva de estupidez não continuar ascendente, é possível que nossas próximas gerações nos julguem completos idiotas por usar máquinas com tanta potência para o transporte de tão pouca carga.

Sem falar no espaço que um negócio desses ocupa.

Olhe as fotos abaixo.

Primeiro temos o espaço ocupado por um certo número de carros. Depois, o ônibus necessário para transportar o mesmo número de motoristas e depois bicicletas, para a mesma quantidade de pessoas.

Carros, ônibus, bicicletas

Aqui em Curitiba - enquanto as ruas estão cada vez mais estagnadas, em horários de pico ou não, completamente tomadas por veículos motorizados privados - são feitas as primeiras menções de se implantar aqui e ali algo mais sério ao capenga sistema de ciclovias. Ou de melhorar o antigo, anteriormente eficiente - e já nas últimas -, sistema de transporte público.

(Não me venham dizer que o sistema de ciclovias de Curitiba é bom. Não é. Está longe de ser. Sistema? Que sistema?)

Temos por aqui, por outro lado, um forte movimento de incentivo ao uso da bicicleta. Por enquanto, o condutor médio não tem conhecimento de que as bicicletas sejam meios de transporte “sérios”. Mas a Bicicletada está trabalhando para mudar isso.

E só agora fiquei sabendo - desde que deixei o regime escravo tenho me inteirado muito lentamente das notícias - que São Paulo ganhou o Estilingão. Uma ponte horrorosa - ética e esteticamente feia - que custou milhões e pela qual não se prevê a passagem de pedestres, ônibus ou bicicletas e nem nada que resolva de fato o problema do trânsito: o excesso de carros.

(Além da questão da exploração imobiliária que, dizem, houve na região)

O espaço nas ruas é limitado e a capacidade de produzir e vender veículos, bem como a velocidade em que esses veículos viram e criam lixo, parece ser ilimitada. Agora são vendidos em 99 parcelas (isso ainda vai ser nosso subprime rastaqüera). Fico imaginando uma situação - fictícia, espero - em que as casas ficarão sob a sombra de infinitas avenidas aéreas, diversos estilingões feitos para que carros transitem com alguma liberdade.

As soluções não são mais ruas ou fazê-las mais largas. E sim aproveitar melhor as que existem. Os governos precisam parar de pensar nas máquinas e passar a pensar nas pessoas. E as pessoas precisam parar de pensar em si próprias e pensar em todos, nos outros.

Todos, todo o mundo, todas as pessoas, os outros: conceitos um tanto abstratos. Dizem, os cérebros humanos são capazes de processar conceitos abstratos. Mas por trás de um volante isso parece ficar mais difícil.

* Sobre a grafia da palavra brocha ou broxa