Você sabe o que é microcrédito?
Na terça-feira, 11/11, estive num evento patrocinado pelo Real Sustentabilidade que trouxe ao Brasil economista e banqueiro de Bangladesh Muhammad Yunus. Famoso e ovacionado no mundo todo como ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2006, Yunus é na verdade uma daquelas figuras que inspiram gerações. Certamente a minha geração, preocupada com práticas sociais e de sustentabilidade, buscando harmonia entre seu próprio crescimento e o equilíbrio do Planeta, não é mais a mesma depois de entrar em contato com sua idéia de microcrédito.
Ele nos convence de que é simples acabar com a pobreza e não o faz apenas com palavras, está provando que é possível através das ações de seu banco, o Grameen Bank. Em 1976 ele se compadeceu das dificuldades de pessoas carentes em obter empréstimos na aldeia de Jobra - seu país estava muito empobrecido e recém-separado do Paquistão. Por não poderem dar garantias, os bancos recusavam-lhes as pequenas quantias que permitiriam comprar materiais para trabalhar e vender, o que os obrigava a recorrer a agiotas.
Ele começou a mudar isso emprestando 27 dólares a 42 pessoas, sem juros e sem um prazo fixo para devolução. Ele não só recebeu tudo de volta, como conseguiu apoio do Banco Central de Bangladesh para ampliar o modelo e criou o Banco Grameen, que empresta sem garantias nem papéis, sendo, sobretudo, procurado por mulheres: elas são 97% dos 6,6 milhões de beneficiários. A taxa de recuperação é de 98,85%.
Conceito de microcrédito
O conceito não existia na década de 1970 e Yunus cunhou-o para designar um este formato que concebera, focado nas populações pobres que não têm acesso a qualquer outro tipo de crédito. Na palestra, com uma simplicidade que surpreendia, ele falou:
“Porque dar dinheiro para quem já tem, quem já tem pode esperar e quem não tem não pode.”
Segundo ele, é um raciocínio simples, básico. E é mesmo, não?
Além de convencer o mundo disto em teoria, na prática Yunnus conseguiu implantar a mais conhecida e bem-sucedida experiência de microcrédito do mundo. A idéia não é nova, a primeira mênção ao microcrédito que se tem notícia é de 1846. No sul da Alemanha um pastor criou a Associação do Pão, cedendo farinha de trigo aos camponeses endividados com agiotas para que eles, com a fabricação e comercialização do pão, pudessem aumentar sua renda. Hoje o microcrédito é ligado a empréstimos de pequeno valor (usualmente entre US$ 50 e US$ 5.000, dependendo do país) e direcionados a um público restrito, definido por sua baixa renda ou pelo seu ramo de negócios, que usualmente não têm acesso às formas convencionais de crédito.
Não dá vontade de entrar numa cooperativa e tentar ajudar as pessoas como ele fez, emprestando os primeiros 27 dólares que mudaram a vida de 42 famílias?
P.S. Se você ficou interessado, vou sortear o livro Real Microcrédito (que ganhei na palestra do Yunus) entre os participantes da blogagem coletiva da sustentabilidade que estamos planejando para o começo de dezembro.






















