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Archive for the ‘Meio Ambiente’


Recordações de um mundo distante

Lamento

I’ve seen things you people wouldn’t believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the dark near the Tannhauser gate. All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die.

Roy Batty, líder dos replicantes - Blade Runner

Nestas palavras finais, ao reconhecer que chegou a hora de sua execução, o replicante Roy Batty lamenta que todas as recordações das coisas extraordinárias que ele conheceu nos confins do universo desaparecerão com ele. Maravilhas que os humanos nunca conhecerão e que se perderão no tempo, como lágrimas na chuva.

Tem momentos que me sinto como Roy Batty. Não, eu não estou retornado de uma viagem por galáxias distantes e nem chegou a minha hora final. Minhas lamentações e recordações são daqui mesmo, de nosso planeta azul. Eu me explico.

Nasci e vivi minha infância na Fazenda Água Limpa em Goiás. A fazenda merecia seu nome, pois era cortada por um ribeirão de águas puras e cristalinas. Em vários pontos da fazenda as águas brotavam nos chamados olhos d’água, pequenas fontes que alimentavam o córrego das Águas Limpas.

O solo fértil e a abundância de água formavam um ambiente exuberante de árvores, peixes, pequenos animais, insetos e, especialmente, pássaros. Pela manhã, tínhamos o alarido dos sabiás, bem-te-vis, sanhaços, rolinhas, juritis, pássaros pretos, canários, joões-de-barro, periquitos e maritacas. ÿ tarde, o dia se encerrava lentamente ao som do canto triste e distante dos jaós, codornas, perdizes e inhambus.

Nos dias de sol, as águas tranqüilas dos remansos refletiam, como um espelho, a dança agitada das borboletas amarelas nas margens arenosas. Nas águas cristalinas, o garoto observava o movimento incessante dos pequenos lambaris à procura de alimentos, mas sempre atentos às vorazes e ameaçadoras traíras.

Tudo isso desapareceu sob as águas da represa da Usina de Itumbiara. As árvores, pastagens e nascentes estão cobertas por águas escuras. Os pássaros, as borboletas e os peixes se foram, para onde eu não sei. Só restam as minhas recordações, que um dia também desaparecerão no tempo, como lágrimas numa grande represa. Se você lamenta o que pode ser perdido, eu lamento o que já perdi.

Você se contentaria com meia Amazônia?

A Amazônia e outras florestas brasileiras estão ameaçadas por um projeto de lei que, se aprovado, autorizará a derrubada de até 50% da vegetação nativa e legalizará praticamente todos os desmatamentos que, nos últimos 40 anos, derrubaram o equivalente a quase três estados de São Paulo!

Estima-se que, em 20 anos, 31% da floresta estará derrubada e outros 24% totalmente degradados, tornando a Amazônia uma imensa savana até o final do século. Com a aprovação do projeto, que já passou no Senado e tramita agora na Câmara dos Deputados, aceleramos e legalizamos esse processo.

O impacto não é só na flora, mas também nas culturas e povos locais.

Para impedir essa derrubada em massa, o Greenpeace iniciou uma campanha ? Meia Amazônia não! ? com o apoio da Riot, para juntar assinaturas suficientes que possam barrar essa aprovação. Vamos dizer aos deputados e senadores que 50% é igual a zero e queremos uma Amazônia por inteiro!

Como ajudar?

Blogueiros: Se você é blogueiro, participe da nossa ação! A ação consiste em cortar sua logomarca pela metade, linkando para o hotsite da campanha, assim como fizemos aqui (veja o logo lá em cima), durante pelo menos 1 semana. Se possível, faça um post mencionando a campanha, divulgue, convide todos a assinarem.

Todos: Mande por e-mail para seus amigos, na sua comunidade do Orkut, divulgue como preferir.

Contamos com a sua participação.

Quantos planetas são necessários para suprir nossas necessidades?

Dia mundial do meio ambiente

Já parou para pensar um pouco nas pegadas que você deixa na sua ?caminhada? pela Terra?

A Pegada Ecológica é um conceito desenvolvido por Mathis Wackernagel e William Rees, autores do livro ?Our Ecological Footprint - Reducing Human Impact on the Earth? (1996), para poder quantificar o impacto do estilo de vida das pessoas hoje, no meio ambiente.

Digamos assim: o homem consome mais do que a terra produz. O rastro que deixamos ultrapassa a capacidade ecológica de produzir novos recursos renováveis e de absorver resíduos em 21%. Ou seja, precisamos de 1,21 planetas para manter o que temos hoje.

(more…)

Masdar ? Cidade ecológica

Energia solar

Masdar é uma ?cidade-conceito?, se assim podemos dizer, iniciativa da empresa de energia árabe Masdar Initiative e arquitetos britânicos da Foster and Partners. Masdar será construída aos arredores de Abu Dhabi e será, de fato, uma experiência que deve ser acompanhada de perto.

A proposta do projeto é criar uma cidade 100% ecológica, sem desperdícios. Ela será livre de emissão de carbono e 99% do seu lixo será reciclado ou transformado em compostos. Abrigará também a maior fonte de energia fotoelétrica do mundo.

Toda a energia de Masdar virá de fontes renováveis. Além disso, uma novidade é que a cidade não terá carros. E não haverá necessidade, já que nenhum pedestre ficará a mais de 200m do transporte público. As ruas da cidade terão apenas 3 metros de largura e 70 de comprimento para facilitar a passagem do ar e incentivar a caminhada.

A primeira vista, parece o começo dos conceitos de cidade-futuro tão defendidos por Jacques Fresco. Mas olhando de maneira mais crítica, o termo ?cidade-conceito? encaixa perfeitamente.

Masdar não será uma cidade de verdade. Assim como carros que voam que são criados para serem mostrados em grandes salões do automóvel, Masdar parece ser uma cidade criada para ser uma grande experiência.

A começar, a cidade terá 6km2. Deve ser menor que muito bairro em São Paulo. ÿ menos da metade do tamanho de São Caetano, cidade do Grande ABC que dizem que o síndico ter o mesmo poder do prefeito, de tão pequena que é. Para atravessar Masdar de um extremo a outro a pé, não leva mais do que 30 minutos. Será habitada por 50 mil pessoas.

Além disso, ficará perto de Dubai, que tem pretensões de ser a cidade mais visitada turisticamente do mundo. Coincidência?

Também a questão do carro deve ser avaliada. ÿ claro que numa cidade com 6km2 você pode se virar sem um automóvel, mas qualquer pessoa que saia de lá para outra cidade, irá motorizado.

O modelo de sustentabilidade de Masdar é ótimo para ser estudado e visto como referência, mas é óbvio que não pode ser aplicado a uma cidade grande. Masdar pode se denominar ?a primeira cidade sustentável?, ecologicamente, claro, porque ela ainda dependerá de outras tantas cidades economica e politicamente. Cidades as quais não possuem o mesmo modelo sustentável, nem de perto.

Leia a reportagem completa sobre Masdar
Site oficial do projeto

Quem lucra com o aquecimento global?

Onde uns vêem catástrofe, outros vêem oportunidade.

Digamos que você tivesse uma fábrica de carroças no fim do século XIX, pouco antes de um tal Henry Ford começar a fabricar os primeiros modelos T. Seria o fim da sua pequena fábrica de carroças? Ou quem sabe a oportunidade de ganhar mais dinheiro com uma fábrica de carros?

Sendo assim, por que não lucrar também com o suposto fim do mundo?

Quer evitar o aquecimento? Uma geladeira mais moderna que polui menos. Não deu certo e sua casa está quente? Ar-condicionado. O mar invadiu sua casa na praia? Compra um caiaque. O mundo está acabando? Who cares? O importante é passar esse momento em estilo, com roupas novas.

Provavelmente é compartilhando dessa visão que os países desenvolvidos encaram o mercado de crédito de carbono.

Depois de assinado o Protocolo de Quioto, em 1997, nasceu um grande mercado de crédito de carbono, que hoje já virou ações na bolsa.

Alguns países sentem dificuldade em reduzir as emissões de poluentes, pois a tecnologia existente já possui dispositivos que controlam e mantém a emissão a baixos níveis.

Diminuir a poluição que um Fiat 147 causa é fácil, é só trocar por um carro mais novo. Mas em um país onde as coisas já são novas, é mais complicado desenvolver novas tecnologias para baixar ainda mais.

Portanto, alguns países buscam cumprir suas metas em outras regiões e nações, comprando a redução em outros parques industriais que permitam isso.

O Brasil é um país com grande potencial nesse mercado e algumas empresas já conseguiram reduzir drasticamente o nível de CO2 emitido. O CO2 ?recuperado? é medido em toneladas e então quantifica-se seu valor no mercado e vende-se para empresas estrangeiras. Em outras palavras, o gás carbônico virou moeda de troca.

ÿ como se essas indústrias comprassem o direito de poluir na sua área, pagando o desenvolvimento tecnológico necessário nos países emergentes. ÿ cumprir o que foi assinado no protocolo, sem fazer exatamente o que era esperado.

Mais uma vez, o que deveria ser um programa para ajudar o planeta virou mercado. O que parece muito interessante pra uns, e duvidoso para outros, afinal não é de hoje que questiona-se se a teoria do aquecimento global é realmente verdadeira, como mostrado nesse vídeo.

Mas se o aquecimento global é uma farsa, quem estaria sustentando essa idéia? Para quem é interessante causar o pânico nas pessoas? Ora, o medo sempre foi um dos melhores métodos de manipulação do povo. Nesse blog o autor faz uma lista de algumas das empresas que poderiam estar ?patrocinando? o aquecimento global.

De fato, isso lembra o alarde feito anos atrás sobre o buraco na camada de ozônio. Hoje sabe-se que o buraco está diminuindo, quase fechando, e tenho certeza que não é graças às geladeiras que emitem pouco CFC que foram vendidas, nem ao fato do Mc Donalds não usar mais embalagens de isopor.