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Archive for the ‘Religião e Espiritualidade’


Róisín Murphy

Róis�n Murphy

Os pobres mortais da década de 90 conheceram de perto o burburinho em torno do movimento Trip-Hop. Foram inúmeros os artistas classificados  como pertencentes ao gênero que nasciam da bem sucedida mistura do jazz, Hip Hop e house na charmosa Londres. Um deles foi o festejado Moloko com seu maior hit, o  “Fun for me“. O videoclipe permeava constantemente o extinto “Non Stop”, ótimo programa da MTV onde os descolados viam na madrugada o que de melhor havia no underground inglês e americano. No programa rolava MaxWell, Jamiroquai antes de estourar, Smoke City, dentre outros.

Bem, mas o assunto aqui é Róisín Murphy, a ex-vocalista do Moloko. Fashion e incrivelmente bonita com seu ar vintage, Róisín Murphy desponta como uma das melhores cantoras do Reino Unido. José falou no inicio da semana sobre o Moloko e sua fase inicial, mas o último álbum solo de Róisín Murphy, o “Overpowered”, mostra com quantas batidas eletrônicas, vozes sexys e arranjos pop fazem um bom disco que representa bem a música inglesa jovem desse milênio.

Não há como se apaixonar pelo som de “You Know me Better”, “Overpowered”, “Foolish”, “Sweet Nothings”, aliás, todas as músicas do álbum são boas e eu nem me atrevo a esquecer de nenhuma . Veja o vídeo dela apresentando ao vivo o hit “You Know me Better” numa rua de Londres. Em seu Myspace ou no LastFm é possível ouvir as músicas de “Overpowered”, além disso recomendo o álbum anterior intitulado “Ruby Blue” você vai virar fã com certeza.

Bala perdida, bala mascada, vida marcada

Essa semana um grupo de 3 adolescentes, 12, 13 e 16 anos, foi abordado na porta da minha casa por um senhor, vigia de outra casa nas imediações, que portava um revólver carregado e que apontou para os meninos, realizou um disparo que “mascou” (o tiro não foi desferido) e começou imediatamente ali uma perseguição pelo homem aos meninos, todos em disparada. Uma cena impensável por mim, num bairro de classe média alta de uma cidade de médio porte do interior de Minas Gerais até… até que me foi narrada. A cena me pareceu surreal.

Saída do nada uma mulher, mãe do garoto mais velho, logo se pôs a correr atrás do perseguidor do grupo, com cara de desespero e disposta sabe-se lá a que para resgatar seu filho daquele cenário são e salvo.

Essa cena do nosso cotidiano nunca mais sairá do meu imaginário. Onde fomos parar, afinal?

Para encurtar a história, a mãe, perseguidora do perseguidor dos perseguidos, não o alcançou mas o intimidou; deu queixa à polícia, que acabou prendendo em flagrante o tal vigia - senhor de 59 anos de idade e que prestava serviços a um casal de abastados idosos, moradores naquele mesmo bairro - que alegou ser importunado pelos adolescentes “que faziam bagunça na sua porta com freqüência”…

Um desses meninos era meu filho. A mulher que correu atrás minha ex-esposa.

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Eu me lembro de quando andava, criança, de carrinho de rolimãs pelas ruas da minha cidade, uma cidadezinha menor do que a que moro atualmente, e o quanto o barulho das rodinhas do carrinho pela calçada de ladrilhos irregulares irritava algumas vizinhas mais chatas. Elas saiam correndo atrás de mim e dos meus amiguinhos com vassouras ameaçadoras nas mãos, esbravejando que iriam contar pros nossos pais que “não respeitávamos mais os mais velhos que só queriam um pouco de paz e silêncio”.

Ou das vezes em que, jogando bola na rua mesmo, já que o trânsito era pequeno, deixávamos que o brinquedo caísse, redondo que era, no jardim de outros vizinhos que, igualmente impacientes, não nos devolviam a bola ou chegavam ao extremo de nos devolvê-la furada. Ah, aquilo era a morte!

Não. Aquilo não era a morte!

A morte foi o que perseguiu meu filho, revólver em punho, anos depois das minhas próprias peripécias juvenis. A morte é mais feia quando persegue alguém que amamos do que quando nos deparamos com ela frente a frente nós mesmos.

Costumo pedir a Deus nas minhas orações que proteja de mim e dos meus desejos e sentimentos ruins aqueles que despertam em mim esses desejos e sentimentos. Constato hoje que também é mais difícil emanar bons fluidos a quem deseja o mal e age de maneira ostensivamente cruel com aqueles que amamos tão profundamente.

Costumo pedir a Deus nas minhas orações que faça de mim um dia sábio o suficiente para plantar em maior escala aquilo que promova conseqüências positivas para mim e, sobretudo, para o meu próximo. Constato hoje o quanto é pouco pedir, o quanto é urgente o agir.

Por outro lado, no país das balas perdidas, meu filho foi agraciado com uma bala mascada. Isso aumenta significativamente minha dívida com a vida e com a humanidade.

Vida longa ao videogame! Vida longa à internet! Vida longa ao DVD e à pipoca! Vida longa a tudo o que mantenha nossos filhos sob as nossas asas protetoras! Vida longa ao meu filho e aos seus amigos! E uma vida mais leve para aquele que tentou tirá-la desse trio, porque a sua deve estar pesada demais para valorizar tão pouco a do próximo. Que Deus lhe envie um dia o consolo de algum amor parecido com o que me une ao meu Rafinha.