Todo lugar que lida com gente é um balaio de gato!!! Vamos partir desse pressuposto? Pelo jeito, não há outra maneira.
Em dezembro deste ano vou completar dois anos como “blogueiro”. Ou seja, ainda estou engatinhando em todas estas coisas de mídias sociais, blogosfera, listas de discussão, rankings e etcssss… mas, uma coisa já consegui perceber: Eita gente para ter opinião! Opinião sobre tudo… e, às vezes, opinião demais da conta!
Um caso que pode servir de exemplo é a recente entrevista na CBN diário sobre os blogs de mulheres que rendeu uma imensa discussão e repercussão (dentro da blogosfera, naturalmente!). O blog da Luluzinha Camp SP publicou uma resposta (que, a princípio, eu até havia concordado), mas o caldo entornou mesmo foi nos comentários.
Porque se a professora/autora do livro “Segredos Públicos: Os Blogs de Mulheres no Brasil” se expressou mal na entrevista, criando generalizações que não contribuem em nada para a discussão sobre a produção dos blogs brasileiros, erraram também as/os participantes da pretensa discussão que poderia ser levantada a partir do texto publicado.
Ao entrarem em “atrito” com um comentarista que assina Francisco Slade, os participantes da discussão deixaram claro sua pouca vontade de discutir o assunto. Acabamos caindo (aparentemente) na vontade de “marcar território”. Marcar posição na discussão… aparentemente uma estratégia inócua que pouco acrescentou.
Nessa discussão que seguiu o texto começaram a aparecer posições tão (ou mais) equivocadas que a da professora que originou o processo. Generalizações sem sentido sobre o que “devem” ou “não devem” ser os blogs. Ressurgimento de uma discussão equivocada sobre gênero: Mulheres são assim, homens são assado. E a aparição de termos qualitativos: Os blogs femininos são “mais” do que diários! Mais o quê, cara pálida?
Ou seja, o que poderia ser motivo de debate acabou virando/parecendo “mimimi”… com direito à aparição de trolls (trogloditas pouco educados que habitam a blogosfera!).
Outro exemplo de Mimimi insuportável foi a tal capa da revista Época com os 80 Blogs que você não pode perder. Nem vou entrar na discussão sobre a qualidade/validade da lista elaborada pelos editores da revista. Afinal, como toda lista, ela é arbitrária e representa a opinião de uma certa quantidade de pessoas. Não é (nem se pretende) definitiva sobre nada.
Porem, foi só essa lista vir à tona que começaram a pipocar as milhares de “reclamações” sobre seu conteúdo, forma, mecanismo de escolha, etc, etc, etc! Não é nada de novo esse tipo de reação e, obviamente, não demorou muito para surgirem os termos “panelinha” e “amiguinhos”! Ou seja, mais do mesmo.
Provavelmente eu não sou o único que deve estar meio que de saco-cheio com essas discussões… tanto é que somente nesta semana andei lendo uns dois ou três textos que tangenciam esse assunto. Um deles apareceu em um trecho do post de aniversário do Brainstorm #9. Falando de suas mudanças nos 06 anos em que está online, ele comenta:
Mudanças que me fazem ter preguiça dessa polícia dos blogs, dessas “polêmiquinhas” todas, discussões de audiência e webcelebridades. Quem pode mais, quem é mais importante, quem é mais formador de opinião. Preguiça de indiretas, de diretas e dos trolls.
Quando foi que mudaram a direção dos trilhos e não me avisaram? Se perde mais tempo atualmente discutindo as formas do que o conteúdo. É muito “mimimi”, muito umbigo. Muita gente vigiando e pouca gente fazendo.
Outro texto veio diretamente da discussão em uma lista com blogueiros e que acabou virando post no blog do Alessandro Martins:
As panelas sempre existiram.
Apenas é diferente o modo como os adultos as chamam.
Você pode preferir não fazer parte de nenhuma. Mas choramingar porque elas existem é como reclamar da lei da gravidade.
Os homens (e mulheres) são seres sociais e se unem em torno daquilo que têm em comum.
E é natural que um grupo, usando de sua força coletiva, tente conscientemente ou inconscientemente, buscar benefícios e promoção para si.
Se essa promoção de benefícios é ética ou não, aí são outros 500.
E por último, mas não menos importante, li no blog da Sam (companheira de NossaVia) uma reflexão que ela pescou do blog da Anny:
Sobre os comentários em blogs:“Escrever sobre os Blogs onde comento é muito bom. Foi o que mais fiz antes de ter um blog. Assim fiquei mais cuidadosa ainda com os meus comentários. Quer dizer, se não tenho nada para comentar ou responder, melhor não escrever nada. Ou que tal ler o assunto e responder o que está sendo perguntado se for uma pergunta ou dar a minha opinião se ela for pedida. Posso também parabenizar o autor do texto. O que é uma boa política. Se não concordo com a opinião, posso também discordar e explicar o motivo. Porque é bom não esquecer nunca que “Blogs são conversações”. Embora muita gente se esqueça disto.“