Nossa Via

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Archive for the ‘Internet’


A luta de classes na blogosfera

Assim como a Sam Shiraishi escreveu, este ano teve bons momentos para a blogosfera brasileira. Mas mesmo assim, como bem lembrou Max Reinert neste post, não faltou os mimimis em diversos pontos deste mundo de palavras.

Um dos mais polêmicos foi a manipulação no ranking do BlogBlogs, um dos maiores diretórios de blogs brasileiros. Teve gigante não aceitando ficar atrás de alguns nanicos e estes, por sua vez, justificam que a tal prática ajuda a derrubar o “Muro de Berlim blogosférico”, possibilitando aos sem-visitas maior visibilidade.

Guardadas as devidas proporções, esta situação me lembra a trajetória do presidente Lula. Quando ele era desconhecido, criticava o sistema. Agora que ganhou fama e conquistou o poder, teve que se adaptar ao mesmo sistema que antes criticava. Quando esses blogs crescerem em número de links e visitas, eles irão apoiar os pequenos ou defenderão a sua boa colocação nos rankings da vida?

O meu blog caiu centenas de posições com a brincadeira. Mas ainda assim, tenho orgulho pelos links conquistados de forma legítima.

Sem dúvida, essa luta entre os “Davis e Golias” 2.0 é motivada pelo ego de ambas das partes. Para ilustrar o comportamento deles, segue um clipe, ao invés de um programa de TV, como costumo fazer: “Busca Vida”, do Paralamas do Sucesso.

Ele ganhou dinheiro
Ele assinou contratos
E comprou um terno
Trocou o carro
E desaprendeu
A caminhar no céu
E foi o princípio do fim

Este trecho sintetiza o atual momento da blogosfera: muita gente esqueceu o prazer de compartilhar informações com os seus leitores através dos seus posts sem a necessidade de ser pago por isso.

É lógico que é ótimo ser lido por muita gente, receber vários links e ganhar dinheiro com o seu blog. Mas seria melhor ainda se todos os blogueiros, sejam gigantes ou anões, se preocupassem com a qualidade do seu blog e esquecer essa briga onde ninguém sai ganhando.

Sobre Luluzinhas, mimimis, trolls e afins!

Todo lugar que lida com gente é um balaio de gato!!! Vamos partir desse pressuposto? Pelo jeito, não há outra maneira.

Em dezembro deste ano vou completar dois anos como “blogueiro”. Ou seja, ainda estou engatinhando em todas estas coisas de mídias sociais, blogosfera, listas de discussão, rankings e etcssss… mas, uma coisa já consegui perceber: Eita gente para ter opinião! Opinião sobre tudo… e, às vezes, opinião demais da conta!

Um caso que pode servir de exemplo é a recente entrevista na CBN diário sobre os blogs de mulheres que rendeu uma imensa discussão e repercussão (dentro da blogosfera, naturalmente!). O blog da Luluzinha Camp SP publicou uma resposta (que, a princípio, eu até havia concordado), mas o caldo entornou mesmo foi nos comentários.

Porque se a professora/autora do livro “Segredos Públicos: Os Blogs de Mulheres no Brasil” se expressou mal na entrevista, criando generalizações que não contribuem em nada para a discussão sobre a produção dos blogs brasileiros, erraram também as/os participantes da pretensa discussão que poderia ser levantada a partir do texto publicado.

Ao entrarem em “atrito” com um comentarista que assina Francisco Slade, os participantes da discussão deixaram claro sua pouca vontade de discutir o assunto. Acabamos caindo (aparentemente) na vontade de “marcar território”. Marcar posição na discussão… aparentemente uma estratégia inócua que pouco acrescentou.

Nessa discussão que seguiu o texto começaram a aparecer posições tão (ou mais) equivocadas que a da professora que originou o processo. Generalizações sem sentido sobre o que “devem” ou “não devem” ser os blogs. Ressurgimento de uma discussão equivocada sobre gênero: Mulheres são assim, homens são assado. E a aparição de termos qualitativos: Os blogs femininos são “mais” do que diários! Mais o quê, cara pálida?

Ou seja, o que poderia ser motivo de debate acabou virando/parecendo “mimimi”… com direito à aparição de trolls (trogloditas pouco educados que habitam a blogosfera!).

Outro exemplo de Mimimi insuportável foi a tal capa da revista Época com os 80 Blogs que você não pode perder. Nem vou entrar na discussão sobre a qualidade/validade da lista elaborada pelos editores da revista. Afinal, como toda lista, ela é arbitrária e representa a opinião de uma certa quantidade de pessoas. Não é (nem se pretende) definitiva sobre nada.

Porem, foi só essa lista vir à tona que começaram a pipocar as milhares de “reclamações” sobre seu conteúdo, forma, mecanismo de escolha, etc, etc, etc! Não é nada de novo esse tipo de reação e, obviamente, não demorou muito para surgirem os termos “panelinha” e “amiguinhos”! Ou seja, mais do mesmo.

Provavelmente eu não sou o único que deve estar meio que de saco-cheio com essas discussões… tanto é que somente nesta semana andei lendo uns dois ou três textos que tangenciam esse assunto. Um deles apareceu em um trecho do post de aniversário do Brainstorm #9. Falando de suas mudanças nos 06 anos em que está online, ele comenta:

Mudanças que me fazem ter preguiça dessa polícia dos blogs, dessas “polêmiquinhas” todas, discussões de audiência e webcelebridades. Quem pode mais, quem é mais importante, quem é mais formador de opinião. Preguiça de indiretas, de diretas e dos trolls.

Quando foi que mudaram a direção dos trilhos e não me avisaram? Se perde mais tempo atualmente discutindo as formas do que o conteúdo. É muito “mimimi”, muito umbigo. Muita gente vigiando e pouca gente fazendo.

Outro texto veio diretamente da discussão em uma lista com blogueiros e que acabou virando post no blog do Alessandro Martins:

As panelas sempre existiram.
Apenas é diferente o modo como os adultos as chamam.
Você pode preferir não fazer parte de nenhuma. Mas choramingar porque elas existem é como reclamar da lei da gravidade.
Os homens (e mulheres) são seres sociais e se unem em torno daquilo que têm em comum.
E é natural que um grupo, usando de sua força coletiva, tente conscientemente ou inconscientemente, buscar benefícios e promoção para si.
Se essa promoção de benefícios é ética ou não, aí são outros 500.

E por último, mas não menos importante, li no blog da Sam (companheira de NossaVia) uma reflexão que ela pescou do blog da Anny:

Sobre os comentários em blogs:“Escrever sobre os Blogs onde comento é muito bom. Foi o que mais fiz antes de ter um blog. Assim fiquei mais cuidadosa ainda com os meus comentários. Quer dizer, se não tenho nada para comentar ou responder, melhor não escrever nada. Ou que tal ler o assunto e responder o que está sendo perguntado se for uma pergunta ou dar a minha opinião se ela for pedida. Posso também parabenizar o autor do texto. O que é uma boa política. Se não concordo com a opinião, posso também discordar e explicar o motivo. Porque é bom não esquecer nunca que “Blogs são conversações”. Embora muita gente se esqueça disto.

Sobre a transitoriedade das coisas.

Em uma semana de muito trabalho, acabei ficando longe da TV, do cinema e praticamente da web também. A correria do dia-a-dia offline acabou me levando para outros lugares e, logicamente, fiquei meio que sem assunto para postar por aqui. Acreditem, você não iriam querer saber da minha rotina de apresentações no interior do Paraná. Mas, eis que um comentário aqui no NossaVia, neste post aqui, acabou por me trazer um belo assunto para um novo post!

No comentário, o leitor Derek questionava minha opinião sobre “A Favorita”. Não se preocupem, não vou falar novamente da novela (não é importante saber o conteúdo do comentário!) e sim de como qualquer opinião pode mudar em tão pouco espaço de tempo.

Em tempo de internet e mídias sociais, adquirimos uma grande facilidade para “expressar” nossa opinião sobre tudo! Não que isso seja uma invenção moderna, mas as opiniões que anteriormente expressávamos em nosso círculo de amizades, agora são expostas a qualquer um que tiver acesso à elas em qualquer lugar do mundo. Basta uma busca no Holly Google que encontramos gente escrevendo sobre tudo em qualquer lugar do mundo. (Duvida?)

O caso é que, naturalmente, com o tempo sua opinião sobre determinado assunto pode mudar, variar, tornar-se inclusive oposta àquela inicial. No seu círculo de amizade você simplesmente acaba por deixar claro qual sua nova posição. (No caso específico da novela, acredito que ela se rendeu à mediocridade do seu público!) Mas, e na web? Você realmente vai voltar e linkar seus posts antigos com um “Ops, mudei de opinião!”?

No caso de um leitor assíduo de seu blog, aquela conversa informal acaba acontecendo naturalmente. Ele não é seu amigo, mas às vezes, pelo menos virtualmente, esse vínculo acaba acontecendo.

O problema é que em tempos de leitura não-linear, mecanismos de busca e TONELADAS de informação fica difícil saber exatamente onde você deixou registrada uma opinião sobre este ou aquele assunto. Não me lembro de todos os milhares de comentários que já deixei em blogs. Inclusive já cheguei a encontrar um comentário que havia deixado “por aí” e nem lembrava. (Tudo bem, eu tenho problemas! Admito!!)

Nem tenho uma opinião completamente formada sobre este assunto, mas me vi pensando sobre isso após ler uma famosa frase de Mario Quintana escrita após ele ter sido convidado a escrever algo para gravar abaixo de seu busto em uma homenagem em sua terra natal:

Um engano em bronze é um engano eterno!

E na web? Um engano cibernético é um engano o quê?

Papo de Empreendedor

 

www.papodeempreendedor.com.br

www.papodeempreendedor.com.br

 

 

Os leitores da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da Editora Globo, acabam de ganhar mais um canal de comunicação com a publicação. Entra no ar o Papo de Empreendedor, feito com a participação de toda a equipe de redação. Os assuntos abordados nas postagens estão organizados por tema ? bastidores da revista, empreendedorismo, finanças, franquias, inovação, leis & taxas, marketing, oportunidades, recursos humanos, sustentabilidade, tecnologia e varejo ? e também podem ser pesquisados pelo nome do autor. [da Assessoria de Imprensa da Editora Globo]

Juliano Spyer, autor do ótimo livro Conectado, em seu mais recente post publicado no blog Não Zero, argumenta sobre o porquê do jornalista ter dificuldades para blogar. Segundo Spyer, “o jornalista não se adapta à web porque está submetido a um mercado profissional que favorece a especialização técnica, não enxerga valor na prática do relacionamento e promove a anulação da personalidade do profissional. ” 

Estou vivendo uma experiência profissional das mais ricas, em que, como especialista em mídias digitais, tenho a oportunidade de levar, pela Coworkers, à redação da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios (Ed. Globo) um extenso trabalho de conversão de seu casting de jornalistas e redatores em blogueiros.

 

Helton Kuhnen, Roberta Rosseto e Samantha Shiraishi - Redação PEG

Helton Kuhnen, Roberta Rosseto e Samantha Shiraishi - Redação PEG

Dividimo-nos, Helton Kuhnen, Samantha Shiraishi e eu, respectivamente, em frentes de ações técnicas (edição de ferramentas, tagueamento e indexação de conteúdo, programação, etc), de conteúdo (trainamento, formatação de padrões de textos e de moderação de comentários) e de posicionamento estratégico como mídia essencial e verdadeiramente social. Transformamos a revista digital da PEGN em mídia social, onde cada um dos autores e editores foram preparados para, além de informar, interagir com os seus usuários na web.

 

Numa etapa por vir e já em fase de preparação, o novo blog da revista - entitulado Papo de Empreendedor - vai trazer aos seus usuários uma abertura que vai além do espaço de comentários; vai convidar empreendedores blogueiros para colaborar na ciação de conteúdo interativo. Vai ainda aportar nas suas páginas serviços que visarão facilitar a vida do pequeno e médio empreendedor, tudo de forma bastante interativa e colaborativa.

O Juliano Spyer está certo. Não é fácil esse aculturamento de jornalistas para essa nova realidade da comunicação interativa. Mas os nossos pupilos da PEGN, capitaneados pela Roberta Rosseto - diretora da revista-  não mediram esforços e demonstraram sempre muita força de vontade e progressos inegáveis nessa jornada ainda incipiente rumo à web 2.0. 

Queria dizer do meu orgulho em servir-lhes de degrau de acesso a esse novo e fervilhante mundo!

Ainda hoje publiquei no blog corporativo da Coworkers Mídias Sociais mais uma rodada do debate para o qual convidei, no Boombust, meu blog pesoal, alguns ícones da web para discutirmos juntos o atual cenário das comunicações digitais e sociais no Brasil e no mundo. O painel de hoje, moderado pelo Manoel Fernandes (Revista Bites) traz exatemente o tema “O encontro digital das mídias sociais e tradicionais“.

Perguntados se ?faz algum sentido a afirmação de que a mídia como conhecemos ainda vai acabar??, Silvio Meira, Cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Kaike Nanne, Diretor do Núcleo de Revistas Semanais da Editora Abril, Marcelo Coutinho, Diretor do Ibope Inteligência e Aloisio Sotero, BPO da Dufry e presidente do Teleporto de Educação narram, com base nas suas experiências, suas visões a respeito da convergência dos diversos formatos de mídia de forma a se complementarem.

Helton, Samantha e eu somos mesmos uns felizardos pelas oportunidades que vimos conseguindo criar e empreender nesse cenário tão apaixonante das mídias sociais!

Nome Próprio - Ou você se identifica… ou?

Você já viu um filme que fala sobre blogueiros? Eu nunca tinha visto, até essa semana. Fui assistir a Nome Próprio, que recentemente ganhou o prêmio de Melhor Filme, Melhor Atriz (Leandra Leal) e Melhor Direção de Arte (Pedro Paulo de Souza) no Festival de Cinema de Gramado (RS).

Eu já havia ouvido falar muito bem do filme e da atuação de Leandra, assim como também havia ouvido falar muito de Clarah Averbuck, autora dos dois livros (Máquina de Pinball e Vida de Gato) que serviram de base para o roteiro. A verdade é que não li os livros dela, mas até achei que estaria ganhando pois não ficaria fazendo comparações (odiosas, sempre!) entre o “lido” e o “filmado”. De qualquer forma, parece que  ter lido os livros teria sido meio inútil (leia aqui e aqui).

Pois bem, no filme, encontramos Camila, uma jovem de Brasília que vai pra São Paulo com o namorado para viver na cidade. O filme começa com uma briga tremenda e Camila sendo expulsa da casa do rapaz por traição. O filme vai se passando e Camila vai se expondo cada vez mais na internet (através do tal blog!) até que decide escrever um livro. Álcool, drogas, muito sexo, nudez e traição é o que mais se vê no filme.

Das duas uma: ou a minha vida tem sido muito chata, ou já passei da idade!

Achei o filme clichê demais, gratuito demais! Achei que o roteiro fica dando voltas em si mesmo e acaba por não definir sobre o que quer falar. No site, o diretor (Murilo Salles) diz que quer falar do “transbordamento desse personagem feminino”. Pode ser… mas não me convenceu. A Camila do filme ficou parecendo mais uma burguesinha mimada que quer aquilo que não pode ter. A idéia que se reforça dos blogs ainda é a de um espaço de “diário” onde se lava roupa suja adolescente.

De qualquer forma, nem só de identificação vive um filme. Não precisei me identificar com um serial killer para acompanhar “O Silêncio dos Inocentes”.  Não preciso ser um drogado para me identificar com “Transpoitting”. Não me identifiquei com muitos outros personagens de outros filmes para poder reconhecer os méritos que eles podem ter ou para acompanhar a história que eles querem me contar.

Nesse sentido acho que o maior defeito de “Nome Próprio” é o roteiro de Elena Soarez, Melanie Dimantas e do próprio diretor. Junta-se a isso um ritmo arrastado e uma série de sequências gratuitas: alguém pode me dizer para que estava no filme aquela cena da transa de Camila com o cara do interior de São Paulo?

Enfim, eu devo estar ficando velho mesmo!

Trailer Oficial do filme “Nome Próprio”