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Nossa Via

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Archive for the ‘Internet’


Second Life, The Sims e outras Realidades Virtuais

Eu garanto que algum dia você já se pegou pensando em viver num outro mundo, numa outra realidade. Outra realidade na qual você poderia fazer qualquer coisa, ser quem bem entender, trabalhar no melhor local, ter seu apartamento ou casa do jeito que você quiser, etc. Isso é possível atualmente, de forma que não prejudica ninguém, na realidade virtual.

No Second Life, por exemplo, você cria uma conta e então escolhe um avatar para iniciar sua Segunda Vida. ÿ o que muitas pessoas precisam, deixar um pouco O Mundo Real e se divertir num local que você possa ser quem você realmente quer e fazer o que bem entender sem sofrer consequências reais por seus atos. Posso dizer que o jogo de realidade virtual é realmente interessante, desde que você também tenha uma Primeira Vida no Real World :)

Já o game The Sims (da Eletronic Arts), o maior sucesso de todos os tempos em jogos de realidade virtual já criado, ganhou incríveis e divertidas 17 expansões desde sua estréia em 2000 e passou a ser o jogo mais bem sucedido em termos de realidade virtual e cópias vendidas em todo o mundo. Eu, como bom adolescente que era, joguei todas as expansões e passei algumas várias SEMANAS em frente ao computador, criando minha “segunda vida” (virtual claro), desde o nascimento até o sucesso profissional e depois construindo a casa e decorando da forma que sonho em um dia ter uma :D

Agora eu penso na decoração e concretização da casa dos sonhos na vida real e por coincidência fui convidado a conhecer o Maxhaus, um sistema no qual você pode decorar o seu apartamento de 70m² da forma que bem entender. No site há também a opção de conhecer um apartamento pronto, já mobiliado e decorado por arquitetos e designers, mas você pode optar por decorar seu futuro apartamento manualmente, escolhendo desde a cor das paredes até a planta que será colocada no canto da sala, tudo via realidade virtual :D

As corporações querem comer você: é natural que elas queiram o fim da neutralidade na rede

Morcego

Os Estados Unidos fizeram a 14ª emenda a sua constituição, depois da Guerra Civil, para garantir sobretudo os direitos às mulheres e homens negros recém-libertados.

Décadas após ela surgir apenas algumas duas ou três dúzias de cidadãos negros abriram processos em que a evocavam.

E centenas de empresas, corporações, faziam o mesmo.

Isso foi possível porque em algum momento algum advogado teve a genial idéia de enquadrar uma corporação no conceito de pessoa. Pessoa jurídica. Com direitos e tudo o mais. A justiça americana, na época, acatou.

Antes disso, corporações tinham data para começar e terminar e o objetivo de realizar um empreendimento em que alguém, sozinho, não daria conta.

Claro. Ao mesmo tempo em que uma empresa tem direitos ela tem deveres. Porém não tem um corpo - para prender - ou, ao menos, a suposição de uma alma - para condenar à danação eterna.

Ao longo do documentário A Corporação uma das coisas mais interessantes que se demonstra é o tipo de personalidade que essas grandes empresas teriam se existissem fisicamente tanto quanto existem juridicamente: a personalidade de um psicopata. Elas não estão sujeitas aos mesmos dilemas morais que nós, que temos um tempo limitado de existência e a ligação ética e emocional com as pessoas próximas.

O engraçado, no filme, é ver que mesmo as pessoas que estão no comando dessas grandes empresas tem pouco poder sobre elas. O indivíduo não tem mais força que a egrégora. Ou se vai na mesma direção que ela ou se é substituído de uma forma ou de outra. Isso não é motivo para se omitir, porém.
O indivíduo pode fazer o seguinte:

Relembremos as origens da rede (…). O segundo avanço foi o desenvolvimento em 1990 da WWW (World Wide Web), a famosa teia mundial, pelo físico inglês Tim Berners-Lee, revolucionando o modo de navegação e apresentação de conteúdos, com a integração de textos e imagens, por meio de hyperlinks e conexões instantâneas, em linguagem HTML.

(…) Berners-Lee decidiu ceder gratuitamente ao mundo seus direitos sobre o software da WWW. O altruísmo do pesquisador contrasta com a ganância atual das operadoras de telecomunicações americanas. Sua resposta aos colegas de pesquisa foi categórica: “Não preciso desses royalties. Por isso, eu os cedo gratuitamente à humanidade. ÿ a minha contribuição à democratização e universalização da internet”. (Fonte: Ministério da Cultura).

Talvez seja com essas belas palavras que ele seja lembrado na História, não?

Claro que Berners-Lee teria ganhos com sua descoberta, mesmo abrindo mão dos royalties. Mas ele sabia que não precisava de todos os ganhos possíveis. Diferentemente, uma corporação não é capaz de abrir mão de coisas a não ser em algumas situações que envolvam cerceamento jurídico, negociação com outras empresas e necessidade mercadológica.

Afinal, uma corporação…

… incorpora. Oras bolas.

Dar coisas gratuitamente, de fato, não faz parte da natureza das corporações e sempre que alguma me oferece algo nesses termos eu penso no que ela vai ganhar com isso. De graça é o preço mais alto que você pode vir a pagar.

Por isso, quando as empresas de comunicação do Brasil começarem a falar do fim da neutralidade da rede por aqui - se falarem - para dar mais qualidade de acesso e conteúdo para você, pense no que elas estarão tentando tomar.

Melhor ainda: a coisa é mais sutil. Pense no que elas querem que você ceda.

Fim da neutralidade na Rede: você pode perder direitos

Imprensa

A grande sacada da internet é que você deixou de ser o mero consumidor passivo de informações e passou a ser um consumidor mais ativo. Deixou de ser aquele cara para quem escolhem a programação. Passou a escolher mais.

Dependendo do caso, você tornou-se um produtor de informações. Mesmo que sejam informações relativas tão somente a como foi o seu dia.

Atualmente, os provedores da internet, as empresas de comunicação que cuidam para que as informações cheguem a seu computador, devem fazê-lo sem distinção. Entregá-las, venham do site da Globo ponto com, venham do Miguxos ponto com, na mesma velocidade e qualidade. A velocidade só varia no destino, no seu computador. Não na origem.

Isso é neutralidade na rede.

Nos Estados Unidos, já há dois anos se discute intensamente sobre a vontade questionável que as empresas de comunicação - destaque para AT&T, Verizon e Comcast - têm em controlar esse processo, selecionando - suponho que com critérios econômicos - aquelas informações que chegarão mais facilmente ao computador do cidadão.

A internet feita por pessoas, aquelas que têm blogs - meu caso e o caso de infindáveis amigos - perderia em preferência, por motivos financeiros ou que envolvessem outros interesses. Bem. No fim da linha, o interesse é sempre financeiro quando se trata de corporações.

Ao passo que você, que lê blogs e visita a loja virtual de imãs de geladeira de sua tia, além de uma infinidade de outros tipos de sites feitos por pessoas - e não por corporações -, também seria prejudicado.

Você retrocederia um pouco (muito) na sua capacidade recém-conquistada de escolher mais ativamente o que ler, assistir e ouvir. A voz das pessoas, dos indivíduos, mais uma vez seria encoberta. O pé da igualdade que hoje reina na internet levaria uma topada.

O interessante é que essas empresas vão dar a essa possível mudança a cara de que é tudo para o seu bem, como sempre. Lembre dos sujeitos sorridentes nas propagandas de cartão de crédito: não são pessoas que pediram empréstimos e estão penando no rotativo, mas atores contratados.

No Brasil, o cenário é o seguinte, segundo o Portal Cultura:

No Brasil existem vários provedores que também são donos de grandes portais, e isso é uma situação potencialmente perigosa para a neutralidade da rede brasileira. Se a idéia pega por aqui, os portais das próprias empresas e quem mais pagasse teria vantagem sobre os outros. Mas será que existe mesmo o risco dessa jogada ser tentada no Brasil? “Tem esse risco sim”, diz Demi Getschko, um dos mais respeitados especialistas em Internet do país, durante entrevista no estande do RadarCultura no Campus Party. Getschko é Diretor Presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto br (NIC.br) e membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). O NIC.br é a entidade que cuida do registro e manutenção dos nomes de todos os domínios que terminam em .br. Ele explica que a falta de regulamentação sobre o assunto e o pequeno número de empresas concorrentes podem ser um ambiente favorável a esse tipo de decisão.

Pode apostar que o tema é largamente aventado nas reuniões das empresas brasileiras desse meio. Mas por aqui, de fato, a conversa ainda está crua, mesmo porque as companhias que controlam o fornecimento da internet ainda não se manifestaram claramente quanto ao seu posicionamento.

E também tive alguma dificuldade para encontrar artigos sobre esse tema em blogs. Aparentemente, a blogosfera brasileira está muito ocupada com monetização, por enquanto.

Na semana que vem falarei sobre o documentário A Corporação que, embora não trate do tema Neutralidade na Rede diretamente, explica o funcionamento dessas entidades e faz entender por que é natural que elas queiram abocanhar fatias cada vez maiores de direitos dos indivíduos.

Em defesa da inocência

Contra pedofilia, em defesa da inocência foi o tema, árduo e corajoso, que reuniu 240 blogs nesta semana. A falta de alguns blogueiros que não se omitiriam (mas estavam ocupados com os contatos offline no Cparty) não prejudicou a proposta da advogada Luma Rosa, do Luz de Luma, e divulgada pelos Amigos da Blogosfera. Não é a primeira vez que blogs se reúnem para falar sobre um tema único - Aleitamento Materno, Ordem e Progresso, Impunidade, Meio Ambiente, Operação Amazon, Um apelo à paz na terra, Religão e Saúde Pública são temas freqüentes das reuniões de pessoas de diferentes profissões que, mesmo estando locais diversos do globo se reúnem unicamente para ter mais força ao falar em conjunto.

Arrisco-me hoje a falar aqui da blogosfera, como quem conversa com amigos sobre amigos, para reforçar este fenômeno que envolve a mudança do texto opinativo - ou informativo - do profissional de mídia para o internauta “leigo”.

(more…)

O que são blogs, afinal?

Sexta-feira à tarde aconteceu um debate interessante via Twitter (não disse que ele é útil?). Juntamente com Nospheratt, Graveheart, Lu Freitas, Navarro, entre outros, houve uma grande discussão sobre o que são blogs.

Fala sério: Se nem nós sabemos definir blogs, como podemos ensinar a alguém?

A conversa nasceu sobre o fato de muitos blogs usarem tema “revista” - inclusive este no qual você está lendo. A moda pegou e muitos estão aderindo. Mas blogs podem ser revistas? Qual a diferença entre revistas eletrônicas e blogs? O que são blogs?

Este é um tema complexo. Para saber diferenciar revistas de blogs, é preciso primeiramente ter uma definição de blogs. Imagina se você hoje tivesse a missão de criar uma definição no Michaelis (cito-o porque acho mais cool dentre os dicionários brasileiros) sobre o que é um blog, o que você escreveria?

Primeiramente, vamos nos fazer algumas perguntas:

Blog é um site? Sim, todo blog é um site, mas o contrário não é verdadeiro.
O blog tem a visão de um autor? Depende. Pode ter um único autor, mas pode ter dois, três ou uma equipe inteira, tendo assim múltiplas perspectivas.
Blogs são interativos?
Depende do blog. Alguns são mais, outros são menos. Alguns permitem comentários, outros não. Alguns permitem envio de conteúdo (como o Nossa Via), outros não.
Blog é conversação? Simplista por demais. Além do que, como disse antes, alguns tem comentários, outros não. Se não tem comentário, dá para evidenciar conversação?
Blogs são amadores? Varia de blog para blog. Alguns são amadores e levantam esta bandeira. Outros são profissionais, com estrutura hierárquica, plano de negócios e estratégico.
Blogs são independentes? No Brasil ainda são, apesar das parcerias com portais que estão surgindo.

Baseado nisso, elaborei então uma definição:

Blog é um site, que pode ou não ser interativo através de participação dos leitores, escrito a partir do ponto de vista de uma ou mais pessoas,com independência, de forma profissional ou amadora.

E você como definiria? Concorda? Discorda? Quer complementar esta definição? Opine!