Não dá mais para esperar!

A escola sempre foi e sempre será o caminho para se formar cidadãos. A formação de qualidade é quesito sine qua non para uma sociedade ética, segura, formadora de opinião. Para que isso aconteça a escola tem que abranger a educação em todos os campos atrelando ao conteúdo didático a música, a arte, a puericultura, a administração orçamentária, enfim todos os quesitos fundamentais para uma atuação eficaz em sociedade. Não estou falando em formar especialistas em cada área, mas propiciar o contato básico com cada uma delas. Isto, com certeza, fará a diferença na formação do indivíduo.
O aluno de hoje será o homem produtivo na sociedade de amanhã.
O sucesso do desempenho como cidadão e como trabalhador está embasado nos ensinamentos que recebeu na escola.
O conteúdo não tem que ser seccionado. Muito pelo contrário, tudo tem que estar totalmente amarrado, afinal nossas ações cotidianas não são divididas por partes. Não se pode agir programada para ser honesta das 10h às 11h, ser educada das 13h às 15h, ser profissional das 8h às 9h, ser amiga das 19h às 20h, ser pai… ser filho…, ser alegre… ser…
O indivíduo é completo e como tal vive seu cotidiano, então porque é que na escola o conteúdo tem que ser ministrado isoladamente.
ÿ claro que não estou sugerindo que acabem com as aulas de Português, de Matemática e assim por diante. Estou fundamentando que o conteúdo das matérias deve estar intimamente ligado uma vez que os fatos e seus efeitos não acontecem separadamente.
Tomemos como exemplo o Romantismo (1800 a 1850) que foi um movimento artístico e intelectual que incidiu na literatura, na filosofia, nas artes plásticas propondo uma elevação de sentimentos acima do pensamento (razão), enaltecendo o espírito de patriotismo levando os guerrilheiros a defenderem e morrerem heroicamente por sua pátria e que provocou profundas mudanças sociais, políticas e culturais causadas por acontecimentos como a Revolução Industrial mudando a concepção de trabalho e os direitos dos cidadãos, e pela Revolução Francesa que lutava por uma sociedade mais harmônica.
O amor corria nas veias levando os amantes não correspondidos ao suicídio.
A arquitetura passou a exprimir traços nostálgicos em suas construções bem como as esculturas apresentavam-se com pouca originalidade enaltecendo o espírito romântico. Este movimento envolveu o mundo todo deixando suas marcas nas grandes construções e no abandono das classes menos favorecidas.
Na literatura, romances eram publicados ao redor do mundo em razão da atmosfera romântica do período.
O romantismo musical é marcado pelo domínio da ópera italiana, bem como pela consagração de nomes como Schubert, Brahms e Wagner.
Na pintura traços marcantes como a valorização das cores claras e escuras e a dramaticidade foram retratadas por pintores como Goya e Delacroix.
Podemos dizer que toda a arte moderna e suas influências são derivadas do Romantismo.
Como então podemos trabalhar este tema tão efervescente, isoladamente? Como podemos falar de Romantismo somente citando as obras literárias nas aulas de Português e no ano seguinte falarmos de Romantismo em História quando formos explicar a Revolução Francesa…
Não podemos assassinar o ensino. Para que a aprendizagem ocorra é necessário que esta seja significativa, e para tornarmos o conteúdo significativo temos que unir os fatos e não separá-los tornando-os apenas informações soltas.
Na verdade iniciei este artigo para falar da proposta do senador Cristóvam Buarque que lançou quinta-feira passada um projeto de lei que prevê a exibição obrigatória de obras audiovisuais de produção nacional por no mínimo duas horas mensais.
Achei, mais uma vez, uma atitude maravilhosa do iluminado senador, porém me empolguei quando comecei a escrever porque não aceito a metodologia imposta aos nossos alunos, e saiu o texto acima.
Prometo que na próxima semana escreverei sobre esta proposta uma vez que o assunto merece todo nosso respeito e consideração.
ÿltimos posts de Cybele Meyer
- Feliz Aniversário Educar Já!
- Férias - Felicidade de uns tormento de outros
- Coloque seu currículo na internet, porém coloque muito mais internet no seu currículo
- A Sétima arte entra na sala de aula
- Será que voltaremos a ser queimadas em praça pública?
Posts Releacionados
-
No related posts





















June 10th, 2008 at 01:06
Por um acaso esse texto foi irônico? Não consegui determinar exatamente se a autora estava falando sério. Na dúvida fico com a idéia de que realmente estava expressando uma opnião.
Afirmar que a escola é o único caminho para formação da pessoa é no mínimo ingenuidade. A escola, no formato em que conhecemos, não passa de uma unidade massificadora que prega valores iguais para todos, matando a essência do indivíduo.
Os pais atuais, com toda sua estupidez, preferem abrir mão da responsabilidade de educar seus filhos, deixando isso a cargo de uma instituição que nada mais fará além de preparar o jovem para esse “tal mercado”, ao invés de mostrar como pensar por si próprio.
O projeto sobre a exibição de obras audiovisuais poderia ser considerado louvável se não fosse por dois “meros” detalhes: a obrigatoriedade e a nacionalidade.
Por quê o conteúdo tem que ser nacional? Cultura é uma coisa universal e fazer com que apenas obras brasileiras sejam exibidas, meramente por serem nacionais, é empurrar goela abaixo uma cultura nacionalista, que ao meu ver é limitante e não permite que culturas se misturem. ÿ a velha máxima do “o meu é melhor que o seu”.
June 10th, 2008 at 03:06
Cybele
nem tinha lido este comentário acima e ia falar sobre isso: não acredito que a escola forme cidadãos. Quem forma o cidadão é a família, a comunidade e pode ser, também, a escola. Mas não prioritariamente.
Sobre o conteúdo ser ministrado isoladamente na escola, vejo que há instituições, pelo menos particulares, que fazem um caminho de integração. A escola de meus filhos, que utiliza método educacional do grupo Pueri Domus, tem aulas sempre mescladas e me surpreendo positivamente com a forma como estimulam o raciocínio das crianças. Mas é preciso que os professores tenham interesse neste pensamento complexo. No ano passado meu filho mais velho teve uma professora que, mesmo com método didático excelente e turma acostumada a raciocinar, preferia uma decoreba vazia - e fez os meninos perderem um ano de ensino com uma visão antiquada. Num mundo tão mesclado, em que o privado e o público se mesclam o tempo todo, a criança e o jovem está pronto para re-conhecer cidadania em tudo, não só na escola. Mais do que melhorar os conteúdos da escola, precisamos criar a integração entre os mundos que os estudantes freqüentam e estar prontos para conviver com eles nos diferentes espaços.
P.S. Gostaria de te pedir que deixe um link com a notícia do projeto do Senador Cristóvam Buarque para podermos nos familiarizar com tema, pois ajudará a entender seu entusiasmo.
June 10th, 2008 at 04:06
Olá Fábio, tudo bem?
Em primeiro lugar obrigado pelo seu comentário. Que bom que temos focos diferentes sobre o mesmo assunto.
A criança, como ser social que é, amplia a sua convivência ao entrar na escola saindo do círculo restrito que é a família. ÿ o seu ingresso no convívio em sociedade.
Na escola a criança irá aprender a dividir, a compartilhar, a escutar, a falar, a esperar a sua vez, a ganhar, a perder, a devolver tudo que pegar emprestado e tantos outros conceitos fundamentais para a formação do cidadão. A escola é um espaço rico para esta formação e para tornar apto o indivíduo a viver e conviver em sociedade.
Porém, em momento algum afirmei ser o ÿNICO caminho e sim o caminho para se formar cidadão.
De certa forma, você concordou comigo ao firmar: Os pais atuais, com toda sua estupidez, preferem abrir mão da responsabilidade de educar seus filhos, deixando isso a cargo de uma instituição…
Esta formação inicia-se desde a Pré-escola ? aí está o sentido da formação. A criança entra para a escola com 2 anos em média, e sai com 24 anos formada, tendo uma profissão. Infelizmente isso não acontece com a maioria, é por esta razão que temos uma sociedade deformada que prima pela miséria e pela violência.
O meu foco no artigo se deu principalmente ao conteúdo curricular e continuo afirmando que há que se rever as estruturas didáticas da escola para propiciar o desenvolvimento de cidadãos formadores de opinião, e só conseguirá desenvolver isso a partir do momento que a escola deixar de exigir respostas decoradas de conceitos seccionados. Só se é capaz de formar opinião sobre um determinado assunto quando se tem uma visão holística sobre ele
Quanto a minha manifestação sobre a exibição de filmes brasileiros constarem do currículo escolar (para isso tem que se tornar obrigatória, como o caso da filosofia e da música que também estão voltando ao currículo, caso contrário, são deixadas de lado), acho excelente, bem como a filosofia, tão importante para que o aluno aprenda a pensar e a formar opinião, e a música tão fundamental para o desenvolvimento do ritmo imprescindível para o desenvolvimento da escrita e da coordenação motora.
Por que serem os filmes brasileiros? Porque somos brasileiros e temos que dar valor aos nossos atores e diretores que, sem incentivo e patrocínio, colocam além do seu talento e de toda a sua boa vontade, dinheiro do próprio bolso para produzir entretenimento para nós. O mínimo que podemos fazer num país onde se tira ?suor de pedra? é justamente dar a oportunidade de eles mostrarem o seu valor.
Se conseguirmos valorizar o que é nosso, valorizaremos o que é dos outros. Assim nossos alunos poderão formar opinião e poderão analisar não só os filmes como todo o tipo de arte de todo o mundo, uma vez que a arte é universal.
Para eu cuidar do outro, tenho primeiro que saber cuidar de mim.
Isto é ser cidadão.
Abs e sucesso!
June 10th, 2008 at 05:06
Sam,
Como disse para o Fábio acima, a escola é praticamente o primeiro contato da criança com a vida em sociedade. ÿ ali que ela vai conviver com crianças da mesma idade, com os mesmos interesses ou não, aprendendo a conviver com a diversidade e com inúmeras situações que, dentro de casa, não acontecem.
Além do mais, hoje é normal, assim que acaba a licença maternidade, a criança ficar na creche das 7h da manhã até às 18h30 que é o horário em que a mãe sai do trabalho. Esta criança da creche e passa para a Educação Infantil e continua a cumprir o mesmo horário. Somente quando vai para o Ensino Fundamental é que passa a ficar meio período na escola ficando o outro, normalmente, com a auxiliar do lar.
ÿ na escola que esta criança passa boa parte do seu dia e é lá que ela irá vivenciar situações decisivas para a sua formação. O professor estará intervindo, sempre que necessário, para que esta formação ocorra.
ÿ claro que a parceria família/escola é fundamental para a boa formação da criança, mas não foi por este caminho que conduzi meu artigo e sim pela transmissão de conteúdo de forma entrelaçada entre as matérias. Há escolas modelos que aplicam este tipo de didática, porém são muito poucas e apresentam resultados excelentes, porém, para que essa nova realidade de ensino aconteça de uma maneira geral é necessário que muitas mudanças aconteçam e principalmente, que se jogue fora velhos e ultrapassados conceitos.
Quanto ao projeto do Senador Cristóvão Buarque eu ouvi o comentário do Gilberto Dimenstein na CBN. Então fui pesquisar na web e o link é este:
http://www.culturaemercado.com.br/post/cinema-nacional-pode-integrar-curriculo-escolar/
June 10th, 2008 at 05:06
Sam,
Como disse para o Fábio acima, a escola é praticamente o primeiro contato da criança com a vida em sociedade. ÿ ali que ela vai conviver com crianças da mesma idade, com os mesmos interesses ou não, aprendendo a conviver com a diversidade e com inúmeras situações que, dentro de casa, não acontecem.
Além do mais, hoje é normal, assim que acaba a licença maternidade, a criança ficar na creche das 7h da manhã até às 18h30 que é o horário em que a mãe sai do trabalho. Esta criança da creche e passa para a Educação Infantil e continua a cumprir o mesmo horário. Somente quando vai para o Ensino Fundamental é que passa a ficar meio período na escola ficando o outro, normalmente, com a auxiliar do lar.
ÿ na escola que esta criança passa boa parte do seu dia e é lá que ela irá vivenciar situações decisivas para a sua formação. O professor estará intervindo, sempre que necessário, para que esta formação ocorra.
ÿ claro que a parceria família/escola é fundamental para a boa formação da criança, mas não foi por este caminho que conduzi meu artigo e sim pela transmissão de conteúdo de forma entrelaçada entre as matérias. Há escolas modelos que aplicam este tipo de didática, porém são muito poucas e apresentam resultados excelentes, porém, para que essa nova realidade de ensino aconteça de uma maneira geral é necessário que muitas mudanças aconteçam e principalmente, que se jogue fora velhos e ultrapassados conceitos.
Quanto ao projeto do Senador Cristóvão Buarque eu ouvi o comentário do Gilberto Dimenstein na CBN. Então fui pesquisar na web e o link é este:
http://www.culturaemercado.com.br/post/cinema-nacional-pode-integrar-curriculo-escolar/
E meu entusiasmo se deve a ser uma brasileira que desde a época da ditadura, quando tinha ainda 18 anos, luta por um Brasil melhor. Meu coração é verde e amarelo.
Abs
June 13th, 2008 at 10:06
[...] escola na formação do cidadão rolou no Nossa Via por conta do texto da Cybele Meyer intitulado Não dá mais para esperar! Aliás, Cybele, que eu conheci pessoalmente no Newscamp e é uma doçura de pessoa, é da equipe do [...]