Educação virtual, aprendizagem coletiva, interativa e colaborativa
Há um novo conceito de sociedade, de economia e de cultura. Há uma sociedade em rede que modifica nossos hábitos, nossos atos, nossos anseios, projetos,trabalho, enfim nosso dia a dia.
Vivenciamos um novo conceito de economia. Uma economia globalizada, informatizada, imediatista que projeta uma visão ampla promovendo ações e reações em tempo real.
A cultura acompanha tais mudanças influindo na maneira de se comunicar, na interação e integração dos indivíduos e consequentemente promovendo grandes mudanças na forma de se ensinar e na aprendizagem como um todo.
Estas mudanças e seus efeitos fazem parte de uma realidade que está alicerçada no mundo interativo e virtual. Porém há alguns renitentes que mantém seu comportamento anterior. Mas estes já começam a sentir os primeiros sinais de isolamento e de uma exclusão muito próxima.
Reações estas naturais uma vez que atuar na sociedade em rede é uma prática que veio para ficar e quem não se integrar a ela acabará ficando totalmente isolado e consequentemente excluído.
Na educação, não é diferente, o dia a dia em rede é uma realidade e não há mais como fugir disso. Quem se mantém irredutível acabará sendo excluído do mundo pedagógico, se distanciando dos professores que olham e enxergam com olhos de interatividade virtual.
Os alunos de hoje aprendem a dar seus primeiros passos ao mesmo tempo em que aprendem a teclar o ?enter?. Para eles navegar na internet é simples e motivador diante da enormidade de ferramentas audiovisuais que lhes são oferecidos.
Para as escolas, integração fácil, pois muitas possuem Laboratório de Informática há alguns anos embora ainda ajam professores que não se utilizam dele para fins didáticos.
A iniciativa de se incorporar à didática recursos tecnológicos como TV, vídeo, data show e outros é antiga. Normalmente eram usados para ilustrações de conteúdos e não como ferramentas apropriadas para criar novos desafios cognitivos. O Professor preferia se valer das aulas dissertativas e utilizar o computador como um instrumento meramente ilustrativo.
Ocorre que, até pouco tempo atrás, a não utilização desses recursos não interferia de maneira decisiva no resultado final da aprendizagem. Porém hoje, a nova linguagem de comunicação invadiu a escola e o professor se vê coagido a integrar a comunicação em rede para poder falar de igual para igual. Esta nova forma de diálogo propicia que o aluno traga para dentro da sala de aula a mesma linguagem que ele domina e usa no seu cotidiano.
Esta nova parceria entre aluno e professor favorece a aprendizagem quando da utilização dos recursos que a Internet propicia para o desenvolvimento de Projetos e estudos temáticos. Ao se utilizar a internet se estabelece uma parceria perfeita entre aluno e professor no qual a troca de conhecimentos é constante havendo uma interação mútua promovendo a aprendizagem de ambos.
Somente disponibilizar micros para que o aluno acesse aleatoriamente a internet não caracteriza o aprendizado, é preciso que o professor proponha significados aos acessos possibilitando assim a construção do conhecimento, levando o aluno
a atingir objetivos e consequentemente a aprendizagem.

O professor ao se inserir na sociedade em rede vê os limites do espaço físico desaparecer transpondo os muros escolares e passando a agir interativamente com outros espaços que também trabalham o conhecimento.
O professor hoje, face às mudanças rápidas e constantes, sente a necessidade de reaprender a ensinar e se disponibiliza a aprender. O professor trabalha junto com o aluno e o incentiva a colaborar com seus colegas.
A soma das inteligências individuais que se tornam disponíveis através dos veículos de comunicação, como a internet, e que podem ser compartilhadas por pessoas do mundo inteiro resultam na aprendizagem coletiva (Pierre Levy).
Os alunos passam a enxergar seus colegas como colaboradores e não como rivais e competidores.
Na educação, o uso da internet como ferramenta colaborativa coloca o professor como estimulador na troca, no debate e na crítica frente ao conhecimento. Ele deve ser o mediador no reconhecimento do conhecimento que está no outro e na valorização do conhecimento que é adquirido a partir de experiências obtidas dentro e fora da escola.
Finalizando, hoje, rompendo a barreira do espaço físico podemos dizer que a sociedade, como um todo, é um grande centro de aprendizagem, porém a escola continua, e cada vez mais, como a principal responsável pelo processo ensino-aprendizagem.
O conteúdo deste texto não é totalmente verdadeiro. Podemos dizer que é um texto futurista. De um futuro bem próximo, pois a escola, os professores e as aulas não acontecem, hoje, da maneira como foi acima descrita.
Mas acontecerá. Não há como evitar.
Poderia já ser realidade, pois está tudo aí: a internet, as ferramentas, os Laboratórios de Informática e os alunos completamente interados e integrados com o ciberespaço. Só falta a escola e os professores tomarem coragem,
arregaçarem as mangas e colocar a mão na massa, ou melhor dizendo, colocar a mão no mouse.
[Conheça também o blog de Cybele Meyer, Educar Já]
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January 8th, 2008 at 02:01
Ola Cybele,
Interessante o seu texto e acho que não é pensamento futurista. Pode ser no Brasil, mas a tecnologia e educação já estão bem vinculadas há anos.
Faculdades já utilizam bastante LMS como o WebCT / Blackboard, e agora Moodle e Dokeos. Nas escolas também é fácil encontrar programas educativos.
Isso tudo já está bem solidificado e é só um segmento, a utilização da tecnologia para ajudar no ensino. Temos ainda o EAD, onde o ensino é (teoricamente) 100% feito à distância. Para isso há os whiteboards como os produtos da Adobe, Webex, Elluminate, etc. Aqui quem utiliza mais é o segmento corporativo, mas temos também a participação do ensino acadêmico.
Além de tudo isso, temos redes web de ensino, como o novo Myngle.com que faço parte. Aqui a internet funcionando para apresentar o professor e aluno e para providenciar todos os recursos de ensino.
O que precisa para isso popularizar-se no Brasil? Capacitação dos nossos profissionais da EAD para utilizar da melhor maneira (e mais econômica) todos estes recursos.
Precisa-se saber propagar o Linux e programas opensource que são gratuitos, e familiarizar-se com as melhores ferramentas existentes (offline e online). Ainda assim vão existir barreiras, mas os profissionais estarão bem mais treinados para superá-las.
January 9th, 2008 at 02:01
AS COLOCAÿÿE DA PEDAGOGA, SÿO DE GRANDE IMPORTÿNCIA VALE RESSLATAR A INTERAÿÿO INTERNET SALA DE AULA, PAR QUE NÿO CAIA NA MERA EXPOSIÿÿO, SEM PROPOR O APRENDIZADO SIGNIFICATIVO A ESTES DISCENTES E DOCENTES.
ANA - BSB - DF
January 9th, 2008 at 08:01
Cybele,
A tecnologia já chegou. Agora o grande desafio é a adequação do professor ao seu novo papel. O professor que conhecemos trabalha em linha entre a fonte do conhecimento e da informação e o aluno. Ele é o intermediário privilegiado, que pega a informação, interpreta, organiza e a entrega ao aluno.
Com a internet ele tende a operar em paralelo, pois o aluno tem acesso direto a boa parte das fontes de conhecimento e informação. Seu papel tende a ser outro, o de orientador da navegação e da interpretação dos conteúdos. Seu papel passa a ser mais dinâmico, mais importante e mais rico e sujeito a demandas imprevisíveis.
Como sempre, os governantes sabem como comprar tecnologia, mas continuam perdidos quanto aos aspectos humanos das mudanças que estão acontecendo.
January 9th, 2008 at 08:01
acho q as ferramentas e interfaces tecnológicas nessa empreitada são mais q bem-vindas, se tornarão essenciais com o tempo - como vc bem descreve aqui. no entanto, gostaria d ressaltar um outro viés.
além da luta pela inclusão digital e pelo uso dessas tecnologias na sala d aula, seria necessário entender a aprendizagem como algo q se constrói e não apenas como um conteúdo q se transfere da mão do prof. p a do aluno.
esse célebre conceito do mestre Paulo Freire encontra agora uma chance d ser reelaborado e empregado - talvez d fato pela primeira vez - dentro d todo esse novo contexto, em q a educação cada vez mais vai se tornar uma atividade coletiva, interativa e colaborativa - seguindo o excelente título do seu texto.
meus ultra parabéns pelo trabalho!!!! do pouquinho q vi, vc já vem trazendo ares novos. e respirar ar fresco é sempre mais gostoso! ;0)
January 22nd, 2008 at 10:01
Olá Cybele e todos!
Eu diria que a questão hoje nem é tanto de software ou hardware mais de peopleware
A Escola precisa deixar de ser este espaço de “ensino-aprendizagem” para se tornar, também, espaço de “aprendizagem-ensino” Sair do laboratório de informática e incorporar dispositivos de produção e comunicação (pense OLPC e não ClassMate) nos seu cotidiano.
Tornar os aprendizes o centro do processo com os professores os mediadores destas redes de aprendizagem…
Sim esta é uma revolução possível e mais factível se baseada em padrões abertos e não proprietários!
February 11th, 2008 at 01:02
Olá,
Primeiramente quero me desculpar pela demora do retorno aos comentários.
Danilo
você está certinho em suas afirmações. O mundo do ciberespaço é novo, e como tudo que é novo, intimida. Temos sim, que abordar cada vez mais o assunto, para que ele se torne familiar resultando na sua aplicabilidade.
Ana
concordo plenamente com você. Acredito que a divulgação do tema através de palestras, artigos, relatos de experiências e outras vias contribua para a interação internet/sala de aula mostrando a eficácia das ferramentas encontradas na web para fins pedagógicos.
Jairo
Muito bem colocado. Para atuar diante dessa nova realidade o professor precisa ?aprender a aprender? e o fará também interagindo com o aluno que tem muito a ensinar.
Myla
Obrigada pelas palavras carinhosas.
Paulo Freire, com certeza, sempre esteve à frente do seu tempo e por esta razão, tão contemporâneo quando diz: ?ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo?.
Sábio Profeta
Sérgio
Também acredito na questão peopleware! Mudar conceitos e principalmente atitudes é muito difícil, principalmente quando o tema é Educação.
Mas temos que insistir na caminhada. A mudança caminha lentamente, mas caminha.
Obrigada a todos pelos comentários!
April 20th, 2008 at 11:04
Olá Cybele e a toodos
parabéns pelo texto vou compartilhar com os professores da escola onde trabalho como orinetadora .Sou suspeita pois gosto bastante de Pierry Levy . Penso como ainda existem curriculos escolares que “fingem”,não exergam , ou não querem ver o avanço tecnológico dentro de suas salas de aula .O futuro próximo ja chegou em muitas escolas brasileiras .porém como o Brasil é constituido por contradições ainda temos escolas sem energia elétrica ….bem próximas do meio urbano…escolas sem professores … contudo é bem provavel que uma casa de acesso a internet se instale por essas bandas em breve …
Abraços , e que Deus continue te abençoando e inspirando para novas produções .