A lenda de Cresus: uma lição de 2.500 anos sobre o significado da felicidade
Felicidade é uma emoção em que a pessoa tem sentimentos que vão de contentamento e satisfação a êxtase e intensa alegria (Wikipedia).A definição parece muito simples, mas a felicidade pode significar coisas distintas para pessoas diferentes. Na busca da felicidade, algumas pessoas acreditam que os sentimentos de contentamento, satisfação, êxtase e alegria resultam da posse, do controle ou do consumo de algo e procuram a felicidade por três diferentes caminhos:
- Elas podem perseguir prazeres momentâneos, acreditando que a felicidade é o mesmo que prazer. Elas procuram a felicidade em atividades como sexo, jogo, esportes, aventuras ou compras. Ou procuram a felicidade no uso de drogas, bebidas ou alimentos.
- Se elas acreditam que felicidade equivale à posse de riquezas, elas passam a maior parte de sua vida trabalhando duro, acumulando e administrando dinheiro.
- Se elas acreditam que a felicidade está ligada às pessoas, elas dedicam suas vidas à conquista de amor, aprovação, atenção, admiração e reconhecimento.
Outras pessoas acreditam que a verdadeira felicidade não está nos resultados de fazer, controlar ou possuir algo, mas na maneira de ser. Para elas a felicidade é o resultado da escolha de um caminho espiritual de bondade, compaixão, entendimento e aceitação. O primeiro passo neste caminho é a aceitação de si mesmo e a firme intenção de evoluir diariamente como uma pessoa amada e admirada.
Quando penso sobre o tema da felicidade me vem à mente a história de Cresus, Rei da Lídia, que viveu no Século VI AC. Graças às riquezas minerais de seu reino e à sua posição estratégica na rota de comércio entre o ocidente e o oriente, Cresus acumulou uma fortuna colossal, sendo considerado o homem mais rico da antiguidade. Com essa grande fortuna, Cresus armou um poderoso exército, conquistou reinos vizinhos e aumentou ainda mais seu tesouro com os despojos da guerra. Cresus se considerava o homem mais feliz de seu tempo.
Considerando-se também invencível, Cresus voltou sua atenção para a poderosa Pérsia, governada por Ciro. Embora o reino da Pérsia fosse maior do que a Lídia, Cresus nutria um forte desprezo pelos persas, que ele considerava um bando de montanheses ignorantes.
Cresus ampliou seu poderoso exército e se preparou para invadir a Pérsia. Por precaução, resolveu antes ouvir os presságios do oráculo do Templo de Delfos e, para garantir uma resposta favorável, enviou uma caravana de 40 camelos carregados com os mais ricos presentes ao templo. Os mensageiros voltaram com o presságio: Cresus será o destruidor de um grande reino.
Animado com este presságio, Cresus não teve dúvidas e invadiu a Pérsia. Em poucos dias foi derrotado, seu exército destruído, feito prisioneiro e condenado a morrer na fogueira. O oráculo de Delfos, como sempre dúbio, não tinha esclarecido que o reino destruído seria a Lídia.
No dia da execução, ao ordenar que o fogo fosse acesso, Ciro ouviu Cresus exclamar: Solon, Solon. Curioso por ouvir o condenado chamar pelo nome do sábio grego, Ciro ordenou que a execução fosse suspensa e que Cresus fosse trazido à sua presença.
Ciro lhe disse: “Eu já executei muitos inimigos na fogueira. Na hora da morte, alguns chamam pela mãe, outros pedem socorro aos seus deuses, outros morrem me amaldiçoando. ÿ a primeira vez que ouço alguém chamar pelo nome de um filósofo na hora da morte e estou curioso”.
Cresus respondeu: “Um dia eu soube que o sábio Solon estava no meu reino e o convidei para conversar sobre a felicidade, pois me considerava o mais feliz de todos os homens. Quando perguntei quais as pessoas mais felizes que ele conhecera, Solon citou várias pessoas simples que tinham vivido cercadas de admiração pela bondade, honestidade, abnegação ou coragem. Insatisfeito com a sua visão de felicidade, levei o sábio aos porões de meu palácio e lhe mostrei salas e mais salas repletas de ouro, diamantes, prata, seda e toda sorte de riquezas. Ao lhe perguntar - Não sou eu o mais feliz de todos os homens? - ele respondeu: Uma pessoa só saberá se foi feliz no último minuto de sua vida. Irritado com esta resposta, ordenei sua expulsão de meu reino. Só agora, morrendo como o mais infeliz dos homens, eu compreendi sua resposta”.
Segundo a lenda, Ciro olhou para Cresus, colocou a mão sobre seu ombro e disse: “Você acaba de se tornar um homem sábio”.
Ciro cancelou a execução, levou Cresus para seu palácio e o nomeou seu conselheiro. Cresus viveu o resto de sua vida admirado e respeitado pelos persas pela sabedoria de seus conselhos. Passados mais de 2.500 anos é difícil separar a lenda da história, mas podemos presumir que Cresus encontrou a verdadeira felicidade quando perdeu seu poder e fortuna e se voltou para a riqueza que tinha dentro de si: seus conhecimentos e sua rica experiência como governante, líder e estrategista. Perdeu súditos e escravos, mas ganhou amigos e admiradores.
Qual o significado de felicidade para você? Convido o leitor ou a leitora a compartilhar conosco sua visão da felicidade.
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December 4th, 2007 at 08:12
Parabéns adorei o texto!
December 4th, 2007 at 12:12
Confesso que possivelmente eu vou acabar tendo que esperar o último minuto regulamentar para saber. Contudo, hoje, tudo o que eu posso dizer é que meus conceitos de felicidade se transformam de vez em quando. Felicidade para mim já foi ter uma namorada, ter um carro, passar no vestibular, ter filhos, ter saúde. Um monte de “teres”.
Talvez eu descubra em breve que felicidade é ser leve, não ter que carregar nada. Quem sabe?
Abraço.
December 4th, 2007 at 10:12
Caro Marcos,
Thomas Jefferson ao redigir a Declaração de Independência dos EUA escreveu sobre o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade. Parece-me que ele também via a felicidade como um alvo em constante movimento , ora perto, ora longe e sempre mudando de direção.
Caro Baduel,
Que bom que você gostou, você é sempre benvindo.
December 9th, 2007 at 08:12
Excelente texto. Eu não consigo pensar em alguma definição, conceito ou situação que contemple o que é felicidade em sua totalidade. Acredito que felicidade seja uma daquelas sensações da vida que está tão itimamento ligada à pessoa que não pode ser expressada apenas com palavras.
Abraço.
December 19th, 2007 at 12:12
Felicidade é, talvez, a única forma de passar pela vida com uma especial sensação de frescor e poder - o poder integrador.
Es-pe-ta-cu-lar o texto!
Parabéns!.
February 26th, 2008 at 05:02
Felicidade pra mim é ser bondoso, admirado, necessário para os outros pra que lhe considerem uma espécie de ” bem necessário à humanidade”…”pessoa necessária às outras”…sabe? Aquela a quem chamam de herói, de amigo, de amor…Eu tenho parte disso, e ainda assim, me sinto fútil, vazio, não sei por que… O que me leva a pensar que talvez não tenha descoberto o verdadeiro sentido pra palavra felicidade, ainda mais quando se descobre que mesmo sendo bondoso, tenho uma doença incurável, meu namorado está com infecção no reto e eu não consigo arrumar um emprego… Então vem a controvérsia: Será que sou feliz ou forte d+?