Agá Dois Eca

As empresas de bebidas - particularmente as que fabricam refrigerantes - investem em refrigerantes dissimulados. Você bebe e engana a si mesmo, acreditando piamente que entorna garganta abaixo um produto mais saudável. Não está.

Impressionante a capacidade da indústria, particularmente da indústria de bebidas, de perceber e se adequar às necessidades do consumidor de uma maneira negativa.

Ao menor sinal de uma certa e amorfa culpa coletiva pelo consumo de refrigerantes, bebidas gasosas e cheias de açúcar, essas empresas não demoraram a lançar produtos que imitam a água e que, no entanto, mantém a mesma característica de doçura, gás e sabor dos refrigerantes.

Estamos em uma época regida pela saúde e pela boa forma. Pelo menos pelo desejo de tê-las. As equipes de marketing e publicidade sabem disso. Eles não vendem água: vendem desejos.

Então, como por encanto, o consumidor médio - esse super-protegido personagem nascido em meados do século passado - esquece a culpa por estar consumindo um refrigerante e se vê, nos olhos de sua imaginação de consumidor médio, a beber uma água puríssima levemente saborizada - quem inventou essa palavra ridícula? - e gaseificada.

Acontece que o consumidor médio prefere se deixar levar.

Porém, basta ler o rótulo de qualquer uma dessas bebidas para entender que se trata de um composto que, se jogado em um desafeto, seria suficiente para uma acusação de guerra química pelos tribunais internacionais de Genebra.

Certa vez eu pedi numa pizzaria - essa pizzaria famosa que todo mundo conhece - uma água com gás. Eu imaginava exatamente isso, uma água com gás, do tipo que há nos rios ou que - sendo mineral - sai da terra.

A garçonete trouxe-me uma dessas bebidas que, por ter no rótulo algo que lembra a fórmula química da água (seguida por uma interjeiçãozinha safada), deveria ser água. No entanto, lembra mais uma soda limonada frustrada. Eu, como consumidor médio que sou, acabei tomando a beberagem ainda que um pouco contrariado.

O que não impediu de, em seguida, pensar no absurdo da situação e de me recusar a beber qualquer refrigerante que não contenha os devidos - e provavelmente prejudiciais - corantes artificiais.

Se é para beber refrigerantes, que eles sejam os sinceros. E não os dissimulados.

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Comentários



10 Comentários

  1. Águas turbinadas. Águas com muitas aspas. | Livros e afins em 08/05/2008 09:05

    [...] Sobre as águas turbinadas é o meu artigo do NossaVia de hoje [...]

  2. Anny em 08/05/2008 10:05

    Oi Alessandro:
    Também acho que esta é uma falta de respeito pelos consumidores junto com a ganância das lojas, supermercado e pizzarias, como você citou. Exploram mesmo qualquer assunto do momento. Mesmo que seja saúde. Falta de escrúpulo. Então pegam na culpa do consumidor por gostar de refrigerantes e inventam “os alternativos”.
    Isto não é só com refrigerante. Os alimento em geral. Quase todos eles tem estas “opções”. Ontem fui comprar iogurte, aí a moça veio com as “variedades” da marca. Fui logo respondendo que queria a marca “normal”. Rs!
    Sim senhor. Este é um assunto bem amplo e muito bom de ser discurtido. Adorei seu texto!

  3. _Maga em 08/05/2008 11:05

    Nunca provei uma dessas águas.

    Não tive coragem.

    E se é pra guerrear, vamos, ao menos, apresentar as armas antes…

    um abraço

  4. Pri em 08/05/2008 01:05

    Bem, administradora que sou acho incrivel o que o marketing é capaz de fazer.Sim, a água puríssima levemente saborizada e gaseificada, ao meu olhar de consumidora, não passa de refrigerante sem corante e ruim, porque eu gosto mesmo dos de cola =)
    Mas, sendo mesmo bondosa e solidária com “inocentes” consumidores que são ludibriados atraves de seus desejos, acho só mais um produto fantastico, aliás pra todos, o fabricante fica feliz porque o que antes era problema agora é solução e o consumir também, afinal agora pode saciar seu desejo de “ser saudavel”, tomando algo muito parecido com refrigerante, mas que não é (??) refrigerante.
    Desculpe, mas não me contive e tive que sair em defesa dos meus queridos “marketeiros”.
    Bjos

  5. Rosane Muniz em 08/05/2008 03:05

    Desculpe-me, mas vou dar um depoimento que contraria o artigo e a opinião de vocês. Não estou interessada no marketing (nem ligo TV na minha casa a não ser para ver seriados, filmes ou DVDs), mas não gosto de refrigerantes (quando muito, bebo um pouquinho de sprite) e tampouco me agrada beber água. Pois é… sou daquele tipo de pessoa que o médico briga pois passo dias sem colocar um líquido na boca. Essa história mudou exatamente quando surgiu o que? Esta bebida gaseificada, que nem é água nem é refri, um misto de ambas, que conseguiu agradar meu paladar. Não tô nem aí pras calorias ou pros corantes, mas colocar um liquidozinho garganta abaixo já é melhor do que nada, não? E nem venham com gracinha e me sugerir a terapia do xixi. Meu controle de qualidade também não é ruim assim (rs).

  6. Grasiani em 08/05/2008 06:05

    Se é pra beber água que seja água. Não essas coisas que não são nem água nem refrigerante.

  7. Samantha Shiraishi em 08/05/2008 06:05

    Vou na contramão dos comentaristas e do autor. Eu gosto de H2O e Aquarius, não bebo todo dia (sou adepta dos chás frios ou quentes e nem sempre me lembro de refrigerante), mas se estou passeando num dia de muito calor acho que são bebidas ótimas.

  8. Max Reinert em 08/05/2008 10:05

    Bom…. eu tbm não fui enganado não! Tomei Aquárius sabendo que aquilo pra saúde não presta… mas.. gosto do sabor e tomo de vez em quando!

    Coisas da vida!

  9. José Luiz Brandão em 09/05/2008 01:05

    Sou bem simplista. Mata a sede? Ótimo, então.

  10. Barbara em 09/05/2008 10:05

    Peraí. Não era Sprite?

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