Além de Sherlock Homes
A nobreza e humildade por trás do criador de Sherlock
Uma coisa é elementar, meu caro, idéias são à prova de balas. E ao contrário dos nossos corpos frágeis, podem viver para sempre na cabeça das pessoas.
As pessoas que valorizaram esse fato puderam mudar o rumo da história. De fato, mudam até hoje, mesmo depois de milênios após a morte do corpo. São essas pessoas que se tornam ímpares, únicas, e continuam vivas nas histórias, livros e na mente de cada um de nós.
“Um curinga é um pequeno bobo da corte; uma figura diferente de todas as outras. Não é nem de paus, nem de ouros, nem de copas e nem de espadas. Não é oito, nem nove, nem rei e nem valete. ÿ um caso a parte; uma carta sem relação com as outras. Ele está no mesmo monte das outras cartas, mas aquele não é seu lugar. Por isso pode ser separado do monte sem que ninguém sinta falta dele.”
~ GAARDER, Jostein. O Dia Do Curinga. (trad. João Azenha Jr.) São Paulo: Cia. das Letras, 1998. (p. 27-29)
ÿ por isso que tantos já arriscaram suas vidas para manter vivo aquilo que acreditavam. Joana Darc, Giordano Bruno, Galileu Galilei e talvez o maior e melhor exemplo de todos, Jesus Cristo. São curingas nesse baralho.
Apesar de poucos conhecerem sua história, Arthur Conan Doyle, o criador de mais de 60 contos do detetive mais famoso da história, Sherlock Homes, não se limitou “apenas” a revolucionar a literatura.
Ainda no séxulo XIX, as histórias de Sherlock Homes já eram conhecidas mundialmente e possuíam milhares de fãs. Mas Conan Doyle não tinha mais vontade de continuá-las, pois queria se dedicar inteiramente às suas obras mais clássicas e ao Espiritismo. Em 1893, Arthur matou o personagem num encontro fatal entre Holmes e o Professor Moriarty, no conto “O Problema Final“.
Mas para a sua surpresa, milhares de pessoas de todo canto do mundo, indignadas com a morte de Holmes, saíram às ruas protestando. Doyle se viu então obrigado a retomar as histórias do detetive, em 1903, no caso “A Casa Vazia”. Uma demonstração de que a cria tornou-se mais poderosa que seu criador.
Mas o que Arthur sempre quis foi dedicar-se à um “bem maior”. No final de 1899, no conflito entre a Inglaterra e a África do Sul, Doyle serviu a seu país como cirurgião, supervisionando um hospital na África do Sul.
Tudo isso não impediu que Doyle continuasse a se dedicar ao estudo da doutrina Espírita, onde escreveu diversos e importantes livros, mostrando profundo conhecimento.
Apesar de todas suas realizações, sua convicção foi além: exigiram-lhe que renunciasse a todas suas crenças para que pudesse receber o título de Par do Reino Inglês. Mesmo confrontando à todos e abrindo mão da maior condecoração que um inglês poderia receber, Doyle continuou firme perante o que acreditava.

Homenagem da Google ao aniversário de Arthur Conan Doyle
Felizmente, sua história foi mais feliz do que a de outros tantos heróis que bateram de frente com o governo. Tornouse mais tarde Presidente Honorário da Federação Espírita Internacional, Presidente da Aliança Espírita de Londres e Presidente do Colégio Britânico de Ciência Espírita, alem de ter recebido o título de nobreza do Império, passando a ser chamado de Sir Arthur Conan Doyle.
Independente de qual crença decidiu seguir, Sir Arthur teve um importante papel na literatura, com mais de 130 obras, entre romances, contos, ensaios e escritos. E mais importante, eternizou suas idéias.
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January 2nd, 2008 at 09:01
Muito bom saber disso, Tonobohn. Valeu. Abs!
January 2nd, 2008 at 09:01
Belíssimo post, Tonobohn! Sou estudioso há exatamente 1 ano da doutrina dos espíritos e não havia chegado ainda em nada de Conan Doyle (a gente sempre começa, via de regra, pelos textos base da obra de Allan Kardec); seu texto dispertou meu interesse em antecipar isso. Vou fazê-lo já. Valeu!
January 2nd, 2008 at 04:01
Este post me tocou no profundo da minha alma, me lembro da minha oitava série quando resolvi comprar um livro de Conan Doyle, foi a sua primeira obra, aquela que foi publicada pela primeira vez em umn jornal se não me engano, li com muito intusiasmo, suas incriveis descrições da inteligência e observação do personagem me fizeram repensar meu modo de julgar os fatos, sem duvida Sir Arthur é um dos maiores escritores, me lembro de uma desenho a lapis onde se via Mr Homes envolvendo a Sir Arthur em uma corda, com a escritura “a criatura dominou o criador” e tenho em mente até hoje o mistério que envolvia a escritura “Rache” feita com sangue na parede de um apartamento, “Rache” primeiramente poderia ser um nome, porem tambem significar vingança em alemão. Bela leitura.
January 2nd, 2008 at 05:01
Wagner,
Conan Doyle tem importantíssimas obras espíritas. Recomendo muito lê-las.
Pedro,
Homes tornou-se mesmo mais forte que Arthur, mas nem isso o impediu de seguir o que ele acreditava. Todas suas obras, desde Homes a Mundo Perdido, são de excelente qualidade, ímpares.
Abraço