ÿs vezes, o silêncio!

Aprendi com as primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira.
Cecília Meireles
Andei sumido, mas esse post não é somente um pedido de desculpas, é também uma ode ao silêncio reparador.
No nosso dia-a-dia convivemos com todos os tipos de ruído. A vida contemporânea tornou-se um caos (que na maioria das vezes adoramos!) que nos inunda de informações sobre os sentidos. ÿ uma confusão de ofertas de todos os tipos. ÿ muito. ÿ excesso. ÿ tudo ao mesmo tempo agora! O caso é que estamos tão acostumados a isso que acabamos por deixar de perceber que nosso cérebro (conseqüentemente nós mesmos!) também necessita do oposto disso tudo.
Precisamos de momentos em que a contemplação e compreensão do que está ocorrendo conosco é imprescindível para fazermos nossas escolhas de maneira mais “inteligente”. Precisamos de um tempo em que possamos “ver” o que realmente queremos para nós. Precisamos de um tempo para “compreender”. Precisamos de um tempo para “assimilar”. Precisamos de um tempo para “optar”!
Foi pensando nisso que fiquei um tempo afastado da escrita, mas não pensem que eu passei 15 dias “exilado” em um Spa. Bem que eu gostaria, mas não foi o caso. Passei um tempo tentando cortar o que era excesso de informação para o meu corpo. Foram 15 dias com os msn’s da vida desligados, com as baladas deixadas de lado, com a troca incessante de informação com todo mundo deixada um pouco de lado também (mas sei que os amigos compreenderam!). Fiz o que era “necessário”. Trabalhei, estudei, me alimentei (física e espiritualmente). Chorei um pouco, pensei muuuuuuuito (talvez até um pouco demais!) e dormi muito mais do que estava acostumado.
Sei que nesse momento muitos já terão visto o sinal de “depressão” piscando sobre minha cabeça. Não acho que tenha chego a este ponto. Mas, compreendo que foi sim um momento de “baixa” (como costumo dizer!). Um momento em preferi “escolher” o recolhimento do que ser “forçado” a ele. Assim como acredito que foi um momento importante para re-definir minhas prioridades e poder seguir adiante deixando alguns “pesos extras” fora da bagagem.
De qualquer forma VOLTEI! Disposto a fazer muito barulho novamente… pelo menos até a próxima “crise existencial”. E que ela venha, trazendo muitas perspectivas de crescimento e mudanças!
Como uma cobra
como uma ninfa
como um árvore
é preciso que eu viva um período
de transformação.
Nesse tempo crescem em mim espinhas
e micoses por todo o corpo,
cheiros desagradáveis
exalam de mim,
a pele fica seca e cai.
Me irrito com as pessoas (mesmo as que
eu tenho dentro do coração)
e fico longe do sol.
Como uma lua eu tenho fases
e é preciso que eu míngüe
e suma no que sou.
ÿ preciso que eu destrua tudo em mim
e só reste a teimosia
de voltar a viver em plenitude,
porque daí eu volto!
(Bento Nascimento)

PS: Muito provávelmente pouquíssima gente se deu conta de meu sumiço daqui do NossaVia. Não se preocupem, essa afirmação não é nenhum problema de baixa estima ou falsa modéstia. ÿ que o blog continuou à toda, com as novas mudanças e a entrada de novos colaboradores… e eu, quando me dei conta, tinha ficado 15 dias sem postar nada por aqui. Mesmo o meu xodó (Pequeno Inventário de Impropriedades) ficou um pouco abandonadinho… só não ficou mais porque lá (diferentemente do que costumo escrever aqui) é um local onde posso “gritar” coisas mais pessoais! Se bem que, mais pessoal do que esse post, impossível!
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June 7th, 2008 at 02:06
Meu caro, entendo perfeitamente os momentos de silêncio. Apesar de meu jeito gregário (e falante), tenho os meus e sei que quando o silêncio se impõe, é uma mudança interna a caminho, daquelas duras, mas necessárias. Mas eu não sei ficar sem escrever, se um dia isso se calar, a coisa será bem feia. (risos)
Eu senti falta dos teus textos, só não senti mais porque sou leitora do Pequeno Inventário!
Seja bem vindo de volta!
June 7th, 2008 at 03:06
Olá Max,
Parabéns pelo magnífico texto e pela coragem em falar e compartilhar seus sentimentos.
E que bom que você falou porque transmitiu a possibilidade que se tem de parar e se permitir passar por períodos de hibernação existencial.
Muitas vezes nos flagelamos exigindo comportamentos além-forças em prol não se sabe do que e nem de quem.
ÿ claro que sentimos sua falta! Impossível não senti-la.
Mas saber que também passamos é outra realidade, dura, que temos que nos preparar.
Que bom que podemos continuar te lendo.
Abs
July 14th, 2008 at 11:07
Olá, Max
Desejo que tenha bons pensamentos, se fortaleça e se fortifique a cada dia!!
Aproveite e compre uma flor. Nada como a beleza da natureza por perto nesses momentos de reflexão.
ÿtimo dia para você!