Entre o machão e o sensível: para um novo tipo de homem

Você é um romântico sem pegada ou um Chuck Norris tentando entender poesia?
Mais do que estereótipos, “machão” e “sensível” são duas posturas extremas diante da energia feminina. Alguns tendem à primeira, outros não sabem como ir além da segunda. Haveria um modo de integrar o melhor dos dois mundos? Será que existe algum homem capaz de conversar sobre o Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes, sem deixar de meter porrada em quem mexer com sua mulher?
Os dois comportamentos não são mentais. Chuck Norris ou Zach Braff (mais pelos filmes do que pela série Scrubs) apresentam posições corporais diferentes. O contraste não se encontra tanto no que eles pensam quanto no posicionamento que eles assumem na relação com mulheres, artes, elementos da natureza, formas e brilhos.
Com uma mulher ou com uma música à frente, o machão se distancia, vigia, resmunga. A música toca, ele fica estático e tira sarro. Deseja controle sobre o feminino. Sua lógica é a da posse. Todos os fenômenos são capturados, analisados, conquistados. No oceano do feminino, o homem machão busca dinheiro, carros, poder, fama, mulheres. A meta é conseguir o máximo possível de objetos, na esperança de enfim suprir o vazio de um corpo sem energia vital. Por evitar o contato direto com o feminino (interno e externo), ele age violentamente. É uma questão de sobrevivência: para inflar seu corpo de vida, ele agride, machuca, tira sangue da natureza, da sociedade, de sua mulher…
A lógica do homem sensível é a do ser. Em um universo de movimentos radiantes, ele se deixa envolver, se aproxima, sorri, chora. A música toca, ele vai junto e dança. O sensível busca desenvolvimento intelectual e emocional. Ao oferecer seu feminino, porém, ele corre o risco de ser rejeitado: energia feminina é o que as mulheres já têm. Quando isso acontece, assim que vê nela o que pensava ser dele, ele se sente roubado, fraco, apavorado. À medida que se equipara à luminosidade externa, começam a surgir medos, inseguranças e expectativas. Não existe homem sensível que nunca se sentiu impotente e dominado. Ou pior: ele vem com o feminino, ela incorpora o masculino e o humilha. O processo de identificação com os fenômenos retira seu poder e muitas vezes o deixa refém do que lhe acontece. Não é raro ver homens surtando por questões mínimas…
Como aprender com o machão
O aspecto saudável do machão é o desenvolvimento da presença. O mundo se desespera e colapsa, ele permanece imóvel. Sua mulher grita e esperneia, ele fica. Um exemplo de liberdade também. Por não se identificar com o feminino, é capaz de cortar e desbravar. Por não se distrair, ele passa anos meditando, testando vacinas, produzindo chips, vencendo corridas. Seu arquétipo é o do herói, guerreiro ou samurai, que abandona a cidade natal, segue sua missão e volta trazendo troféus, remédios, conhecimentos. Para o sensível, o machão é o antídoto da indecisão. É encarnando essa postura rígida que ele retomará o poder sobre sua vida.
Como aprender com o sensível
No outro extremo, a qualidade positiva do homem sensível é o cultivo de uma profundidade sem limites. Ele é capaz de se comunicar em qualquer linguagem, se envolver com todas as danças, se emocionar com o amplo espectro das histórias humanas. Sua habilidade é movimentar energias, substâncias, ventos, sons… Manipular tudo o que se move. Seu arquétipo é o do xamã, bruxo ou mago, que se entrega ao universo para poder falar a língua dos animais. Ele sente a dor de todos os seres e por isso pode agir por dentro do mundo, restaurar tecidos, curar. Para o machão, o sensível é o antídoto da violência. Ele ensina que, para evitar o estupro, é preciso ser invadido pelo feminino antes de penetrar uma mulher.
Rumo a uma nova espécie de homem
Em uma abordagem preliminar, poderíamos sugerir que os homens sensíveis treinassem a postura do machão. Não é uma má idéia começar a investir na bolsa, beber pinga, bater o copo na mesa, ficar calado e ser grosso, aprender boxe, PHP, jogar rugby. Já os homens brutos experimentariam a atitude do sensível. Seria engraçado vê-los assistir a filmes iranianos, recitar Rilke, dançar sapateado, freqüentar cursos de culinária tailandesa, vinhos, teatro clown!
“Mas como saber qual a minha tendência, se eu estou mais para machão ou para sensível? Qual postura devo fortalecer?”
É simples. Se estiver em dúvida sobre qual lado você está, treine ser machão. A hesitação é um processo típico do sensível. Um ogro nunca faria essa pergunta! Outra dica: se você gosta de fazer ioga com asanas contorcionistas, trate de começar a meditar imóvel contra a parede. Se pensou “É Yôooga, seu metidinho!”, seu caso é mais grave. Enquanto há tempo, saiba que homem que é homem fala português e não usa diminutivos.
Tal processo mimético, no entanto, é apenas um caminho grosseiro de transformação. Uma abordagem mais sofisticada poderia apostar na própria fonte dos problemas. Ou seja, se você é machão, vá até o fim; se é sensível, explore seus limites. A postura desafiadora do machão esmagará todas as metas medíocres até que reste apenas um objetivo transcendental, a missão do herói. O sensível também. Com sua docilidade, se conectará com tudo e com todos, para enfim entender o código da Matrix e virar xamã.
Ninguém pode prever os resultados da união do herói com o xamã. O fato é que sozinhos eles são impotentes diante de uma única mulher. A flexibilidade do sensível facilmente se deixa dominar. A rigidez do machão obstrui a livre manifestação dos encantos femininos. Nenhum dos dois é capaz de conduzir sua dama. Um trava, outro solta demais. Um tira a liberdade, outro não oferece segurança. Com nenhum dos dois ela consegue girar! A condução exige o melhor de ambos: abertura e sensibilidade com vigor e direcionamento, presença imóvel com profundidade nômade.
Praticar a postura que conduz exige o fim da oposição proposta nesse texto. Suspendemos o embate, a integração começa. Retire o “X” da imagem acima… Ali está Mr. George Clooney, junto com mais dois exemplos de homens da nova geração. Mas não se alegrem, mulheres! Infelizmente, Chuck Norris fritou os quatro atores logo que soube que um garoto os colocaria lado a lado em uma imagem para um artigo sobre “homens sensíveis”. Por sorte, ele me poupou com um email: “Just make me look good, uh?”.
A nós homens, só resta continuar aprendendo com o velho Chuck. Você já decorou pelo menos uma das verdades do Chuck Norris? Está na hora de aplicá-las na vida… Quem disse que Chuck Norris não é o primeiro dos machões românticos?
No dia dos namorados, Chuck Norris dá para a sua mulher o coração ainda batendo de um de seus inimigos. Para ser mais romântico, Chuck Norris acredita que todo dia é dia dos namorados.
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November 25th, 2007 at 03:11
[...] Entre o machão e o sensível: para um novo tipo de homem Escrito por Gustavo Gitti nas categorias: Nossa Via, Para homens, Ensaios Salve ou compartilhe! [...]
November 25th, 2007 at 04:11
Entre o machão e o sensível: para um novo tipo de homem…
Você é um romântico sem pegada ou um Chuck Norris tentando entender poesia?…
November 25th, 2007 at 05:11
éhhh, monsieur Gitti:
vc entrou no labirinto, tomou chá em porcelana francesa com o minotauro, papeou com ariadne e deu um tomé no teseu!
perfeito!!!
profunda lida, gã e entendimento d masculino e feminino no homem.
aqui, esse pequeno texto: <<>>.
super parabéns, Gustavo!!!! :0)))
November 25th, 2007 at 11:11
Gustavo, eu já falei pra você sobre uma “Liga” que tá rolando lá no PhH? HUahuahuhauhauaaua
Muito bom, meu caro! Se o objetivo é “acertar o tom”, talvez o segredo esteja em entender antes as “demandas” do universo feminino (e no momento em que elas ocorrem), que nunca se contenta apenas com o machão ou com o sensível. Com um agravante: quase sempre o sensível tem que entrar em cena exatamente quando é o machão a face mais latente e vice-versa. É aí que o bicho pega… mas se fosse fácil não teria graça, certo?
Afinal, “Chuck Norris pode matar duas pedras com um passarinho só”. Então…
Grande abraço!
November 25th, 2007 at 12:11
***aqui, esse pequeno texto: o novelo d lã estendido.
(não sei pq ficou desconfigurado acima.)
November 25th, 2007 at 12:11
[...] por elas mesmas” Entre o Machão e o Sensível… Novembro 25, 2007 Machão ou sensível?! Ai… Posso escolher um pouquinho dos dois?! Este texto novo lá do Nossa Via me fez [...]
November 25th, 2007 at 05:11
Bom, como só a ala masculina deu palpite vou xeretar na questão. Será que Cleopatra olhou para Marco Antonio como machão?Hum!!!!! Será que Simone Beauvoir olhou para Sarte como sensível? Hum!!!! Hoje, é melhor fazer outra pesquisa, Gustavo. Que tal perguntar que tipo de homem a mulher está mais propensa a prospectar..rsrsrrs, uh!
Et: Como um filósofo escreve tão claro e objetivo??????????
Adorei as verdades do Chuck Norris.
Abraços,
November 25th, 2007 at 11:11
[...] saudáveis (ôpa, isto é tema para o Gustavo Gitti, que, por sinal, escreveu muito bem sobre o homem machão e o sensível!) [...]
November 26th, 2007 at 02:11
Oi Cybele,
Sem dúvidas! A pesquisa é outra. No meu blog meu foco é esse (dê uma olhada nas 8 entrevistas que já foram publicadas lá).
Por enquanto, no NossaVia estou optando por abordagens mais genéricas, ainda não estou confortável para escrever aqui.
Abração e obrigado pelo comentário!
November 26th, 2007 at 10:11
Gustavo,
achei a comparação dos extremos legal, apesar de meio arcaica. Como vivo com três homens, sei que estas duas figuras e muitas outras coexistem neles, assim como as mulheres também vivem seus momentos “alfa”, “beta” ou zeta, para usar uma linguagem que a imprensa atual gosta.
Quando às figuras, George Clooney e Brad Pitt como exemplos dos que alcançaram o caminho do meio? Será? O Pitt pode ser, está vivendo seu lado feminino com sua nova esposa, mas o Clooney… e quando ao Rufallo, ele é uma graça, mas tb não está no meio, está no sensível, sem sombra de dúvidas!
Abraço e fique sabendo que não é o único meio desconfortável nesta “nova casa”.
Sam
November 26th, 2007 at 01:11
Estou bem mais para o sensível do que para Chuck Norris, mas colocaste aí algumas verdades. E tentar trabalhar mais o lado “machão” é uma coisa essencial. Acho que o ideal é sempre o equilíbrio, ter um pouco dos dois. Infelizmente, como tudo na vida, isso leva tempo.
Ótimo texto.
Abração!
November 26th, 2007 at 03:11
Sam, o texto todo é meio forçado e esterotipado, é assim mesmo. O mesmo para o Brad Pitt, o Clooney e o Rufallo. Mas não concordo contigo quanto ao Mark Rufallo. Para mim ele não é sensível nem nada, ele é FODA!
Abração!
November 26th, 2007 at 05:11
É meu amigo Gitti… como já deve ter ficado bem aparente em alguns comentários meus lá na PdH, acho que estou precisando treinar um pouco o lado negro rs….
Muito bom o artigo, e pode ter certeza que irei meditar sobre ele e começar a tomar atitudes!
Abraços!
January 30th, 2008 at 11:01
Não adianta por mais que o mundo tenha mudado e as mulheres tenham ficado ( graças a deus ) mais independentes elas detestam homens sensiveis .
Doçura é coisa de mulher e não de homem ,nossa sociedade é machista e não é só por parte dos homens ,os homens mais sensiveis na visão das mulheres são apenas para serem os amigões ,mas para marido ou namorado escolhem os machões .
Os mais sensiveis são gays ( eu não penso assim ) normalmente os caras mais sensiveis são mais inteligentes,mais talentosos e ´mais companheiros mas não tem pegada . Os caras mais durões na visão das mulheres tem mais masculinidade ,mais pegada por exemplo , o sensivel tem momentos de insegurança o durão jamais os tem (atrai mais as mulheres ),o sensivel tem momentos de melancolia e precisa de colo (da parceira) de vez em quando ,enquanto o durão jamais os tem e nunca precisa de colo (atrai mais as mulheres ), o sensivel é sentimento, o durão é somente tesão (atraí mais as mulheres ),o sensivel é dócil, o durão é grosso ( atraí mais as mulheres ) entendem aonde quero chegar .
Homem tem que ser 100% durão se não as mulheres o rejeitam da boca pra fora elas dizem que preferem os sensiveis,mas na verdade adoram os machões .