Fazendo mudança… ou… Inventário de quinquilharias que carrego!

Você é daquele tipo de pessoa que guarda tudo e mais um pouco?
Eu achava que não era. Mudei de apartamento nesta semana e acabei descobrindo que, pelo menos em parte, sou. São pilhas e pilhas de contas pagas, lembrancinhas, roupas que estão só guardadas no armário e muitos, mas muitos mesmo, etceteras.
Nem tudo era lixo puro. Com certeza não… Mas percebi que muitas das coisas que estavam guardadas eram aquelas que eu acabava “protelando”. Quero dizer, coisas que eu acabei guardando para “usar depois”. Uma revista que tinha uma matéria interessante, um CD com fotos de uma festa dado por um amigo que eu nunca abri, folder´s e programas trazidos dos espetáculos e das viagens feitas e uma quantidade imensa de etceteras.
Mas o que me apavorou mesmo foi tentar organizar meu mural de recados e contatos. Imagine a cena: eu mexendo num mural na parede onde os papéis já estavam colocados uns sobre os outros tentando entender de quem era o bendito número de telefone anotado num papel amarelo-ovo, sem nenhuma indicação! Ou pior: eu descobrindo coisas que tinha que ter feito na semana passada (ou antes ainda!) e havia esquecido.
Depois de passado o caso (e com muitos sacos de lixo perto de mim!) fiquei pensando na quantidade de coisas desnecessárias que guardamos. Seja em objetos, seja nas relações que vamos estabelecendo com o mundo. Fiquei pensando em como vamos reagindo de maneira sempre igual a determinadas situações, seja guardar coisas ou reações perante a vida. Conversando com uma amiga por e-mail ele me diz algo que me chamou a atenção: é necessário sair do piloto automático… é necessário sentir as coisas que nos envolvem.
Sentir as coisas que nos envolvem talvez também fale de perceber o momento em que estamos tentando prolongar algo que já não serve mais, seja um objeto, seja um relacionamento. Prestar atenção quando estamos somente “guardando” algo que ficará para sempre sem utilidade ou se estamos preservando algo que é real e palpável.
No dia a dia, estamos tão envolvidos com o “movimento” das coisas que acabamos por julgar que tudo tem o mesmo peso e valor. E, isso não é verdade. Algumas coisas são importantes porque são primordiais na sua vida. Outras estão ali só porque em algum momento você “topou” com elas. Algumas coisas reinvindicam sua importância, outras querem ser importantes somente porque existem, sem fazer nada que justifique sua existência.
E como perceber essas diferenças? Aí lembrei também da música Serra do Luar do Walter Franco:
Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo (…)
Viver é afinar o instrumento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
E assim, de mudança em mudança, vou tentando juntar menos quinquilharias… sejam elas objetos, sejam elas relações. Afinal, ninguém necessita carregar esses “pesos extras” na vida.
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junho 14th, 2008 at 07:06
Ah, Max, quem dera eu tivesse esta coragem de organizar. Na vida profissional e emocional eu sou bem pragmática, mas meu escritório é o caos. E no fundo, ele reflete o espaço onde eu protelo, jogo o que quero deixar para definir depois, deixo o que não consigo ainda abrir mão, faço um certo poder e uma dose de vitimização comigo mesma. Sempre tenho “aquela” pilha para resolver e ela me dá desculpas de parar as vezes. Ainda não me livrei da sensação da desculpa para mim mesma, mas depois deste teu texto resolvi tentar!
Abraços
Sam
P.S. Sei que acumular coisas péssimo feng shui… mas eu sou oriental e tem um ditado japonês que diz que “se você não usa uma coisa, guarde por 10 anos; se mesmo assim não usar, guarde por mais 5 anos para ter certeza de que não lhe fará falta!” (hauhahuahua)
junho 15th, 2008 at 11:06
Está aí algo que eu tento fazer faz algum tempo, embora seja uma pessoa organizada, acabo guardando milhares de coisas, não estou sendo exagerado, pode acreditar. Tenho muitas coisas que não precisaria ter e ainda tenho os meus cadernos do colégio guardados numa caixa. Vivo dizendo que vou jogar fora, mas já faz anos que eu digo isso.