Mulher, midia e consumo
As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental.”
Vinícius de Moraes
Esta frase, de um dos meus poetas preferidos e que mais li na adolescência, marcou por muito tempo minha noção do que é ser mulher. Em cada fase da minha vida, ela foi mudando de significado, da meiguice cultuada na infância à beleza helênica (não ariana, pior, aquela das Mulheres de Atenas) até chegar na mulher balzaquiana que eu sou hoje. Seja qual for o padrão, eu sempre achei que minha visão era da beleza interior, do conteúdo e não da forma.
Ledo engano, concluí, ao ler o livro A Beleza Impossível - Mulher, Mídia e Consumo da psicóloga e feminista Rachel Moreno (Editora Ágora , 80 págs, preço médio 25 reais). A leitura, confesso sem vergonha, foi um um soco no estômago em muitos momentos, mas um “acorda menina” bem merecido (e faço uso do bordão famoso de uma apresentadora de TV a propósito). Passei os últimos dias conjecturando e reuminando tudo que li. Enfim, é daqueles livros que abrem uma janela e fazem a gente ver o mundo de uma forma bem diferente, do tipo que pensamos em presentear ou emprestar para amiga, vizinha, irmã, mãe e até para a namoradinha do filho - quando minha norinha crescer, claro!
A ditadura da beleza é um tema que eu já tratei outras vezes, inclusive aqui no Nossa Via, mas o foco de minhas críticas sempre foi o tempo e a atenção exagerados que damos à aparência, que é irrelevante em relação à obra da pessoa e à sua verdadeira essência. Este livro me fez pensar no quanto a indústria da beleza, que está se consolidando há alguns séculos, mas nas últimas décadas chega num ponto insuportável, trabalha para nos deixar insatisfeitos e inexoravelmente infelizes.
A autora cita uma pesquisa da Dove (dentre muitas outras interessantes, com o cuidado de colocar link completo para consulta em internet no rodapé) que concluiu que nós (brasileiras) nos submetemos a todo tipo de intervenção estética (somos campeãs em cirurgia plástica) para nos sentir belas e que
“as brasileiras estão entre as que têm a auto-estima mais baixa ? muito provavelmente em conseqüência do modelo de beleza eurocêntrico e inalcançável para a realidade nacional”
Outros estudos revelam que, comparada com outras, a população feminina no Brasil é a que mais se submete a sacrifícios pela ?beleza?: dietas, malhação, remédios, cosméticos e tudo mais. São ações forçadas dispendiosas, que nos tiram da família, da leitura, do lazer mas que, conforme nos “garante” a mídia (seja em novelas, jornais ou revistas “photoshopadas”) e nos cobram amigas e maridos, devemos fazer para sermos socialmente aceitas. Estar bela já não é mais uma questão de ser desejável, mas aceita pelo grupo onde estamos inseridas.
?A mulher brasileira busca se aproximar da silhueta típica das européias (mais longelíneas) ou das americanas (de seios mais fartos)?. Isso mostra o quão maléfica é a influência da mídia. ?As mulheres estão bastante desconfortáveis consigo mesmas. Desconfortáveis e provavelmente com sentimento de culpa. Uma geração com baixa auto-estima. A quem serve isso??, questiona Rachel. A resposta, segundo ela, é simples:
?A verdade é que isso vende. Vende, vende, vende toda a parafernália de produtos, profissionais e serviços que não entregam o que prometem ? como, aliás, ocorre com qualquer produto anunciado na mídia que, mais do que qualquer característica, ação ou desempenho, nos promete felicidade, modernidade ou sucesso?.

Terminei a leitura me sentindo renovada e desejando ganhar o olhar do personagem Hal (Jack Black) do filme O amor é cego. No dia em que recebi o livro da editora eu fui à Paulista e no metrô tive a impressão de que só tinha gente feia e deselegante. Bem, dias depois da leitura, peguei metrô novamente e senti que minha percepção já mudou um pouco. ;) Embora eu não seja feminista e não goste de nenhuma postura radical na vida, eu concordo com a idéia de que se estivermos atentas às armadilhas consumistas, teremos chances de ser menos escravizadas pela cobrança estética e mais dedicadas às questões realmente relevantes à sociedade. Mas isso não vai me fazer abandonar meus creminhos nem entrar numa onda “grey” quando envelhecer!
Se você gostou e ficou com vontade de ler, o Nossa Via vai sortear um exemplar do livro para um dos comentaristas deste post! Participe, dê sua opinião sobre a relação da mulher, da mídia e do consumo, conte para nós como você reage à pressão social para ser uma mulher esteticamente perfeita.
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June 23rd, 2008 at 06:06
Muito bom o post!
Eu acho que nem é tão a beleza que é fundamental e sim a vaidade. Beleza todo mundo tem, mesmo que escondidinha… As mulheres brasileiras são vaidosas por demais num ponto, nesse das dietas, malhação, etc., mas não são em tantos outros…
Uma coisa é certa: não importa de onde é a mulher, como ela é e sim como ela se comporta, sua educação, seus modos… Acima da beleza, acho que esse “quesito de beleza” é importantíssimo!
Beijo
Kaka
a beleza é relativa, isso que Vinicius não falou, mas no fundo viveu, pois se casou com mulheres bem diferentes. Mas a beleza interior, ou seja, o conteudo e a vontade de fazer o bem, isso não pode faltar, né? Vc tem razão, as mulheres brasileiras são vaidosas em algumas coisas e lhes falta interesse em outros!
Valeu por comentar e, ganhando ou não aqui, meu exemplar está à disposição.
Sam
June 23rd, 2008 at 06:06
Sam:
Confesso que já fiz de um tudo para não ser eu mesma e acredito que esta baixa auto estima, tem uma responsabilidade na educação. Pelo menos na minha teve. Então podemos considerar que este é um motivo poderoso. Depois que passei tomar conta da minha vida isto mudou, mas passei um bom tempo “sem caber dentro da minha própria pele”. Hoje pinto os cabelos, vigio meu peso mas sem paranóia.
Quanto ao livro, gostaria de ganhar. Já trabalhei numa livraria e o meu salário? Era para comprar livros. Ratinha de biblioteca. Isto não muda.
Anny
a autora fala bem disto, do quanto somos formatados para caber no modelo da epoca e no quanto nós, nas familias, contribuimos para que esta infelicidade e insatisfação se perpetuem!
Eu ainda me sinto extremamente mal, mesmo sem querer, porque não sou uma atleta e meu ciático e joelhos me impedem de fazer academia como as mulheres da minha idade fazem. Mas se pudesse, não sei se faria, acho que o tempo é tão grande lá, um verdadeiro desperdício. E é apenas um exemplo.
Abraços
Sam
June 23rd, 2008 at 09:06
O livro parece, mesmo, interessante. E este é um assunto que me interessa. Então, se o ganhar, será bem vindo. Se não tiver sorte, vou comprá-lo, pois a leitura me interessa.
Lino, comentei com vc porque midia e consumo são temas que já li no teu blog e porque vc fala de comportamento. Vale a compra, apesar de ser uma obra de poucas paginas!
Abraço e obrigado por prestigiar!
Sam
June 23rd, 2008 at 09:06
Antes de tudo tenho que confessar que sou vaidosa e sinto um pouco de medo de envelhecer. Concordo que a mídia influencia, mas por outro lado, e aproveitando essas informações, gosto de me cuidar.
Acredito que todo exagero [compulsão] não é saudável, em todos os sentidos e assuntos, por isso tento tirar proveito a meu favor. [só do que realmente vale a pena]
Aproveitando o que a Carol disse, o que vale mesmo é o comportamento, os modos, a educação, e a beleza realça ainda mais essas qualidades.
ÿ bom se sentir bonita, faz bem pro ego.
Bjus
June 23rd, 2008 at 10:06
Acho que é preciso se cuidar, num sentido geral: da saúde em primeiro lugar, inclusive a saúde mental, do corpo pra ter disposição e se sentir bem, do que a gente coloca pra dentro também, daí a aparência vai refletir os cuidados.
Hoje, a terpaia é a maior prioridade entre os compromissos e cuidados que tenho comigo mesma. Mas cuidar da minha alimentação, fazer yoga, ter tempo pra ler, escrever um pouco, tirar minhas fotos são coisas que me fazem muito bem também. Como cuido da minha filha pequena, não tenho babá todos os dias e ela não está na escola, é óbvio que não consigo fazer tudo isso sempre. Mas vou levando, e acho que estou bem.
O cuidado em excesso, a submissão a procedimentos invasivos sem qualquer critério, tudo isso exclusivamente por razões estéticas, aí é demais, é doença pra mim. ÿ triste ver a que ponto as pessoas chegam pra se enquadrar nos padrões. Sempre os padrões…e o que é pior, nesse caso (como em muitos outros) eles são ditados por interesses econômicos, o consumo e a indústria disso ou daquilo…é lamentável.
Beijo,
Renata
June 23rd, 2008 at 10:06
Sam,
Como somos da mesma formação poética de Vinícius, fiquei surpresa com sua visão da famosa frase “beleza é fundamental”… Como você sabe minha mãe sempre lidou com moda, passei boa parte da minha vida em meio a modelos e manequins perfeitas. E como fiz ballet, isso mesmo com 2 eles e tê mudo, o clássico russo, sempre tive alguém por perto me cobrando a estética perfeita. Hehehe… E eu com esse corpo bem brasileira, bumdão, peitão, menos e 1,60 m desde os 11 anos, como viveria minha adolescência se pirasse com a beleza. Pra modelo não tenho altura, pra bailarinha não tenho corpo. Brigas com a balança já está incorporado ao meu dia-a-dia. Modelei meu lado consumista da beleza para o chocolate da TPM, meus creminhos anti-sinais pra ajudar a genética, e meus hidratantes para cabelo e corpo que não largo de jeito nenhum. O resto fica por conta do que a “fábrica” fez, para desespero de minha mãe que desde os 15 quer me colocar na faca porque ela não gosta da minha barriga. Acredita que eu implico com meu pé…
Mas vamos “ataiá”, Vinícius estava certíssimo Beleza é fundamental, mas não se compra se tem.
June 23rd, 2008 at 11:06
Puxa, fiquei com muita vontade de ler o livro!
Eu não tive um modelo mulherzinha dentro de casa: minha mãe sempre trabalhou demais e abdicou da vaidade dela.
Eu não sou tão radical: gosto de usar uma roupa legal e ver um reflexo agradável no espelho. Mas sem neuras: tô acima do peso, ostento meus crespos com orgulho e faz muuuuito tempo que não passo em um salão de beleza. Quando vou, é para aparar o cabelo ou fazer a unha.
Mas confesso que ás vezes me sinto culpada por não ser tão mulherzinha quanto as minhas amigas. Tem gente que gasta os tubos em escova progressiva, plástica. Uma conhecida chegou ao cúmulo (é sério) de engordar uns 20 quilos para poder fazer uma redução de estômago. Eu não tenho tempo e nem saco para isso, prefiro ler um bom livro.
Abraço, Sam!
June 23rd, 2008 at 11:06
[...] Sam Shiraishi fez uma resenha deveras interessante sobre o livro “A beleza impossível - Mulher, mídia e consumo”, da psicóloga Rachel Moreno, que [...]
June 24th, 2008 at 12:06
Uauuuu Sam, mais uma vez tu falas ao meu coração!! Como é bom ler estas tuas palavras em meio ao caos que se instaurou na mídia, é uma cobrança absurda pela inexistente e inalcansável perfeição, que nos deixa aprisionados, é interessante que dissestes que o livro foi como um soco na boca do estômago, e é bem verdade que muitas vezes somos tragados por esta mídia sufocante e apelativa e quando vemos já estamos nos fazendo cobranças e nos culpando! Assim como tu também me preocupo com minha aparência e com meu bem estar, mas passo muito longe da escravidão, a preocupação maior é com a saúde, e esta também se reflete na aparência! Adorei a indicação do livro! E acho que ele vale muito mais para deixar meu conteúdo mais belo do que plástica para lapidar meu corpo! Antes uma mente lapidada com os pensamentos mais críticos do que um corpo esculpido por bisturi rsrsrsrsrsrsr
estrelinhas coloridas pra ti…
June 24th, 2008 at 01:06
Meu comentário vai ser mais marketeiro do que pessoal, tudo bem?
A autora citou a pesquisa que a Dove fez, mas senti que não foi à toa. Por que será que a empresa de cosméticos se lançou no mercado com a linha de pensamento “para todas as mulheres”? Mulheres gordas, com espinhas, tatuadas, com sarda, muito baixas ou muito altas. Enfim, a estratégia caiu muito bem nas mãos de seu público-alvo insatisfeito com sua beleza natural, se comparado com os “padrões exigidos lá fora” (ao meu ver, nem a beleza mostrada nas passarelas são convicentes) - e, diga-se de passagem, mãos muito bem tratadas com os cremes hidradantes que eles vivem lançando. Preciso citar o comercial dos efeitos especiais, desde a maquiagem até o outdoor? Eles acertaram em cheio ao consolarem as mulheres que a beleza delas, apesar de não ser perfeita - bom, ninguém é perfeito -, pode ser tratada do mesmo jeito que a beleza idealizada por elas mesmas. Por isso que eu adoro marketing!
Minha opinião pessoal: beleza não põe mesa, mas também não como no chão.
June 24th, 2008 at 01:06
ótimo texto!!!!!!
vou contar uma experiência da qual fui testemunha: uma das minhas melhores amigas da época da primeira faculdade, a d filosofia. ela estava estudando direito. seu sonho era fazer uma redução d seios. operou, deu tudo certo, empolgada com o resultado, ela fez dieta. em seis meses, ela conseguiu o corpo perfeito - do jeitinho q ela sempre havia sonhado, durante toda sua adolescência.
um dia, na cantina, ela me chega aos prantos: “myla, eu hoje estou muito mais triste q antes. cai num buraco!!! agora q consegui meu sonho, isso não me faz feliz!!!!!! e, pior, antes eu era muito mais feliz pq tinha a esperança desse sonho comigo. agora tô num buraco, numa insatisfação q não consigo sair. tô linda mas me sentindo uma fraude”.
isso já tem quase 10 anos e me lembro como se fosse ontem, me lembro dela usando essas mesmas palavras: “mais triste”, “caí num buraco”, “sou uma fraude”.
hoje já perdi contato com ela; se formou e deve d ser uma advogada porreta em algum lugar pq ela era uma excelente aluna e realmente gostava do direito.
acho q em vez d investir em produtos diet e em academias, a gente deveria investir nas relações q existem em nossa volta. e a primeira seria a da gente-com-a-gente-mesma.
por natureza e essência nós, mulheres, somos seres muito femininos - mas parece q a gente se esqueceu disso ou q temos deixado a correria sem sentido da vida nos puxar pela perna.
pra q q serve essa correria toda se a gente não se sente bem?
eu investiria mais nos amigos, no gingado q meu corpo faz pq uso saião, no cabelão solto, no sorriso no rosto, num perfume gostoso, numa comidinha feita com todo carinho pra alguém querido, num tempo com o feminino.
no dia em q a gente aprender q vimos aqui principalmente pra oferecer e não apenas pra ter - não d correr atrás d algo pra gente, mas pra oferecermos o q já temos pro outro - a gente revoluciona esse mundo
June 24th, 2008 at 03:06
A questão do padrão beleza imposto aqui no Brasil é o mesmo do natal. No Natal em cidades com 40ºC na ceia come-se peru, farofa, lentilha, lombo, panetone, etc… uma refeição pesada, que tem tudo a ver com refeições para ceia do hemisfério norte, frio, em muitos lugares com neve, mas nós copiamos, e nos empanturramos até não poder mais, ao invés de termos criado há muitos anos atrás uma ceia mais condizente com a realidade climática, com nossas frutas, peixes, etc… assim é com a beleza, queremos o padrão europeu, queremos todas ser loiras, cabelos lisos, nariz afinado, cintura fininha, mas como grande parte da população é resultado de misturas de raças, o nariz não sai tão fino, o quadril é bem maior, ainda bem que no momento a moda é lábio grosso (viva Angelina) e bumbum grande (viva J.Lo) “assim não ficamos tão ruim”…
A verdade é que as mães podem ajudar muito as meninas (como também podem ferrar ainda mais com a cabeça das crianças, dependendo da mãe), uma mãe que ensina que somos diferentes e que mesmo diferentes somos bonitas e que pesquisa e sempre que possível tenta mostrar para a filha imagens de mulheres com o mesmo perfil e que se derão bem nos mais diferentes ramos (modelo, executivas, produtoras, etc) estará embutindo nessa menina uma maior conscientização do seu valor, mesmo que na adolescência pareça não funcionar (como se muitas coisas que os pais dissessem nesse período fossem levadas a sério), mas no futuro funciona muito bem ….
June 24th, 2008 at 11:06
Sam, mais uma vez, belíssimo post. Já me peguei muitas vezes questionando esta exagerada preocupação com a imagem, principalmente nós, mulheres. Mais do que os outros nos cobrarem, nós nos cobramos. Queremos ser lindas, ter um corpo perfeito, ser inteligentes, boas mães, amantes e profissionais. Para isso nos sacrificamos, e muito.
Já vi mulheres recorrendo a lipoaspiração para se sentir mais bela. Mas isso é uma coisa de dentro para fora, não é uma lipo que vai resolver seus problemas de auto-estima. Resultado: com pouco tempo depois, os quilinhos voltaram e tudo continuou da mesma forma. Adiantou?
Essa cobrança por um padrão de beleza é algo cultural das brasileiras, que não vai mudar da noite para o dia. Algumas mulheres tomam consciência disso com a maturidade. Algumas nunca entenderão.
Temos que nos cuidar, procurar ter uma boa imagem? Claro! Mas não ao ponto de nos cobrar tanto que deixe a baixa-estima tomar conta. A beleza vem de dentro pra fora.
Bjinhos, Sam!!
June 24th, 2008 at 02:06
Muito legal o post, Sá. Fiquei curiosa sobre o livro. Quem sabe não sou sorteada, né?
Sobre a obsessão pela estética, é engraçado como temos que lutar contra isso, né? ÿ uma coisa muito forte, a exigência que se faz da mulher é muito grande neste sentido. Acabam ficando para segundo plano (ou terceiro, quarto, quinto…) outros valores que, no meu ver, são muito mais importantes que beleza física. O ser, o conteúdo da pessoa, as relações humanas, acabam sendo deixados de lados.
Eu, como a Renata, busco um equilíbrio entre as coisas. Acho que é importante sim cuidar de si, do corpo, da boa aparência, mas sem exageros. Mas da mesma forma que tento cuidar do corpo, eu busco também o aprimoramento da alma.
No caso dos exercícios, que você sabe que faço e que gosto, minha intenção é principalmente o bem estar físico, a saúde e até mesmo o bem estar mental. Com os exercícios, tenho mais disposição pra tudo, inclusive pra brincar com meus filhinhos (olhe, já estou falando no plural!) quando chego em casa. Ainda assim, confesso que o benefício estético dos exercícios também me seduz: é legal ver os exercícios darem resultado e você ficar com formas mais bonitas e firmes. Mas, infelizmente, percebo que saúde não é o motivo principal que leva as pessoas às academias: a maioria das mulheres acaba freqüentando porque tem verdadeira obsessão pela estética. Pra você ter uma idéia, na academia que freqüento, o percentual de mulheres com silicone é imenso! Daqui a pouco vão ser a maioria! As cirurgias estéticas estão imensamente banalizadas e ninguém pensa nos perigos que corre quando se submete a elas. Fazem como se estivessem bebendo um copo d?água. Tudo porque estão obcecados por beleza… que pena…
Espero, sinceramente, que mais livros como esse surjam e que mais pessoas questionem toda essa imposição da estética. Que a gente possa ter mais pessoas no mundo que se importem principalmente com o que tem dentro de si, e não com a embalagem que estampam…
June 24th, 2008 at 04:06
[...] - Mulher, Mídia e Consumo da psicóloga e feminista Rachel Moreno. Hoje publiquei no Nossa Via a resenha do livro e deixo aqui um convite para lerem e comentarem lá, porque sortearei um exemplar do livro entre os [...]
June 25th, 2008 at 03:06
Sam,
eu sempre tive seios pequenos. Quando menina, usava aqueles vestidinhos de lastex (nem sei se é assim que se escreve…risos) com duas bolotas de meias (que coisa ridícula…risos) porque era isso que eu queria: ter peito grande!
Pois é…cresci (não muito…mais risos) e realizei meu sonho na amamentação! Que sonho, que peito! Mandei meu marido tirar uma foto porque um dia eu ia levar num cirugião e falar: quero ter um peito assim prá sempre!
Só que quem disse que eu tenho peito de entrar na faca só prá ter peito?
Brigo com a balança como a maioria das mulheres, sou vítima do efeito sanfona, da celulite, dos cabelos brancos mas até hoje só fiz uma cirurgia por vontade: correção de miopia e se eu soubesse o que seria, não teria feito…risos…
Mas ainda bem que não sabia porque não precisar de usar aquele fundo de garrafa, nem lente de contato por mais sei lá quantos anos, é maravilhoso.
Por isso, quero envelhecer com prazer. Podendo gastar mais tempo com meu filhos, com minhas vontades, com minhas alegrias e até com meus ócios de vez em quando sem ficar muito neura. Já fiz dieta, já tomei uma vez, remédio para emagrecer e apesar disso, nunca fui neura. Foram momentos e todos ligados ao meu real estado de espírito, aquele que as pesquisas mostram e concluem sobre baixa-estima. Sempre que a gente fica neura com a aparência, pode ter certeza que não é a nossa aparência que está ruim, é nosso interior, nossa estima e prá isso, nada melhor do que um “acorda, menina” !
Um grande beijo!
June 25th, 2008 at 10:06
Pela sua resenha, o livro me parece interessante. Estou curiosa para saber como o livro conseguiu mudar sua percepção no metrô! Em relação à beleza, acredito que é uma questão pessoal e cultural. Digo cultural, porque mesmo sendo brasileira, fui educada dentro dos costumes japoneses, ou seja, mulher bonita precisa ser educada, sutil, discreta, rir baixo e por ai vai… Nada de ser sexy ou coisa assim… Lógico que assimilei coisas da cultura brasileira e, confesso, adoro! Fazer as unhas semalmente, limpeza de pele… e até uma mesoterapia para tirar aquela gordurinha que não sai nem com 3 horas na esteira! Não sou super vaidosa, mas quando olho para minha cunhada e sogra, que são belgas, vejo o quanto as brasileiras se cuidam mais. Elas nunca fizeram a unha na vida e quando disse que ia, semanalmente, à manicure, elas acharam uma loucura! ahahhah Aqui nos EUA é um misto, as americanas são vaidosas , cuidam do corpo e dão muito importância para os cabelos, mas também existem aquelas mulheres que se dedicam tanto aos filhos, à família que acabam se esquecendo de si próprias (minha mãe é uma delas). Programas como “Extreme Makeover” ou “Makeover” são comuns por aqui. As mães - stay home moms - ganham de presente uma mudança radical no visual! Elas adoram, porque resgatam a mulher que sempre existiu, mas estava lá escondida debaixo de cabelos mal cuidados, unhas quebradas e roupas largas… Ninguém gosta de parecer trapo… e quando parece, acho que é porque desistiu um pouco de si…
June 25th, 2008 at 11:06
Sabe Sam, nunca fui uma adolescente/mulher que se prendeu muito à ditadura da moda, embora saiba que sou a minoria das minorias por pensar e agir assim. Já tive minhas fases de mais arrumadinha claro, sou vaidosa também, mas quanto mais vou amadurecendo tenho mais convicção de que o que importa e me sentir bem… confortável, de maneira prática e básica. Pouco me importo com o conceito que farão de mim pela maneira de me vestir, do jeito que prendo meu cabelo, dos acessórios que uso (ou deixo de usar), me importa muito mais a impressão que minhas ações deixam, acredito que o modo de agir e nossas ideologias marcam muito mais. Infelizmente, como já disse sou uma minoria, cada vez mais as pessoas se preocupam com a aparência e não com a essência, um exemplo recente, e que ilustra bem, é a pesquisa divulgada na semana passada pelo Hospital do Coração de SP, que mostrou que as modelos brasileiras estão gravemente desnutridas… e quem são, senão estas modelos das “fashion weeks” as maiores formadoras de opinião?! Afinal, até eu quando adolescente já tive meus momentos “Gisele”!
June 26th, 2008 at 01:06
Diante de todos os comentários fico imaginando como as moças e senhoras de hoje, que correm atrás da beleza perfeita sem nunca conseguir alcançá-la, reagirão quando se depararem com a velhice.
Hoje vemos jovens e mulheres que foram modificadas com lábios metacrilizados, seios e bumbuns siliconados, bochechas aumentadas, cinturas afinadas… ficando, todas, com as mesmas feições e características corporais.
Imagine quando a velhice chegar, e pasmem… ela chega, como irão reagir? Não terão qualquer estrutura emocional para aceitar.
Quando penso que as rugas que consegui através dos anos não mais sairão do meu rosto, fico triste a princípio, porém quando penso que as tenho porque representam uma história de vida, me alegro.
Pensamento louco? Pode ser… mas sou feliz assim.
June 26th, 2008 at 08:06
[...] exacerbado me lembrou a promoção que está no Nossa Via, participem e comentem o texto Mulher, Mídia e Consumo. Você pode ganhar um exemplar do livro A Beleza Impossível da psicóloga e feminista Rachel [...]
June 26th, 2008 at 09:06
[...] Sato é um exemplo do que a mídia faz e do que a beleza precoce - das coisas que eu falei no post Mulher, mídia e consumo - pode fazer com a cabeça [...]
June 27th, 2008 at 04:06
[...] Mulher, mídia e consumo, do Nossa Via [...]
June 28th, 2008 at 01:06
Olá!
Cheguei aqui pela Evellyn,e adorei o post. Super interessante, vou comprar o meu. Eu sempre tive, e continuo tendo a sensação de beleza associada á felicidade. Pelo menos todas as vezes que eu estava feliz com um emprego novo, ou com uma nova paixão, as paqueras também aumentavam, rs. Acho que quem se ama fica mais belo, mesmo que não esteja dentro do patrão. Mas é super difícil estar sempre feliz e realizado, e o padrão, e o consumismo bate a nossa porta sempre e sempre, felizes ou não. Vejo menininhas cada vez mai novinhas, na faixa dos 12 anos, falando em lipo, dieta e malhação. Mais complicado ainda é convencê-las de que o que vai por fora é apenas um complemento do que tem no todo, quando todos á sua volta, inclusive suas próprias mães, fazem exatamente o oposto.
Achar o equilibrio, esse seria o ponto. Não ser desleixada , nem fazer da beleza uma obcessão. Mas onde é o meio termo?
Beijos, Bianca
August 19th, 2008 at 11:08
Atrasei para dar o resultado desta promoção porque tive uns problemas familiares. Na volta, fiz uma enquete com meus seguidores do twitter, para a votação ficar geek de verdade, pedindo que indicassem um número de 1 a 23. Ganhou o 7. O livro vai para Gisele e espero que se transforme num texto bem legal no Diva Diz!
November 10th, 2008 at 02:11
Eu acho que isso ae é culpa dos baianos! [:P]