O perfil (do lar) internauta
Nos últimos encontros com meus familiares em Curitiba notei como estamos ligados à tecnologia. Tiramos fotos nos Natais e festas de casamentos e imediatamente enviamos para o outro via bluetooth ou pelos cartões de memória de nossas câmeras, passamos as músicas por nossas inseparáveis pendrives. As crianças vivem momentos de celebridade, com mil câmeras disparando ao mesmo tempo a qualquer sorriso! Estar lá com meus irmãos e cunhados, mas cada um no seu computador super pessoal, me fez lembrar do tempo em que TV e computador eram objetos que dividíamos em família. Hoje cada um tem o seu e ficamos dependentes desta tecnologia pessoal e intransferível. Sou uma apaixonada por tecnologia, mas vivo esta paixão de forma nostálgica. Um exemplo? Ainda não me desprendi do meu bom e velho desktop. A tela grande, o mouse e a sensação de “estar no computador” ainda me trazem para cá - para o cômodo da casa que é meu “home office”, meu território exclusivo - e me faz deixar o notebook e a rede sem fio para o lazer. Como nas férias na avó meu filho Enzo se apossou no notebook Toshiba dela com uma desenvoltura imensa, já sabem quem está de olho no meu HP, né?
Não sei como será a relação da geração de meus filhos com tecnologia, mas antevejo, nas pesquisas, que será muito íntima e pessoal.
Na primeira infância, as crianças já ouvem música em seus próprios i-pods, brincam cada um com seu notebook (mesmo que sejam de personagens, Batman, Superman, Barbie, mas sempre individuais), têm TV (com ponto de TV a cabo) e DVD, som, tudo deles, não familiar. Li uma entrevista de David Levy, pesquisador na área de inteligência artificial, em que afirmava que em 40 anos será possível apaixonar-se e casar com robôs. Levy justifica sua teoria afirmando que “hoje, as pessoas já se apegam a bens materiais e isso se estende a computadores e outros aparelhos eletrônicos. Esse fenômeno, notado por psicólogos nos últimos 20 anos, veio junto com tecnologias que se tornaram imprescindíveis. Esses equipamentos têm um significado especial para nós porque os escolhemos, personalizamos, levamos para muitos lugares”. A idéia da tecnologia como uma parte “sine qua non” do novo lar é defendida também pelo designer italiano Marco Bevolo no projeto Vision of the future, que pesquisa a importância do ambiente e dos objetos (cada dia mais tecnológicos) dos nossos lares no contexto da vida familiar atual (e futura).
Minha geração não nasceu com computador, mas o incorporou rapidamente antes de ingressar no mercado de trabalho. O resultado talvez esteja aí nos blogs.
Nesta semana Luiz Santilli (que na verdade é da geração dos meus pais) contava no Boa Leitura sobre a história dos seus próprios computadores. Relembrei minha descoberta da informática no TK-80 (que usava uma TV de 14″ como monitor) com que tinha aula no ginásio. Na época a Globo apresentava, no horário que depois se instituiu como Malhação, uns seriadinhos americanos de 30 minutos, que passam hoje no NickNite e num deles um menino era muito inteligente e fazia faculdade de medicina aos 13 anos. O que me interessava era o fato dele fazer um diário pessoal no computador toda noite… sonhava com um diário assim, supostamente fora do alcance de todos, e com tanta facilidade para escrever. O idéia de diário particular logo mudou, hoje os blogs são uma forma de comunicação, em especial para profissionais da área como eu. Uma pesquisa divulgada por Daniela Bertocchi no Intermezzo nesta semana tratava do perfil dos jornalistas blogueiros em 20 países iberoamericanos. Considero as diferenças dos jornalistas brasileiros com os “periodistas” de língua hispânica ou com os portugueses, mas ainda assim o levantamento interessa e mostra um perfil que cabe na nossa realidade. Eu poderia comentar, mas prefiro deixar convite para que leiam lá e opinem, como já o fez Alessandro. Será que esta exposição que buscamos com os blogs é mais uma faceta do individualismo que a tecnologia traz? Uma incapacidade de trocar pessoalmente ou um exibicionismo exacerbado? Esta é mais uma das questões a pensar sobre a relação que temos com a tecnologia. Como é a sua ?
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January 14th, 2008 at 12:01
[...] etiquetado: blogueiro, jornalista, perfil dos jornalistas-blogueiros em 20 países iberoam Meu texto de hoje no Nossa Via trata da nossa relação com a tecnologia. Cito um estudo feito em 2007 pela [...]
January 14th, 2008 at 01:01
Sá,
Em casa temos um só computador. Tá bom, tá bom: 2. É que recentemente compramos um notebook pra usar como dvd player no carro, pra facilicar as longas viagens com a Yumi. Mas o note, por enquanto, é mais usado pra isso mesmo. Ou pra quando o Adriano viaja a trabalho. Em casa, usamos o desktop, compartilhado, mas que pode ser pessoal, já que cada um tem sua senha, seu perfil e não vai ficar acessando com a senha do outro (a não ser que seja controle dos pais sobre o que os filhos vêem. Pode ser invasão de privacidade, mas, hoje em dia, isso é muito importante e necessário).
Não pretendo ter um computador pra cada pessoa da casa. Assim como quando cada um tem TV no quarto, isto acaba por separar a família (cada um vendo seu programa preferido, trancado no seu próprio quarto, sem interagir com o resto da família), acho que o computador acaba fazendo a mesma coisa. Computador é uma coisa que nos vicia - assim como a TV - e é muito fácil perder-se no tempo e esquecer que existe mundo à nossa volta, quando ligamos a telinha ou o hd.
Os tempos modernos acabaeram criando a “necessidade” de cada um ter seu pc, sua TV, mas eu e o Adriano pretendemos resistir a isso. Queremos estar disponíveis para nossos filhos enquanto estivermos em casa - e queremos que eles possam conversar conosco também nestes poucos momentos que passamos juntos.
Acho que não há nada mais importante do que o diálogo, a conversa gostosa, o contar como foi o dia, a troca de carinho, afeto que são propiciados nestes momentos em que passamos juntos. E quem é que consegue fazer isso se está mais preocupado em ver a notícia no Jornal Nacional ou em navegar na internet?
Eu sei que estou remando contra a maré, mas acho que não posso desistir antes mesmo de tentar, não é mesmo?
January 14th, 2008 at 03:01
O Lino divulgou uma pesquisa da Brodeur, uma empresa de pesquisa dos Estados Unidos, sobre jornalistas e blogs também, os resultados estão em Marketing Charts. Pretendo ler e comentar em seguida, mas deixo o convite para lerem também!
January 14th, 2008 at 04:01
O perfil (do lar) internauta | Nossa Via: o conteúdo passa por aqui!…
Qual seu perfil como internauta?
Minha geração não nasceu com computador, mas o incorporou rapidamente
antes de ingressar no mercado de trabalho. O resultado talvez esteja
aí nos blogs. Comente como anda o seu perfil e seu lar.
…
January 14th, 2008 at 04:01
Olá Querida Amiga,
Somos uma familia destas. Por enquanto, temos 3 notebooks! Ahaha! Um meu, outro do meu marido e um das crianças! Cada um com internet wireless. O dia que tivermos mais dinheiro compramos um melhor para eles…Mas comos somos profissionais da área tecnológica e cada um no seu universo temos que ter computadores diversificados…
Somos tecnológicos e nunca fui de não querer evoluir…tudo que aparecer que for bom e trouxer mais conforto, por quê não?Estou sempre aberta e receptiva.
Quanto aos blogs, já penso que vão ficar somente aqueles que gostam mesmo e usufruem de alguma coisa não só por modismo, mas porque lhes traz algo de bom para vida…algo positivo…
Beijos,Aline
January 14th, 2008 at 11:01
Olá, Sam
Fez uma bela retrospectiva da vida com pouca e com bastante tecnologia. Me deu saudades do TK-80 que falou. Ele usava um gravador de fitas cassete (puxa, que coisa mais antiga!), pra armazenar os seus dados e tv como monitor. Era ótimo pra fazer agendas de telefone em “Basic” no MS-DOS. Nossa! Nem parece que fiz 38 anos sábado. Não haviam videogames a não ser o “Telejogo”. E vejam só como as coisas estão hoje!
Aqui em casa temos um desktop, como logins e configurações separados, e um notebook, que é da Denfensoria emprestado à Tânia. Talvez, se o tivéssemos levado na viagem, teríamos nos encontrado em Curitiba…
Mas embora sejamos abertos a evoluir como a Aline, temos nossos momentos atecnológicos de interação, como foi a viagem.
Certamente, ver nossas famílias reunidas à beira da piscina como sugeriu, teria sido muito melhor do que qualquer videoconferência, ainda que todos pudessem participar.
Quanto aos blogs, concordo com a Aline. Ficará quem tem agrega com eles algo à sua vida. Quem o faz por modismo ou exibicionismo, está fadado ao insucesso.
Em tecnologia as coisas acontecem e se superam muito rápido e acho imprevisível o que pode estar por vir.
Mas não pretendo ficar pra trás. Afinal, se estamos no mundo, precisamos girar com ele.
Um beijo, minha amiga. Parabéns pelo seu artigo.
January 15th, 2008 at 07:01
Na casa de meus pais, onde minhas 3 irmas ainda moram, tem 3 computadores, 2 desktop e 1 notebook, e todos estao cada vez mais ligados a essas maquinas
January 15th, 2008 at 12:01
oi Samantha, td bem?
Minha geração nasceu e se criou sem computador. E somente para o necessário faço uso “dele”.
Estar entre amigos, numa roda de violão, contando piadas e ler um bom livro, pegar um cineminha ainda é mais atrativo. Mas reconheço toda a comodidade que a tecnologia nos trouxe.
Tenho computador em casa, mas pouco uso. Minha filha de 8 anos adora e se dá muito bem com os equipamentos (celular, computador ….). Esta geração não terá problemas em responder questões como esta, pois não conheceram o mundo anterior. “o mundo sem computador “….
adoro a forma que vc aborda os temas tão comuns a nós leitores.
ABRAÇO
January 15th, 2008 at 05:01
Sam, eu confesso que tenho uma relação de amor e medo com a tecnologia. Porque a tecnologia em si costuma vir atrelada a um sem número de apêndices de consumo. Nunca é uma coisa só. O computador precisa de energia, os celulares de baterias, de torres de rádio, de updates a cada dia mais freqüentes. Gostar da tecnologia eu gosto, mas eu fico me imaginando na praia afastada dos meus sonhos, sabendo que à luz do lampião, os bons e velhos livros ainda serão mais eficientes. Coisa a se pensar nesses tempos de estiagem, apagão, petróleo a 100 reais e aquecimento global.
Enfim, estarei virando um ecochato? hehe
Beijo.
January 15th, 2008 at 09:01
e a literatura e o cinema, Sa, preconizam, antecipam, dão corpo a essas discussões todas, sob os mais diversos vieses. éééhhh, rs, sei q vc e sua família tb são apaixonados pelas letras e pela telona!
January 15th, 2008 at 10:01
Oi Sam!
A minha relação com tecnologia é bastante tranqüila. Graças a Deus não me escravizei a ela. É claro que é muito bom ter máquina de lavar que faz tudo, microondas, dvd, ar, computador, telefone e todas essas coisas que nos facilitam a vida, mas nada, repito NADA substitui a convivência com as pessoas. Acho que a tecnologia da mesma forma que aproxima umas pessoas de outras, afasta essas mesmas de outras. O exemplo vc mesmo citou no seu artigo. Antigamente cada casa família possuia uma TV na sala e assistir a um programa de TV era verdadeiramente um programa de família.
Beijos
January 15th, 2008 at 10:01
OI Sam, adorei o texto. Antes quando eu tinha um desktop eu já quase limitava o acesso a ele, fazendo-o um computador pessoal, mas sem a possibilidade de leva-lo pra tudo que é lado, até que veio o notebook e aí sim ninguém mais o toca, virou pessoal, egocentrismo puritano! hahahaha
Já falando em apaixonar por máquinas… bem, eu já sou apaixonado pelo meu Vaio, mas também sou apaixonado pela minha namorada, são amores DIFERENTES. risos
bjo Sam.