O que realmente conta: O que você conhece, quem você conhece ou quem conhece você?
As distâncias se encurtam e os contatos se tornam praticamente instantâneos. Enviar um convite a uma pessoa desconhecida para se estabelecer um contato se tornou uma atividade simples e facilitada pelas diversas redes sociais existentes. Embora banalizada, esta atividade de construir uma rede de relacionamentos pode se tornar valiosa, desde que planejada e realizada com propósitos bem definidos.
Seja no mundo real ou no mundo virtual, algumas questões importantes se colocam: Que valor real resulta deste capital humano que estamos colecionando e conectando? Que benefícios reais podem ser obtidos nos níveis profissional e pessoal? E, finalmente, o que realmente importa mais: O que você conhece? Quem você conhece? Quem conhece você?
ÿ uma pergunta simples, mas com variadas respostas. Se você fizer esta pergunta a seus amigos, terá respostas firmes e controvertidas, fundamentadas em histórias pessoais muito convincentes. De imediato, eu responderia que o que importa é quem te conhece. Todo o meu progresso profissional resultou de recomendações espontâneas de pessoas que me conhecem. Contudo, este tema merece uma reflexão mais cuidadosa.
O grande dilema: relacionamentos ou especialização?
Conhecer muitas pessoas é importante, mas fundamentar seu negócio ou sua carreira profissional unicamente em relacionamentos é uma aposta arriscada no longo prazo. Conheço pessoas que basearam seus negócios no “know-who“, tiveram sucesso durante alguns anos e hoje se encontram num beco sem saída. Com o passar dos anos, as estruturas de poder e influência mudam e os poderosos da vez são substituídos, se transferem para outros negócios ou se aposentam. Em resumo, é uma estratégia que pode dar resultados no curto prazo, mas que coloca seu futuro nas mãos de terceiros e, de certa forma, você perde autonomia e flexibilidade. Hoje, a criação de bons contatos requer algo mais do que simpatia e habilidades de persuasão. Requer uma reputação profissional evidenciada através de competências e realizações.
De outro lado, se você não conhece as pessoas e elas não te conhecem, você pode dominar totalmente uma matéria mas não irá a lugar nenhum. Você se torna uma pessoa invisível. Sem uma boa rede de relacionamentos, as boas oportunidades de negócios e emprego passam ao largo e raramente se repetem.
O tempo é o grande obstáculo
O segredo parece estar numa combinação equilibrada do que você conhece com quem você conhece e quem conhece você. O grande problema é achar tempo para se dedicar ao domínio de uma profissão e à criação de uma rede de relacionamentos. Com a escassez de tempo, temos a tendência de nos concentrarmos numa tarefa em detrimento da outra. Esta não é uma boa prática, pois a realização da segunda tarefa, seja o aprimoramento profissional, seja a rede de relacionamentos, poderá chegar muito tarde.
A construção da rede de relacionamentos deve ocorrer paralelamente ao seu desenvolvimento profissional. Isto exige planejamento e disciplina, que começam pela reserva de algumas horas por semana para o cultivo de suas relações com amigos, colegas de profissão, clientes e pessoas com poder de decisão e influência. Conheça-os e cuide para que eles saibam o que você já fez, o que você está fazendo agora e quais seus futuros projetos. Retribua com um genuíno interesse no que eles conhecem e nas suas realizações. Em que você pode ajudá-los?
Qualidade ou quantidade?
O que é mais importante, a quantidade ou qualidade de seus contatos? Manter sua rede de relacionamentos pequena e formada por contatos de qualidade, ou formada por um grande número de contatos sem restrições quanto à relevância dos mesmos? Eu diria que o ponto de equilíbrio depende da consideração de dois fatores: o propósito de seus relacionamentos e o tempo disponível para cuidar deles.
Os propósitos de uma rede de contatos podem ser, entre outros:
- Criar ou participar de comunidades reunindo pessoas interessadas num determinado assunto, como ecologia, esportes radicais, culinária, etc.
- Divulgar seu negócio e oferecer seus serviços profissionais.
- Fazer intercâmbio e manter-se atualizado em relação ao seu campo profissional.
- Identificar especialistas e recursos que você poderá usar.
- Facilitar relacionamentos mutuamente benéficos.
Em qualquer destes propósitos, você deve perguntar que valor será agregado por uma grande quantidade de contatos. Qualquer que seja a resposta, uma boa estratégia é começar por montar sua rede com contatos de qualidade e usar estes relacionamentos para obter novos contatos e expandir sua rede sem perda de relevância. Seja qual for o caso, o tempo disponível será um fator limitante. Quanto menor o tempo disponível, maior a atenção à qualidade de seus contatos.
O que você pensa a respeito? A quantidade de seus contatos está se tornando mais importante do que o que você conhece? O que você procura, quantidade ou qualidade?
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March 19th, 2008 at 02:03
a gente começa a entender q vivemos mesmo num universo participativo e q a qualidade das coisas dentro dele nunca esteve tanto em voga.
esse artigo chama a uma reflexão bem legal.
April 16th, 2008 at 11:04
Tentando vencer bloqueios ,paralização da criatividade e buscando desintegrar real exclusão ,que gerou atual fobia social foi que tive a boa sorte de encontrá-lo falando com bondade e correção sobre tudo o que preciso reaprender e praticar.Porém a rede de conflitos,como vê, resiste sufocante não dando abertura para novas atitudes,uma vez que a escuridão interna,existencial,age somatizando e minando toda e qualquer tentativa de reação.
ÿ terrivel a gente estar consciente dos erros passados e não ter como corrigí-los ,principalmente quando se tem 60 anos e ainda continua insistindo em trabalhar nos sonhos da juventude.
Amei a arte e ingênuamente dela fiz a causa da minha vida.Sujeitei-me ao desconforto do fechamento das galerias,acomodei-me na simplicidade ,só , fiel aos meus sonhos , pois também os meus bons amigos morreram. E sozinha não tenho como vencer a tirania do comércio de arte imperante hoje em dia..Vivo para a arte,mas a arte não me devolve o suficiente para manter-me,num mínimo de dignidade.
ÿ bem verdade que no sufoco de tantos anos oprimida,meu trabalho vem perdendo qualidade e me horroriza ver passar os anos e eu não ter feito a arte maravilhosa que eu tinha certeza que faria na velhice.Além disso,me dá uma certa náuzea em ver o que é a arte dessa geração - uma anti-arte ou a morte da beleza .
Não me “atualizei”,porque sou uma rebelde de natureza - não sigo a moda e não acredito nela,ainda que nos seja imposta.
Mas na verdade, a falta de amigos é o que mais dói e a impossibilidade de fazê-los gera esta tortura, embrutecimento e exclusão. Devo ser punida porque não tenho tino comercial,por não frequentar exposições,leilões ou bienais?
Tudo que quero e preciso é da serenidade em solidão,não abandono, para desenvolver meu talento no trabalho que sonho desde a mocidade - deixar sair da minha alma a síntese na melhor expressão do que vejo e sinto a vida e o mundo .Quero muito?
Que bom encontrá-lo,como um farol,Jairo Siqueira
Quem sabe de suas palavras me venha a luz que precisava?
Um grande abraço,
Ade