Por que vamos ao Starbucks?
“Nós, parte de uma geração que vê a globalização pela TV mas nem sempre pode prová-la in loco, vamos ao café esperando encontrar os Friends no sofá ao lado e bater um papo com eles. Será como aqueles loucos por James Joyce que fazem o Bloom’s Day? Creio que sim, para se sentir parte de algo maior.”
Feriados no Brasil, ainda mais de “datas cívicas”, acabam mostrando o pouco valor que damos ao que é nosso. São Paulo teve um mega-feriado (emenda-se o Dia Da Proclamação da República com o Dia da Consciência Negra) e foram dias de comércio absurdamente lotado onde se vende muito barato o que não é nosso, tudo made in China ou afins. Estima-se que 1 milhão de pessoas (só na sexta, 16/11) estiveram na rua 25 de Março, local que considero um purgatório e a mídia chama de maior centro de compras popular de São Paulo.
Não viajei. Meu marido trabalhava na sexta e na segunda e recebemos minha irmã e cunhado no feriado, ambos tinham congressos de medicina na região da av. Paulista e foi por lá que nos encontramos no sábado à tarde. Como eles se hospedavam no Maksud da Alameda Campinas, fomos tomar café, por insistência do meu cunhado, no Starbucks da Alameda Santos. Simpático, por fora me lembrou o clássico (e onírico) café dos filmes americanos, mas ao ver a fila, já senti o drama: teríamos que ficar de pé muito tempo para comprar o café mais caro das nossas vidas. O copinho com seu nome é afetuoso, a tampinha prática e os sofás completam o charme do ambiente. No entanto, os funcionários da loja agem com soberba e fomos premiados com a falta de creme naquele final de tarde. Mocha sem chantily? E pior: sem desconto ou um pedido de desculpas gentil pela falta de um ingrediente básico. Isto foi sem perdão. No fundo, acho que esperava um gerente fofo como o interpretado por Patrick Dempsey (o Derek de Grey’s Anatomy) do filme Lucky Seven!
Sabem, eu não volto lá. Mas saí de lá pensando nas razões que nos fazem ir a estes lugares. Peter e Maria Luiza Rodenbeck, que conseguiram a proeza de trazer a mundialmente famosa rede de cafés para o Brasil (já com 8 lojas em São Paulo), são também os bem-sucedidos responsáveis pela vinda do McDonald’s, ainda na década de 1980, e mais recentemente da churrascaria Outback, especializada em comida australiana. Estes são lugares que freqüentamos por sua excelência nos serviços, por curiosidade, pela propaganda maciça ou porque somos provincianos?
Acredito mais na última resposta. À época da chegada da cafeteria ao Brasil, em 2006, Alberto Serrentino, consultor especializado em marketing e varejo, falou que funcionaria porque “andar com um copinho de café da Starbucks dá status“. Vejo que a empregada que trabalha em minha casa leva o filho ao McDonald’s todo mês pela mesma razão, para mostrar que ela pode “se dar” este luxo e status. Nós, parte de uma geração que vê a globalização pela TV mas nem sempre pode prová-la in loco, vamos ao café esperando encontrar os Friends no sofá ao lado e bater um papo com eles (bom, o café era outro, mas o conceito é o mesmo - ou não?). Será como aqueles loucos por James Joyce que fazem o Bloom’s Day? Creio que sim, para se sentir parte de algo maior. Na falta deles, ver a judoca Vânia Ishi brincar com seus filhos enquanto espera sua vez já é um luxo. Para mim, luxo é ver no meio de muffins e cookies (que adoro e sei fazer bem) o nosso inigualável pão de queijo na vitrine da loja americana. Isto sim me orgulha!
P.S. A propósito do consumismo, dia 23/11 é o Dia sem Compras (Buy Nothing Day), iniciativa criada há 14 anos por uma fundação canadense, a Adbusters, para questionar o consumo desenfreado. O objetivo é ficar pelo menos 24 horas sem gastar nem um centavo. O movimento bem-humorado tem adeptos em 64 países.
[update] Não deixem de ler o texto Como agregar calor humano ao seu negócio e conquistar clientes que complementa este aqui! ![]()
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November 19th, 2007 at 07:11
Sam, infelizmente no Brasil, consumir essas “grifes” é buscar status. Em conseqüência, os atendentes (e muitas vezes, até gerentes) desses estabelecimentos nos tratam com soberba, a menos que tenhamos estacionado um carro de luxo na porta.
Aqui no Japão, a Starbucks e o Outback costumam ter um atendimento bem caloroso. O McDonald’s já foi pior, hoje estão mais atenciosos quanto ao atendimento ao público.
Enquanto no Brasil não houver um treinamento de pessoal eficiente, a realidade será sempre essa.
Os empresários, gerentes e atendentes dão mais valor à marca que ostentam do que o que tem valor real: o cliente.
É uma grande pena.
Erica
escrevi justamente sobre estas diferenças Curitiba-Tokyo-São Paulo no meu blog hoje. E o texto do Jairo foi sob medida para explicar o ponto de vista, que, fico contente, compartilho com você.
Mas na verdade, mais do que treinamento eficiente, precisamos de mais educação, né?
Abraços e boa semana.
Sam
November 19th, 2007 at 11:11
[...] Hoje o texto Como agregar calor humano ao seu negócio e conquistar clientes, do Jairo Siqueira, me fez lembrar da diferença de atendimento. E por total coincidência, eu falei sobre consumo também no meu texto no Nossa Via, onde eu pergunto: Por que vamos ao Starbucks? [...]
November 19th, 2007 at 12:11
Pois é, Samantha! Nessas horas que a gente vê como a África (ops, Brasil) é um país de Trigésimo Mundo (ops, Terceiro), só estou me confundindo hj….
Então, depois que eu vim pra cá que descobri que só no Brasil que as grifes têm valor - por isso eu sempre digo, a Daslu é uma farsa! Café é só uma bebida, roupa é só um pano e bolsa é lugar pra carregar coisas (mas vamos abrir exceção pra Louis Vuitton! rs) e maria-gasolina só em país onde carro é artigo de luxo e não somente um meio de transporte…..
Ahhhhhhhhhh saudade da minha África, viu…..
Ah, Leandro, por isso falei que lembrei de você no Starbucks. Soube da chegada da franquia aqui no seu blog e você falava com tanto entusiasmo, exatamente com este foco de que deixaríamos de ser terceiro mundo. Mas não é, se o atendimento ainda for assim, continuaremos sendo o que você, pejorativa e tristemente chama de África. Acho que o Starbucks daqui conta com clientes como você, não como eu.
Agradeço a visita, volte sempre para causar polêmica… ah, já que falou em bolsa, vai no outro post.
Sam
November 19th, 2007 at 02:11
Por que vamos ao Starbucks? | Nossa Via: o conteúdo passa por aqui!…
Nós, parte de uma geração que vê a globalização pela TV mas nem sempre pode prová-la in loco, vamos ao café esperando encontrar os Friends no sofá ao lado e bater um papo com eles. Será como aqueles loucos por James Joyce que fazem o Bloom%9s…
November 19th, 2007 at 02:11
Eu adoro café. E tem um sonho de ter um café bem legal.
Eu gosto do Starbucks…nem sabia que já tinha no Brasil. Euí li o livro sobre a história da Starbucks. Chama-se Dedique-se de Coração de Howard Schultz.. É muito bom e muito interessante a leitura para quem gosta do gênero. Uma bonita história de sucesso.
Eu confesso que prefiro sentar num lugar aconchegante e tomar em xícara de gente! Tem muito mais graça. Tomar café em copinho, caminhando pela rua não tem graça nenhuma. Claro, que o cinema faz disso um glamour ! E a gente se sente dentro de uma tela de cinema. Coisas de adolescência!
Aqui no mundo real, nada como um bom papo e um bom café, sentado numa mesinha, de preferência de canto…e curtir um pouquinho, mesmo diante da correria do dia a dia moderno.
Beijos,Aline
November 19th, 2007 at 02:11
Acho isso tudo engraçado. Gosto de ir ao Fran´s Café - mas não para tomar café, até porque eu não gosto do café brasileiro (o sabor não me agrada) e eu não sou mesmo de tomar quantidades imensas de café. Gosto porque tenho por hábito sentar-me em cafés para ler o jornal do dia ou a revista. Bater um papo e depois voltar a minha realidade…
Mas no mais, outros lugares me lembram filas, quantidades imensas de pessoas e mau humor dos funcionários porque não recebem bem e não são tratados bem. Por isso nos tratam da mesma forma como se nós fôssemos os vilões.
O fato é que eu prefiro a minha mesinha em baixo do pé de jabuticabas em dias nublados e menos quentes com um belo chá…
Eu sempre me perguntei sobre o tal glamour do cinema com relação a café em copos e nunca entendi porque lá em casa (Gênova) a xícara era velha e o nono tinha a sua própria e o cheiro de café era sentido de longe e os grãos eram moídos pouco antes de sair o café quente. Então tudo mais passa a ser folclore, inclusive a Starbucks.
November 19th, 2007 at 10:11
[...] Por que vamos ao Starbucks, Samantha Shiraishi faz umas algumas considerações interessantes sobre este tema; recomendo sua [...]
November 20th, 2007 at 09:11
Apenas para lembrar um passado recente e glamoroso, o Brasil e o Café com suas histórias com H mostram que os Starbucks da vida nada tem a ver conosco. Os costumes da nossa terra devem ser enaltecidos sempre.
Quem tiver a oportunidade de passar pelo centro de Santos, lá na rua xv de novembro, 95 encontrará a Cafeteria do Museu.Um local digno das nossas tradições, com café a mostra de todas as regiões produtoras do Brasil, no qual pode-se saborear na hora o verdadeiro café de produção nacional, além do local ser do nosso jeitinho, aconchegante, como gostamos, para aquele bate papo, enfim, vale a pena conferir..
Samantha, parabéns mais uma vez por seu trabalho no nossa via.
Abraços a todos
November 20th, 2007 at 07:11
eu confesso: nunca fui ao Outback. A última vez que entrei no MacDonald’s foi no dia 11/09/2001, só porque as torres caíram e a redação precisava almoçar no meio do caos de colocar um hotsite no ar.
Nunca pus os pés no Burger King. E o Starbucks iria na mesma linha, não fossem os blogueiros amigos no segundo dia do BlogCamp SP, sem o Cobra (que fez questão de Café do Ponto no primeiro dia).
confesso: o café do dia é razoável, o copo ENORME atende às minhas necessidades de cafeína (colossais). Mas aquela tampa… é ótima pra queimar a boca. Ninguém conta isso.
Depois da estréia, em agosto, só voltei ao Starbucks quando fui ao iG (tem um em frente). Ao da Santos, que é “perto” de casa, nunca fui. Quando quero café de verdade vou ao Suplicy, ao Santo Grão, ao Havanna Café… há tantas boas casas, cheias de clientes bonitos, atendentes que me conhecem, sorridentes.
Para quê starbucks?
November 20th, 2007 at 11:11
Lendo o comentário da Lunna, me lembrei de uma outra diferença que é sentar para tomar um café aqui no Brasil e tomar café em alguns outros países. No Brasil, dificilmente sentamos para ler ou mesmo trabalhar; justo porque recebemos carão dos funcionários ou dos próprios clientes.
Estive recentemente em São Paulo e esses cafés por se situarem numa metrópole deixam de observar detalhes; A Starbucks do Shopping Higienópolis não tem tomada pra plugar o laptop, porém a da Alameda Santos, entre os cafés, é uma das melhores nesse quesito. O Fran’s Café do Higienópolis tem uma tomada bem no alto, tão alta que você tem que subir na cadeira pra conseguir ligar.
Parece engraçado falar disso, mas estamos falando de diferenças culturais e parecer ser aquilo que não é. Então, o padrão Starbucks global possui mobilidade de escritórios virtuais e acho ótimo que esteja aqui, mas precisa acordar! Mais cafeína, please!
Huahuahuahua. Estava esperando alguém comentar a cafeína… Luma, deixa mesmo a desejar neste quesito e olhe que meu marido sempre me fala que eu gosto de café aguado (ele gosta de expresso bem forte)! É verdade, aqui no máximo o café é um ponto de encontro e fica aquela sensação de que está na hora de ir, não devemos demorar tanto, etc. Mas sabe que alguns McCafés estão com revistaria boa e atendentes gentis? No entanto, vivem vazios e eu não tive a curiosidade de ver se wi-fi funciona.
Beijos e obrigado pela visita.
November 21st, 2007 at 01:11
Sam, eu ABOMINO fila. Ainda mais para comer. Eu gosto do Outback, não desgosto do Mc Donald´s mas raramente vou a estes lugares.
Adoro café mas não gosto de café expresso que é 99% dos cafés das cafeterias.
Eu não enfrento fila para ir a nenhum restaurante. Tem fila, eu saio fora. Não vou ao Mc Donald´s com frequência, pelo contrário, porque não acho saudável. mas de vez em quando, é prático e agrada justamente porque vamos pouquíssimo.
Meus filhos, ao contrário, da maioria absoluta das crianças que conhecemos, tem um ou outro brinde de lá. Eu penso que além de pararmos para pensar antes de importar hábitos de consumo que não são nossos, devemos aprender a consumir esses produtos com consciência é fundamental. Não vejo nada demais em frequentar, desde que a gente tenha senso de noção.
Você falou tudo: foi mal atendida e não volta mais.
Eu adorei a comida do Outback e não vejo nada demais em querer provar outros sabores e temperos, e gostar. Mas não enfrento fila, nem adianta. Café Mocha sem chantilly, tá errado. Ser atendida com pedância, tá errado. O cliente é o maior patrimônio. Quer trazer essas novas comidas pro Brasil, trate-nos bem, com calor humano, respeito e comprometimento. Quem não tem competência não deveria se estabelecer…mas aqui se estabelecesse porque também como você disse, somos provincianos.E aceita-se ser maltratado, enfrentar fila e levar gato por lebre, pagando mais caro.
E nossa autoestima é tão baixa que tudo de fora é legal e dá status ao ser consumido.
Lá no blog a gente bate direto nessa tecla.
Precisamos ser chatos sem medo.
Pode ter certeza que aqui em casa participaremos do Dia Mundial sem Compras!
Ana
sabia que participariam! E sei que batem muito nesta tecla, por isso contava com seu comentário aqui.
Eu nunca consegui ir ao Outback aqui no Brasil. Sempre está cheio e ao me ver com os meninos a atendente acaba me aconselhando a não esperar, fica com dó. Boa moça.
Vamos ao Mc sim, não nego, e adoro os brinquedos. Mas o limite é uma ida por mês. Mas se eu fosse atendida nos termos do Starucks, não voltaria, com ou sem brinquedo.
Abraços
Sam
November 23rd, 2007 at 01:11
[...] compras, numa sexta-feira? Será possível? Falei sobre a data no PS do post Consumista eu? e em Por que vamos ao Starbucks? Estou numa fase de interrogações, já notei. Pergunto-me no momento se conseguirei passar o dia [...]
April 16th, 2008 at 10:04
Gosto do Café do Ponto, mas quando vejo que o café “pingado” (bem de boteco, sabe) já passou dos R$ 2,00, meu bolso se contorce e não deixa eu pegar a carteira… rsrsrsrs. Café é bom mesmo em casa, feito de coador - há quem prefira no bule italiano (é italiano mesmo?) -, aquele cheirinho invadindo todos os cômodos da casa. Tem coisa melhor?
April 17th, 2008 at 07:04
A gente pode tomar café no Fran’s quando eu for aí, não tem problema.
Como respondi lá no blog, o lance do status existe, mas creio que não é exclusividade nossa. Dizem os analisas que o Starbucks errou ao abrir tantas filiais nos EUA justamente porque diluiu o tal do status, que também era importante por lá.
Já o Outback, esse me ganhou pela cebola empanada monstruosa e pelo pãozinho. E tem também uma sobremesa, hmmm… esqueci o nome, mas é divina! Ah, não tem jeito, gosto MESMO do Outback!
June 28th, 2008 at 12:06
Gosto mesmo do cafe da fazenda feito na hora mas, aqui na cidade vamos as cafeterias para uma pausa, que nao significa tomar cafe mas podemos tomar um chá , fazer um lanche, bater um papo, ler um livro, trabalhar, ficar a vontade, beber um vinho, ler uma revista, fazer uma reuniao…ah , como seria bom um lugar onde posso ficar tranquilo e bem a vontade, sem barulho, usando uma internet livre e os funcionarios NAO me olhando feio, com cara de que eu tenho que consumir logo e ir embora para liberar uma mesa…quando deixaremos de ser apenas mais um produto ???
Convido a todos a conhecerem o Fran`s Cafe da Alameda Campinas!!!