Removendo a mordaça
O Professor está impedido de expressar sua opinião sobre os métodos adotados, sobre as condições em que ministra suas aulas, sobre a infra-estrutura das escolas e nem a opinar sobre sua experiência profissional.Como se pode propor mudanças e estabelecer metas sem ouvir o profissional responsável por colocá-las em prática?Todo e qualquer programa em Educação para ter sucesso tem que ser elaborado levando em conta a vivência diária em sala de aula. A experiência é a melhor conselheira. Não há como promover mudanças tendo como foco um olhar unilateral, principalmente quando a fonte geradora destas mudanças vem de pessoas que nunca vivenciaram estar em sala de aula.
A movimentação para a remoção desta mordaça colocada no Professor há 40 anos vem mais do que em boa hora uma vez que é de conhecimento mundial a qualidade precária da educação brasileira frente à colocação que nosso pais ocupa no ranking mundial de pesquisas.
Para mudarmos esta realidade é preciso ouvir o grande responsável pelo exercício da Educação: o Professor.
É ele que está diariamente em contato com o aluno e que é o responsável por sua aprendizagem, por esta razão, totalmente capacitado para relacionar os itens que realmente dificultam e prejudicam a qualidade de ensino.
Uma realidade difícil de compreender é que todo cidadão, seja ele pai, avô, médico, engenheiro, advogado, pedreiro, enfim todo e qualquer cidadão brasileiro tem liberdade para expressar sua opinião sobre a Educação. A única exceção é o Professor, sendo ele na verdade, o único verdadeiramente capacitado para exprimir opiniões e críticas construtivas.
Quando este profissional da Educação puder se manifestar livremente e destacar o fato de se respeitar o limite máximo do número de alunos em sala de aula, o fará porque sabe que a superlotação é um fator decisivo para que a aprendizagem não ocorra.
Em se tratando de séries iniciais, principalmente com a mudança ainda em adaptação do Fundamental de nove anos, a diminuição do número de alunos em sala de aula é necessária tanto quanto a existência de uma auxiliar para ajudar na assistência das crianças que estão em processo de alfabetização. Nesse processo é de suma importância que a criança seja muito bem trabalhada porque será do resultado deste trabalho que dependerá o bom desenvolvimento educacional do aluno durante todo seu percurso escolar. Se na aprendizagem houver lacunas, a criança levará estas dificuldades para os anos seguintes, chegando, na maioria das vezes, a nunca se desvencilhar delas.
Podendo o Professor se expressar livremente poderá requisitar cursos de capacitação que venham suprir suas reais necessidades e a necessidade da comunidade escolar.
Uma boa sugestão é a capacitação de Professores para que utilizem as ferramentas da WEB 2.0 na aprendizagem.
É comum o Professor ouvir “palpites” de que ele tem que informatizar suas aulas, porém não há qualquer empenho das Escolas, em sua maioria, em propiciar a devida capacitação para que ele adquira conhecimento e prática de como utilizar estas ferramentas como um recurso a mais para que a aprendizagem ocorra. Por ser uma proposta totalmente nova no nosso país, sendo muito utilizada na Europa e nos Estados Unidos, não há uma gama de material de consulta disponível para que o Professor possa, por iniciativa própria, se aprofundar.
Um grande passo nesse sentido foi a parceria feita pela Prefeitura de São Paulo com a “maior festa tecnológica do mundo”que acontecerá no Campus Party no Ibirapuera em São Paulo dos dias 11 a 17 de fevereiro que propiciará oficinas e palestras dirigidas especialmente para os Professores da rede Pública, na qual terão oportunidade de conhecer ferramentas de aplicabilidade incontestável à Educação.
O Professor deverá fazer sua inscrição antecipadamente, então não perca tempo. Maiores informações siga esse link.
Temos que unir forças objetivando uma educação plena e eficaz. Porém, para que isso ocorra o professor tem que ser ouvido, e para ser ouvido tem que lhe ser assegurada a liberdade para falar.
Povo desenvolvido é aquele que valoriza e respeita seus professores.
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fevereiro 10th, 2008 at 03:02
Desculpe-me pela acidez dos comentários, mas alguns reparos podem vir a calhar.
1º. Não sei se é bom usar construções como “O Professor” isso, “O Professor” aquilo, pois isso parece aquelas generalizações indevidas, ainda que não seja. Não deixa o texto convincente.
Além disso, o texto soa mais como um desabafo do que como um artigo bem planejado.
Qual a “mordaça” de que se fala? Convém dizer do que se trata expressamente, pois muita gente (eu, inclusive, se não tivesse essa informação de outras leituras) não saberá a que você se refere.
fevereiro 10th, 2008 at 07:02
Ola Cybele, concordo com as suas idéias, o mundo da educação poderia ser bem melhor.
Sobre o número de alunos por sala, acredito que seja mais uma visão financeira. Se colocar menos alunos por sala a mensalidade sobe e se isso acontecer o número de matrículas cai. Lógico que várias escolas podem diminuir mais o número de alunos, mas infelizmente acho difícil termos uma proporção ótima para todos nós educadores.
Quando a tecnologia na educação, há muita informação na web para educadores, em Português.
fevereiro 11th, 2008 at 11:02
Olá João Nadal,
Primeiramente não há com que se desculpar uma vez que sendo o tema do artigo a “liberdade de expressão” não haveria eu de me contradizer e me chatear com suas observações, pertinente, principalmente no que diz respeito a não ter colocado um link no fato motivador do assunto: Grupos tentam derrubar lei que ‘amordaça’ professores (http://www.estado.com.br/editorias/2008/01/21/ger-1.93.7.20080121.7.1.xml), Nada a declarar (http://www.apeoesp.org.br/especiais/nada_declarar.html)
Quanto a usar o termo “O Professor” o faço como forma de me referir a uma classe que tenta veementemente mostrar o valor da sua profissão.
Danilo,
acredito que as escolas particulares ainda respeitem mais o limite de alunos por classe que as escolas públicas que, principalmente com a mudança do Ensino Fundamental para nove anos, mantém classes de 1º e 2º ano com 45 crianças. Imagino que o fato gerador dessa realidade seja o de ter que contratar mais professores caso dividissem as classes, tornando mais oneroso. Porém, o resultado seria bem mais satisfatório. É a economia que sai caro!
Agradeço aos dois pelos comentários.
março 9th, 2008 at 03:03
[...] * Cybele Meyer mantém o blog Educar Já e reune seus escritos no site Cybele Meyer e já publicou no Nossa Via o texto Removendo a mordaça. [...]