Tudo se copia?
A Sam Shiraishi me sugeriu escrever um artigo sobre um fato bem comum nos dias atuais, sobretudo, na internet: a cópia e uso não autorizado de conteúdo escrito. Assim que me vi diante dessa proposta comecei a pesquisar sobre o tema. Sinceramente nunca me incomodou ser copiada, nem mesmo após ter conhecimento de que um texto escrito por mim havia sido copiado e publicado na Wikipédia, meu pensamento não sofreu nenhuma alteração quanto a essa questão.
Então ouso indagar aqui: ?você tem alguma idéia do que realmente vem a ser um plágio?” E se esta pergunta fosse feita a você nesse exato momento e fosse exigida uma reposta rápida sem que lhe fosse permitido o uso de um dicionário, qual seria a sua resposta?
Se a sua resposta é simplesmente for: ?plágio é a cópia e publicação de um escrito sem autorização de seu autor?. Saiba que você está andando em terreno minado e eu explico a razão disso a seguir:
Há quem diga que ?Palavras pertencem à pessoa que as escreveu?, mas há também quem faça alertas no sentido de que ?quem escreve se baseia em um histórico e conhecimento pré-existente? - esse, por exemplo é o argumento utilizado pela Creative Crommon e que é questionado por muitos.
Citando Aristóteles que enunciou ?que o homem é o maior mímico de todos os animais? ? fica evidente que a cópia é na verdade um mecanismo essencial para a nossa existência social, para a nossa aprendizagem e para a nossa evolução ? na própria internet verifica-se que a cópia pode levar a resultados significativos e até mesmo surpreendentes.
Em um post escrito por Nick Ellis, o tema plágio é abordado e o autor mostra claramente o seu descontentamento com tal prática que ele chama de anti-ética. Segundo ele, seus textos já foram copiados várias vezes, mas ele também cita claramente que realiza diversas pesquisas para escrever seus artigos ? fato este que leva de encontro a questão abordada pela Creative Crommons.
Há quem defenda a idéia de que a pesquisa apenas nos remete a um conjunto de idéias pré existentes, que nos permite gerar opiniões diversas, contrárias ou a favor da já existente.
ÿ, sobretudo, válido verificar quantos de nós, ao escrever sobre determinado tema, mencionam as fontes utilizadas em nossa pesquisa. Quando redigimos trabalhos escolares nos é solicitado que acrescentemos uma biografia quanto a origem da pesquisa feita. Talvez, o procedimento também seja válido para quem escreve um simples artigo - mas nem sempre é o que acontece.
Pois bem, chegamos aqui ao velho ditado: “nada se cria, tudo se copia“. Claro que vai haver quem discorde do que eu estou dizendo e quero salientar que não estou dizendo que sou a favor de quem copia textos alheios e os publica como sendo seus, apenas tento evidenciar o quanto delicada é está questão.
Primeiro, porque a maioria das pessoas desconhecem o que realmente vem a ser Propriedade Intelectual - idéia que surgiu no inicio do século XVIII, mais precisamente em 1709 - na Inglaterra - quando foi criado o ?Statute of Anne? e, ao contrário do que se imagina, surgiu como forma de incentivo aos inovadores através da concessão de monopólios restritos, ou seja, com o simples objetivo de incentivar novas produções, que estavam escassas na época.
Antes desse estatuto, posso por assim dizer que não existiam autores - ou proprietários de escritos ou qualquer tipo de criação. Existia sim, mestres de vários ofícios (escultura, pintura, poesia, filosofia) cuja função era simplesmente apropriar-se do conhecimento pré-existente - reorganizá-lo e fundamentalmente adaptá-lo conforme à sua época - transmitindo ao outro ? sabendo que num futuro distante, alguém iria fazer uso de seus argumentos da mesma forma.
Os artistas e sábios não eram proprietários de sua criações - eram sim mensageiros e a sua capacidade de revelar o conhecimento era considerada uma dádiva dos deuses, nada mais.
Depois de criado o ?Statute of Anne? (em inglês) ? o artista passou a ser mais importante que sua obra e não demorou-se muito para que se percebesse o quanto se poderia lucrar com a Propriedade Intelectual Particular. Basta verificar que muitos autores não se incomodam quando sabem que seu texto foi copiado e publicados em blogs de pessoas que desejam apenas mostrar que escrevem coisas bonitas e interessantes. O que incomoda no plágio é saber que alguém consegue obter lucros com escritos que foram copiados.
Evidentemente, o assunto plágio não é assim tão simples de ser abordado, pois envolve questões diversas ? envolve, sobretudo, compreender o que vem a ser realmente Propriedade Intelectual.
O fato é que há quem se irrite com esse tipo de atitude, há quem justifique e até classifique as pessoas que praticam tal ato e há quem acredite que deveria ser encontrado um meio de conseguir proibir tal prática que é considerada crime com pena prevista no código penal brasileiro se ficar provado o plágio.
Mas esse é um assunto que seguirá sendo debatido não apenas em blogs e sites, como em toda a sociedade por muito tempo. Pois ainda há muito o que discutir a fim de se encontrar um solução para tal questão. Há grupos que buscam encontrar meios a fim de conseguir restringir ou até mesmo proibir a cópia (objeto do plagio) ? mas será que em tempos de internet ? restringir a cópia seria mesmo o melhor mecanismo para se alcançar esse objetivo?
N. da E.: Na blogosfera, por estarmos sujeitos a medidas que aferem valores (reais ou não) ao nosso trabalho, como o famoso e quase indecifrável Page Rank, costumamos aceitar as citações e eventuais plágios que nos tragam links (e os vários links nos dão um bom PR que por sua vez nos deixa em bom lugar nos mecanismos de busca e pode nos trazer leitores). Mas estará certo dividirmos nosso trabalho por tão pouco?
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June 1st, 2008 at 03:06
Lunna, belo texto!
Na Blogosfera, eu ainda sou novata. Ainda não me deparei com plágios de textos meus. Mas em Fóruns no Orkut, sim. Para mim deveriam ao menos deixar um registro desse tipo: Trouxe de outra comunidade.
Por lá, quando levo textos, ou mesmo trechos, de outras pessoas eu cito a Fonte. ÿ algo que trago dos bancos escolares, quando professores ensinam como apresentar um trabalho. E por um deles, veio o de fazer uma redação livre no final e juntar à pesquisa. O que me levou a desenvolver o meu lado de quase ser uma cronista.
Enfim, muito mais que recear por uma pena, deve vir o respeito por quem escreveu o texto.
Beijo grande,
June 1st, 2008 at 03:06
Lunna, se me permite, apenas uma pequena correção. No parágrafo 8, onde você se refere à biografia, imagino que quisess dizer “blibliografia”.
Quanto aao tema em si, a princípio não me isito qo ter um texto meu copiado ou transcrito desd que: 1. seja citada a fonte; 2. não seja utilizado para fins ao qual o texto não se destinava a princípio, a não seja que seja com o propósito de debater, seja por discórdia ou crítica. O autor tem que estar preparado para a aceitação ou não de suas idéias.
Já tive textos copiados até mesmo por professores universitários, que os utilizaram em sala de aula, por jornais e por internautas, na grande maioria das vezes com minha aquiscência. Por outro lado, ao ler um texto meu, escrito a pedido de uma amiga blogueira, recebi a acusação de plágio. Pedi ÿ moça que me acusara de me mostrar onde havia lido antes. Depois de muito bate boca, ela terminou pedindo desculpas, que se enganara.
Plágio, a meu ver, não é transcrever o testo na totalidade apenas, mas pode ser utilizar-se de parte dele dentro de um outro texto e nem dizer que aquilo é uma referência ao texto tal de fulano de tal.
June 1st, 2008 at 04:06
Lunna,
O que nã verdade incomoda a quem se sente ‘copiado’ , creio eu, não é apenas a autoria do texto, mas , sim um trabalho de pesquisa e a socialização de um conhecimento, sem creditar a quem teve o trabalho a valorização do mesmo.
Também não me incomoda ser copiada (já fui), pois eu também faço pesquisas (e cito fontes,às vezes), mas, fico preocupada de ser eu a taxada de plagiadora , visto que, é muito fácil trocar-se a data de publicação de um post.
Mas, penso que devemos ‘dar a Cesar o que é de Cesar’, sim, e as obras pertencem a todo mundo, porém, nada mais justo do que se valorizar quem teve o trabalho de produção.
beijo, menina
June 1st, 2008 at 05:06
Tão simples… é só mencionar a fonte… pensamento inaugural poucos tevem… e tolo do que tiver pretensão em se apropriar de tal pensamento…
June 1st, 2008 at 07:06
Querida Lunna e Sam, eu sou adepta da politica da boa vizinhança… “se vc copiou de alguém um texto diga a fonte.” Assim vc não prejudica ninguém.
bjs e adorei o tema.
June 1st, 2008 at 07:06
Citar um texto com o nome do autor dá trabalho? Então não copie, invente.
June 2nd, 2008 at 03:06
Daí vem o slogan do Blog do CTRL+C: “Copiar de uma pessoa é plágio. Copiar de várias… é pesquisa” (que foi devidamente copiado de algum canto)
Eu considero um plágio aquilo que é copiado na íntegra ou boa parte do pensamento de outra pessoa sem fazer nenhuma referência. Se eu simplesmente copiasse esse post e publicasse no meu blog como sendo eu o autor, eu consideraria um plágio.
Mas se eu li o texto, entendi e resolvi escrever um outro com “minhas palavras” e colocar (ou não) o seu como referência, não acho que seja plágio. Entre aspas pois podem não ser o que eu penso, mas sim o seu pensamento da forma como eu entendi. E se eu escrever alguma coisa que foge do seu pensamento é que não vai se caracterizar mesmo como plágio.
Pode não ser a definição do dicionário, mas é o meu pensamento.
June 4th, 2008 at 02:06
olá, excelente texto!
Este assunto é bastante controverso. Concordo com todas as colocações citadas.
Fiz um blog há pouco tempo e os assuntos com os quais me identifico normalmente são debatidos por especialistas em sua área, pessoas que estudaram e possuem profundo conhecimento sobre o assunto.
Me sinto capaz de fazer diversas pesquisas e criar o meu próprio texto, porém acho mais interessante e relevante para o meu público alvo colocar no meu blog textos de diversos autores (especialistas) em sua área citando a fonte.
Viva Aristóteles!
June 4th, 2008 at 10:06
Lunna, eu acredito na questão do inconsciente coletivo, inclusive falei em algum texto meu que originalidade é um conceito extremamente questionável. O valor representacional da arte é inerente, então, querendo ou não, a fonte da arte é um conhecimento pré-existente e compartilhado por muitos. Acho que o artista apenas filtra esse turbilhão de informações através de seu crivo pessoal. Talvez aí resida a originalidade: na forma como se registra - eis o mérito do artista, na minha opinião, e penso eu que esse mérito deve ser reconhecido.
Entretanto, acho importante que seja assegurado o acesso à informação. Pra falar de um meio-termo, acho legal citar o autor da obra: uma pessoa qualquer pode usar a arte para os devidos meios sem com isso plagiar ou tomar para si o mérito da criação.