Ela: Venha cá e me pegue! Ele: Entregue-se; você é minha.
“A cama é um móvel metafísico.” [Nelson Rodrigues]
Perdoe-me o jeito direto, mas temos tratado nossa cama como se fosse um caixote desses de madeira barata. E por que isso? Onde estamos errando?
Talvez… no entendimento do que a coisa seja…
Não pretendo repetir o muito que já foi dito sobre sexo. Proponho apenas um fio para se tentar entrelaçar esse mundo de informação solta a esse respeito. Mas, para isso, tenho que partir de algum lugar. Nada mais justo do que falar sobre o que sei e experimentei, pele-a-pele.
Como tudo na vida, a postura, o modo como você deita os olhos sobre a questão, faz toda a diferença. Embora já estejamos às portas do término da primeira década do século XXI, no que concerne ao sexo e também ao amor, nós, humanos, ainda mal engatinhamos. E é muito difícil saber bem agir quando todo mundo tem tantos grilos e opiniões diferentes a respeito.
Então, ao invés de dizer o que sexo é, quero comentar, primeiro, sobre o que sei que não é.
Para início de conversa, nossa cama nunca deveria ser menos do que é, menos do que anda sendo. Ela deveria ser um playground para gente grande e não um local que, no passar dos dias, a gente acaba transformando numa balança. Quer coisa mais íntima que beijo na boca, ou olho-no-olho? A idéia é o sexo ser a continuidade disso porque, na verdade, esse olhar dentro do outro já faz parte dele. Já é, ao mesmo tempo, um convite e uma entrega: eu estou aqui, nesse momento, querendo e desejando você. E por isso, quero mergulhar nesses seus olhos e sentir seu corpo inteiro. Venha cá e me pegue! Ou, da parte dele: quero você toda para mim, te ter inteira em meus braços, entregue-se; você é minha!
Só que, em algum momento, isso deixa de acontecer, não o desejo, se o casal tem a chama, o desejo continua, aonde a porca torce o rabo é na danada da entrega. Poucas são as pessoas que, corajosamente, se entregam por inteiro no momento da transa. Pensa bem, se aquele sexo que acontece sem a gente saber que vai acontecer já tem sempre um bom tempero a mais, imagine descobrir sabores e texturas novos numa refeição em que você mastiga se entregando…
Então, o que seria se entregar por inteiro na hora da transa?
Dito assim na lata, é saber ir para a cama sem medir o dar-e-receber. Sexo nunca deveria ser uma armação de balanças e roldanas móveis e mentais. Vê onde erramos?!
Se deitar com alguém, deixar essa pessoa brincar com seu corpo, penetrá-lo, sempre vai ser um ato de extrema intimidade, mesmo que você ou o outro não percebam. Uma coisa é o retrato de dois adultos, fechados em si mesmos, esfregando juntos em sincronia seus genitais, um sob o outro, achando que estão numa transa – desperdício enorme que vem se tornando cada vez mais comum. Outra, imensamente diferente, é a abertura que se cria quando um adulto quer descobrir tudo sobre o corpo do outro sem saber como essa viagem vai terminar… E, muitas vezes, nem querendo que ela termine…
Aí, sim, esse frágil caixote se expande tanto que fica muito maior que ambos e o que os circunda.
Texto enviado para o nosso canal Via Aberta por Myla Fonseca, “uma moça, entre as montanhas de Minas, que sempre teve curiosidade quanto à coisa humana e, entre elas, o sexo, claro”.
Últimos posts de Via Aberta
- Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo
- Vítimas da dengue ou do poder público?
- Parto Anônimo um retrocesso?
- O Radiohead e a Pirataria
- O Velho Chico Cansado!
Popularity: 29% [?]
Posts Releacionados
-
No related posts


























December 8th, 2007 at 10:12
Myla, não poderia estrear melhor aqui no NossaVia. O Deida te fez bem, hein?
Destaque para as imagens…. geniais.
“A idéia é o sexo ser a continuidade disso porque, na verdade, esse olhar dentro do outro já faz parte dele.”
É, eu escrevi um post inteiro tentando falar sobre isso: o sexo começa e termina no olhar. Sem olhar, sem sexo.
Abração!!!
December 8th, 2007 at 11:12
Myla,
Sem mais delongas e, de novo parodiando você mesma (o que posso fazer se você tem se tornado uma referência constante pra mim?): sua visão “vai muito além das atitudes mixurucas de amor-boomerang que comumente oferecemos”.
Obrigado por nos brindar agora com seus textos, já que com sua companhia e com seus comentários sempre espirituosos e inquietantes nos nossos textos você já nos brinda desde o início dos nossos trabalhos aqui no portal.
A propósito: adorei o novo artigo mandado pro Via Aberta - vamos publicá-lo também, assim que o tenhamos editado.
Beijo!
December 9th, 2007 at 05:12
Myla,
Só você mesma para brindar a todos nós, com sua criatividade, curiosidade, amabilidade e tantos …ades que você é.
Beijos,
Marilisa
December 9th, 2007 at 09:12
Sobre a Myla, acho que posso dizer algumas coisas com certa propriedade, pois conheço ela há mais de dez anos. Myla é foda, totalmente única. Quem conhece nunca esquece. Mas o que mais admiro nela é que ela é sempre sincera, espontanea e prestativa. Conviver com ela - e Myla é daquelas tontinhas que não têm a mínima noção de quão lindas são - é ter uma das melhores cias que um marmanjo tosco como eu poderia ter na vida.
December 10th, 2007 at 01:12
Myla,
Que boa surpresa te encontrar tambem aqui !
Falta o entendimento de que “só é seu aquilo q vc da” estes “dois adultos, fechados em si mesmos, esfregando juntos em sincronia seus genitais”.
Ocorre que a entrega exige generosidade, coisa que vc tem de sobra querida amiga, mas que esta em falta no mercado.
Parabens pelo texto. Objetivo e sensível, como vc.
Bj
December 10th, 2007 at 10:12
Genial! Você é mesmo uma romântica, My! Werther teria concordado contigo (e eu também concordo!).
Vê se faz um blog só seu - e, de preferência, um que todos possam ler! hehehe!
Beijos!
F.
December 11th, 2007 at 12:12
Essa menina é uma das paixões da minha vida e nunca me deu bola….. já pensei em cortar os pulsos repetidas vezes, kakakakaaa….. mas aí me lembro dela e esqueço o que queria fazer…. ; )
Parabens, My, genial!
e o Feldman esta certo, faz um blog seu, mas um que possamos ler!!!!!
December 11th, 2007 at 10:12
Gu: foi vc quem me trouxe aqui e me mostrou esse espaço e tantos outros, sementes lá da nossa convivência no não2não1, q foram ganhando diversos caminhos. Deida? hehehe, e nem falo da Pema, do Wallace… do Lama Samten… seria ser perversa, cruelmente injusta com vc. ;0)
se eu pudesse, roubava o bilhete mais graúdo da megasena e te entregava com um baita sorriso no coração!!! sei q certamente vc tornaria o samsarão algo maravilhoso, rs ;0)
Wagner: pois é, o q dizer sobre vc? foi vc quem me recebeu aqui d portas abertas e um lindo sorriso no rosto. quem me ajudou a escolher as imagens, quem editou o texto, e teve um enorme carinho, em tudo.
se algum dia vc vier aqui a BH, te devo um giro pela cidade e um jantar d texturas e sabores diversos, regado a um excelente vinho. não precisa se preocupar pq eu não queimo a panela, rs! ;0)
Marilisa: tia, que coisa booooa te ver aqui! adorei a visita e ababação d ovo tb, claro! hehehe ;0)
Digo: vc é friend for life. o q mais posso dizer? q vc me conhece como ninguém? o tanto q eu adoro? hehehe, qualquer coisa q eu disser é cair na redundância do óbvio ululantemente desnecessário, rs! ;0) (obrigada!)
Lunna: éhhh amiga, mesmo aí d Brasília, a gente pensa em sintonia. se entregar é mesmo pra poucos, mas, como vc mesma já disse: que diabos, então, estamos fazendo aqui??????? bj, adorei vc aqui tb! grazie ;0)
F.: já te falei pra escrever aqui tb, enviar um texto p o via aberta. sobre cinema, música e filosofia vc iria matar a pau!!!! por que a reticência?
vamos combinar assim: se vc enviar textos pra cá e forem escolhidos pra publicação, eu crio um blog pra todo mundo ler. deal?
João: hehehe, é karma, querido! vai muito além d mim ou de vc. mas, no fundo, no fundo, vc sabe: eu te amo muito, mesmo sem te dar bola, rs! ;0))))
December 11th, 2007 at 11:12
Tenho algumas opiniões conflitantes a respeito do assunto, confesso. Quem sabe um dia eu escreva sobre isso. De qualquer forma, não deixa de ser um bonito texto, o seu. Parabéns.
December 12th, 2007 at 01:12
[...] Nossa Via Myla Fonseca no Via Aberta: Relacionamentos virtuais: arejando um pouco nossas idéias e Ela: Venha cá e me pegue! Ele: Entregue-se; você é minha. Você também tem o que falar? Escreve lá. E se sua praia for literatura, o Coletânea Artesanal [...]
December 16th, 2007 at 03:12
Myla,
Você é muito especial.
Este seu jeitinho mineiro de dizer as coisas, é único.
Beijos,
Sônia Mara
December 16th, 2007 at 03:12
Myla,
Você é especial e muito guerreira.
Está deixando o seu recado de modo criativo.
Beijos,
Sônia
December 16th, 2007 at 07:12
oi VP, suas opiniões, com certeza, iriam pôr muitas cabecinhas pra pensar, inclusive a minha. o q eu aponto aqui é mais antigo q o céu; a dificuldade toda, no entanto, tá em justamente fazer a coisa ganhar corpo, gã - respirar verdadeira.
oi Sônia, obrigada querida. de guerreira, eu me inspiro em vc!!! q, nem por mais-menos, no equivaler das coisas, vive igualmente única! :0))))
beijos
December 17th, 2007 at 02:12
Ela: Venha cá e me pegue! Ele: Entregue-se; você é minha. | Nossa Via: o co…
Sexo: onde a porca torce o rabo é na danada da entrega….