11 motivos para ler Hamlet

Desnecessário dizer que, para se ler uma obra literária, basta estar-se gostando do andamento das páginas.
Porém, para algumas - de tão boas e no caso de ainda não se estar com o livro nas mãos - cabe o incentivo de quem já o leu e por ele tem alguma preferência aos que ainda não tiveram tal privilégio.
É o caso de Hamlet, de William Shakespeare.
Seria suficiente, quanto à imperiosidade de se ler essa obra, dizer que Hamlet, o Príncipe da Dinamarca, pode ser uma das melhores experiências literárias de sua vida: há nela aventura, sexo, duelos de espada, intriga, sabedoria, humanidade, arte, filosofia, beleza, loucura, poesia e, claro, um final sangrento.
No entanto, vamos a eles de uma vez. Os motivos:
- Hamlet provavelmente é o personagem mais legal de toda a literatura. Ele é sábio e, contraditoriamente, vítima de suas próprias paixões. Jovem, atormentado e triste - com o que um adolescente se identificaria -, mas também ponderado, sagaz e consciente de suas responsabilidades - como uma pessoa mais madura preferiria.
- Hamlet expressa o humano. Sendo tão contraditório e sólido ao mesmo tempo, ele não é nada mais nada menos do que um dos personagens que melhor expõe as forças que trabalham em sentidos opostos em cada um de nós, no que elas têm de maior e no que eles têm de mais miúdo. Ele não é um herói bom, nem um herói mau. É apenas um herói, como você ou eu.
- Trata-se de literatura de detetive. Embora conduzido pela névoa das emoções e por métodos que tornam Bentinho, de Dom Casmurro, uma pessoa completamente lúcida, Hamlet tenta descobrir o assassino de seu pai.
- Não há uma página sequer em que não haja uma passagem de arrepiar ou algum dito espirituoso, como este em um diálogo entre Hamlet e seu tio, na cena 3 do quarto ato: “Hamlet: Pode-se pescar com um verme que tenha comido de um rei e comer o peixe que se alimentou desse verme. O rei: Que queres dizer com isso? Hamlet: Nada. Apenas mostrar-vos como um rei pode fazer um passeio pelos intestinos de um mendigo.”
- Um clássico é, no mínimo, um bom conselheiro. O exemplo que primeiro me ocorre são as dicas dadas por Polônio a seu filho, Laerte, quando este parte em viagem.
- É uma obra sobre amizade. O que dizer da fidelidade mútua que há entre Horácio e Hamlet?
- Há tensão sexual e emocional. O que afirmar sobre as mulheres da peça com as quais Hamlet se relaciona: a mãe e Ofélia? Freud que nos explique.
- A peça mostra como o artista lida com os acontecimentos de sua vida. É possível que a peça tenha sido escrita sob a influência da perda de um filho de Shakespeare, chamado Hamnet.
- O monólogo. O famoso “ser ou não ser”. Ele pode ser encarado como a escolha entre a vida, e a certeza dos sofrimentos, e o suicídio, e a incerteza do que virá depois desse ato, de um modo mais simplista. Mas também pode ser entendido como a escolha entre as formas de existência mais cruas e responsáveis e as mais escapistas. A escolha entre a pílula vermelha e a azul, em Matrix.
- Hamlet não perde sua atualidade: por tratar de temas que nunca sairão da pauta dos tormentos humanos.
- Wagner “Capitão Nascimento” Moura em breve encarnará o príncipe dinamarquês. E por isso você ainda vai ouvir falar muito dessa peça.
Vou ficar devendo por ora minha teoria que prova que todo o enredo não passou de uma armação do fiel amigo de Hamlet, Horácio, a fim de entregar a Dinamarca de mão beijada ao conquistador Fortimbrás.
Prefiro contar a história - verdadeira - de um estudante que tentava uma vaga na Faculdade de Artes do Paraná (FAP).
O texto escolhido para a prova prática: o monólogo.
- Ser ou não ser…
Silêncio. A banca tensa. Mais silêncio. Uma gotinha de suor escorreu pela têmpora do candidato.
- Xi… esqueci.
No caso, ele perdeu a questão.
E o resto é silêncio.
(A fotografia que ilustra este texto foi tirada da versão cinematográfica estrelada e dirigida por Kenneth Branagh, em 1996)
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[...] 20 12 2007 por Alessandro Martins · Sem comentários O meu artigo de hoje no NossaVia é 11 motivos para ler Hamlet. [...]
December 20th, 2007 at 09:12
11 motivos para ler Hamlet | Nossa Via: o conteúdo passa por aqui!…
Pode ser simplesmente a melhor experiência literária de sua vida: mistério, aventura, sexo, duelos de espada, intriga, sabedoria, filosofia, poesia, loucura e um final sangrento….
December 20th, 2007 at 11:12
Realmente, Shakespeare não é a toa um escritor brilhante. Raramente suas peças são enfadonhas, mesmo as mais difíceis conseguem manter nossa atenção durante um bom tempo. Romeu e Julieta para os mais românticos, com seu amor impossível. Ricardo III com sua poderosa visão do totalitarismo e Rei Lear com uma discussão sobre o poder que raremente encontramos em outro lugar!
Muito bom texto e ótima dica.
É raro encontrar alguém indicando ler dramaturgia!
December 20th, 2007 at 11:12
Uau!
Já pra cá, Hamlet, que estava mesmo com saudades das suas loucuras…
Pra mim, um gosto especial tem este herói (que somos todos nós, como você bem frisou), pois foi meu escolhido na disciplina de Introdução À Psicanálise, do distante curso de Psicologia… deitei e rolei com o texto que já me inebriava sem que eu soubesso o porquê. Eu tinha então 18 anos e era Julieta…
Maravilha de escrito, Alessandro.
January 17th, 2008 at 09:01
[...] Recentemente, escrevi um texto inteiro falando de motivos para você ler Hamlet. [...]