A chegada das letras ao Brasil
Você sabe algo do Quinhentismo? Primeiro momento da literatura brasileira, chamado de Literatura Informativa, não apresenta nenhum estilo literário articulado ou desenvolvido - dedica-se apenas a informar os acontecimentos referentes às viagens além mar até a “nova terra”, assim como também visa descrevê-la, enaltecendo tudo que fosse pitoresco e exótico.
O Brasil foi “descoberto” pelos portugueses em plena época do renascimento na Europa. Contudo, não foi imediatamente explorado, uma vez que as colônias orientais eram mais rendosas e o Brasil não passava de uma terra totalmente desconhecida - da qual não se sabia absolutamente nada sobre suas características geográficas e tão pouco de seus habitantes. A riqueza local era o Pau Brasil (de onde se originou o nome da terra), mas está não se equiparava em momento algum aos recursos oferecidos pelo oriente.
Por essa razão, somente em 1532, diante do preço compensador do açúcar, é que os portugueses deram inicio a colonização do solo brasileiro, auxiliado pelo trabalho escravo.
Na carta escrita por Pero Vaz de Caminha, ele enaltecia a natureza e a fertilidade do solo - fato este que levou ao enviou de expedições de reconhecimento da “nova terra” e junto com os navegadores vieram os Padres Jesuítas, cuja missão era converter os índios com o claro objetivo de expandir o cristianismo.
Portanto, o primeiro momento da literatura brasileira é chamado de Literatura Informativa que na verdade não apresenta nenhum estilo literário articulado ou desenvolvido - dedica-se apenas a informar os acontecimentos referentes às viagens além mar até a “nova terra”, assim como também visa descrevê-la, enaltecendo tudo que fosse pitoresco e exótico.
O Brasil, desde o começo foi transformado num paraíso, cheio de coisas belas e surpreendentes, até mesmo os índios eram considerados figuras surpreendentes:
“E assim seguimos nosso caminho por este mar de longo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa que foram 21 dias de abril, topamos alguns sinais de terra sendo da dita ilha distante, segundo os pilotos diziam, obra de 660 a 670 léguas, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho e assim outros a que também chamam de rabo-de-asno.”
Trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha, escrita a Dom Manuel, rei de Portugal, onde ele começa a descrever o que vê, estando ainda em mar aberto.
As primeiras cartas foram escritas por Pero de Magalhães Gândavo que escreveu a história da província de Santa Cruz - Gabriel Soares de Souza, escreveu um tratado descritivo do Brasil e Fernando Brandão que enalteceu as grandezas da “nova terra”.
“Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas, traziam arcos nas mãos e suas setas. Vinham todos rijos em direção ao batel e Nicolau Coelho fez sinal para que pousassem os arcos, e eles pousaram. Ali não pode deles haver fala nem entendimento que aproveitasse, por o mar quebrar na costa. Somente lhes deu um barrete e uma carapuça de linho que levava na cabeça e um sombreiro preto. E um deles lhe deu um sombreiro de penas de aves, compridas, com uma copazinha pequena de penas vermelhas e pardas como de papagaio, e outro lhe deu um ramal grande de continhas brancas, miúdas, que querem parecer de algaveira, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza. E com isto se volveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais falas por causa do mar.”
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Comentários
6 Comentários
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Lembro vagamente o que estudei na Escola e de lá prá cá se não pelo interesse pessoal, percebo que não há investimento na memória nacional.
A carta faz parte da dita literatura de informação.
Tenho um primo historiador que trabalha na biblioteca nacional e ele sempre passa dicas de livros e tal. Veja bem, só porque ha um interesse pessoal. O brasileiro em si, pouco liga para fatos históricos. O filme “Caramuru - A invenção do Brasil” é uma boa pedida para aqueles que não gostam de ler e querem saber sobre o período. É bem humorado, principalmente a parte em que a dificuldade com as diferenças da língua são mostradas.
Beijus,
[...] também. - A chegada das letras no Brasil (Nossa Via) - Literatura Jesuíta (Nossa Via) - Conto. Retalhos ( Blog Acqua) [...]
[...] ao Quinhentismo, Lunna Guedes continua a série de artigos sobre literatura no Brasil iniciada com A chegada das letras ao Brasil, tratando do “Diálogo da Conversão de Gentio” e parte da missão de Pe. Manuel da Nóbrega [...]
Querida Lunna, já lhe disse que eu adoro essa parte da literatura brasileira? Seu artigo esclarece e com os trechos da carta de Pero Vaz, não posso deixar de sorrir ao imaginar as expressões geradas pelo choque de culturas entre portugueses e índios. Então, parabéns ao Brasil que no dia 22 faz aniversário!!! Beijos.
[...] como conhecer um pouco mais sobre a literatura brasiliera. Está no caminho certo… >> clique aqui e quem sabe você acompanha a chega das letras ao Brasil… [...]
Luna, que bela aula!
veja os textos que meus alunos esceveram em uma aula parecida com essa: http://drang50.wordpress.com/releituras/trabalho-iv/
beijo,menina